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Colorado faz oferta por usina da Raízen em Colômbia (SP)

Companhia controlada por Cosan e Shell também negocia venda de mais três unidades


Globo Rural - Publicado: 03 Out 2025 - 15:06

O Grupo Colorado, dono de duas usinas no Centro-Sul, fez uma oferta pela usina Continental, da Raízen, disseram ao Globo Rural duas fontes a par do assunto, que preferiram não ser identificadas. Procurada, a Raízen não comentou. A reportagem tentou contato com a Colorado, mas não obteve retorno até o fechamento.

A Continental está localizada em Colômbia, extremo norte de São Paulo, próxima ao triângulo mineiro, e tem capacidade de processar mais de 2,5 milhões de toneladas de cana por safra.

Para as duas fontes, esse é o negócio mais próximo de ser fechado dentre as usinas que a Raízen tem em negociação.

Ainda segundo uma das fontes, a companhia, controlada por Cosan e Shell, também iniciou conversas para vender suas usinas em Jataí (GO), Lagoa da Prata (MG) e Igarapava (SP).

Uma outra pessoa a par das conversas disse que a usina de Jataí chegou a receber proposta da Atvos, que não foi aceita. Procurada, a Atvos não comentou.

A Continental está à venda ao menos desde junho. À época, a Raízen ainda negociava a venda de ativos das usinas Santa Elisa, Rio Brilhante e Passatempo. A primeira unidade está localizada em Sertãozinho (SP), enquanto as outras duas estão em Rio Brilhante (MS).

Caso se confirme, a Continental será a quarta unidade que a Raízen comprou da Biosev em 2021 e que será vendida no atual plano de alienação de ativos. No caso da Santa Elisa, as negociações envolveram apenas os canaviais, adquiridos por um grupo de seis empresas do setor, enquanto a indústria foi hibernada. Já as usinas de Mato Grosso do Sul foram vendidas à Cocal.

Com a venda desses três ativos, a Raízen já levantou R$ 1,345 bilhão. Na operação de venda dos canaviais da Santa Elisa, a capacidade de produção de cana foi vendida por um múltiplo de US$ 46 por tonelada de matéria-prima. Já na venda das usinas sul-mato-grossenses à Cocal – que incluiu ativo industrial e lavouras –, o múltiplo ficou em US$ 40 por tonelada.

A venda de usinas vem se mostrando uma forma mais imediata de a Raízen fazer caixa e reduzir suas dívidas enquanto ainda não há um desfecho para sua reorganização societária. Por causa da pressão de seu alto endividamento, as ações da Raízen vêm em forte queda e, ontem, fecharam no menor patamar da história, a R$ 1,01. A Cosan já admitiu que se dispõe a ser diluída na empresa.

A empresa de Rubens Ometto chegou a conversar com a Shell para um possível aumento de capital na Raízen por parte da petrolífera, mas não houve avanços. Para uma fonte que conhece a companhia anglo-britânica de perto, a redução do interesse das grandes petrolíferas por energias limpas nos últimos meses diminui as chances de que faça uma capitalização na Raízen.

Em seu mais recente balanço, a Raízen divulgou que os dois sócios também buscavam uma alternativa junto a um terceiro investidor. A Bloomberg informou que havia conversas com as japonesas Mitsui e Mitsubishi, e o Pipeline, site de negócios do Valor, informou que também há interesse do BTG Pactual e da Itaúsa.

Camila Souza Ramos