A Biosev, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do Brasil, terá que adiar seus planos para eliminar a ociosidade em suas usinas devido a geadas em Mato Grosso do Sul e a uma seca no Nordeste, que vão reduzir o volume de cana produzido na atual safra, com repercussões também na próxima temporada.
A empresa, que divulgou resultados do trimestre abril/junho na noite de terça-feira, reduziu sua estimativa de moagem na safra atual (2013/14) para entre 28,7 milhões e 30,1 milhões de toneladas, ante 33 milhões na estimativa inicial.
A maior parte do impacto ocorreu devido a geadas sobre canaviais da empresa em Mato Grosso do Sul, no fim de julho. Cerca de um terço da redução foi atribuído a uma forte seca no Nordeste, que está reduzindo a produtividade agrícola.
A Biosev tem apostado na melhoria da eficiência, especialmente no maior uso da capacidade instalada, para reduzir custos e melhorar os resultados.
"Nessa safra tivemos uma pausa. Voltamos (a reduzir ociosidade) no próximo ano, então vai ser entre a safra 2015/16 e 2016/17", disse à Reuters o diretor financeiro da empresa, Serge Stepanov, estendendo o prazo para que 100 por cento da capacidade instalada da Biosev seja utilizada.
A estimativa inicial da companhia era elevar o uso da capacidade instalada para 87 por cento em 2013/14, ante 73,7 por cento em 2012/13.
Stepanov não deu detalhes sobre uma nova estimativa para esse índice após as geadas e a seca afetarem a produção. Ele acrescentou que o frio intenso atrapalhou o trabalho de plantio para a próxima temporada. "Parou também o crescimento da muda. Para plantar, vai ser mais difícil, vai ter impacto na safra 14/15."
A Biosev conseguiu reduzir o seu prejuízo no período de abril a junho para 325,8 milhões de reais, refletindo um aumento na receita e melhora no resultado financeiro. No mesmo período do ano passado, a divisão brasileira para energia da trading francesa de commodities Louis Dreyfus teve prejuízo de 351,6 milhões de reais.
A redução dos ativos biológicos, os canaviais afetados pelo clima, teve um impacto não-caixa de 216 milhões de reais, segundo Stepanov.
As ações da empresa operavam em queda de mais de 5 por cento por volta das 15h.
No último trimestre, 55 por cento da cana moída foi destinada ao biocombustível, mas esse índice deverá ser alterado, embora a empresa ainda não saiba exatamente em que proporção.
"No primeiro trimestre a gente fez mais etanol que açúcar. No restante do ano a gente vai reduzir etanol e aumentar açúcar, em proporção. A gente ajusta a cada semana o melhor mix", disse o executivo.
A Biosev, com o apoio da Louis Dreyfus, conseguiu aproveitar uma janela de exportação de etanol para os EUA. A empresa disse ter realizado, no trimestre, 20 por cento das exportações brasileiras do biocombustível.
A empresa exportou 106 mil metros cúbicos de etanol no trimestre, crescimento de 263 por cento ante o mesmo trimestre de 2012.
Com o início da safra de milho nos EUA, onde o etanol é produzido com o cereal, a janela se fecha, o que contribui para um foco maior da Biosev no açúcar, disse Stepanov.
A estimativa feita pela empresa no início de julho era de produção de açúcar de 2,1 milhões de toneladas em 13/14, e de etanol em 1,3 bilhões de litros.
"A gente vai ter um pouco menos de produtos para vender. A gente escolhe onde cortar produção, devido à falta de cana, com um pouco menos de etanol", avaliou o diretor da Biosev, evitando estabelecer novas estimativas.
O açúcar é considerado por ele um produto "menos pior" que o etanol, no que se refere a preços.
A avaliação do executivo é de que os preços do biocombustível ainda estão muito pressionados pela política do governo para a gasolina.
O balanço trimestral também sinaliza que a queda das cotações internacionais do açúcar foi compensada pela desvalorização do real frente ao dólar.
O preço do açúcar em reais subiu 2 por cento entre abril e junho, estimou a companhia, passando de 35,55 centavos por libra-peso para 36,55 centavos no período.
Gustavo Bonato
A empresa, que divulgou resultados do trimestre abril/junho na noite de terça-feira, reduziu sua estimativa de moagem na safra atual (2013/14) para entre 28,7 milhões e 30,1 milhões de toneladas, ante 33 milhões na estimativa inicial.
A maior parte do impacto ocorreu devido a geadas sobre canaviais da empresa em Mato Grosso do Sul, no fim de julho. Cerca de um terço da redução foi atribuído a uma forte seca no Nordeste, que está reduzindo a produtividade agrícola.
A Biosev tem apostado na melhoria da eficiência, especialmente no maior uso da capacidade instalada, para reduzir custos e melhorar os resultados.
"Nessa safra tivemos uma pausa. Voltamos (a reduzir ociosidade) no próximo ano, então vai ser entre a safra 2015/16 e 2016/17", disse à Reuters o diretor financeiro da empresa, Serge Stepanov, estendendo o prazo para que 100 por cento da capacidade instalada da Biosev seja utilizada.
A estimativa inicial da companhia era elevar o uso da capacidade instalada para 87 por cento em 2013/14, ante 73,7 por cento em 2012/13.
Stepanov não deu detalhes sobre uma nova estimativa para esse índice após as geadas e a seca afetarem a produção. Ele acrescentou que o frio intenso atrapalhou o trabalho de plantio para a próxima temporada. "Parou também o crescimento da muda. Para plantar, vai ser mais difícil, vai ter impacto na safra 14/15."
A Biosev conseguiu reduzir o seu prejuízo no período de abril a junho para 325,8 milhões de reais, refletindo um aumento na receita e melhora no resultado financeiro. No mesmo período do ano passado, a divisão brasileira para energia da trading francesa de commodities Louis Dreyfus teve prejuízo de 351,6 milhões de reais.
A redução dos ativos biológicos, os canaviais afetados pelo clima, teve um impacto não-caixa de 216 milhões de reais, segundo Stepanov.
As ações da empresa operavam em queda de mais de 5 por cento por volta das 15h.
FOCO NO AÇÚCAR
Após um trimestre com priorização do etanol, com fortes vendas ao exterior, a Biosev deve mudar seu mix de produção em favor do açúcar.No último trimestre, 55 por cento da cana moída foi destinada ao biocombustível, mas esse índice deverá ser alterado, embora a empresa ainda não saiba exatamente em que proporção.
"No primeiro trimestre a gente fez mais etanol que açúcar. No restante do ano a gente vai reduzir etanol e aumentar açúcar, em proporção. A gente ajusta a cada semana o melhor mix", disse o executivo.
A Biosev, com o apoio da Louis Dreyfus, conseguiu aproveitar uma janela de exportação de etanol para os EUA. A empresa disse ter realizado, no trimestre, 20 por cento das exportações brasileiras do biocombustível.
A empresa exportou 106 mil metros cúbicos de etanol no trimestre, crescimento de 263 por cento ante o mesmo trimestre de 2012.
Com o início da safra de milho nos EUA, onde o etanol é produzido com o cereal, a janela se fecha, o que contribui para um foco maior da Biosev no açúcar, disse Stepanov.
A estimativa feita pela empresa no início de julho era de produção de açúcar de 2,1 milhões de toneladas em 13/14, e de etanol em 1,3 bilhões de litros.
"A gente vai ter um pouco menos de produtos para vender. A gente escolhe onde cortar produção, devido à falta de cana, com um pouco menos de etanol", avaliou o diretor da Biosev, evitando estabelecer novas estimativas.
O açúcar é considerado por ele um produto "menos pior" que o etanol, no que se refere a preços.
A avaliação do executivo é de que os preços do biocombustível ainda estão muito pressionados pela política do governo para a gasolina.
O balanço trimestral também sinaliza que a queda das cotações internacionais do açúcar foi compensada pela desvalorização do real frente ao dólar.
O preço do açúcar em reais subiu 2 por cento entre abril e junho, estimou a companhia, passando de 35,55 centavos por libra-peso para 36,55 centavos no período.
Gustavo Bonato