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Crescimento da cogeração pode representar alívio para usinas sucroenergéticas

No Plano Decenal de Expansão de Energia 2027, o governo projeta crescimento para a produção de energia por meio do bagaço de cana

NovaCana 8 min de leitura

A produção de energia elétrica por meio da cana-de-açúcar em 2018, até agora, demonstrou um crescimento em relação aos últimos anos. Só no primeiro semestre, dos 15 principais grupos sucroenergéticos em cogeração, 13 produziram mais do que no mesmo período do ano passado.

Além disso, analistas do setor frequentemente apontam a cogeração como um investimento necessário para as usinas saírem de um cenário de endividamento. Um exemplo é Juliano Merlotto, sócio-fundador da FG/A. No NovaCana Ethanol Conference deste ano, ele defendeu a geração de energia por meio da biomassa como sendo muito relevante para o caixa das sucroenergéticas, e como uma possibilidade de luz no fim do túnel.

O governo brasileiro não ignora estes fatores – ainda mais quando aliados ao risco hídrico e outros elementos que podem gerar apagões elétricos –, mantendo um olhar atento à produção de energia por meio do bagaço da cana-de-açúcar. Inclusive, suas perspectivas para a produção de bioeletricidade para os próximos anos seguem crescentes, de acordo com o planejamento publicado pelo governo no início do mês.

Neste plano o governo detalha como espera que o país produza e consuma energia nos próximos dez anos.

Em relação à bioenergia, o plano é otimista e considera “o panorama promissor para o aproveitamento energético da biomassa no Brasil”. De acordo com o documento, nos últimos anos, iniciativas governamentais fomentaram a renovação e a modernização de instalações de cogeração. Isso aumentou a eficiência dos processos e, consequentemente, a geração de excedentes e sua distribuição, contribuindo para a diversificação do setor e o aumento de receita das usinas.

“Não se pode deixar de mencionar a bioeletricidade, em especial aquela proveniente do bagaço de cana do setor sucroenergético, cujo potencial de aproveitamento para produção de energia elétrica no SIN [Sistema Interligado Nacional] tem se mostrado bastante competitivo”, PDE 2027

Confira a seguir a avaliação da quantidade de energia já contratada pelo setor elétrico, a análise de seu potencial técnico e a projeção de oferta de bioeletricidade, a partir do comportamento histórico da geração a partir do bagaço.

A produção de energia elétrica por meio da cana-de-açúcar em 2018, até agora, demonstrou um crescimento em relação aos últimos anos. Só no primeiro semestre, dos 15 principais grupos sucroenergéticos em cogeração, 13 produziram mais do que no mesmo período do ano passado.

Além disso, analistas do setor frequentemente apontam a cogeração como um investimento necessário para as usinas saírem de um cenário de endividamento. Um exemplo é Juliano Merlotto, sócio-fundador da FG/A. No NovaCana Ethanol Conference deste ano, ele defendeu a geração de energia por meio da biomassa como sendo muito relevante para o caixa das sucroenergéticas, e como uma possibilidade de luz no fim do túnel.

O governo brasileiro não ignora estes fatores – ainda mais quando aliados ao risco hídrico e outros elementos que podem gerar apagões elétricos –, mantendo um olhar atento à produção de energia por meio do bagaço da cana-de-açúcar. Inclusive, suas perspectivas para a produção de bioeletricidade para os próximos anos seguem crescentes, de acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia 2027 (PDE 2027).

Lançado anualmente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), o mais recente PDE entrou em consulta pública no dia 26 de outubro e detalha como o governo espera que o país produza e consuma energia nos próximos dez anos.

Em relação à bioenergia, o plano é otimista e considera “o panorama promissor para o aproveitamento energético da biomassa no Brasil”.

“Não se pode deixar de mencionar a bioeletricidade, em especial aquela proveniente do bagaço de cana do setor sucroenergético, cujo potencial de aproveitamento para produção de energia elétrica no SIN [Sistema Interligado Nacional] tem se mostrado bastante competitivo”, PDE 2027

Capacidade e potencial de geração

As usinas de açúcar e etanol conseguem aproveitar energeticamente a biomassa residual gerada em seus processos tanto para produzir calor em si quanto eletricidade. De acordo com o PDE, esse produto é utilizado para o autoconsumo e para gerar excedentes de energia elétrica que são exportados para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

De acordo com o documento, nos últimos anos, iniciativas governamentais fomentaram a renovação e a modernização de instalações de cogeração. Isso aumentou a eficiência dos processos e, consequentemente, a geração de excedentes e sua distribuição, contribuindo para a diversificação do setor e o aumento de receita das usinas.

Os dados do Banco de Informação da Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica, citados pelo relatório, registram que a capacidade de geração pela biomassa de cana atingiu 11,3 GW em outubro de 2018, um aumento de aproximadamente 50% nos últimos cinco anos. Somando-se o biogás e os resíduos florestais, a expansão total no horizonte decenal foi de 26 GW.

Em relação às previsões do PDE para o ano de 2027, o potencial técnico vai atingir 6,8 GW médios, quase 5 GW médios maior que o atualmente contratado no mercado regulado (ACR).

Além disso, foi elaborada uma estimativa do potencial de aproveitamento das palhas e pontas – disponíveis apenas para as usinas da região Centro-Sul (cerca de 90% da cana do Brasil), já que a maior parte da região Nordeste, ao menos segundo a EPE, ainda não estará utilizando a colheita mecanizada nos próximos anos.

Os resultados dos estudos utilizados pelo plano indicam que o potencial técnico de exportação de energia a partir da biomassa destes resíduos seria de 8,1 GW médios e 12,7 GW médios, respectivamente, até 2027.

Dessa forma, a contribuição da cana-de-açúcar para o cenário energético nacional poderá se tornar ainda mais relevante, caso seu potencial técnico – que deve somar 27,6 GW médios em 2027 – seja plenamente aproveitado.

Comercialização de energia

Dentre as 367 usinas sucroenergéticas em operação, 223 unidades comercializam energia e aproximadamente 60% destas o fazem por meio dos leilões.

Em comparação com as informações do PDE 2026, as modificações nestes dados demonstram o aumento no potencial de cogeração pelo setor sucroenergético. Em 2016, eram 378 usinas em operação – um número maior – porém, somente 200 comercializavam energia e apenas 50% delas o faziam por leilões.

Sobre este crescimento, o documento explica que os números podem continuar a melhorar anualmente. Para isso, seriam necessários “mecanismos que incentivem o investimento em tecnologias de geração, que promovam flexibilidade operativa ou mesmo estendam a disponibilidade dos recursos ao longo do ano, principalmente dos insumos provenientes do setor sucroenergético, tendem a melhorar a competitividade econômica apresentada”.

Assim, de 2006 até julho de 2018, foram realizados 51 certames, com vendas de energia de usinas sucroalcooleiras em 25 deles, de acordo com dados divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica apresentados no relatório. A energia total contratada destas unidades atingirá uma cogeração de aproximadamente 1,8 GW médios em 2023, valor que poderá ser ampliado com a realização de futuros leilões.

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Deste total, 112,4 MW correspondem à energia de empreendimentos do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), que tem o objetivo de aumentar a participação de fontes alternativas renováveis na produção de energia elétrica. Ele privilegia empreendedores que não tenham vínculos societários com concessionárias de geração, transmissão ou distribuição. De acordo com o PDE 2027, esse valor deve se manter no período decenal.

Existe ainda, segundo a EPE, um montante extra certame de 970 MW médios que pode ser comercializado pelas usinas de biomassa de cana no mercado livre (ACL) em 2023, indicando o potencial deste mercado para as companhias.

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A relação com o consumo

Ao mesmo tempo em que é previsto um aumento na produção de eletricidade brasileira (não só a gerada pelo bagaço da cana-de-açúcar), o consumo também terá um aumento, porém, em taxas mais modestas – 2,3% ao ano entre 2017 e 2027. Essa porcentagem é menor do que a anteriormente estimada, de 2,6% ao ano.

Ainda assim, embora o consumo de energia per capita cresça a 1,7% no período decenal, o Brasil ainda estará longe de atingir, em 2027, o nível de consumo médio atualmente observado nos países desenvolvidos.

Em relação aos setores, na década analisada, o setor energético é o que mais ganha importância no consumo final de energia, devido a fatores como o incremento da produção de petróleo e gás no Brasil, assim como a de etanol em usinas e destilarias. Enquanto em 2017 a participação deste setor no total era de 10%, a expectativa é que, em 2027, ele chegue a 12,3%, um aumento de 23%.

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Já no consumo específico por fonte, o gás natural e os derivados da cana devem ganhar importância ao longo do período. Os derivados de petróleo se mantêm como a principal fonte de energia final, com um crescimento médio de 1,8% anuais no decênio. Parte de seu mercado potencial é abatida pelo etanol e pelo biodiesel, especialmente no setor de transportes.

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Entretanto, a previsão é que, em 2027, a participação dessas fontes energéticas não renováveis na matriz elétrica brasileira seja menor do que a atual – 41% versus 39,2%. A incidência dos derivados de cana como fonte de energia, por outro lado, deve aumentar de 17,2% para 18,8% entre os mesmos dez anos, um incremento de 9,3%.

Rafaella Coury – NovaCana

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