GranBio esclarece propriedade da levedura, rechaça existência de segredos relativos à estratégia comercial no documento em análise da CTNBio e comenta o momento atual da pesquisa nacional para o etanol 2GDuas semanas após o portal NovaCana publicar a solicitação da BioCelere Agroindustrial, subsidiária da GranBio, para a liberação do uso comercial de uma levedura transgênica, a empresa se pronunciou sobre o assunto.
As perguntas respondidas pela GranBio:
- Como está o desenvolvimento de leveduras nacionais e quais os desafios que estão sendo superados?
- Qual a importância desta levedura em análise pela CTNBio para o desenvolvimento do etanol de segunda geração e como este microrganismo influenciará economicamente o projeto da GranBio?
- Quais as etapas necessárias ao uso comercial e o prazo estimado para a liberação?
- Assim que esta levedura for liberada já será possível à GranBio iniciar a produção do etanol 2G ou existem outras etapas relativas ao processo industrial que precisarão de mais tempo?
- Qual a diferença dos organismos em desenvolvimento pela BioCelere, centro de pesquisas de biologia sintética da GranBio, e a aquela proveniente da DSM, parceira no fornecimento destes microrganismos?
- Quais são os fatores que podem impedir que uma levedura importada se adapte ao mercado brasileiro?
- Diferente da análise feita pela CTNBio, a GranBio argumenta que a documentação não possui informações relativas à estratégia comercial. Por que existe essa divergência?
- Quais são as outras empresas do Grupo GranBio, além da Bio Celere?
- A levedura tem potencial para ser usada somente na biomassa de cana-de-açúcar ou destina-se à fabricação do etanol 2G a partir de outras plantas?
- Qual foi o período decorrido entre o início da pesquisa até a descoberta desta levedura e quais foram os principais desafios superados?
Duas semanas após o portal NovaCana publicar a solicitação da BioCelere Agroindustrial, subsidiária da GranBio, para a liberação do uso comercial de uma levedura transgênica, a empresa fala sobre o assunto.
Em entrevista concedida por e-mail, a GranBio faz sua primeira manifestação a respeito da levedura após a publicação do Extrato Prévio 3609/2013, no Diário Oficial da União (DOU) de 22 de maio, que noticiou a análise do organismo geneticamente modificado na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
O texto do DOU define o assunto do processo como "solicitação de parecer para liberação comercial com informação confidencial", em função das sete páginas entendidas pela Sub-Comissão Setorial Permanente das áreas de saúde humana e animal como "conteúdo de segredo industrial, bem como questões relativas à estratégia comercial".
No entanto, a GranBio afirma que "os documentos encaminhados à CTNBio contém exclusivamente informações relativas à biossegurança do microrganismo". De acordo com a empresa, o pedido de confidencialidade é uma prática comum entre as instituições e está relacionada às questões de desenvolvimento do organismo.
NovaCana - Como está o desenvolvimento de leveduras nacionais e quais os desafios que estão sendo superados?
GranBio - O Brasil encontra-se em um momento muito importante de desenvolvimento tecnológico que irá viabilizar a produção em escala comercial de biocombustíveis e bioquímicos. Instituições públicas e privadas, como a GranBio, tem investido recursos no desenvolvimento de leveduras para a conversão de açúcares lignocelulósicos em moléculas de interesse econômico, como o etanol, através da fermentação.
Os desafios são aqueles inerentes a todo processo tecnológico que passa de uma escala experimental ou piloto para a escala comercial. Dentre os principais estão os fatores de desempenho em larga escala, os custos do investimento inicial em relação ao tempo de retorno do capital investido, e as questões regulatórias de todo produto ou processo que agrega alto nível de inovação.
As parcerias tecnológicas entre empresas e Instituições públicas de pesquisa, como as Universidades, tem sido exploradas de forma a montar as peças do quebra-cabeças tecnológico, acelerando a viabilizando o estabelecimento da matriz produtiva com base em biomassa.
As Instituições buscam interagir com o Governo e fornecer subsídios para que as Agências Reguladoras do País conheçam em detalhes os processos produtivos, para que tenham subsídios para a confecção de marcos regulatórios precisos e enxutos, que garantam a segurança ambiental e econômica do país.
Qual a importância desta levedura em análise pela CTNBio para o desenvolvimento do etanol de segunda geração e como este microrganismo influenciará economicamente o projeto da GranBio?
O microrganismo em análise pela CTNBio tem a propriedade de utilizar açúcares lignocelulósicos no processo de fermentação. Este e outros microrganismos com esta propriedade irão elevar a produtividade nas futuras usinas de etanol celulósico no país.
Quais as etapas necessárias ao uso comercial e o prazo estimado para a liberação?
Todo processo de Liberação Comercial de OGMs passa pela análise técnica da CTNBio e, após receber parecer favorável, é direcionado para análise do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS). Uma vez recebidas ambas as aprovações, o produto pode ser utilizado em escala comercial, desde que obedeça e cumpra o disposto no parecer técnico da CTNBio, bem como demais legislações vigentes no País aplicáveis ao objeto do requerimento. As aprovações regulatórias da CTNBio variam consideravelmente em relação ao tempo de aprovação. Por este motivo, não é possível estabelecer um prazo estimado para a aprovação de nosso pedido de liberação comercial.
Assim que esta levedura for liberada já será possível à GranBio iniciar a produção do etanol 2G ou existem outras etapas relativas ao processo industrial que precisarão de mais tempo?
O plano de negócios da GranBio contemplou o acesso a tecnologias que cobrem todas as etapas e componentes do processo de produção de etanol celulósico. A levedura em análise pela CTNBio será um importante componente do processo.
A levedura em análise foi desenvolvida a partir de tecnologia brasileira, exclusivamente pela GranBio, ou tem a participação da DSM?
Os direitos sobre a levedura sob análise pela CTNBio são de propriedade da DSM. A utilização pela GranBio é fruto de uma parceria tecnológica entre as empresas.
Qual a diferença dos organismos em desenvolvimento pela BioCelere, centro de pesquisas de biologia sintética da GranBio, e a aquela proveniente da DSM, parceira no fornecimento destes microrganismos?
As diferenças entre a levedura da DSM e os microrganismos em desenvolvimento pela GranBio se referem à utilização de genes e linhagens distintos, bem como diferentes estratégias de desenvolvimento adotadas pelas equipes técnicas das empresas.
Quais são os fatores que podem impedir que uma levedura importada se adapte ao mercado brasileiro?
As leveduras são seres vivos como quaisquer outros, e possuem a propriedade de se adaptar às condições de clima e ambiente dos locais onde se desenvolvem. Leveduras desenvolvidas em outros ambientes devem ser estudadas com relação a sua adaptabilidade às condições locais.
Diferente da análise feita pela CTNBio, a GranBio argumenta que a documentação não possui informações relativas à estratégia comercial. Por que existe esta divergência?
Os documentos encaminhados à CTNBio contém exclusivamente informações relativas à biossegurança do microrganismo para a saúde humana, animal e ao meio ambiente, além de revisões bibliográficas pertinentes sobre o tema, cujas fontes são de domínio público. A solicitação de confidencialidade em pedidos encaminhados à CTNBio é atividade recorrente entre as Instituições, pois itens relativos ao desenvolvimento do organismo são frequentemente incluídos no conteúdo. Basta acompanhar a pauta das reuniões da CTNBio para fazer esta observação.
Quais são as outras empresas do Grupo GranBio, além da BioCelere?
O grupo GranBio possui outras subsidiárias, que atuam, entre outros segmentos, em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia de processos e rotas de produção, desenvolvimento e cultivo de biomassa e usina de produção de etanol celulósico. Além da BioCelere e da BioVertis, o grupo tem outras subsidiárias como a BioEdge e a BioPlant.
A levedura tem potencial para ser usada somente na biomassa de cana-de-açúcar ou destina-se à fabricação do etanol 2G a partir de outras plantas?
A levedura em questão foi desenvolvida para utilização de açúcares lignoceulósicos no processo fermentativo. A origem destes açúcares pode variar, podendo ter origem em outras fontes de biomassa além da cana-de-açúcar.
Conforme já mencionado anteriormente, esta levedura tem a capacidade de fermentar açúcares lignocelulósicos, além daqueles presentes no caldo da cana tradicionalmente utilizados pela indústria de etanol 1G.
Qual foi o período decorrido entre o início da pesquisa até a descoberta desta levedura e quais foram os principais desafios superados?
Uma vez que esta levedura foi desenvolvida pela DSM, não dispomos desta informação.
Amanda SchArr - NovaCana
As perguntas respondidas pela GranBio:
- Como está o desenvolvimento de leveduras nacionais e quais os desafios que estão sendo superados?
- Qual a importância desta levedura em análise pela CTNBio para o desenvolvimento do etanol de segunda geração e como este microrganismo influenciará economicamente o projeto da GranBio?
- Quais as etapas necessárias ao uso comercial e o prazo estimado para a liberação?
- Assim que esta levedura for liberada já será possível à GranBio iniciar a produção do etanol 2G ou existem outras etapas relativas ao processo industrial que precisarão de mais tempo?
- Qual a diferença dos organismos em desenvolvimento pela BioCelere, centro de pesquisas de biologia sintética da GranBio, e a aquela proveniente da DSM, parceira no fornecimento destes microrganismos?
- Quais são os fatores que podem impedir que uma levedura importada se adapte ao mercado brasileiro?
- Diferente da análise feita pela CTNBio, a GranBio argumenta que a documentação não possui informações relativas à estratégia comercial. Por que existe essa divergência?
- Quais são as outras empresas do Grupo GranBio, além da Bio Celere?
- A levedura tem potencial para ser usada somente na biomassa de cana-de-açúcar ou destina-se à fabricação do etanol 2G a partir de outras plantas?
- Qual foi o período decorrido entre o início da pesquisa até a descoberta desta levedura e quais foram os principais desafios superados?
Duas semanas após o portal NovaCana publicar a solicitação da BioCelere Agroindustrial, subsidiária da GranBio, para a liberação do uso comercial de uma levedura transgênica, a empresa fala sobre o assunto.
Em entrevista concedida por e-mail, a GranBio faz sua primeira manifestação a respeito da levedura após a publicação do Extrato Prévio 3609/2013, no Diário Oficial da União (DOU) de 22 de maio, que noticiou a análise do organismo geneticamente modificado na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
O texto do DOU define o assunto do processo como "solicitação de parecer para liberação comercial com informação confidencial", em função das sete páginas entendidas pela Sub-Comissão Setorial Permanente das áreas de saúde humana e animal como "conteúdo de segredo industrial, bem como questões relativas à estratégia comercial".
No entanto, a GranBio afirma que "os documentos encaminhados à CTNBio contém exclusivamente informações relativas à biossegurança do microrganismo". De acordo com a empresa, o pedido de confidencialidade é uma prática comum entre as instituições e está relacionada às questões de desenvolvimento do organismo.
NovaCana - Como está o desenvolvimento de leveduras nacionais e quais os desafios que estão sendo superados?
GranBio - O Brasil encontra-se em um momento muito importante de desenvolvimento tecnológico que irá viabilizar a produção em escala comercial de biocombustíveis e bioquímicos. Instituições públicas e privadas, como a GranBio, tem investido recursos no desenvolvimento de leveduras para a conversão de açúcares lignocelulósicos em moléculas de interesse econômico, como o etanol, através da fermentação.
Os desafios são aqueles inerentes a todo processo tecnológico que passa de uma escala experimental ou piloto para a escala comercial. Dentre os principais estão os fatores de desempenho em larga escala, os custos do investimento inicial em relação ao tempo de retorno do capital investido, e as questões regulatórias de todo produto ou processo que agrega alto nível de inovação.
As parcerias tecnológicas entre empresas e Instituições públicas de pesquisa, como as Universidades, tem sido exploradas de forma a montar as peças do quebra-cabeças tecnológico, acelerando a viabilizando o estabelecimento da matriz produtiva com base em biomassa.
As Instituições buscam interagir com o Governo e fornecer subsídios para que as Agências Reguladoras do País conheçam em detalhes os processos produtivos, para que tenham subsídios para a confecção de marcos regulatórios precisos e enxutos, que garantam a segurança ambiental e econômica do país.
Qual a importância desta levedura em análise pela CTNBio para o desenvolvimento do etanol de segunda geração e como este microrganismo influenciará economicamente o projeto da GranBio?
O microrganismo em análise pela CTNBio tem a propriedade de utilizar açúcares lignocelulósicos no processo de fermentação. Este e outros microrganismos com esta propriedade irão elevar a produtividade nas futuras usinas de etanol celulósico no país.
Quais as etapas necessárias ao uso comercial e o prazo estimado para a liberação?
Todo processo de Liberação Comercial de OGMs passa pela análise técnica da CTNBio e, após receber parecer favorável, é direcionado para análise do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS). Uma vez recebidas ambas as aprovações, o produto pode ser utilizado em escala comercial, desde que obedeça e cumpra o disposto no parecer técnico da CTNBio, bem como demais legislações vigentes no País aplicáveis ao objeto do requerimento. As aprovações regulatórias da CTNBio variam consideravelmente em relação ao tempo de aprovação. Por este motivo, não é possível estabelecer um prazo estimado para a aprovação de nosso pedido de liberação comercial.
Assim que esta levedura for liberada já será possível à GranBio iniciar a produção do etanol 2G ou existem outras etapas relativas ao processo industrial que precisarão de mais tempo?
O plano de negócios da GranBio contemplou o acesso a tecnologias que cobrem todas as etapas e componentes do processo de produção de etanol celulósico. A levedura em análise pela CTNBio será um importante componente do processo.
A levedura em análise foi desenvolvida a partir de tecnologia brasileira, exclusivamente pela GranBio, ou tem a participação da DSM?
Os direitos sobre a levedura sob análise pela CTNBio são de propriedade da DSM. A utilização pela GranBio é fruto de uma parceria tecnológica entre as empresas.
Qual a diferença dos organismos em desenvolvimento pela BioCelere, centro de pesquisas de biologia sintética da GranBio, e a aquela proveniente da DSM, parceira no fornecimento destes microrganismos?
As diferenças entre a levedura da DSM e os microrganismos em desenvolvimento pela GranBio se referem à utilização de genes e linhagens distintos, bem como diferentes estratégias de desenvolvimento adotadas pelas equipes técnicas das empresas.
Quais são os fatores que podem impedir que uma levedura importada se adapte ao mercado brasileiro?
As leveduras são seres vivos como quaisquer outros, e possuem a propriedade de se adaptar às condições de clima e ambiente dos locais onde se desenvolvem. Leveduras desenvolvidas em outros ambientes devem ser estudadas com relação a sua adaptabilidade às condições locais.
Diferente da análise feita pela CTNBio, a GranBio argumenta que a documentação não possui informações relativas à estratégia comercial. Por que existe esta divergência?
Os documentos encaminhados à CTNBio contém exclusivamente informações relativas à biossegurança do microrganismo para a saúde humana, animal e ao meio ambiente, além de revisões bibliográficas pertinentes sobre o tema, cujas fontes são de domínio público. A solicitação de confidencialidade em pedidos encaminhados à CTNBio é atividade recorrente entre as Instituições, pois itens relativos ao desenvolvimento do organismo são frequentemente incluídos no conteúdo. Basta acompanhar a pauta das reuniões da CTNBio para fazer esta observação.
Quais são as outras empresas do Grupo GranBio, além da BioCelere?
O grupo GranBio possui outras subsidiárias, que atuam, entre outros segmentos, em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia de processos e rotas de produção, desenvolvimento e cultivo de biomassa e usina de produção de etanol celulósico. Além da BioCelere e da BioVertis, o grupo tem outras subsidiárias como a BioEdge e a BioPlant.
A levedura tem potencial para ser usada somente na biomassa de cana-de-açúcar ou destina-se à fabricação do etanol 2G a partir de outras plantas?
A levedura em questão foi desenvolvida para utilização de açúcares lignoceulósicos no processo fermentativo. A origem destes açúcares pode variar, podendo ter origem em outras fontes de biomassa além da cana-de-açúcar.
Conforme já mencionado anteriormente, esta levedura tem a capacidade de fermentar açúcares lignocelulósicos, além daqueles presentes no caldo da cana tradicionalmente utilizados pela indústria de etanol 1G.
Qual foi o período decorrido entre o início da pesquisa até a descoberta desta levedura e quais foram os principais desafios superados?
Uma vez que esta levedura foi desenvolvida pela DSM, não dispomos desta informação.
Amanda SchArr - NovaCana