Atualização (28/02, às 12h30): O texto abaixo foi atualizado para incluir o posicionamento da Cerradinho Bioenergia, afirmando tratar-se de uma questão pontual e que a companhia possui boas perspectivas futuras.
A CerradinhoBio quer que seus credores que têm Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Neomille, subsidiária responsável pela produção de etanol de milho, façam uma concessão (waiver) à exigência de que a empresa cumpra métricas financeiras (covenants) até o fim desta safra 2023/24, em 31 de março.
Em nota enviada ao NovaCana, a Cerradinho Bioenergia explica que solicitou anuência prévia para o não atingimento do Índice Financeiro de Dívida Bancária Líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), exclusivamente para a apuração do exercício social que se encerrará em março de 2024, aos credores com CRAs de sua subsidiária Neomille.
“Trata-se de um cenário pontual que antecipa uma possibilidade, devido ao resultado da safra 2023/24, que foi impactado com a depreciação do preço do etanol e os investimentos em expansão: o greenfield da Neomille, em Maracaju (MS), e a implantação da primeira fábrica de açúcar, em Goiás”, enfatiza.
A Cerradinho ainda complementa: “A empresa atua para evitar o descumprimento da alavancagem, em março de 2024 e reforça que tem um cenário positivo de futuro, a partir de abril de 2024, com a entrada da produção da segunda unidade da Neomille (em janeiro de 2024), da fábrica de açúcar (em maio de 2024) e redução no custo do milho”.
A companhia vem atravessando uma safra com dificuldades em meio aos baixos preços do etanol registrados desde o início do ano passado. No terceiro trimestre, a CerradinhoBio registrou seu primeiro resultado líquido positivo expressivo da temporada, ao mesmo tempo em que elevou seu endividamento com a contratação de R$ 450 milhões em empréstimos.
No fim do terceiro trimestre, a dívida líquida da companhia havia crescido 58% desde o início da safra, para quase R$ 2,5 bilhões, com uma alavancagem (dívida líquida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, o Ebitda) de 4,79 vezes.
O balanço foi divulgado na última quarta-feira, 21, uma semana depois do previsto inicialmente. Em geral, o mercado avalia como uma alavancagem saudável para empresas sucroalcooleiras um índice de até 3 vezes.
O endividamento da CerradinhoBio cresceu com a piora dos resultados operacionais. Foi puxado não só pelo momento de baixa no mercado de etanol como também pelos desembolsos para concluir a nova planta de etanol de milho, construída a partir do zero em Maracaju (MS).
A primeira parte da unidade foi concluída e começou a operar em janeiro. Para essa etapa, a companhia desembolsou R$ 1 bilhão, sendo R$ 88 milhões apenas no último trimestre.
A CerradinhoBio pede que os titulares de CRA concedam waiver em relação aos covenants de alavancagem e do indicador de Ebitda sobre despesa financeira a serem apresentados no balanço do quarto trimestre da safra.
No terceiro trimestre, a CerradinhoBio teve um Ebitda ajustado de R$ 412,5 milhões e uma despesa financeira líquida de R$ 189,6 milhões. Uma assembleia de titulares de CRA foi convocada pela EcoAgro, securitizadora dos CRAs, para 7 de março para votar a proposta.
Os CRAs foram emitidos em 2022 lastreados em debêntures no valor de R$ 600 milhões, com juros atrelados aos IPCA, acrescidos de 6,2253%, com prazo em 5 de abril de 2029. Em 31 de dezembro de 2023, a empresa devia R$ 630,4 milhões aos titulares dessa emissão.
Apesar da dificuldade da CerradinhoBio de alcançar as métricas com as quais se comprometeu, o rating da emissão atribuídos pela S&P Global Ratings segue em brAA.
Camila Souza Ramos