O empresário Rubens Ometto, dono da Cosan, uma das controladoras da Raízen, afirmou que a alta taxa de juros é o que “mais atrapalha” o empresariado brasileiro e o deixa “vagabundo”.
Em participação durante o BTG CEO Conference, Ometto disse que com os juros entre “9% e 10% [ao ano] é impossível administrar qualquer investimento”.
“Se você tem a condição de aplicar seu dinheiro a 15%, 20%, até 25% ao ano, você vai ficar vagabundo, porque [isso] vai fazer com que todo mundo fique sentado na cadeira sem fazer nada, e o dinheiro não produz”, disse.
Já se as taxas forem menores, “todo mundo vai ter que deixar de ser vagabundo, vai ter que começar a trabalhar imobilizando [capital] ou fazendo private equity, ou [se] lançando no mercado de capitais, com ações. Aí você vai alavancar e crescer muito”, afirmou.
Apesar disso, Ometto avaliou que o empresário brasileiro é “otimista” e disse que a redução da taxa de juros “é negócio simples para ser feito”. “É uma pena, porque com poucas mudanças, o país decola”, acrescentou.
Os juros elevados já estão “atrapalhando um pouco” os investimentos da Raízen, acrescentou. Ometto disse que a empresa está investindo R$ 9 bilhões “com recursos próprios” para construir seis indústrias de etanol de segunda geração (E2G) e “apanhando um pouco para organizar isso”.
Diferentemente de outras empresas controladas pela Cosan, que investiram em ampliação (brownfields) de negócios existentes, os investimentos da Raízen em energia limpa são novos (greenfields). “Aí você começa a pôr dinheiro, demora a pôr [o negócio] em giro, e os juros não têm sábado, domingo, feriado, e aí prejudicou um pouco a gente”.
Ele ressaltou, porém, que a produção de E2G permitirá o aumento da produção do biocombustível em 40% sem aumentar área plantada, e que a produção poderia até dobrar, sem expansão de cultivo, se as usinas forem eletrificadas. “Isso sob o aspecto de sequestro de carbono é uma coisa maravilhosa. Mas tudo isso custa”, afirmou.
Questionado sobre a inciativa anunciada na terça-feira, 25, por Eike Batista de investir em uma “supercana”, com mais capacidade de produção de bagaço, Ometto disse que a Raízen já apostou nisso e desistiu.
“Nós já fizemos isso e abortamos. Começamos pequenos e abortamos”, afirmou ele, após ser questionado sobre o anúncio de Eike Batista pelo presidente do conselho do BTG, André Esteves, durante painel no BTG CEO Conference.
O dono da Cosan reafirmou que o investimento do grupo na Vale “não deu certo por causa dos juros”. “Quando fizemos o investimento na Vale, rodava com juros de 8% a 8,5%”, disse. Com a alta dos juros, a Cosan “abortou” o investimento e realizou prejuízo.
“Era um sonho que eu tinha”, lamentou Ometto, que disse ver a Vale como uma empresa “fantástica” e “maravilhosa”.
Camila Souza Ramos