Etanol: Preços

Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Etanol e gasolina registram valores recordes nos postos

Aumento semanal do biocombustível foi de 0,78% enquanto o do fóssil foi de 0,18%; relação entre os preços subiu para 76,1%


NovaCana - Publicado: 02 Mai 2022 - 10:48

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 24 a 30 de abril:

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  1. O preço do etanol subiu em 22 estados e no Distrito Federal, enquanto o da gasolina aumentou em 13 unidades da federação

  • O consumo de etanol não é considerado economicamente vantajoso em todos os estados brasileiros

  • O valor do hidratado caiu nas usinas paulistas, mato-grossenses e goianas

  • Levantamento de preços da ANP foi realizado em 418 municípios, mesma quantidade da semana anterior


  • Pela oitava semana consecutiva, o etanol sofreu um aumento de preço na média dos postos brasileiros. E, novamente, a alta do renovável foi superior a da gasolina, que está em sua terceira semana seguida de acréscimos.

    Entre 24 e 30 de abril, o biocombustível passou de R$ 5,496 por litro para R$ 5,539/L na média nacional, alta de 0,78%. Já a gasolina foi de R$ 7,270/L para R$ 7,283/L, elevação de 0,18%. Com isso, os preços dos combustíveis representam um recorde nominal desde o início da série história, em 2004.

    Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Conforme a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço interno da gasolina está R$ 0,45/L abaixo da paridade de importação. Ainda de acordo com a entidade, houve um aumento da defasagem, o que reflete a desvalorização do real e a recuperação dos preços do petróleo no mercado estadunidense nas últimas semanas.

    Na semana, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 76,1%, acima do resultado do período anterior, de 75,6%. Este é o sexto aumento consecutivo depois de dez semanas de redução no indicador.

    Assim, o etanol permanece sem competitividade nas médias nacional e estaduais. Ou seja, o preço do biocombustível ficou acima de 70% do custo da gasolina, faixa em que o renovável é tido como economicamente vantajoso para os consumidores.

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    As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis realizado pela ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 418 municípios, mesma quantidade do período anterior.

    Por sua vez, nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 3,8401/L para R$ 3,4965/L, redução de 8,95%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Também houve queda de 1,2% nas produtoras mato-grossenses e de 9,75% nas goianas.

    Variações nos estados

    Segundo a ANP, entre 24 e 30 de abril, o preço do etanol subiu na média de 22 estados e no Distrito Federal e caiu em quatro. A gasolina, por sua vez, subiu em 13 unidades da federação.

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    Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um acréscimo de 0,58%, custando R$ 5,348/L em média; já a gasolina foi vendida a R$ 6,992/L, aumento de 0,55%. Com isso, a relação entre os preços ficou igual a de uma semana antes, em 76,5%, mantendo-se desfavorável ao etanol. A pesquisa foi feita em 108 cidades paulistas, mesmo valor do que na semana anterior.

    Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 5,406/L na média da semana analisada, incremento de 0,26%. Enquanto isso, a gasolina caiu 0,22%, para R$ 7,578/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 71,3%, acima dos 71% de uma semana e seguindo desfavorável ao etanol. Segundo a ANP, 17 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a mais do que uma semana antes.

    Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 1,54% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,749/L. A gasolina passou por uma alta de 0,39% e foi negociada a R$ 7,636/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 75,3% do preço do combustível fóssil, acima dos 74,4% vistos na semana anterior, com o etanol mantendo uma média não competitiva no estado. No total, 53 municípios mineiros participaram da pesquisa, cinco a mais do que na semana anterior.

    Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma queda de 3,52%, a única dentre os seis maiores produtores, indo para R$ 4,957/L, o menor valor dentre todas as unidades da federação. Na semana, a gasolina teve queda de 1,27%, passando a custar R$ 6,998/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 70,8%, abaixo dos 72,5% de uma semana antes, mas ainda não sendo economicamente vantajosa ao consumidor. A ANP fez a pesquisa em quatro municípios mato-grossenses, dois a menos do total registrado no último levantamento.

    Já em Mato Grosso do Sul, o etanol subiu 2,13%, ficando em R$ 5,695/L. A gasolina, por sua vez, teve um incremento de 0,75%, para R$ 7,109/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 80,1% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 79% de uma semana antes e a mais alta relação entre os seis principais estados produtores de etanol do país. Sete cidades participaram do levantamento.

    Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 79,7% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma alta de 1,22%, sendo vendido por R$ 5,819/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina subiu 0,18%, indo para R$ 7,298/L. No total, 27 cidades foram pesquisadas no estado, uma a menos do que o visto uma semana antes.

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    Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

    Comparação comprometida

    Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

    Entre 24 e 30 de abril, 418 cidades foram pesquisadas, mesmo número do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

    Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

    Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

    Gabrielle Rumor Koster – NovaCana