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Cinco usinas de etanol aguardam autorização da ANP para construção

usina em  construcao 120215O portal NovaCana descobriu três projetos de construção com pedido protocolado na agência reguladora

NovaCana 7 min de leitura

A notícia pode ser surpreendente para um mercado que nos últimos anos se acostumou com usinas fechando ou entrando em recuperação judicial e que vê a existência de novos projetos como caso raríssimo. No entanto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelou esta semana que está analisando cinco solicitações para a construção de novas plantas produtoras de etanol no Brasil.

Em setembro de 2014 haviam sete pedidos que aguardavam autorização da ANP para construção. Agora, o número foi reduzido para cinco.

Entre as sete solicitações de construção de plantas de etanol que existiam até setembro do ano passado, o portal NovaCana descobriu e contatou as empresas responsáveis por três delas. Uma das companhias tem como presidente o secretário de Energia do Estado de São Paulo. Veja a seguir quem está por trás das usinas e o que as empresas revelaram sobre os projetos.

A notícia pode ser surpreendente para um mercado que nos últimos anos se acostumou com usinas fechando ou entrando em recuperação judicial e que vê a existência de novos projetos como caso raríssimo. No entanto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelou esta semana que está analisando cinco solicitações para a construção de novas plantas produtoras de etanol no Brasil.

Em setembro de 2014 haviam sete pedidos que aguardavam autorização da ANP para construção. Agora, o número foi reduzido para cinco.

Entre as sete solicitações de construção de plantas de etanol que tramitavam na ANP até setembro do ano passado, o portal NovaCana descobriu e contatou as empresas responsáveis por três delas.

Secretário de Energia de SP

Um dos projetos pertence à empresa Cluster Bioenergia que tem como presidente o secretário de Energia do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, nomeado para o cargo no segundo mandato do governador Geraldo Alckmin, iniciado este ano.

A empresa presidida por Meirelles foi constituída em 2009 com planos de investir R$ 3 bilhões na construção de três unidades alcooleiras no Mato Grosso com capacidade combinada para gerar 1,1 bilhão de litros de etanol ao ano e 1.200 gigawatt-hora ao ano de energia.

Cada unidade industrial ocuparia uma área de 50 hectares, com capacidade de moagem de 4 milhões de toneladas de cana para produzir anualmente cerca de 360 milhões de litros de etanol e cogerar 530 GWh.

A primeira destilaria seria instalada em Barra do Garças (MT). Foi para construir essa unidade que a empresa iniciou o processo de autorização na ANP. No entanto, passados mais de cinco anos do início do projeto a empresa desistiu do plano, ao menos por enquanto.

“Ficaria até na contramão da história montar uma usina de etanol em Mato Grosso, enquanto tantas estão fechando no país”, comentou Eduardo Sgarbiero, gerente agrícola da Cluster. Segundo ele, o projeto foi colocado em stand by por tempo indefinido, o que fez com que a empresa desistisse do trâmite junto à ANP. “Não adianta ficar mexendo com isso se o projeto está parado”.

Em abril de 2014, o presidente da Cluster justificou à imprensa mato-grossense que o projeto ainda não fora instalado por conta das políticas públicas do governo federal. "Nós temos todos os projetos aprovados, ambiental, logístico, financiamento, entre outros, o que estamos esperando, é uma política nacional para o setor, porque atualmente o setor está parado. Só este ano após a safra mais 10 usinas vão parar no interior de São Paulo. Uma indústria que vai aplicar R$ 1,1 bilhão depende de políticas nacionais favoráveis para a sua implantação", disse Meirelles à época.

A empresa chegou a investir em um viveiro com 150 variedades de cana com o objetivo de selecionar as melhores espécimes para o cultivo e preparar o plantio para a primeira usina, mas precisou desistir da maior parte dos 700 hectares. Hoje restam apenas 20 variedades de cana em um viveiro de 150 hectares.

Apesar de medidas recentes que beneficiaram as usinas, como a decisão da retomada da cobrança da Cide na gasolina, o gerente agrícola da Cluster analisa que o “país ainda está passando por um momento de muita instabilidade” e que não há qualquer diretriz para o setor sucroenergético.

Mesmo que as situações de mercado melhorem ainda mais este ano, Sgarbiero não acredita que o projeto de construção das usinas seja retomado no futuro próximo, a não ser que algum novo investidor se interesse. A Cluster é composta por vários investidores, segundo o gerente agrícola, de diferentes segmentos empresariais e sem tradição no setor canavieiro.

Zuquero

Outro projeto de construção de usina que tramitava na ANP até setembro passado pertence à Zuquero Agroindústria e Transportes. Contada por telefone pelo portal NovaCana, uma pessoa — que se identificou como proprietária da empresa e pediu para não ter seu nome citado — afirmou que a Zuquero desistiu do projeto definitivamente.

Os empreendedores chegaram a viajar aos Estados Unidos para estudar o funcionamento das usinas de etanol de milho e verificar a viabilidade de replicar o modelo no Brasil. Embora o processo na ANP fosse para a fabricação de etanol a partir da cana, a empresa pretendia viabilizar a adoção da mesma matéria-prima do etanol americano, no entanto, o projeto foi abortado.

A proposta era implantar uma unidade no distrito Jurucê em Jardinópolis (SP). A fonte não soube informar qual era a capacidade de produção pretendida.

Segundo a empresária, a Zuquero desistiu de construir uma unidade produtora de etanol devido às dificuldades de acesso à financiamento do BNDES e à instabilidade da política brasileira para o biocombustível. Hoje mesmo que fosse implantada uma política de previsibilidade para os biocombustíveis na matriz energética do país, ela afirma que a empresa não tem planos de retomar o projeto.

A nova velha usina da Coagro

Um terceiro pedido pertence à Coagro - Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio De Janeiro, que já administra uma usina em Campos dos Goytacazes (RJ). Apesar de constar junto à ANP como um processo para liberação de construção de usina, o presidente da Coagro, Frederico Paes, afirma que na realidade trata-se da recuperação de uma usina já existente, mas desativada.

A Usina Sapucaia, também em Campos dos Goytacazes, que está em recuperação judicial desde 2010 e parada há cinco anos, deve voltar a moer nesta safra, entre junho e julho, com a administração da Coagro que adquiriu os direitos sobre o parque industrial pelos próximos 30 anos.

A negociação aconteceu após o leilão judicial das instalações adquiridas pela empresa MPE. “Como a MPE não tem expertise na gestão de empresa do setor sucroalcooleira, ela nos convidou para fazer essa gestão e fizemos um arrendamento, na verdade é uma locação industrial.”

Frederico Paes explicou que a reativação da unidade demanda muitas reformas e adequações no parque industrial, por isso legalmente ela está sendo considerada como uma nova usina.

“A usina estava parada desde 2009, são cinco anos parada, e com isso é preciso recuperar bastante coisa. Além disso, por ser considerada nova, estamos tendo muitas adequações por questões ambientais”, comentou Paes.

Segundo ele, a Coagro pretende reiniciar as atividades da antiga Usina Sapucia processando até 1,1 milhão de tonelada de cana na safra. A cada temporada a moagem deve aumentar gradativamente até 2,5 milhões, a capacidade total instalada hoje.

“Esse contrato é de 30 anos para viabilizar qualquer tipo de investimento mais pesado. Apesar de toda a seca, com irrigação, já conseguimos plantar 4 mil hectares de uma área cultivável de 8,5 mil hectares e vamos finalizar o plantio de mais 1 mil hectares”, afirmou o executivo. A área de 5 mil hectares de cana deve fornecer a usina já na safra 2015/16.

Entre a parte agrícola e industrial o presidente da Coagro estima o investimento na retomada da usina em R$ 50 milhões.

O estado do Rio de Janeiro possui três unidades sucroalcooleiras operando atualmente. A sede da Coagro – antiga Usina São José, e duas destilarias: Canabrava e Agrisa.

Amanda SchArr - NovaCana

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