Pelo terceiro mês consecutivo, o uso de etanol hidratado pelos brasileiros ficou abaixo do registrado no mesmo período de 2020. Em agosto, o país consumiu 1,31 bilhão de litros do biocombustível (em gasolina equivalente), queda anual de 16,6% ante os 1,57 bilhão de litros vistos um ano antes.
Os números foram divulgados ontem, 30, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Além disso, o valor também está 4,3% abaixo dos 1,37 bilhão de litros de julho.
Com isso, no acumulado do ano, o consumo de etanol chegou a 11,84 bilhões de litros, queda de 1,3% no comparativo com os 12,05 bilhões de litros contabilizados entre janeiro e agosto de 2020. Já em relação ao recorde de 14,5 bilhões de litros visto no mesmo período de 2019, a redução é de 18%.
Ao mesmo tempo, a gasolina tem observado aumentos na demanda. Em agosto, o consumo foi de 3,43 bilhões de litros, caracterizando uma elevação de 16,8% no comparativo anual. No acumulado, por sua vez, a alta é de 10,6%, com 24,74 bilhões de litros.
Com isso, o consumo total de combustíveis do ciclo Otto foi de 4,35 bilhões de litros em agosto e de 33,14 bilhões de litros no ano. Em relação aos mesmos períodos de 2020, as altas foram de 7,6% e 7,3%, respectivamente.
Os números evidenciam a falta de competitividade do biocombustível nos postos. Na média nacional, o etanol hidratado tem custado mais de 70% do preço da gasolina – valor considerado limite para sua vantagem econômica – desde a semana encerrada em 24 de abril.
Em agosto, especificamente, o volume abastecido com o renovável correspondeu a 21,3% do total demandado pelo ciclo Otto; um ano antes, este índice era de 27,5%. No estado de São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o valor era de 49,8% em agosto de 2020, caindo para 37,3% na divulgação mais recente.
Em meio a este cenário, as usinas da região Centro-Sul estão priorizando a produção e a estocagem do etanol anidro, que é misturado à gasolina. Segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), até 16 de setembro, a produção acumulada de anidro na safra 2020/21 chegou a 8,05 bilhões de litros, caracterizando uma alta anual de 26,4%. Já os 12,7 bilhões de litros de hidratado representam uma queda de 15,5%.






Renata Bossle – NovaCana
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