Resultados da sucroenergética nas últimas cinco safras demonstram estabilidade e crescimento controlado
“O melhor ainda está por vir”. Enquanto muitas sucroenergéticas seguem enfrentando dificuldades financeiras, os resultados da São Martinho têm conquistado a confiança do mercado nos últimos anos. Após a divulgação dos números referentes ao segundo trimestre da safra 2019/20, por exemplo, o banco de investimentos BTG Pactual divulgou um relatório no qual reforça a recomendação de compra de ações da companhia – inclusive com a promessa que dá início a este texto.
“[A São Martinho] oferece uma geração de fluxo de caixa livre de dois dígitos, 100% de recompra de ações e pagamento de dividendos, estrutura de capital equilibrada e exposição não apenas a um mercado sólido de etanol, mas também a um risco-recompensa assimétrico para o açúcar no curto a médio prazo”, afirma o documento, que complementa: “A iminente implementação do programa RenovaBio também adiciona uma perspectiva positiva”.
Este comentário, inclusive, tem fundamentação, já que a usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), foi a primeira produtora de etanol a ser aceita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para participar do programa.
De acordo com o BTG, os resultados trimestrais das companhias de açúcar e etanol costumam trazer poucas novidades financeiras, mas refletem a estratégia de estocagem adotada para a safra. No caso da São Martinho, os números parciais já trazem vendas de menores volumes de açúcar e etanol – que estão sendo compensadas por preços maiores para o biocombustível e para a geração de eletricidade.
Os analistas do banco ainda apontam que aproximadamente 87% do açúcar a ser produzido na safra já está com preço fixado a R$ 1.208/t, o que está 12% acima do registrado no trimestre. Em relação ao etanol, o banco destacou as exportações registradas no período, que representaram 40% da receita obtida com o produto. “[A exportação] sem dúvida ajudou a sustentar uma venda de etanol anidro realizada a um preço muito atraente”, reforça.
Com isso, entre julho e setembro deste ano, o Ebitda ajustado – indicador operacional que traz os lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização e outros fatores selecionados para a companhia – atingiu R$ 387,86 milhões. O número, além de ser 22,6% maior que o visto no mesmo período da safra anterior, também ficou 5% acima das expectativas do BTG.
O relatório, porém, aponta que houve uma “alta momentânea” nos custos unitários, o que deve se normalizar nos próximos meses com uma aceleração no volume de vendas. “O índice de alavancagem subiu para 1,9x (de 1,6x), refletindo principalmente a estratégia de carrego de estoque (daí os menores volumes de vendas), a depreciação do real e as recompras de dividendos e ações”, aponta.
Para uma melhor compreensão dos números da São Martinho, o NovaCana desenvolveu 52 gráficos exclusivos. Assim, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do segundo trimestre da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
As informações que fazem parte do levantamento incluem:
- Moagem acumulada e por trimestre
- Mix de produção
- ATR total e em relação à moagem
- Produtividade dos canaviais
- Etanol: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Açúcar: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Cogeração: energia vendida, receita e preço médio
- Destino da produção ao longo da safra – mercado externo e interno
- Estoques de etanol e açúcar: por volume e por valor de mercado
- Evolução financeira
- Indicadores de resultado em relação à moagem
- Lucro líquido e bruto
- Receita operacional
- Composição das vendas
- Relação entre receitas e custos
- Impacto da variação cambial
- Perfil das dívidas
- Alavancagem
“O melhor ainda está por vir”. Enquanto muitas sucroenergéticas seguem enfrentando dificuldades financeiras, os resultados da São Martinho têm conquistado a confiança do mercado nos últimos anos. Após a divulgação dos números referentes ao segundo trimestre da safra 2019/20, por exemplo, o banco de investimentos BTG Pactual divulgou um relatório no qual reforça a recomendação de compra de ações da companhia – inclusive com a promessa que dá início a este texto.
“[A São Martinho] oferece uma geração de fluxo de caixa livre de dois dígitos, 100% de recompra de ações e pagamento de dividendos, estrutura de capital equilibrada e exposição não apenas a um mercado sólido de etanol, mas também a um risco-recompensa assimétrico para o açúcar no curto a médio prazo”, afirma o documento, que complementa: “A iminente implementação do programa RenovaBio também adiciona uma perspectiva positiva”.
Este comentário, inclusive, tem fundamentação, já que a usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), foi a primeira produtora de etanol a ser aceita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para participar do programa.
De acordo com o BTG, os resultados trimestrais das companhias de açúcar e etanol costumam trazer poucas novidades financeiras, mas refletem a estratégia de estocagem adotada para a safra. No caso da São Martinho, os números parciais já trazem vendas de menores volumes de açúcar e etanol – que estão sendo compensadas por preços maiores para o biocombustível e para a geração de eletricidade.
Os analistas do banco ainda apontam que aproximadamente 87% do açúcar a ser produzido na safra já está com preço fixado a R$ 1.208/t, o que está 12% acima do registrado no trimestre. Em relação ao etanol, o banco destacou as exportações registradas no período, que representaram 40% da receita obtida com o produto. “[A exportação] sem dúvida ajudou a sustentar uma venda de etanol anidro realizada a um preço muito atraente”, reforça.
Com isso, entre julho e setembro deste ano, o Ebitda ajustado – indicador operacional que traz os lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização e outros fatores selecionados para a companhia – atingiu R$ 387,86 milhões. O número, além de ser 22,6% maior que o visto no mesmo período da safra anterior, também ficou 5% acima das expectativas do BTG.
O relatório, porém, aponta que houve uma “alta momentânea” nos custos unitários, o que deve se normalizar nos próximos meses com uma aceleração no volume de vendas. “O índice de alavancagem subiu para 1,9x (de 1,6x), refletindo principalmente a estratégia de carrego de estoque (daí os menores volumes de vendas), a depreciação do real e as recompras de dividendos e ações”, aponta.
Para uma melhor compreensão dos números da São Martinho, o NovaCana desenvolveu 52 gráficos exclusivos. Assim, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do segundo trimestre da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
Moagem e produção
Com a moagem de 9,88 milhões de toneladas, o 2º trimestre de 2019/20 foi de recuperação para a São Martinho. No mesmo período do ano anterior, a moagem foi de 8,92 milhões, o que indica que houve um crescimento anual de 3,9% – ainda assim, o volume é inferior às 9,93 milhões de toneladas vistas em 2017/18.
No acumulado da temporada, porém, o resultado de 18,92 milhões de toneladas é um recorde para a companhia. “[A moagem é] resultado de melhores condições climáticas no período, notadamente das chuvas que ocorreram no início da safra, que permitiram importante recuperação da produtividade média dos canaviais”, declara a empresa.
Com esta matéria-prima, a São Martinho fabricou 959 mil toneladas de açúcar e 928 milhões de litros de etanol nos seis primeiros meses da temporada. De acordo com os dados apresentados, isso é derivado de um mix de produção que direcionou 39% da cana para o açúcar e 61% para o etanol.
O resultado é levemente mais açucareiro que a média das usinas do Centro-Sul no mesmo período. De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), 35,36% da matéria-prima produzida na região foi direcionada para a fabricação de açúcar entre abril a setembro de 2019.
“Acreditamos em um cenário mais construtivo para os preços de açúcar, na safra 2020/21, considerando que o Brasil mantenha o mix de produção em etanol e a Índia confirme a redução da produção de açúcar em até 5 milhões de toneladas devido a condições climáticas adversas na safra atual”, justifica a companhia.
Especificamente no trimestre, a produção de açúcar da São Martinho foi de 522,7 mil toneladas, enquanto a de etanol foi de 546,5 milhões de litros. No comparativo anual, os crescimentos foram de 28,7% e 12,4%, respectivamente.





Indicadores agrícolas e industriais
De acordo com a própria companhia, os aumentos produtivos foram possíveis porque a São Martinho registrou uma melhora no rendimento agrícola dos canaviais, que chegou a 85,4 t/ha no acumulado da safra. O resultado é 13,5% maior em relação ao visto nos primeiros seis meses de 2018/19.
Em contrapartida, a concentração de açúcares totais recuperáveis (ATR) na cana da sucroenergética caiu na mesma comparação – em linha com a média do Centro-Sul e com o resultado de outras grandes companhias do setor, como a Raízen. No caso da São Martinho, o indicador passou de 142,19 kg/t para 136,72 kg/t.
Ainda assim, a maior moagem permitiu que a quantidade total de ATR ficasse apenas 1,3% menor no acumulado da safra, com 2,59 milhões de toneladas.
No segundo trimestre, o volume de ATR chegou a 1,48 milhão de toneladas – crescimento anual de 8,2%. A concentração, por sua vez, foi de 149,6 kg/t, o que caracteriza uma queda de 2,3%.





Vendas e receita – por produto e por mercado
Com a recuperação da moagem e os resultados no campo, a São Martinho obteve uma receita líquida de R$ 770,1 milhões – 19,7% a mais que a vista no mesmo período do ano passado. De acordo com a própria empresa, isso foi possível por conta do maior volume de vendas de açúcar e pelo melhor preço de comercialização do etanol no período.
Em relação ao açúcar, a quantidade vendida aumentou 34,3%, de 149,36 mil para 200,54 mil toneladas. A receita com o produto, entretanto, aumentou em um índice menor, de 32,5%, chegando a R$ 217,1 milhões. Isso aconteceu porque houve uma queda no preço médio, que passou de R$ 1.096,7/t para R$ 1.008,2/t.
O declínio no valor foi puxado principalmente pelo preço de comercialização no mercado doméstico, que caiu 18,4% no período, enquanto o preço internacional subiu 4,1%. Como a São Martinho comercializa o adoçante majoritariamente por meio de exportação, o impacto da queda do valor no Brasil foi minimizado.
Para os próximos trimestres, a expectativa da São Martinho é ampliar ainda mais o volume vendido, uma vez que a companhia afirma ter optado por concentrar os embarques no final da safra, com preços superiores ao realizado nos primeiros meses. “Já realizamos hedge de 510 mil toneladas de açúcar para os próximos trimestres de 2019/20 ao preço médio de, aproximadamente, R$ 1.208/t”, afirma a empresa em relatório.
Em relação ao etanol, por sua vez, o preço médio subiu 14,4% na comparação com o segundo trimestre da safra passada, indo para R$ 1.869,6/m³. Como o volume comercializado se manteve praticamente estável – com um crescimento de apenas 0,7% –, a receita com o produto subiu 15,2%, alcançando R$ 438,31 milhões.
Para obter essa melhora, no entanto, a São Martinho executou uma mudança em sua estratégia para o produto, passando a direcionar um volume maior para a exportação. Conforme os números divulgados, foram direcionados 87,98 milhões de litros para fora do país, ante 12,93 milhões de litros no ano anterior.
Já a comercialização de energia elétrica gerou R$ 77,1 milhões para os cofres da empresa, uma queda de 5,5% no comparativo anual. Isso aconteceu mesmo com o aumento de 10,5% no volume vendido – que chegou a 350,93 GWh –, por conta da redução de 14,5% no preço médio de venda.
“É importante mencionar que, a partir de outubro de 2019, houve uma recuperação do preço spot de energia e, portanto, para o segundo semestre, esperamos preços médios superiores em comparação aos primeiros meses da safra”, ressalta a companhia.
Por fim, no trimestre, a São Martinho ainda obteve receita de R$ 16,8 milhões com negócios imobiliários, enquanto outros produtos e serviços não especificados corresponderam a R$ 20,79 milhões.





Resultado financeiros
No acumulado da safra 2019/20, a São Martinho apresenta um lucro líquido de R$ 153,45 milhões. O número vem acompanhado por um aumento de 7,8% na receita líquida, mas representa uma queda de 5,6% no comparativo com o começo da temporada 2018/19 – um reflexo do desempenho mais fraco visto no primeiro trimestre da atual safra.
Ainda assim, a companhia divulgou melhora em seu Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) trimestral e semestral. De julho a setembro, a sucroenergética obteve R$ 407,95 milhões, o que significa um crescimento anual de 31,6%. Já no acumulado da safra, o desempenho foi de R$ 821,76 milhões, equivalente a uma elevação anual de 16,5%.
Em relação à moagem, o desempenho da São Martinho entre julho e setembro equivale a um Ebitda de R$ 41,3/t. O valor é o maior já registrado pela sucroenergética para o período.
No indicador ajustado, por sua vez, a empresa obteve R$ 387,86 milhões no trimestre e R$ 736,24 milhões no acumulado da safra – crescimentos anuais de 22,6% e 2,6%, respectivamente.
Os valores foram reduzidos em relação ao Ebitda por conta de mudanças na contabilização de operações de arrendamento mercantil (IFRS 16), do vencimento das dívidas (prática de hedge accounting) e da desvalorização no ativo biológico. A companhia acredita que, desta forma, seu desempenho operacional é mensurado de uma forma mais adequada.
Por fim, a São Martinho ainda traz seu desempenho considerando depreciações e amortizações, o chamado Ebit. Neste caso, houve uma melhora de 35,4% no resultado trimestral, que chegou a R$ 166,34 milhões. No semestre, porém, o acumulado de R$ 284,67 milhões implica em uma queda de 11,3% no desempenho.
Em relação à moagem, o Ebit da São Martinho foi de R$ 16,8/t no trimestre. Ainda que seja superior aos R$ 13,8/t registrados na safra anterior, ele é inferior aos resultados observados no segundo trimestre das safras 2016/17 e 2017/18 – mas a companhia espera melhorar este indicador.
“Como mencionamos no trimestre anterior, esperamos reduzir gradualmente o custo caixa de açúcar e etanol até o encerramento da safra 2019/20 – excluindo o efeito do Consecana – apresentando custo em linha com o apresentado na safra anterior”, afirma a São Martinho.





Fatores que afetam o desempenho da companhia
Observando a relação simples entre as receitas e os custos dos produtos da São Martinho, o resultado da empresa está levemente abaixo do visto no mesmo período do ano passado. Entre julho e setembro, os custos representaram o equivalente a 69,9% das receitas, ante 70,3% no segundo trimestre de 2018/19. Ainda assim, o desempenho está distante da relação de 61,1% registrada na safra 2017/18.
No trimestre, o custo total dos produtos foi de R$ 538,01 milhões – 18,9% a mais na comparação anual. Entre as principais razões para o aumento está o próprio crescimento da produção e a elevação nos gastos com a aquisição de matéria-prima, o chamado “efeito Consecana”.
De acordo com a São Martinho, o maior impacto no caixa veio da fabricação de açúcar, que teve seus gastos ampliados em 42,6%, enquanto os custos com etanol aumentaram apenas 2,9%. “Para o etanol, a menor variação no aumento de custos nos períodos comparativos reflete uma maior participação das vendas na usina de Goiás, que possui um custo de produção inferior às de São Paulo”, justifica a companhia.
Além disso, a sucroenergética também apresentou queda de 2,6% em suas receitas financeiras, que somaram R$ 29,54 milhões. O valor é referente a juros recebidos, descontos obtidos, prêmios de resgate de títulos ou debêntures, rendimentos relativos a aplicações financeiras, dentre outros.
Para completar, as despesas financeiras aumentaram 36,7%, chegando a R$ 109,32 milhões. Segundo a empresa, o número foi afetado pelo câmbio, que impactou nos juros a serem pagos sobre as dívidas em dólar.
De maneira ampla, o impacto da variação cambial nos resultados da São Martinho gerou uma perda líquida de R$ 10,82 milhões. O resultado é 27,9% menor em comparação com o visto no mesmo período do ano anterior.



Perfil da dívida
No final de setembro de 2019, a dívida bruta da São Martinho somava R$ 4,53 bilhões, sendo R$ 700,28 milhões referentes a débitos com vencimento no prazo de um ano. Já o restante do valor, a maior parte – equivalente a R$ 1,57 bilhão – tem prazo de pagamento de cinco anos ou mais.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o endividamento total da companhia subiu 2,2%. Houve um aumento de 4,2% no valor comprometido em médio e longo prazo e uma queda de 7,3% no montante com vencimento em até 12 meses.
Além disso, a São Martinho informou que sua dívida em moeda estrangeira era equivalente a R$ 1,54 bilhão – um valor 20,4% superior ao visto um ano antes.
Já a dívida líquida da empresa totalizava R$ 3,12 bilhões. A posição é 0,9% maior que a vista um ano antes, mas 29,9% superior em relação ao final da safra 2018/19, em uma variação sazonal já esperada. “O aumento da dívida líquida reflete, principalmente, um maior capital de giro utilizado no período, em decorrência dos estoques dos produtos, que serão revertidos em caixa até o final da safra”, alega a empresa.
Em relação ao Ebitda acumulado de 12 meses, a dívida líquida da companhia apresenta uma alavancagem de 1,88 vezes. O valor é 28,4% superior ao índice de 1,46 vezes registrado no encerramento da temporada anterior, mas está consideravelmente abaixo do índice de 3,5 vezes apontado pelo Itaú BBA como o limite máximo recomendado para o setor de açúcar e etanol.


Renata Bossle – NovaCana