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Desaceleração econômica global deve afetar combustíveis e açúcar, diz BTG Pactual

Segundo o analista financeiro Leonardo Paiva, mudança no regime de precificação da Petrobras não preocupa investidores

NovaCana 6 min de leitura

Poucas horas após a Petrobras anunciar uma redução de R$ 0,13 por litro no preço da gasolina vendida às refinarias, o analista financeiro Leonardo Paiva, do BTG Pactual, já comentava este movimento. Na tarde da última quinta-feira, 15, ele participou de um evento em Curitiba (PR) promovido pela Libra Investimentos.

De acordo com Paiva, os reajustes verificados nos preços desde o anúncio da nova estratégia de precificação da petroleira demonstram que a mudança foi “marginal” em relação à política adotada anteriormente, que previa paridade com o preço internacional. “[Este] não é o melhor regime de precificação da Petrobras, mas ele não preocupa”, assegura.

O analista também observa que a Petrobras deve seguir como uma “ótima pagadora” de dividendos. “Tem uma cláusula no contrato do governo com a Petrobras sobre a participação privada. Caso o governo atue de forma que gere prejuízo para a companhia, a União tem que tirar do seu caixa para ressarcir o acionista”, afirma.

Ainda segundo Paiva, o valor sofreu uma redução porque o preço do barril de petróleo vive um momento de baixa, acompanhando um cenário de incertezas.

Entre os fundamentos baixistas está o cenário econômico dos Estados Unidos, que representam 22% da demanda global de petróleo. “Se o maior consumidor pode ter uma demanda mais fraca, o preço fica mais baixo. O mercado se antecipa a isso”, explica.


O BTG Pactual já é presença confirmada na Conferência NovaCana 2023, que acontece em São Paulo (SP) nos dias 4 e 5 de setembro. O analista de equity Thiago Duarte será um dos palestrantes do painel “Perfil financeiro das sucroenergéticas”. Clique aqui e saiba mais sobre o evento.


Saiba mais sobre as perspectivas do BTG Pactual para as importadoras de combustíveis refinados e para as usinas de cana-de-açúcar brasileiras no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana).

Poucas horas após a Petrobras anunciar uma redução de R$ 0,13 por litro no preço da gasolina vendida às refinarias, o analista financeiro Leonardo Paiva, do BTG Pactual, já comentava este movimento. Na tarde da última quinta-feira, 15, ele participou de um evento em Curitiba (PR) promovido pela Libra Investimentos.

De acordo com Paiva, os reajustes verificados nos preços desde o anúncio da nova estratégia de precificação da petroleira demonstram que a mudança foi “marginal” em relação à política adotada anteriormente, que previa paridade com o preço internacional. “[Este] não é o melhor regime de precificação da Petrobras, mas ele não preocupa”, assegura.

O analista também observa que a Petrobras deve seguir como uma “ótima pagadora” de dividendos. “Tem uma cláusula no contrato do governo com a Petrobras sobre a participação privada. Caso o governo atue de forma que gere prejuízo para a companhia, a União tem que tirar do seu caixa para ressarcir o acionista”, afirma.

Ainda segundo Paiva, o valor sofreu uma redução porque o preço do barril de petróleo vive um momento de baixa, acompanhando um cenário de incertezas.

Entre os fundamentos baixistas está o cenário econômico dos Estados Unidos, que representam 22% da demanda global de petróleo. “Se o maior consumidor pode ter uma demanda mais fraca, o preço fica mais baixo. O mercado se antecipa a isso”, explica.


O BTG Pactual já é presença confirmada na Conferência NovaCana 2023, que acontece em São Paulo (SP) nos dias 4 e 5 de setembro. O analista de equity Thiago Duarte será um dos palestrantes do painel “Perfil financeiro das sucroenergéticas”. Clique aqui e saiba mais sobre o evento.


Questionado sobre o mercado de importação de combustíveis refinados no Brasil, o analista apontou que é difícil prever a demanda. Além disso, embora tenha apontado que não projeta nenhuma mudança relevante a curto prazo, ele citou fatores de podem levar a uma queda no consumo.

“A nossa economia doméstica, apesar de muito melhor do que a gente imaginava, também está desacelerando”, afirma e complementa: “Olhando para o clima, a gente teve uma pluviometria muito melhor. Os nossos reservatórios hídricos estão bem abastecidos. Por consequência, você precisa usar menos termelétricas que usam combustível fóssil, o que demanda menos”.

Menor demanda e menor oferta

Uma recessão econômica global, segundo o analista, também pode levar a mudanças no mercado de açúcar. “Coca-Cola é açúcar. Se eu estou pouco mais pobre e a economia vem perdendo força, eu vou consumir menos Coca-Cola. E isso acontece com vários outros produtos”, exemplifica.

Ao mesmo tempo, ele não ignora que o preço do adoçante tem atingido patamares historicamente elevados, especialmente por conta da quebra de safra vista recentemente na Tailândia e na Índia. Outro fator apontado é o maior direcionamento da cana-de-açúcar para produção de etanol na Índia.

“A Índia quer avançar na pauta de produção de etanol agora. Isso era para 2025 – e era um 2025 que o mercado inteiro não botava muita fé. Falavam que seria em 2027 ou 2029”, relata e continua: “Mas eles aceleraram e diminuíram a cota de exportação de açúcar por causa da menor safra e para atender a esta pauta”.

Desta forma, a Índia diminuiu a oferta do adoçante para exportação para os próximos anos. “E eles vão ter demanda para combustível, pois estão com uma população maior que a da China agora. Isso não será um problema”, assegura Paiva.

Por conta disso, o analista afirma que a curva de preços da commodity teve um deslocamento, passando para um patamar superior ao visto em anos anteriores. E quem se beneficia deste cenário são as usinas brasileiras: “A gente deve ter uma safra bem melhor esse ano, com uma disponibilidade de cana muito maior”.

Conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado em maio, a região Centro-Sul deve alcançar uma moagem de 577,33 milhões de toneladas de cana em 2023/24, com produção de 37,16 milhões de toneladas de açúcar. Já uma sondagem realizada pelo NovaCana com 20 empresas especializadas aponta para 592,01 milhões de toneladas da matéria-prima, com a fabricação de 37,16 milhões de toneladas da commodity.

Todos os valores acima representam crescimento na comparação anual. Em 2022/23, o Centro-Sul encerrou a temporada com 548,28 milhões de toneladas de cana, segundo números da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica). Já a produção do adoçante totalizou 33,73 milhões de toneladas.

Renata Bossle – NovaCana

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