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“Estamos nos dedicando a corrigir os erros que cometemos”, diz Ometto sobre Raízen

Em entrevista ao Valor Econômico, fundador do grupo Cosan comenta o processo de reestruturação da Raízen em um contexto de juros elevados


NovaCana - Publicado: 30 Mai 2025 - 08:57

Não é de hoje que o empresário Rubens Ometto, fundador do grupo Cosan, reclama sobre o atual patamar de juros. Em fevereiro, por exemplo, ele afirmou que este é o elemento que “mais atrapalha” os empresários brasileiros.

Em uma nova entrevista ao Valor Econômico, ele voltou a dizer que as taxas em vigor inviabilizam investimentos. “Independente de qualquer coisa, você tem que ter juízo e ver onde vai investir. Não vai pagar juros de 15%. Nada paga, nada dá retorno sobre isso”, argumenta.

Ainda de acordo com o empresário, o grupo Cosan está “indo muito bem” em seus negócios de lubrificantes (Moove), de logística e ferrovia (Rumo), de gás (Compass) e de terras (Radar). “No caso da Raízen, estamos nos dedicando a corrigir os erros que cometemos. Nós nos distraímos e [a Raízen] foi para um caminho ruim”, complementa.

Entre as “distrações” citadas por Ometto na entrevista estão os investimentos em etanol de segunda geração (E2G), a compra da Biosev e a aquisição da refinaria de distribuição de combustíveis na Argentina. “Isso fez com que elevasse a alavancagem. E essa alavancagem, com o nível atual de juros, prejudica muito o balanço da Raízen e, consequentemente, o da Cosan”, explica.

Para lidar com a situação, o empresário destaca a troca de diretoria. Em novembro do ano passado, Nelson Gomes passou a liderar a Raízen, substituindo Ricardo Mussa. Já na área financeira, Rafael Bergman assumiu a posição de CFO da companhia. “Com uma turma muito boa, os resultados virão logo. Estamos estudando medidas para resolver o problema da equação financeira da companhia”, assegura Ometto.

Também segundo ele, a companhia deve rever a parte de governança e aumentar a produtividade. “Tinha muito trabalho que era duplicado e, agora, isso está sendo reorganizado”, afirma e complementa: “A Raízen se abriu a muitas coisas, como trading e energia elétrica. Vamos focar em distribuição de combustíveis, usando a marca Shell, e na produção de açúcar e etanol, com cogeração de energia elétrica”.

Como parte dessa estratégia para simplificar a companhia, ele destacou ao Valor que a Raízen deve se desfazer de ativos “que não são importantes”. Nos últimos meses, a companhia negociou projetos de energia solar e vendeu a usina Leme, em uma operação que movimentou R$ 425 milhões.

Ao mesmo tempo, Ometto acredita que a disputa comercial entre Estados Unidos e China – que ele classifica como “absurda” – é benéfica para seus negócios. “Os EUA taxam os chineses e os chineses não compram dos EUA e vão comprar aqui no Brasil. Os trens da Rumo estão superlotados. Vai criar uma demanda enorme”, observa.

NovaCana
Com informações do Valor Econômico