Errata (02/05, às 8h40): Ao contrário do que foi noticiado inicialmente, o etanol mais barato da semana foi visto em Mato Grosso, a R$ 5,138 por litro, e não em São Paulo. O texto abaixo foi alterado para corrigir essa informação.
Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 17 a 23 de abril:
O preço do etanol subiu em 21 estados e no Distrito Federal, enquanto o da gasolina aumentou em 20 unidades da federação
O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados brasileiros
O valor do hidratado subiu nas usinas paulistas, mato-grossenses e caiu nas goianas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 418 municípios, três a menos do que na semana anterior

Pela sétima semana consecutiva, o etanol sofreu um aumento de preço na média dos postos brasileiros. E, novamente, a alta do renovável foi maior que a da gasolina, que está em sua segunda semana de acréscimos.
Entre 17 e 23 de abril, o biocombustível passou de R$ 5,241 por litro para R$ 5,496/L na média nacional, alta de 4,87%. Já a gasolina foi de R$ 7,219/L para R$ 7,270/L, elevação de 0,71%.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo representantes das usinas ouvidos pela Folha de S. Paulo, a escalada dos preços do etanol é reflexo da demanda elevada em um período de entressafra, quando os estoques estão mais baixos. Com isso, existe a expectativa de que os preços comecem a ceder nas próximas semanas, com o início da colheita da cana-de-açúcar.
Na semana, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 75,6%, acima do resultado do período anterior, de 72,6%. Este é o quinto aumento consecutivo depois de dez semanas de redução no indicador.
Assim, o etanol se torna ainda menos comercialmente competitivo na média nacional. Ou seja, o preço do biocombustível ficou acima de 70% do custo da gasolina, faixa em que o renovável é tido como vantajoso para os consumidores.
Considerando as médias estaduais, o biocombustível perdeu a vantagem em todos os estados do país.

As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis realizado pela ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 418 municípios, três a menos do que no período anterior.
Por sua vez, nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 3,8366/L para R$ 3,8401/L, aumento de 0,09%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Também houve acréscimo de 0,54% nas produtoras mato-grossenses e queda de 0,35% nas goianas.
Segundo a ANP, entre 17 e 23 de abril, o preço do etanol subiu na média de 21 estados e no Distrito Federal, caiu em quatro e ficou estável no Amapá. A gasolina, por sua vez, subiu em 20 unidades da federação.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um acréscimo de 5,58%, o maior aumento de todas as unidades da federação, custando R$ 5,317/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,954/L, aumento de 0,42%. Com isso, a relação entre os preços subiu, ficando em 76,5%, acima dos 72,7% de uma semana antes e se mantendo desfavorável ao etanol. A pesquisa foi feita em 108 cidades paulistas, uma a mais do que na semana anterior.
Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 5,392/L na média da semana analisada, incremento de 4,23%. Enquanto isso, a gasolina subiu 1,31%, para R$ 7,595/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 71%, acima dos 69% de uma semana antes e deixando de ser favorável ao etanol. Segundo a ANP, 16 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesmo número de uma semana antes.
Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 4,74% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,662/L. A gasolina passou por uma alta de 0,6% e foi negociada a R$ 7,606/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 74,4% do preço do combustível fóssil, acima dos 71,5% vistos na semana anterior, com o etanol mantendo uma média não competitiva no estado. No total, 48 municípios mineiros participaram da pesquisa, cinco a menos do que na semana anterior.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um crescimento de 4,28%, indo para R$ 5,138/L – ainda assim, o menor valor entre todos os estados do país. Na semana, a gasolina subiu 0,85%, passando a custar R$ 7,088/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 72,5%, acima dos 70,1% de uma semana antes, e ainda não sendo economicamente vantajoso ao consumidor. A ANP fez a pesquisa em seis municípios mato-grossenses, mesmo total registrado no último levantamento.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol subiu 3,93%, ficando em R$ 5,576/L. A gasolina, por sua vez, teve um incremento de 0,4%, para R$ 7,056/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 79% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 76,3% de uma semana antes e a mais alta relação entre os seis principais estados produtores de etanol do país. Sete cidades participaram do levantamento.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 78,9% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma alta de 4,91%, sendo vendido por R$ 5,749/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina subiu 0,47%, indo para R$ 7,285/L. No total, 28 cidades foram pesquisadas no estado, uma a mais do que o visto uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 17 e 23 de abril, 418 cidades foram pesquisadas, três a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Giully Regina – NovaCana