Grupo contabilizou crescimento de 201,6% no resultado líquido, além de um Ebitda ajustado de R$ 773 milhões
Enquanto muitas companhias registraram moagens recordes na safra 2020/21, a Zilor relata que já sentiu os efeitos do clima seco e vivenciou uma queda de 7,5% ante a temporada anterior, com o processamento de 10,01 milhões de toneladas. A moagem de cana própria, que representa 27,3% do total, teve um aumento anual de 20,7%, mas o fornecimento de terceiros sofreu uma redução de 15%.
Ainda assim, a companhia tem motivos para comemorar – e não só porque completa 75 anos em 2021. Na safra encerrada em março, a Zilor obteve um lucro líquido de R$ 447,3 milhões, crescimento de 201,6% na comparação com 2019/20, quando conseguiu R$ 148,3 milhões após duas temporadas consecutivas no vermelho.
O resultado divulgado pelo grupo considera as demonstrações financeiras das três usinas – Barra Grande, Quatá e São José, todas em São Paulo –, além da empresa Biorigin, que atua no setor de biotecnologia.
Segundo o diretor-presidente da Zilor, Fabiano José Zillo, a companhia consolidou o processo de mudança que havia sido iniciado em 2019. “Nesta safra, especificamente, foram direcionados esforços para o fortalecimento da estrutura de governança, com melhorias nos controles internos e na eficiência operacional, avaliação de melhores alternativas para captações de recursos e alocação de investimentos, além da disciplina na gestão de custos”, afirma.
De acordo com a companhia, a melhora no resultado advém principalmente do crescimento de 36,3% nos ganhos com açúcar que, suportados pela maior demanda e pelos preços da commodity no período, chegaram a R$ 726,7 milhões. Além disso, a receita líquida da Biorigin, que representa 30,4% do faturamento do grupo, cresceu 48,3% e foi para R$ 757,7 milhões.
Para completar, em abril, o Ministério de Minas e Energia (MME) classificou, mais uma vez, um projeto da empresa como prioritário, permitindo novas debêntures incentivadas para o grupo. Os recursos serão destinados à manutenção e recuperação dos canaviais entre o quarto trimestre da safra 2021/22 e a temporada 2025/26.
Confira na reportagem completa, exclusiva para assinantes:
- Resultados líquidos anuais da Zilor
- Evolução do lucro bruto da companhia
- Relação entre receitas e custos
- Composição da receita
- Dívida atual da companhia e estratégia de alongamento
- Desempenho financeiro
Enquanto muitas companhias registraram moagens recordes na safra 2020/21, a Zilor relata que já sentiu os efeitos do clima seco e vivenciou uma queda de 7,5% ante a temporada anterior, com o processamento de 10,01 milhões de toneladas. A moagem de cana própria, que representa 27,3% do total, teve um aumento anual de 20,7%, mas o fornecimento de terceiros sofreu uma redução de 15%.
Ainda assim, a companhia tem motivos para comemorar – e não só porque completa 75 anos em 2021. Na safra encerrada em março, a Zilor obteve um lucro líquido de R$ 447,3 milhões, crescimento de 201,6% na comparação com 2019/20, quando conseguiu R$ 148,3 milhões após duas temporadas consecutivas no vermelho.
O resultado divulgado pelo grupo considera as demonstrações financeiras das três usinas – Barra Grande, Quatá e São José, todas em São Paulo –, além da empresa Biorigin, que atua no setor de biotecnologia.

Segundo o diretor-presidente da Zilor, Fabiano José Zillo, a companhia consolidou o processo de mudança que havia sido iniciado em 2019. “Nesta safra, especificamente, foram direcionados esforços para o fortalecimento da estrutura de governança, com melhorias nos controles internos e na eficiência operacional, avaliação de melhores alternativas para captações de recursos e alocação de investimentos, além da disciplina na gestão de custos”, afirma.
Resultado operacional
De acordo com a empresa, a melhora no resultado advém principalmente do crescimento de 36,3% nos ganhos com açúcar que, suportados pela maior demanda e pelos preços da commodity no período, chegaram a R$ 726,7 milhões. Além disso, a receita líquida da Biorigin, que representa 30,4% do faturamento do grupo, cresceu 48,3% e foi para R$ 757,7 milhões.
Durante a temporada, a receita líquida Zilor atingiu R$ 2,5 bilhões, um incremento de 14,6% em relação à safra anterior, de 2,18 bilhões. Deste montante, a maior parte veio da venda de etanol, R$ 877,4 milhões, embora os ganhos com o biocombustível tenham sofrido uma queda de 12,5% ante um ano antes.
A energia elétrica, por sua vez, gerou uma receita líquida de R$ 122,5 milhões, decréscimo de 6,8% em relação aos R$ 131,5 milhões vistos na temporada anterior.

Ainda segundo a Zilor, a produção de 2020/21 totalizou 534,7 mil toneladas de açúcar, 440,4 milhões de litros de etanol e 521,4 GWh de energia elétrica. Em comparação com 2019/20, houve variações de +11,2%, -16,7% e -1,7%, respectivamente. Por sua vez, o portfólio da Biorigin somou 39 mil toneladas, elevação anual de 14,7%.
Além disso, o preço médio de todos os produtos subiu. Em 2020/21, as vendas da Biorigin representaram R$ 19,1/kg (+27,3%); na sequência, o açúcar foi vendido a R$ 1.359/t (+22,6%); a energia obteve R$ 131,5/MWh (+7,3%); e o etanol foi comercializado a R$ 1.992/m³ (+5,1%).
A Zilor também contabilizou a geração de 506 mil créditos de descarbonização (CBios) no período. De acordo com a companhia, 371 mil títulos foram comercializados a R$ 43,34, em média, gerando uma receita de R$ 16,08 milhões.

Por sua vez, os custos de fabricação foram de R$ 1,76 bilhão, o que representa uma alta anual de 9,1% – um valor menor do que o crescimento visto no faturamento. Assim, a relação entre estes gastos e as receitas registrou uma melhora pelo segundo ano consecutivo, caindo de 74,1% para 70,5%. Neste indicador quanto mais baixo o valor, melhor é o desempenho da sucroenergética.
Desta forma, no acumulado da safra, o lucro bruto da Zilor cresceu 21,2%, passando de R$ 669,24 milhões em 2019/20 para R$ 810,9 milhões na temporada mais recente.

Refletindo a melhora operacional, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia teve um aumento de 26,5%, passando de R$ 1,12 bilhão para R$ 1,42 bilhão entre as duas safras.
Além disso, o Ebitda ajustado foi de R$ 773,3 milhões, uma melhora de 29,7% no comparativo ano contra ano. Segundo a companhia, os números são “resultado da combinação de melhoria operacional e rígida gestão de custos e despesas”.

Perfil da dívida
Ao longo da safra, a Zilor reduziu sua dívida líquida em 16,7%, atingindo R$ 1,49 bilhão em 31 de março de 2021 ante os R$ 1,79 bilhão de um ano antes. De acordo com o diretor financeiro da companhia, Marcos Arruda, isso diminuiu a alavancagem da Zilor de forma relevante.
Por sua vez, o endividamento bruto da Zilor era de R$ 2,78 bilhões ao final da safra, queda de 0,4% na comparação anual. Dentro deste número, as dívidas com vencimento superior a doze meses representavam R$ 2,19 bilhão – 2,5% a mais que o valor registrado no fechamento do ciclo anterior. Já a posição dos débitos com vencimento em curto prazo teve uma retração de 9,8% no mesmo comparativo, passando de R$ 652,27 milhões para R$ 588,65 milhões.

Acompanhando estas variações, as despesas financeiras do grupo Zilor somaram R$ 403,2 milhões na safra 2020/21 – queda de 15,1% no ano. Além disso, o impacto da variação cambial sobre os resultados do grupo diminuiu 60,9%, saindo de uma perda de R$ 79,92 milhões em 2019/20 para R$ 31,22 milhões negativos na safra mais recente.
“Essa trajetória demonstra que estamos caminhando rumo à consolidação financeira da companhia, com redução expressiva da alavancagem e aumento na posição de caixa, abrindo espaço para novas oportunidades de investimento”, afirma Arruda, que completa: “Este ano foi marcado por emissão de dívida no mercado de capitais em condições atrativas, além de trazer oportunidades de crédito para os nossos parceiros e melhoria na gestão de riscos”.

A trajetória a que ele se refere começou na safra 2018/19, quando a Zilor iniciou um processo de alongamento da dívida. Já na temporada seguinte, o grupo realizou uma emissão de debêntures de R$ 560 milhões e gerou Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) no valor de R$ 600 milhões. Por sua vez, em janeiro deste ano, a companhia emitiu debêntures incentivadas que totalizaram R$ 202 milhões.
Além disso, em abril, o Ministério de Minas e Energia (MME) classificou, mais uma vez, um projeto da empresa como prioritário, permitindo novas debêntures incentivadas para o grupo. Os recursos serão destinados à manutenção e à recuperação dos canaviais entre o quarto trimestre da safra 2021/22 e a temporada 2025/26.
Para completar, a companhia lançou o Programa de Financiamento de Parceiros Agrícolas em junho de 2021. Com o objetivo de fomentar e financiar fornecedores, o projeto foi viabilizado por meio do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com a captação de R$ 120 milhões.
Lucas Vasconcelos – NovaCana