Atualização (28/02, às 12h30): O texto abaixo foi atualizado para incluir o posicionamento da Cerradinho Bioenergia, afirmando tratar-se de uma questão pontual e que a companhia possui boas perspectivas futuras.
Embora a Fitch Ratings tenha uma visão neutra para as empresas de açúcar e etanol em 2024, a S&P Global Ratings enxerga a possibilidade de rebaixamento da classificação da Cerradinho. Em relatório divulgado no final de janeiro, a agência de classificação de risco afirma que mudou a perspectiva da companhia para negativa, o que significa que há chance de queda na nota em uma próxima avaliação, prevista para a metade do ano.
De acordo com o documento, por enquanto, a sucroenergética segue com a classificação AA em escala nacional, indicando que possui uma capacidade “muito forte” de honrar seus compromissos financeiros. Ainda assim, a estimativa é de uma liquidez e uma alavancagem “mais fracas” nos próximos meses.
“Os preços de etanol quase 25% menores na safra 2023/24, combinados a estoques de milho caros, estão pressionando a alavancagem da Cerradinho Bioenergia, que deve chegar a 6 vezes”, afirma o relatório, referindo-se ao índice que relaciona a dívida bruta e o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa).
Além disso, o texto cita os investimentos em expansão e as necessidades sazonais e extraordinárias de capital de giro, considerando ambos “elevados”. Para as analistas Laura Rizzardo e Flávia Bedran, isso deve pressionar a liquidez da empresa, que passou a ser classificada como “menos que adequada”.
“A perspectiva negativa indica que poderemos rebaixar os ratings caso a empresa não cumpra os covenants financeiros que resultariam em uma aceleração de dívidas ou se custos mais altos do milho na safra 2024/25 impossibilitarem a empresa de reduzir a alavancagem para abaixo de 4 vezes de maneira consistente”, complementam.
A possibilidade de isso acontecer pode estar mais próxima. A Cerradinho solicitou que os credores com Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Neomille, sua subsidiária de etanol de milho, façam uma concessão à exigência de que a empresa cumpra métricas financeiras previstas para o fim da safra 2023/24.
Os CRAs em questão foram emitidos em 2022, no valor de R$ 600 milhões. Em 31 de dezembro de 2023, a empresa devia R$ 630,4 milhões aos titulares.
Em nota enviada ao NovaCana, a Cerradinho Bioenergia explica que solicitou anuência prévia para o não atingimento do Índice Financeiro de Dívida Bancária Líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) exclusivamente para a apuração do exercício social que se encerrará em março de 2024. Também afirmou que a solicitação é apenas para os credores com CRAs da Neomille.
“Trata-se de um cenário pontual que antecipa uma possibilidade, devido ao resultado da safra 2023/24, que foi impactado com a depreciação do preço do etanol e os investimentos em expansão: o greenfield da Neomille, em Maracaju (MS), e a implantação da primeira fábrica de açúcar, em Goiás”, enfatiza.
A Cerradinho ainda complementa: “A empresa atua para evitar o descumprimento da alavancagem, em março de 2024 e reforça que tem um cenário positivo de futuro, a partir de abril de 2024, com a entrada da produção da segunda unidade da Neomille (em janeiro de 2024), da fábrica de açúcar (em maio de 2024) e redução no custo do milho”.
Saiba mais no texto completo (exclusivo para assinantes):
- Perspectivas para a liquidez
- Variáveis que pesam sobre a alavancagem
- Projeções de resultados até 2026/27
- Fatores que podem levar a um rebaixamento – ou a uma elevação
- Projeções de moagem e produção
- Estimativas de preços para os produtos
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