Existe um abismo separando o setor sucroenergético do resto da economia brasileira. Não é novidade, como mostram os balanços financeiros das empresas, que as usinas sofrem para conseguir comprar e vender açúcar e etanol com um retorno aceitável. Mas este problema ganha uma nova dimensão ao compararmos os resultados das principais empresas com o de outros segmentos da economia
Existe um abismo separando o setor sucroenergético do resto da economia brasileira. Não é novidade, como mostram os balanços financeiros das empresas, que as usinas sofrem para conseguir comprar e vender açúcar e etanol com um retorno aceitável. Mas este problema ganha uma nova dimensão ao compararmos os resultados das principais empresas com o de outros segmentos da economia.
Na comparação a seguir, os resultados dos 30 principais grupos econômicos do setor contra a média das principais empresas de 25 diferentes setores da economia.
Os grupos envolvidos com o mercado sucroenergético perderam em seis dois oito indicadores analisados.
Atualização: Na primeira versão deste comparativo os gráficos apresentados para evidenciar o abismo que separa as usinas do resto do mercado não ofereciam uma visão completa da diferença. Para ajudar e aprimorar a visualização dos dados, foi incluído o desempenho de cada um dos 25 setores da economia nos oito indicadores de comparação. O resultado desta atualização você confere a seguir, com novos dados e gráficos.
Existe um abismo separando o setor sucroenergético do resto da economia brasileira. Não é novidade, como mostram os balanços financeiros divulgados nas últimas safras, que as usinas sofrem para conseguir comprar e vender açúcar e etanol com um retorno aceitável. Mas este problema ganha uma nova dimensão ao compararmos os resultados das principais empresas com o de outros segmentos da economia.
Na comparação a seguir, os resultados dos 30 principais grupos econômicos do setor contra o de 25 setores da economia. A dificuldade do setor de açúcar de etanol em avançar no mesmo ritmo de outros setores da economia brasileira, dá a tônica sobre realidade enfrentada pelas usinas. Os grupos sucroenergético perderam em seis dois oito indicadores analisados.
A disparidade foi expressa na análise setorial realizada pelo jornal Valor Econômico que, em edição especial publicada na semana passada, listou os mil maiores grupos empresariais do Brasil. O recorte inclui os 30 maiores grupos de açúcar e etanol.
Receita líquida média
O primeiro e um dos mais importantes índices, a receita líquida média dos grupos sucroenergéticos é 37,5% menor do que a obtida pelas mil maiores companhias de 25 diferentes setores. Segundo o Valor, a média das empresas do ranking é de R$ 3,142 bilhões, enquanto o setor sucroalcooleiro alcançou R$ 1,962 bilhões.

Margem de lucro
Outro ponto calculado é a margem da atividade, indicador obtido pela divisão do resultado da atividade – lucro ou prejuízo operacional sem o resultado líquido das transações financeiras –, pelo total da receita líquida do exercício. Nesse caso, o setor sucroalcooleiro atingiu 4,3%, quase a metade da média geral, que foi de 8,4%. O Valor considera a receita que as usinas obtêm com a venda de açúcar, etanol e energia, descontado o custo médio de produção, mais despesas administrativas e impostos.

Esse número é ainda inferior ao índice de rentabilidade das empresas apresentado pelo último estudo do Itaú BBA. O banco que tem em sua clientela a maior parte das usinas do centro-sul, calculou que a rentabilidade média das empresas atuantes no ramo é de 6,9%. Segundo os cálculos do Itaú BBA, este índice precisaria chegar a 12% para garantir que as contas não fechem no vermelho. No entanto, este índice desejado pelo banco não é alcançado pelos outros setores.
Já o índice de rentabilidade, que leva em conta o patrimônio líquido da empresa comparado ao lucro líquido, é negativo no caso das usinas. Assim, ele revela facilmente os problemas da saúde financeira das empresas do setor, que atingiram o índice de -0,6%. A média das mil maiores empresas do país, por sua vez, ficou em 4%.

Ebitda
O lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), que indica o desempenho operacional da atividade, é utilizada pelo Valor Econômico em dois índices, primeiro a margem Ebitda, calculada em porcentagem pela divisão do valor do Ebitda pela receita líquida.
Assim, o setor de açúcar e etanol atingiu 19,6%, ficando acima da média geral (14,7%). Esse é um ponto positivo, uma vez que a publicação considera que esse como o segundo índice mais importante – atrás apenas da receita líquida.

O segundo índice relacionado ao Ebitda é a cobertura de juros. Esse valor é expresso em pontos, sendo obtido pela divisão do Ebitda pelas despesas financeiras. Dessa forma, a média setorial alcançou 0,95 pontos, enquanto a totalidade de empresas do ranking registrou 1,92 pontos.

Crescimento e dívidas
Outro índice comparativo é o de crescimento sustentável. Ele é obtido com a divisão do percentual de aumento da receita líquida pelo percentual de aumento do patrimônio líquido ajustado (isento da reserva de reavaliação). Caso uma empresa, durante o exercício, tenha revelado queda na receita líquida e/ou no patrimônio ajustado, esse indicador não é calculado.
No entanto, é preciso observar que a equivalência entre esses dois dados é desejável, de modo que resultados mais próximos a um são os mais recomendados. Assim, a média setorial de 1,0156 é sutilmente mais saudável que o resultado de 1,0171 obtido na média geral das empresas.

Já a liquidez corrente é calculada com o ativo circulante (bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro em curto prazo) sobre o passivo circulante (obrigações que devem ser pagas dentro de um ano, como dívidas, empréstimos, impostos e contas a pagar).
Nesse índice, o setor sucroalcooleiro tem 0,9 pontos, enquanto a média geral é de 1,39 pontos. Isso demonstra que o setor sucroalcooleiro possui um endividamento elevado em relação a um contexto nacional mais amplo.

Por fim, o giro do ativo é um dado que mostra o aproveitamento dos ativos no exercício. O valor, expresso em pontos, é obtido pela divisão da receita líquida pelo total do ativo. Nesse caso, a variação entre o setor e as mil maiores empresas é de 4,84%. As companhias sucroalcooleiras obtiveram 0,59 pontos – contra 0,62 do total de analisadas –, o que evidencia as dificuldades do setor.

Atualização: Na primeira versão deste comparativo os gráficos apresentados para evidenciar o abismo que separa as usinas do resto do mercado não ofereciam uma visão completa da diferença. Para ajudar e aprimorar a visualização dos dados, foi incluído o desempenho de cada um dos 25 setores da economia nos oito indicadores de comparação. O resultado desta atualização você confere a seguir, com novos dados e gráficos.
Renata Bossle – NovaCana