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EPE alerta para possibilidade de crise no abastecimento com estagnação do setor de etanol

canavial-200317Alerta coloca pressão e importância sobre RenovaBio. Cenário pessimista para 2030 traz impacto de fatores desfavoráveis para o setor sucroalcooleiro em relação a políticas públicas e empresariais

NovaCana 5 min de leitura

Em breve, o abastecimento de combustíveis no Brasil pode ter graves problemas. Segundo estudo elaborado pelo governo, existe a possibilidade de que o setor sucroenergético permaneça praticamente estagnado até 2030, gerando uma crise na relação de oferta e demanda no mercado de combustíveis.

Uma das possibilidades levantadas pelo governo – que projeta o impacto tanto para as usinas sucroenergéticas quanto para o mercado de combustíveis – deixa evidente o caráter crítico para o Brasil caso as medidas de estímulo ao setor de etanol atualmente em desenvolvimento não saiam do papel ou sejam incapazes de trazer desenvolvimento.

A seguir o NovaCana detalha os acontecimentos esperados pelo braço do MME caso governo e empresas não consigam estimular o mercado. O alerta coloca pressão e importância para o trabalho realizado com o RenovaBio.

Em breve, o abastecimento de combustíveis no Brasil pode ter graves problemas. Segundo estudo elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), existe a possibilidade de que o setor sucroenergético permaneça praticamente estagnado até 2030, gerando uma crise na relação de oferta e demanda no mercado de combustíveis.

Uma das possibilidades levantadas pelo governo, a mais pessimista, deixa evidente o caráter crítico para o Brasil caso as medidas de estímulo ao setor de etanol atualmente em desenvolvimento, especialmente o RenovaBio, não saiam do papel ou sejam incapazes de trazer desenvolvimento.

O cenário foi calculado pela EPE entre suas projeções de oferta de etanol e demanda do Ciclo Otto, que foram recentemente estendidas para calcular os impactos até 2030.

De acordo com o estudo, essa perspectiva pessimista se concretizaria caso houver uma carência de políticas públicas voltadas para o setor e, também, falta de ações das empresas que estimulem a redução de custos de produção.

Menos etanol, mais importação de gasolina

Desconsiderando que seja dado qualquer estímulo governamental à produção de etanol – como se poderia esperar caso o país caminhe para o cumprimento das metas estabelecidas na COP-21 –, a EPE projetou um aumento de apenas 9 bilhões de litros entre 2016 e 2030. Assim, a oferta do biocombustível passaria de 29 bilhões para 38 bilhões de litros.

Esse volume, no entanto, inclui as parcelas destinadas para exportação e outros fins, como o setor químico. Com isso, a projeção da EPE é que o setor de etanol atenda o mercado de combustíveis com 31 bilhões de litros em 2025 e 33 bilhões de litros em 2030. Como o crescimento na demanda do Ciclo Otto será mais acelerado, o ligeiro aumento na produção de etanol não será suficiente, resultando em uma perda na participação de mercado para o renovável de cana. Assim, o market share do etanol hidratado cairá de 38% em 2015 para 26% em 2030.

Mas a queda na participação de etanol – embora incômoda para as usinas – não é a única questão problemática quando se observa esses números. Com o aumento crescente na demanda, cresce também o consumo de gasolina A.

Segundo a EPE, mesmo considerando um cenário médio de crescimento para a produção interna do combustível fóssil, a pouca oferta de etanol exigirá um aumento na importação de gasolina. Nesse caso, o Brasil precisaria comprar 5 bilhões de litros em 2025 e 7 bilhões de litros em 2030. Esses valores correspondem a, respectivamente, 15% e 18% da demanda prevista e representam uma ameaça para o abastecimento nacional. A princípio, uma dependência externa acima da 10% já configura risco, deixando a economia do país demasiadamente suscetível a flutuação nos preços do petróleo.

E esse perigo pode ser ainda maior. A EPE também calculou a possibilidade de o Brasil não conseguir ultrapassar seu histórico máximo de produção, de 31 bilhões de litros. Com isso, o país precisaria importar 2,9 bilhões de litros em 2025 (8,6% da demanda) e 10,5 bilhões de litros (25% da demanda) em 2030.

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Se no passado essas preocupações de longo prazo eram ignoradas, agora o governo se mostra mais preocupado. Duas iniciativas em desenvolvimento no MME — RenovaBio e Combustível Brasil — visam garantir que o cenário pessimista não se concretize. 

Menos usinas, mesma moagem

Esses resultados negativos da projeção da EPE seria resultado da entrada de apenas duas novas usinas, que já se encontram em implantação, e a expansão de 24 unidades. Mesmo com a previsão de algumas reativações, contudo, o elevado número de fechamentos de usinas – dentro desse cenário pessimista – implicará em um saldo negativo de 21 unidades até 2030. Para o setor sucroenergético nacional, isso corresponderia a uma perda de capacidade de processamento potencial de 34 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Ainda assim, levando em consideração as expansões, a projeção é que a capacidade instalada permanecerá praticamente estável até 2025, com 834 milhões de toneladas, indo para 849 milhões em 2030 – atualmente, esse número é de 833 milhões de toneladas. Ou seja, o setor sucroenergético ficará ainda mais concentrado quando se observa o número de usinas em operação.

A partir dessa capacidade, a EPE também estima uma safra com 762 milhões de toneladas de cana moída em 2030 (o estudo trabalha com uma taxa de ocupação de aproximadamente 90%). Isso implica em um aumento de 91 milhões de toneladas em relação à moagem de 2016, além de um crescimento de 13 milhões de toneladas na capacidade de processamento efetiva.

Além disso, a área plantada de cana-de-açúcar terá uma leva queda, indo de 9,1 milhões de hectares em 2016 para 8,9 milhões de hectares até 2030. Ao mesmo tempo, a produtividade agrícola terá uma evolução lenta, indo de um índice médio de 76,2 ton/ha em 2016 para 80 ton/ha em 2025 e, posteriormente, 85,6 ton/ha em 2030. Para efeito de comparação, a previsão mais otimista acredita que o rendimento pode atingir 96,1 ton/ha em 2030.

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Renata Bossle – NovaCana

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