- Fatores de influência determinantes
- Moagem de cana
- Produção de açúcar
- Produção de etanol total, anidro e hidratado
- Mix de produção
- Total de ATR por tonelada
- Total de ATR da safra
“Não é a primeira safra em que a chuva foi boa em janeiro. Em outros anos, foi registrado esse índice pluviométrico e depois houve seca e o desenvolvimento dos canaviais decepcionou” FG/A
No final do ano passado todos concordavam que a produção de cana em 2017 seria menor que em 2016, devido, principalmente, à insuficiente renovação dos canaviais e as adversidades climáticas que afetaram os canaviais. Porém, agora, as projeções mais recentes para a safra 2017/18, que tem início em abril, mostram que os analistas estão divididos. Enquanto alguns acreditam em crescimento da moagem, outros não projetam avanço relevante.
O otimismo aumentou, mas a harmonia inicial das empresas que já arriscaram seus palpites se desmanchou. O bom clima experimentado nas lavouras no último mês fortaleceu as divergências e incertezas destacadas no passado, quando as primeiras projeções foram realizadas.
Em dezembro, as dúvidas sobre como a colheita avançaria em 2017/18 estavam relacionadas com o desenvolvimento final da safra atual. Agora, no final da safra em andamento, a responsabilidade foi jogada, mais uma vez, nas mãos do clima.
O clima chuvoso e benéfico para o desenvolvimento da cana em janeiro, e que segue nos primeiros dias de fevereiro, fez com que duas consultorias apontassem para uma melhora significativa, Datagro e Agroconsult. A expectativa que esse clima perdure fez com que estas estimativas se tornassem mais otimistas.
Mas nem todos estão fazendo a mesma leitura. Para os especialistas da FG/A, Platts e Pecege, ouvidos pelo NovaCana na semana passada, ainda é cedo para acreditar em melhora significativa.
Com as novas estimativas publicadas e a revisão de algumas instituições, a média das projeções de moagem para a região Centro-Sul subiu para 589 milhões de toneladas de cana moída, ante a média anterior de 587 milhões de toneladas.

A maior projeção é a da Datagro que estimou que as usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil processarão 612 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2017/18, cujo início oficial é em abril. No final do ano passado, a consultoria trabalhava com um cenário elástico, que variava de e 580 a 610 milhões de toneladas de cana moída.
A nova estimativa representa crescimento de 1,1% em relação aos 605,5 milhões de toneladas, previstos pela consultoria, para 2016/17.


Explicações para o crescimento
O presidente da Datagro, Plinio Nastari, pondera que os efeitos do fenômeno climático La Niña (que normalmente traz seca para o Centro-Sul) serão determinantes para definir os volumes de produção do próximo ciclo.
Na última quinta-feira (9), o Centro de Previsão do Clima da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) informou que o fenômeno climático “se dissipou”. De acordo com informações do Centro, o La Niña durou apenas quatro meses e está entre os mais fracos e curtos já registrados, apesar de ter ocorrido após um poderoso El Niño. Esta perspectiva reforça a perspectiva de chuvas normais para os canaviais.
De acordo com a análise dos cientistas atmosféricos do centro, El Niños mais fortes, como o que aconteceu no ano passado, são normalmente seguidos por La Niñas poderosas, o que não aconteceu desta vez. Com a dissipação do fenômeno, o Pacífico retorna à “condição neutra”.
Meteorologistas da empresa brasileira Somar, também na semana passada, já haviam indicado que se espera um clima “próximo ao normal”, inclusive com chuvas acima da média no Centro-Sul.
Por sua vez, o sócio analista da Agroconsult, Fabio Meneghin, também traz uma das mais altas estimativas de moagem, com 604,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar moída. Ele apresenta mais um argumento para sustentar sua projeção. Além do clima, “as excelentes vendas de adubo em São Paulo”, podem favorecer “novas revisões para cima nos próximos meses”.
Explicações para a cautela
Do outro lado, está a Platts, com uma das menores e mais recentes estimativas, de 582 milhões de toneladas – um valor 30 milhões de toneladas menor que o da visão mais otimista, apresentada pela Datagro.
“Não é a primeira safra em que a chuva foi boa em janeiro. Em outros anos, foi registrado esse índice pluviométrico e depois houve seca e o desenvolvimento dos canaviais decepcionou”
No caso da FG/A, as chuvas nesse período não são um indicativo determinante. “Não é a primeira safra em que a chuva foi boa em janeiro. Em outros anos, foi registrado esse índice pluviométrico e depois houve seca e o desenvolvimento dos canaviais decepcionou”, afirma o consultor João Henrique Rissi, que acrescenta: “Se continuar chovendo até abril, tudo pode mudar. Por ora, ainda não é indicativo”.
A estimativa da consultoria é que a moagem seja de 593 milhões de toneladas.
De acordo com o economista e gestor de projetos do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da Esalq/USP, Haroldo Torres, a influência do clima é indiscutível na produtividade agrícola do setor.
Em um estudo apresentado no ano passado, ele destacou que o clima – seja a radiação solar, deficiência hídrica ou precipitação – correspondem a 43% de toda a variabilidade da eficiência de produção de cana. Por outro lado, fatores como manejo e socioeconômicos respondem por 42% da variabilidade da produção de cana.
“Grande parte da variabilidade da produção de cana no Brasil não é controlável pela usina.” Porém, para ele, o clima favorável já está incluído nas apostas e, assim, a oferta de cana deve se manter em níveis semelhantes aos experimentados na safra que chega ao fim. “Mesmo que a expectativa de clima favorável se concretize nos próximos meses, esse não será um fator propulsor para produção”, disse o pesquisador ao NovaCana.
A limitação para o crescimento em 2017/18 é a falta de investimento nos canaviais e em manejo. “Mesmo com a geração de caixa bastante positiva para a maioria das empresas no último ano, houve pouco investimento nos ativos biológicos”, afirma.
Açúcar é unanimidade

O que permanece unânime é a expectativa positiva para o açúcar para 2017/18. Na média das consultorias, a previsão da produção da commodity cresceu um pouco, passando para 35,56 milhões de toneladas.
A maior estimativa, de 36,8 milhões de toneladas, é da Datagro. A menor é a projeção da Platts, com 34,93 milhões de toneladas de açúcar, refletindo também a sua expectativa de menor moagem.
Entre as instituições que projetaram o mix de açúcar para a próxima temporada, a média ficou em 47,30%. Os números pouco variaram, sendo o mínimo projetado de 47% e o máximo de 47,8% de mix açucareiro, mostrando que na safra 2017/18 as usinas devem direcionar o máximo de suas capacidades para a produção do adoçante.
A mais alta estimativa de mix, de 47,8%, é da consultoria FG/A, que justifica que a capacidade do setor foi otimizada. “Uma das premissas importantes na construção desse número é o dado de expansões de fábricas de açúcar e de destilarias construindo fábricas. Quantificamos um aumento da capacidade por dia e ampliamos para a mensuração anual”, explica João Henrique Rissi.


Etanol dependerá de fatores externos
A média das estimativas indicam uma perspectiva levemente maior do que a prevista anteriormente para a produção de etanol no país. Considerando as mesmas consultorias, a projeção média da produção total de etanol passou de 24,25 bilhões para 24,48 bilhões de litros de etanol.
Com uma previsão de 25,31 bilhões de litros de etanol, a maior entre as estimativas é novamente a da Datagro, que pondera que esse cenário ainda pode sofrer alterações. "Existe a possibilidade de aumento no preço da gasolina no próximo verão (do Hemisfério Norte), que coincide com o pico de safra no Brasil. Se isso ocorrer e a competitividade do etanol se recuperar, com consumo acima de 1,1 bilhão de litros por mês, poderá haver incentivo a um mix mais alcooleiro", explicou Plínio Nastari.
No ano passado, a Sucden lançou uma das menores expectativas para a produção de etanol. De acordo com a trader de açúcar, a baixa disponibilidade de cana afetaria a produção tanto do adoçante quanto do biocombustível de cana. No caso do etanol, a produção estimada na ocasião foi de 23,5 bilhões de litros.


ATR (quase) estável

A estimativa à quantidade do açúcar total recuperado (ATR) médio em 2017/18 ficou em média 134,15 quilos por tonelada de cana-de-açúcar. Já o ATR total deve alcançar 79,93 milhões de toneladas.
Esses indicadores apontam para um otimismo moderado das consultorias, beirando a estabilidade. Até a segunda quinzena de janeiro, segundo a Unica, a safra 2016/17 havia alcançado 79,43 milhões de toneladas de ATR, ou 133,76 kg/ton.
2016/17

Marina Gallucci – NovaCana