NovaCana

O desempenho da São Martinho no 3º trimestre de 2019/20 [52 gráficos]

Resultados da companhia apresentam melhoria na moagem e produtividade, refletindo em maior produção e venda de açúcar, etanol e energia

NovaCana 10 min de leitura

O maior lucro trimestral da história. Foi assim que a São Martinho terminou o terceiro trimestre da temporada 2019/20, conforme os resultados financeiros divulgados pela empresa na última segunda-feira (10).

O resultado se deu pelo crescimento considerável da moagem da companhia, que permitiu a maior fabricação e venda dos seus produtos. Assim, ela atingiu um lucro líquido de R$ 342,92 milhões.

Além disso, a empresa teve um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 541,4 milhões e margem Ebitda ajustada de 52,6%. Conforme o relatório da empresa, o aumento reflete o maior volume de vendas de açúcar, etanol e energia, bem como o aumento de preço de comercialização dos dois últimos no trimestre analisado.

Outro ganho computado foi a partir do recebimento de parcelas de dois precatórios vinculados a ações da Copersucar movidas contra s política de preços do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).

Considerando os resultados positivos, após conhecer os números da São Martinho referentes ao terceiro trimestre da safra 2019/20, o banco de investimentos BTG Pactual divulgou um relatório reforçando a recomendação de compra de ações da companhia, como já havia ocorrido após os resultados do segundo trimestre da safra da empresa.

O banco destaca que a empresa segue tendo forte rendimento e potencial de crescimento a partir do preenchimento adicional da capacidade de moagem de cana, além de projetos de etanol a base de milho.

Conforme o BTG, a São Martinho também detém qualidade superior de ativos e as perspectivas do preço do açúcar a curto prazo, além de um cenário mais atraente do preço do etanol. Outro ponto positivo citado são as possibilidades que virão com a implementação do RenovaBio.

Para uma melhor compreensão dos números da São Martinho, o NovaCana desenvolveu 52 gráficos exclusivos. Assim, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do terceiro trimestre da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.

As informações que fazem parte do levantamento incluem:

- Moagem acumulada e por trimestre
- Mix de produção
- ATR total e em relação à moagem
- Produtividade dos canaviais
- Etanol: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Açúcar: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Cogeração: energia vendida, receita e preço médio
- Destino da produção ao longo da safra – mercado externo e interno
- Estoques de etanol e açúcar: por volume e por valor de mercado
- Evolução financeira
- Indicadores de resultado em relação à moagem
- Lucro líquido e bruto
- Receita operacional
- Composição das vendas
- Relação entre receitas e custos
- Impacto da variação cambial
- Perfil das dívidas
- Alavancagem

O maior lucro trimestral da história. Foi assim que a São Martinho terminou o terceiro trimestre da temporada 2019/20, conforme os resultados financeiros divulgados pela empresa na última segunda-feira (10).

O resultado se deu pelo crescimento considerável da moagem da companhia, que permitiu a maior fabricação e venda dos seus produtos. Assim, ela atingiu um lucro líquido de R$ 342,92 milhões.

Além disso, a empresa teve um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 541,4 milhões e margem Ebitda ajustada de 52,6%. Conforme o relatório da empresa, o aumento reflete o maior volume de vendas de açúcar, etanol e energia, bem como o aumento de preço de comercialização dos dois últimos no trimestre analisado.

Outro ganho computado foi a partir do recebimento de parcelas de dois precatórios vinculados a ações da Copersucar, movidas contra a política de preços do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).

Considerando os resultados positivos, após conhecer os números da São Martinho referentes ao terceiro trimestre da safra 2019/20, o banco de investimentos BTG Pactual divulgou um relatório reforçando a recomendação de compra de ações da companhia, como já havia ocorrido após os resultados do segundo trimestre da safra da empresa.

O banco destaca que a empresa segue tendo forte rendimento e potencial de crescimento a partir do preenchimento adicional da capacidade de moagem de cana, além de projetos de etanol a base de milho.

Conforme o BTG, a São Martinho também detém qualidade superior de ativos e as perspectivas do preço do açúcar a curto prazo, além de um cenário mais atraente do preço do etanol. Outro ponto positivo citado são as possibilidades que virão com a implementação do RenovaBio.

Moagem e produção

A moagem da São Martinho no terceiro trimestre da safra foi de 3,71 milhões de toneladas, acumulando 22,64 milhões de toneladas no período completo. Apesar do volume menor, já característico dos últimos três meses do ano, a empresa teve uma recuperação considerável ante o mesmo período do ano passado, quando a companhia esmagou 20,45 milhões de toneladas da matéria-prima, o que foi um recorde à época.

“[O desempenho está] em linha com o que mencionamos desde o final do primeiro semestre da safra, essa melhora reflete as melhores condições climáticas observadas durante a safra”, justifica a empresa.

Parte da melhoria, ainda que com baixa representatividade, decorre das áreas plantadas com mudas pré-brotadas e no sistema de meiosi. Apesar de 5% da área ter vindo dessa técnica, ela chegou a representar 90% do plantio desta safra. “O aumento da moagem, resultado exclusivamente da maior produtividade, fez com que a margem da companhia melhorasse”, ressaltou Felipe Vicchiato, diretor financeiro do grupo, ao Valor Econômico.

A partir deste volume de cana, a empresa produziu 1,17 bilhões de litros de etanol no acumulado de nove meses de safra, ante os 1,10 bilhões de litros do mesmo período do ano anterior. Já de açúcar, a produção ficou em 1,11 milhões de toneladas ante as 990 mil na comparação com a safra passada.

O volume é resultado de um direcionamento de 63% da matéria-prima para o etanol e de 37% para o açúcar.

Especificamente no trimestre, a produção do adoçante pela São Martinho foi de 147,5 mil toneladas – 63,16% a mais que um ano antes. Já do etanol foram 243,6 milhões de litros, um aumento de 113,68% em relação ao último ciclo.

indicadores sãomartinho 1 180220

indicadores sãomartinho 3 180220

indicadores sãomartinho 25 180220

indicadores sãomartinho 24 180220

indicadores sãomartinho 4 180220

Indicadores agrícolas e industriais

Conforme a companhia, o fato da moagem atingir mais de 22 milhões de toneladas no acumulado dos nove meses, 10,7% acima da safra passada, também se deveu ao aumento da produtividade dos canaviais. A melhoria foi em 15,12% contra o último ciclo, chegando a 85,4 toneladas de cana por hectare.

Por outro lado, a concentração acumulada de açúcares totais recuperáveis (ATR) caiu 2%, passando de 142,2 kg/t para 139,4 kg/t.

Ainda assim, o volume de ATR foi de 568 milhões de toneladas, um aumento em relação aos 288 milhões de toneladas registradas na safra passada (+97,22%). Já a concentração no trimestre foi de 152,8 kg/t, demostrando um aumento ante o mesmo período da temporada 2018/19, quando o indicador foi de 142,4 kg/t (+7,3%).

indicadores sãomartinho 2 180220

indicadores sãomartinho 6 180220

indicadores sãomartinho 23 180220

indicadores sãomartinho 5 180220

indicadores sãomartinho 7 180220

Vendas e receita – por produto e por mercado

A partir da moagem elevada, a São Martinho obteve uma receita líquida de R$ 1,03 bilhão, 22,24% a mais que o mesmo período do ano passado, com R$ 842,56 milhões.

Quanto ao açúcar, a quantidade vendida aumentou de 241,06 milhões para 269,40 milhões de toneladas. A receita com as vendas do produto foi de R$ 269,94 milhões para R$ 304,34 milhões no comparativo do mesmo período das últimas safras.

“[A companhia] manteve a preferência em concentrar os embarques nas telas de final da safra, notadamente ao longo do quarto trimestre, que vem apresentando preços de comercialização superiores”, afirma a empresa.

A São Martinho também detalha que já havia feito o hedge de praticamente 100% da exposição de açúcar para o quarto trimestre da safra, com preço médio de R$ 1.232/t.

Quanto ao etanol, o volume vendido passou de 284,09 milhões para 332,30 milhões de litros no terceiro trimestre das duas últimas temporadas. A receita, consequentemente, também foi maior, indo de R$ 519,96 milhões para R$ 648,35 milhões em 2019/20.

Outro fator de influência é o aumento do preço médio, que passou de R$ 1.830,77/m³ para 1.951,10/m³. Do volume comercializado, 21% da receita com o renovável foi proveniente do mercado externo – quantidade maior do que no mesmo período da safra anterior – e 79%, do interno.

Portanto, o maior preço médio e aumento do volume exportado do biocombustível impactaram diretamente na receita do produto.

A receita com energia também ampliou no comparativo entre as duas últimas safras. No terceiro trimestre de 2019/20, o valor obtido foi de R$ 62,62 milhões ante R$ 40,22 milhões um ano antes. O volume de energia comercializado subiu de 195,67 GWh para 267,5 GWh.

Conforme a empresa, esta receita também ampliou 5% no acumulado da safra, por conta não só do aumento do volume comercializado no período, mas também da maior quantidade de bagaço disponível para cogeração, já que mais cana foi processada na temporada 2019/20.

indicadores sãomartinho 8 180220

indicadores sãomartinho 11 180220

indicadores sãomartinho 12 180220

indicadores sãomartinho 13 180220

indicadores sãomartinho 10 180220

Resultado financeiros

A São Martinho, no acumulado de 2019/20, teve um lucro líquido de R$ 496,4 milhões, que representa um aumento de 117,34% ante o mesmo período de 2018/19, quando o resultado líquido foi de R$ 228,4 milhões.

Já a receita líquida, no mesmo comparativo, foi 13,19% maior. As cifras passaram de R$ 2,25 bilhões para R$ 2,55 bilhões no acumulado da safra.

E o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) passou de R$ 1,11 bilhão para R$ 1,77 bilhão, também no acumulado de nove meses da safra, um aumento de 58,34%. Na comparação trimestral, o Ebitda foi de R$ 365,71 milhões na atual temporada ante R$ 220,96 milhões na anterior.

Em relação à moagem, o desempenho da São Martinho entre julho e dezembro equivaleu a um Ebitda de R$ 255,6/t. O valor é o maior já registrado pela sucroenergética para o período. No indicador ajustado, por sua vez, a empresa obteve R$ 541,44 milhões no trimestre.

A São Martinho também apresenta o desempenho considerando depreciações e amortizações, o chamado Ebit. O indicador ampliou de R$ 157,75 milhões para R$ 237,69 milhões, que correspondem a 50,68% no trimestre. No acumulado, o indicador foi de R$ 522,36 milhões.

Já em relação à moagem, no trimestre, o Ebit foi de R$ 64/t, inferior aos R$ 78/t vistos no mesmo período da temporada anterior.

indicadores sãomartinho 18 180220

indicadores sãomartinho 9 180220

indicadores sãomartinho 19 180220

indicadores sãomartinho 20 180220

indicadores sãomartinho 15 180220

Fatores que afetam o desempenho da companhia

Outro número importante para conferir o desempenho financeiro da São Martinho é a relação entre custos e receitas. Observando a relação simples entre os dois indicadores, o desempenho em 2019/20 foi mais positivo ante o mesmo período do ano passado.

Entre setembro e dezembro, os custos representaram 64,4% das receitas, enquanto no mesmo período do ciclo anterior, foi de 73,6%. Mas esse indicador já foi melhor, no terceiro trimestre da safra 2017/18, quando foi de 61,1%.

No trimestre, os custos dos produtos vendidos pela São Martinho foram de R$ 663 milhões, 6,94% a mais na comparação anual. Já as receitas foram de R$ 1,03 bilhão, ante os R$ 843 milhões na mesma comparação.

As razões para o crescimento, de acordo com a companhia, são principalmente o aumento de 10% do Consecana e o efeito do maior volume de vendas trimestrais.

Além disso, as receitas financeiras diminuíram de R$ 21,68 milhões para R$ 17,17 milhões – já as despesas se mantiveram em R$ 78,48 milhões.

Por sua vez, a variação cambial gerou uma perda líquida de R$ 8,46 milhões, valor bastante semelhante aos R$ 8,3 milhões da temporada 2018/19.

indicadores sãomartinho 14 180220

indicadores sãomartinho 16 180220

indicadores sãomartinho 17 180220

Perfil da dívida

Até dezembro de 2019, a dívida líquida da São Martinho era de R$ 2,95 bilhões que, ante os R$ 3,11 bilhões do trimestre anterior, representou uma redução de 5,41%. Já em relação ao mesmo período do ano passado, a dívida reduziu 4,97%.

Analisando a participação da dívida na companhia no terceiro trimestre da safra 2019/20, 65% dela era em moeda nacional, enquanto os outros 35% eram em moeda estrangeira.

Em relação ao Ebitda acumulado de 12 meses, a dívida líquida da companhia apresenta uma alavancagem de 1,65 vezes, 8,33% inferior ao mesmo período do ciclo anterior.

indicadores sãomartinho 21 180220

indicadores sãomartinho 22 180220

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

Compartilhar: