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Cocal e Cocamar acreditam em sucesso de parceria para uso de meiosi em canaviais

Cooperativa fechou novos contratos com a unidade Alcídia, da Atvos, e a Umoe Bioenergy, além de renovar com a Cocal

NovaCana 14 min de leitura

Em agosto de 2019, a Cocamar, cooperativa agroindustrial paranaense, divulgou uma parceria com o grupo Cocal específica para a unidade Narandiba, localizada na cidade paulista de mesmo nome. O objetivo do contrato, inédito no país, era a administração da produção de soja no período da renovação dos canaviais da usina, que seria realizada por meio do Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente, a meiosi.

A meiosi é indicada por ter uma influência positiva na produtividade da plantação de cana-de-açúcar. O próprio grupo Cocal, conforme o gerente de tecnologia agrícola, Daniel Gualtieri, já o adota em cerca de 75% da área dos seus canaviais. “A presença de outra cultura enquanto a cana se desenvolve permite a cobertura do solo”, afirma.

O ineditismo está na parceria entre a usina e a cooperativa, que subarrendou 5,2 mil hectares nos municípios paulistas de Narandiba e Ipê, pertencentes à Cocal, para 19 produtores de soja selecionados entre seus cooperados. Neste sistema, o grupo se comunicou apenas com a Cocamar, que fez o intermédio com os produtores de soja.

Desta forma, o plantio do grão foi realizado no verão de 2019/20, e a colheita já aconteceu. Segundo Gualtieri, os canaviais que substituíram a soja “estão visualmente muito bonitos”. Ele reitera que quando um produtor realiza a rotação de cultura, a capacidade de armazenar água no solo aumenta, assim como há a introdução de matéria orgânica e absorção de nutrientes que podem ser aproveitados pelo canavial.

“Os resultados do plantio nós vamos colher no próximo ano. Como a soja foi retirada no início de 2020, a gente fez a desdobra do canavial em seguida e ele será colhido em 2021. Então o resultado, para a gente ver o benefício área a área, será concretizado em 2021”, explica o gerente de tecnologia.

Independentemente dos resultados concretos, a expectativa é de um retorno positivo para o grupo. Na visão da usina, “este primeiro ano de parceria inédita entre a Cocal e a Cocamar foi positivo, o que levou à renovação do contrato e à ampliação do programa em que a produção de soja é introduzida na reforma dos canaviais”.

“Este ano, a gente deve passar de 10 mil hectares plantados com a Cocamar; já concluímos praticamente todo o planejamento, fazendo a entrega técnica das áreas e com a previsão de iniciar o plantio de soja antes de dezembro, assim que retornarem as chuvas”, Daniel Gualtieri (Cocal)

O gerente de negócios da Cocamar, Marco Antonio de Paula, responsável pelo intermédio entre a usina e os produtores de soja, também comemora os resultados até então. “O projeto está dando um grande passo este ano, praticamente dobrando a área nos canaviais da Cocal e também com novas parcerias com a unidade Alcídia, da Atvos [antiga Odebrecht Agroindustrial], e com a Umoe Bioenergy”, afirma, e completa: “Este ano, a gente deve ir para mais de 20 mil hectares de soja em áreas de reforma de cana, nestas três usinas”.

As novas parcerias foram fechadas em um evento técnico promovido por ambas as empresas, Cocal e Cocamar, para demonstrar o projeto, o que despertou o interesse de outras usinas. “Nossa expectativa é que possamos levar essa experiência também para outras regiões”, reitera Paula.

Conforme o gerente da Cocamar, esta foi a primeira experiência de parceria entre uma usina e uma cooperativa no Brasil. “Este é o nosso desafio: criar um modelo inédito, que seja sustentável e atenda às expectativas de todos os participantes”, conta.

Com a Cocal, o acordo está previsto para durar cinco anos, porém Paula acredita que tanto o grupo quanto a cooperativa avaliam uma ampliação. “A abertura desta nova fronteira agrícola para a soja deve ser duradoura”, afirma.

Confira, na versão completa do texto, restrita para assinantes, os benefícios da rotação de cultura no canavial, os termos do contrato firmado entre a Cocal e a Cocamar e as expectativas e depoimentos dos envolvidos no projeto.

Em agosto de 2019, a Cocamar, cooperativa agroindustrial paranaense, divulgou uma parceria com o grupo Cocal específica para a unidade Narandiba, localizada na cidade paulista de mesmo nome. O objetivo do contrato, inédito no país, era a administração da produção de soja no período da renovação dos canaviais da usina, que seria realizada por meio do Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente, a meiosi.

A meiosi é indicada por ter uma influência positiva na produtividade da plantação de cana-de-açúcar. O próprio grupo Cocal, conforme o gerente de tecnologia agrícola, Daniel Gualtieri, já o adota em cerca de 75% da área dos seus canaviais. “A presença de outra cultura enquanto a cana se desenvolve permite a cobertura do solo”, afirma.

O ineditismo está na parceria entre a usina e a cooperativa, que subarrendou 5,2 mil hectares nos municípios paulistas de Narandiba e Ipê, pertencentes à Cocal, para 19 produtores de soja selecionados entre seus cooperados. Neste sistema, o grupo se comunicou apenas com a Cocamar, que fez o intermédio com os produtores de soja.

Desta forma, o plantio do grão foi realizado no verão de 2019/20, e a colheita já aconteceu. Segundo Gualtieri, os canaviais que substituíram a soja “estão visualmente muito bonitos”. Ele reitera que quando um produtor realiza a rotação de cultura, a capacidade de armazenar água no solo aumenta, assim como há a introdução de matéria orgânica e absorção de nutrientes que podem ser aproveitados pelo canavial.

“Os resultados do plantio nós vamos colher no próximo ano. Como a soja foi retirada no início de 2020, a gente fez a desdobra do canavial em seguida e ele será colhido em 2021. Então o resultado, para a gente ver o benefício área a área, será concretizado em 2021”, explica o gerente de tecnologia.

Independentemente dos resultados concretos, a expectativa é de um retorno positivo para o grupo. Na visão da usina, “este primeiro ano de parceria inédita entre a Cocal e a Cocamar foi positivo, o que levou à renovação do contrato e à ampliação do programa em que a produção de soja é introduzida na reforma dos canaviais”.

“Este ano, a gente deve passar de 10 mil hectares plantados com a Cocamar; já concluímos praticamente todo o planejamento, fazendo a entrega técnica das áreas e com a previsão de iniciar o plantio de soja antes de dezembro, assim que retornarem as chuvas”, Daniel Gualtieri (Cocal)

O gerente de negócios da Cocamar, Marco Antonio de Paula, responsável pelo intermédio entre a usina e os produtores de soja, também comemora os resultados até então. “O projeto está dando um grande passo este ano, praticamente dobrando a área nos canaviais da Cocal e também com novas parcerias com a unidade Alcídia, da Atvos [antiga Odebrecht Agroindustrial], e com a Umoe Bioenergy”, afirma, e completa: “Este ano, a gente deve ir para mais de 20 mil hectares de soja em áreas de reforma de cana, nestas três usinas”.

As novas parcerias foram fechadas em um evento técnico promovido por ambas as empresas, Cocal e Cocamar, para demonstrar o projeto, o que despertou o interesse de outras usinas. “Nossa expectativa é que possamos levar essa experiência também para outras regiões”, reitera Paula.

Conforme o gerente da Cocamar, esta foi a primeira experiência de parceria entre uma usina e uma cooperativa no Brasil. “Este é o nosso desafio: criar um modelo inédito, que seja sustentável e atenda às expectativas de todos os participantes”, conta.

Com a Cocal, o acordo está previsto para durar cinco anos, porém Paula acredita que tanto o grupo quanto a cooperativa avaliam uma ampliação. “A abertura desta nova fronteira agrícola para a soja deve ser duradoura”, afirma.

Os benefícios da soja

A meiosi foi inicialmente descrita pelo professor José Emílio de Barcelos, na década de 1980, como um processo em que o canavial é dividido de forma que as mudas de cana-de-açúcar sejam plantadas em linhas e, no vão entre elas, sobre espaço para que outra cultura possa ser cultivada. As mais utilizadas são soja, amendoim e adubo verde.

Após essa cultura ser colhida, a cana é desdobrada na região central e pode aproveitar os nutrientes e benefícios deixados pela outra plantação. O índice de desdobra varia, dependendo das condições de tratamento e consequente crescimento das mudas plantadas.

meiosi cocal campo

Área de canavial em Narandiba (SP), onde foi adotada a meiosi com a Cocamar

O gerente de negócios da Cocamar, Marco Antonio de Paula, explica que a rotação de cultura tem grande importância para quem busca aumentar a produtividade da cana, já que proporciona a melhora do solo, das suas condições químicas e da sua sanidade, além de realizar o controle de ervas daninhas.

Mas o principal benefício citado por Paula é a fixação de nitrogênio no solo feita pela soja, que ajuda na estrutura da terra. Em relação a pragas e doenças, também há uma grande melhoria, já que são utilizados inseticidas e fungicidas na plantação do grão, devolvendo a área com uma maior sanidade neste quesito.

“Nós percebemos que as ruas de meiosi, onde tinha soja, estavam muito melhores, bem mais sadias, e tiveram um desenvolvimento muito melhor do que nas áreas que não tinha soja”, Marco Antonio de Paula (Cocamar)

O gerente de tecnologia agrícola da Cocal, Daniel Gualtieri, explica que a parceria também trouxe uma troca de conhecimentos sobre diferentes culturas para o grupo, além dos benefícios agronômicos para a cana com a fixação de nutrientes no solo.

Ele reitera que o plantio da soja permite que o solo se mantenha coberto. “[Isso] evita impactos na época das chuvas, com relação a erosões, danos no solo, e retrabalhos com perdas do manejo que a gente adotou”, explica.

Além disso, o gerente da Cocal reforça o compromisso e o cuidado dos produtores da Cocamar. “Quando a gente implanta este sistema de oportunidade de usar a soja no plantio de cana por meiosi, existem sempre os cuidados necessários com a cana”, relata.

Pela proximidade física das culturas, já que as linhas de plantio de cana são intercaladas com as de soja, existe o risco de produtos que são aplicados no grão derivarem para a cana. Ele exemplifica citando os glifosfatos que, dependendo da concentração, podem matar o canavial.

“O sucesso do projeto não é só produzir soja. É preservar a linha mãe da cana para que o nosso objetivo também seja alcançado: tirar a soja, deixando seus benefícios no solo, e ter a cana, de forma preservada, para multiplicá-la depois da retirada do grão”, Daniel Gualtieri (Cocal)

O gerente da Cocamar explica que o cuidado com as linhas mães realmente era um ponto de atenção no projeto, para que não ocorressem danos físicos ou químicos com a movimentação na plantação de soja, e a cooperativa garantiu isto para a Cocal. Para ele, era essencial que os produtores devolvessem a terra para a usina em uma condição melhor do que a receberam.

Gualtieri conclui afirmando que o ponto chave para o sucesso do projeto é todos os envolvidos atingirem seus objetivos: os produtores e a Cocamar com produtividade e colheita de soja, e a usina cultivar uma cana que se desenvolve e pode ser replantada em uma área ainda melhor.

Benefícios para todos

A Cocamar, por meio do seu gerente de negócios, Marco Antonio de Paula, fez todo o intermédio entre a Cocal e os produtores de soja. Para isso, buscou, em seu quadro de cooperados, aqueles que adotam um nível de tecnologia alto, têm perfil para trabalhar na região da usina e têm os cuidados necessários com outras plantações.

Para estes produtores, a empresa financiou insumos e ofereceu o acompanhamento de um agrônomo para garantir a aplicação correta dos químicos e os cuidados com as linhas mães. “Enfim, todo o processo de plantio, condução e colheita da soja”, afirma Paula.

O gerente reforça que, para o projeto sair, foi preciso a dedicação de três partes: a Cocal, que tem as terras e faz a renovação dos canaviais; a Cocamar, que detém a tecnologia de produção de soja, tem conhecimento de produtores e poderia garantir a sanidade do canavial; e os próprios produtores, cooperados, que poderiam realizar o trabalho.

A intenção da parceria, conforme Gualtieri, gerente da Cocal, é realizar um projeto que seja bom para todos. Paula concorda e explica que a usina ganha pela renovação das áreas de uma maneira correta, buscando o aumento da qualidade da cana, e até tendo algum benefício financeiro com a venda da soja, caso tenha uma alta produtividade.

Já o produtor ganha ao participar de um projeto em que ele tem assistência técnica, fornecimento de insumos e um seguro contra prejuízos. E, para a Cocamar, este projeto colabora com sua missão social de atender ao produtor, dando uma oportunidade a mais de trabalho, além de movimentar a venda de insumos e o recebimento de grãos.

cocamar familia palaro

Wilson Palaro e sua família pretendem continuar plantando soja nas terras disponibilizadas

Um dos associados da Cocamar, por exemplo, participou do primeiro ano do projeto e já está se preparando para o verão da safra atual, quando poderá plantar novamente a soja. O produtor Wilson Palaro comenta que a consistente adubação feita pela usina, a orientação técnica adequada e a ocorrência regular de chuvas beneficiaram a soja. “Foi um bom negócio”, resume.

“E tem vários benefícios indiretos, como a geração de renda e empregos na região, que é um benefício social deste processo, uma movimentação na região e nestas cidades onde a gente implanta as culturas de soja. É um ganha-ganha”, celebra Paula.

Os termos do contrato

De acordo com o gerente de tecnologia agrícola da Cocal, Daniel Gualtieri, o grupo já estava buscando uma parceria que possibilitasse a cobertura de solo. O objetivo era atingir benefícios técnicos, agronômicos e financeiros, aproveitando o plantio por meiosi já realizado em grande parte dos canaviais da companhia.

Marco Antonio de Paula, da Cocamar, explica que as conversas com a Cocal começaram em 2018. Após este primeiro momento, complementa Gualtieri, houve a modelação da parceria, incluindo detalhes sobre o relacionamento entre as partes, as etapas e o encaminhamento das negociações, que avançou até a concretização do primeiro contrato, em 2019.

Segundo Paula, algumas experiências passadas com o plantio de soja em canaviais não foram tão boas. “Elas não ocorreram da maneira correta, o manejo foi inadequado, deixando resquícios negativos para o setor”, relata.

Por sua vez, Gualtieri explica que a Cocal já realizava parcerias com produtores de amendoim e outras culturas de cobertura com sementes. No entanto, com a soja, tanto esta escala quanto este modelo de contrato são inéditos.

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Desta forma, interessada em recuperar a fertilidade do solo, reduzir custos e aumentar a produtividade dos canaviais, a Cocal cedeu suas terras já adubadas para os cooperados da Cocamar plantarem soja. O contrato ainda garante que, após o produtor alcançar um determinado patamar de produtividade com a soja, a usina tem direito a um percentual de participação, conforme explica a cooperativa.

Paula acrescenta que, para que o projeto avançasse, foi feito um seguro para a produção de soja, de forma que o produtor da Cocamar não corresse riscos. “Então, mesmo diante de uma frustração climática, ele tem um seguro que garante um ressarcimento de insumos, dos custos operacionais e o pagamento eventual de renda para a Cocal”, conta.

O gerente da Cocal também comenta que a relação entre as duas empresas foi “muito transparente, de alta fluidez e confiança altíssima”. Para ele, o fato de ter um técnico da cooperativa disponível para a usina fez com que a troca de informações e as decisões fossem facilitadas, atendendo às necessidades de todos os envolvidos.

A sinergia e o dinamismo no projeto foram muito grandes, concorda Paula, que afirma: “A gestão disso tudo é muito boa. Quando tem eventualmente algum problema, é muito fácil de tratar, é muito rápido para ser corrigido, o que fez com que a gente tivesse os bons resultados que aconteceram este ano”.

“Eu acho que este modelo de trabalho ficou muito bom, foi uma fortaleza para a gente poder sempre estar ajustando e buscando as melhores oportunidades dentro do escopo de trabalho”, celebra Gualtieri.

Rafaella Coury – NovaCana

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