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Estratégias da Jalles para crescimento incluem açúcar, biogás e sustentabilidade

Diretor financeiro da sucroenergética revela as apostas que buscam agregar valor e aproveitar bons momentos do mercado

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Com três unidades – duas em Goiás e uma em Minas Gerais –, a Jalles têm planos ambiciosos para o futuro. Em termos de moagem de cana-de-açúcar, a companhia divulgou que pretende atingir 7,3 milhões de toneladas em 2023/24, alta de 43,4% em comparação com a temporada anterior. Além disso, a sucroenergética deseja chegar a 9 milhões de toneladas em 2026/27, o que representaria uma elevação de 76,7% em quatro anos.

“A Jalles tem um modelo um pouco diferente do tradicional no setor, pois tem 100% de cana própria, com foco em produtos de maior valor agregado”, disse o diretor financeiro da companhia, Rodrigo Penna de Siqueira, durante sua palestra na sexta edição da Conferência NovaCana, que aconteceu em São Paulo (SP), em setembro.

De acordo com ele, o cultivo de cana-de-açúcar orgânica representou, nos últimos anos, entre 15% e 25% do faturamento da Jalles. Entretanto, o índice teve uma queda após a compra da unidade Santa Vitória, em 2022.

“Lá, ainda não tem essa parte orgânica, mas tem uma cogeração muito forte”, pondera e explica: “A unidade venceu um leilão de energia muito bom em termos de preço. A estrutura de cogeração é muito moderna, muito eficiente, e representa mais de 15% da receita total da unidade, o que também está em linha com o nosso foco em produtos de maior valor agregado”.

Ainda conforme Siqueira, os canaviais da Jalles se destacam por possuírem uma produtividade “bem acima da média” da região Centro-Sul. Ele relata que a companhia apostou em tecnologia agrícola – o que inclui tanto projetos de irrigação quanto centrais de monitoramento –, ultrapassando a marca de 100 toneladas de cana por hectare durante três safras consecutivas na usina Otávio Lage, uma sequência que foi interrompida apenas pela quebra na produção vivida pelo setor em 2021/22.

No texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana), saiba as perspectivas do executivo sobre os investimentos da companhia e as oportunidades em diversas áreas, como:

- Aumento de capacidade de moagem
- Nova fábrica de açúcar
- Armazenagem de etanol
- Planta de biogás
- Combustível sustentável de aviação (SAF)
- Hidrogênio verde
- Bioplásticos
- Mercado de CBios

Com três unidades – duas em Goiás e uma em Minas Gerais –, a Jalles têm planos ambiciosos para o futuro. Em termos de moagem de cana-de-açúcar, a companhia divulgou que pretende atingir 7,3 milhões de toneladas em 2023/24, alta de 43,4% em comparação com a temporada anterior. Além disso, a sucroenergética deseja chegar a 9 milhões de toneladas em 2026/27, o que representaria uma elevação de 76,7% em quatro anos.

“A Jalles tem um modelo um pouco diferente do tradicional no setor, pois tem 100% de cana própria, com foco em produtos de maior valor agregado”, disse o diretor financeiro da companhia, Rodrigo Penna de Siqueira, durante sua palestra na sexta edição da Conferência NovaCana, que aconteceu em São Paulo (SP), em setembro.

De acordo com ele, o cultivo de cana-de-açúcar orgânica representou, nos últimos anos, entre 15% e 25% do faturamento da Jalles. Entretanto, o índice teve uma queda após a compra da unidade Santa Vitória, em 2022.

“Lá, ainda não tem essa parte orgânica, mas tem uma cogeração muito forte”, pondera e explica: “A unidade venceu um leilão de energia muito bom em termos de preço. A estrutura de cogeração é muito moderna, muito eficiente, e representa mais de 15% da receita total da unidade, o que também está em linha com o nosso foco em produtos de maior valor agregado”.

Ainda conforme Siqueira, os canaviais da Jalles se destacam por possuírem uma produtividade “bem acima da média” da região Centro-Sul. Ele relata que a companhia apostou em tecnologia agrícola – o que inclui tanto projetos de irrigação quanto centrais de monitoramento –, ultrapassando a marca de 100 toneladas de cana por hectare durante três safras consecutivas na usina Otávio Lage, uma sequência que foi interrompida apenas pela quebra na produção vivida pelo setor em 2021/22.

Investimentos e a nova fábrica de açúcar

Para o executivo, estes resultados surgiram com a execução de um plano voltado tanto para o campo quanto para a indústria. “Nós já executamos mais de R$ 1 bilhão em investimentos”, resume.

Ele conta que, após a abertura de capital, a Jalles direcionou R$ 520 milhões para aumentar a capacidade de moagem de suas usinas goianas em 1 milhão de toneladas. Além disso, a sucroenergética aplicou R$ 721 milhões para adquirir a Santa Vitória, sem contar os valores aportados para melhorias na unidade.

Para completar, Siqueira ainda cita a implantação da fábrica de açúcar na usina mineira, que tem estrutura totalmente voltada para o etanol. “Isso não estava nos planos do IPO”, relata e segue: “Para a Santa Vitória, o objetivo era sair das 1,8 milhão de toneladas que nós moemos quando assumimos a unidade, no ano passado, para 2,7 milhões”.

O executivo explica que a decisão de investir em açúcar partiu da necessidade de aproveitar o atual momento do mercado. Ele ainda destaca que a diretoria da Jalles agiu com agilidade para analisar a situação, tomar uma decisão e iniciar as obras.

“Entre março e abril deste ano, o açúcar descolou de uma forma importante do etanol. Nós trabalhamos rápido, mesmo sendo uma empresa listada”, afirma e detalha: “Foram feitas várias reuniões de conselho para avaliar a viabilidade e o cronograma para colocar essa planta de pé e rodando já no ano que vem”.

Com isso, o grupo deve sair de um mix de produção com direcionamento de 36% da cana para a fabricação de açúcar, conforme previsto para a atual temporada, para mais de 50% já em 2024/25. “Vamos capturar esse bom momento do cenário de preços de açúcar, que criou uma condição mais rápida para o pagamento desse investimento”, disse.

Além disso, de acordo com Siqueira, com a planta de açúcar em funcionamento, a infraestrutura da Jalles para estocagem de etanol será capaz de armazenar quase toda a produção anual. Isso permitirá que a empresa tenha uma liberdade maior para vender o biocombustível em melhores momentos de preço.

Biogás e outras oportunidades

Em relação à descarbonização das operações, uma iniciativa recente da Jalles é a planta de biogás. Inaugurada em agosto deste ano na usina Otávio Lage, ela é mais uma parceria da sucroenergética com a Albioma, que já é sua sócia na termelétrica da unidade. Conforme o diretor, a Jalles tem 40% na joint venture, com os 60% restantes pertencendo à Albioma.

Ainda segundo Siqueira, a planta deve receber vinhaça para a produção de biogás, que será usado para a geração de energia; os resíduos, por sua vez, serão direcionados para a fertilização do solo. “É um primeiro trabalho que estamos fazendo com biogás, para conhecermos melhor essa tecnologia”, afirma e segue: “A ideia é, no futuro, migrar o produto para biometano. Mas, nesse projeto específico, participamos de um leilão de energia e vamos exportar 22 gigawatts”.

Já falando do setor sucroenergética de maneira geral, o diretor financeiro da Jalles comentou sobre as possibilidades vinculadas à transição energética. “Temos discutido muito a questão da descarbonização do transporte aéreo. As companhias têm a meta de colocar aproximadamente 500 bilhões de litros de SAF [combustível sustentável de aviação] na mistura até 2050”, relata.

Além disso, ele cita que o bioplástico deve demandar o equivalente a 300 bilhões de litros de etanol, existindo também uma demanda para o setor marítimo. “Nestes setores, não tem como a descarbonização passar pela via elétrica, pela bateria”, acredita.

“Vamos ter que trabalhar para participar da descarbonização. A demanda potencial é muito grande, estamos falando em um crescimento enorme do mercado de etanol”, Rodrigo Penna de Siqueira (Jalles)

Com a soma destas oportunidades, Siqueira acredita em uma demanda de cerca de 1,5 bilhão de litros. “Se o etanol for a rota para 5% de participação nestes mercados, estamos falando de uma demanda adicional de 75 bilhões de litros. Hoje, o mundo produz 111 bilhões de litros de etanol”, afirma.

O etanol no transporte eletrificado

O executivo ainda compara as emissões de gases de efeito estufa entre o biocombustível e os veículos elétricos. De acordo com ele, considerando a metodologia “do poço à roda”, o renovável de cana-de-açúcar representa uma alternativa mais sustentável.

“O carro híbrido a etanol emite só 29g de CO2 por quilômetro rodado”, afirma e completa: “Nos veículos pequenos, é inevitável que a descarbonização passe pela eletrificação, mas nós temos um espaço grande para o etanol em países como o Brasil e a Índia. É uma solução que já está pronta; o híbrido flex é uma alternativa super sustentável em termos de emissões”.

Ao mesmo tempo, Siqueira acredita que o hidrogênio verde pode ser um parceiro na eletrificação – e o biocombustível representaria uma rota de produção viável. “O etanol é uma das formas mais baratas para produzir o hidrogênio. Se essa tecnologia for viabilizada, o hidrogênio vai aliar o bom da eletrificação e vai tirar a parte ruim, que é a bateria”, argumenta.

Conforme o diretor da Jalles, a bateria de um carro elétrico pode pesar em torno de 600 kg, além de ser de difícil descarte. Um motor a célula de combustível pode deixar os veículos mais leves, também aproveitando a infraestrutura de logística já existente do etanol.

“O Tarcísio [Freitas, governador de São Paulo] andou no Toyota Mirai, que tem essa tecnologia”, exemplifica. “Entra o etanol, o reformador tira a molécula de hidrogênio do etanol e a célula de combustível roda os motores elétricos do carro”, completa.

Ainda de acordo com o executivo, o etanol seria uma melhor alternativa para o hidrogênio verde em comparação com a água. Ele observa que vários países, como os Estados Unidos, estão apostando na eletrólise, mas o volume de matéria-prima necessário seria muito maior do que no caso do biocombustível.

Faturamento com o RenovaBio

Ao apostar em uma operação agrícola orgânica – ainda que apenas em parte das áreas –, alta produtividade e tecnologias de descarbonização, o grupo também aproveita as vantagens de ter uma nota melhor no programa RenovaBio.

Atualmente, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a usina Jalles tem o maior fator de emissão de créditos de descarbonização para o etanol anidro e o terceiro maior para o hidratado, ocupando a liderança entre as usinas de cana-de-açúcar. Conforme os números da agência, a unidade pode gerar um CBio a cada 616,9 litros de anidro ou 649,35 litros de hidratado.

Já a unidade Otávio Lage possui o quinto maior fator de emissão para o hidratado, podendo escriturar um crédito a cada 665,78 litros de etanol comercializados. Por fim, a Santa Vitória precisa vender 861,33 litros de hidratado para gerar um CBio.

“O RenovaBio é a sustentabilidade gerando impacto econômico”, Rodrigo Penna de Siqueira (Jalles)

Assim, segundo Siqueira, a unidade Jalles pode emitir 38% mais CBios que a média do setor para o anidro, além de 36% a mais no caso do hidratado; já na Otávio Lage, este índice seria de 32% para o hidratado. “Com o CBio a praticamente R$ 120, isso nos dá mais competitividade. Considerando o etanol anidro a R$ 3 por litro, é quase 2% de prêmio”, calcula. No caso do hidratado, o ganho seria de 1,4% na Otávio Lage.

O diretor explica que um dos principais fatores para as notas mais vantajosas está no plantio orgânico, que chega a quase 30% das áreas nas unidades goianas. “Ele tem uma pegada de carbono menor porque a gente não usa os grandes vilões, que são os fertilizantes nitrogenados”, afirma.

Além disso, Siqueira afirma que o segundo fator que mais prejudica as certificações é o consumo de óleo diesel. Neste caso, ele relata que a Jalles procura fazer uma gestão otimizada. “É um exemplo real e prático de que a produção mais sustentável está gerando resultados”, garante.

Renata Bossle – NovaCana

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