Somando os resultados das usinas da Alto Alegre e da unidade Alta Mogiana, perdas líquidas chegaram a R$ 107,98 milhões
O balanço financeiro da safra 2019/20 de cana-de-açúcar trouxe números negativos para muitas empresas do setor. Entre elas está o grupo Lincoln Junqueira, que controla o conjunto de quatro unidades da Alto Alegre – três no Paraná e uma em São Paulo – e a usina Alta Mogiana, em São Joaquim da Barra (SP).
O resultado agrupado das unidades revela um prejuízo líquido de R$ 107,98 milhões na temporada. Deste total, R$ 19,91 milhões são referentes à Alta Mogiana e os R$ 88,07 milhões restantes correspondem à Alto Alegre. O número não equivale ao resultado completo do grupo, que controla outras companhias além das usinas de açúcar e etanol.
Este é o primeiro resultado negativo das unidades desde 2014/15, quando houve um prejuízo somado de R$ 81,24 milhões. Ainda assim, a Alto Alegre já havia apresentado números negativos na safra 2018/19, com perdas de R$ 31,61 milhões – o valor, porém, foi compensado pelo lucro de R$ 122,55 milhões registrado pela Alta Mogiana no período.
Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes):
- Histórico dos resultados das companhias
- Peso do impacto cambial e dos juros sobre o resultado
- Aumento do endividamento
- Melhora no desempenho operacional
- Relação entre receitas e custos
O balanço financeiro da safra 2019/20 de cana-de-açúcar trouxe números negativos para muitas empresas do setor. Entre elas está o grupo Lincoln Junqueira, que controla o conjunto de quatro unidades da Alto Alegre – três no Paraná e uma em São Paulo – e a usina Alta Mogiana, em São Joaquim da Barra (SP).
O resultado agrupado das unidades revela um prejuízo líquido de R$ 107,98 milhões na temporada. Deste total, R$ 19,91 milhões são referentes à Alta Mogiana e os R$ 88,07 milhões restantes correspondem à Alto Alegre. O número não equivale ao resultado completo do grupo, que controla outras companhias além das usinas de açúcar e etanol.
Este é o primeiro resultado negativo das usinas desde 2014/15, quando houve um prejuízo somado de R$ 81,24 milhões. Ainda assim, a Alto Alegre já havia apresentado números negativos na safra 2018/19, com perdas de R$ 31,61 milhões – o valor, porém, foi compensado pelo lucro de R$ 122,55 milhões registrado pela Alta Mogiana no período.

Conforme números divulgados no Diário Oficial de São Paulo, as duas companhias foram fortemente impactadas por um aumento nas despesas com o pagamento de juros e com uma influência negativa do câmbio.
No caso da Alto Alegre, as variações cambiais levaram a uma perda de R$ 391,75 milhões, o que representa mais que o triplo do impacto registrado um ano antes. Por sua vez, as despesas financeiras da companhia subiram 94,7%, para R$ 479,52 milhões.
Já a Alta Mogiana registrou uma perda de R$ 250,16 milhões com o câmbio, um aumento de 250,6% na comparação anual, enquanto os gastos com pagamentos de juros aumentaram 144,7%, chegando a R$ 483,47 milhões.
Perfil das dívidas
Na comparação anual, o endividamento das companhias com empréstimos e financiamentos também aumentou, alcançando a marca de R$ 3,81 bilhões em 30 de abril – um ano antes, este valor era de R$ 2,3 bilhões. Assim, a elevação foi de 65,44%.

Uma parte significativa deste crescimento foi registrada pela Alta Mogiana, que viu a posição de seu endividamento aumentar 88,9% na comparação entre os dois últimos encerramentos de safra.
Conforme os números da companhia, as dívidas com vencimento ao longo da safra 2020/21 somavam R$ 297,27 milhões em 30 de abril. Isso representa um crescimento de 751,9% em comparação com os R$ 34,90 milhões contabilizados como débitos de curto prazo em 30 de abril de 2019.
Além disso, as dívidas da empresa com vencimento em médio e longo prazos também aumentaram, chegando a R$ 1,11 bilhão. Neste caso, a ampliação foi de 56,3%.

Por sua vez, o endividamento da Alto Alegre cresceu 54,25% na comparação entre as duas últimas safras. Apesar do avanço ter sido menos acentuado que o da Alta Mogiana, a dívida da companhia com empréstimos e financiamentos é maior, totalizando R$ 2,4 bilhões no encerramento de 2019/20.
Especificamente, a posição dos empréstimos com vencimento em curto prazo aumentou 401,6%, chegando a R$ 528,65 milhões. Já as dívidas com vencimentos a prazos maiores somavam 1,87 bilhão em 30 de abril, o que representa uma elevação anual de 29%.

Somando as duas companhias, as dívidas do grupo Lincoln Junqueira com vencimento ao longo de 2020/21 somavam R$ 825,92 milhões no encerramento da safra.
Desempenho operacional
Desconsiderando o impacto cambial, as despesas com o pagamento de juros e a sua influência no resultado líquido, os resultados das usinas do grupo na fase operacional registraram melhoras na comparação entre as duas últimas safras. O lucro bruto agrupado, por exemplo, teve uma melhora de 89,9%, chegando a R$ 1,04 bilhão.
Deste valor, R$ 490,7 milhões se referem à Alta Mogiana e R$ 547,31 milhões, à Alto Alegre. Na comparação com o desempenho em 2018/19, as companhias tiveram crescimentos de 82,7% e 96,8%, respectivamente.

Isso foi possível porque, em 2019/20, as empresas apresentaram melhoras na relação entre seus custos de produção e a receita obtida com os produtos vendidos.
A Alta Mogiana registrou um aumento de 25% em sua receita, que chegou a R$ 1,23 bilhão. Ainda que os custos dos produtos vendidos também tenham subido no período, isto ocorreu a uma taxa menor, de 6,2%, totalizando R$ 759,39 milhões.
Com isso, os gastos representaram o equivalente a 61,8% da receita da companhia.

Por sua vez, a Alto Alegre obteve uma receita de R$ 1,85 bilhão na temporada. Apesar do montante ser superior na comparação com a Alta Mogiana, o valor representa um crescimento menor na comparação anual, de 12,9%.
Entretanto, a companhia obteve uma efetiva redução nos custos de produção, que caíram 1,6% entre as duas últimas temporadas, totalizando R$ 1,3 bilhão. Neste caso, as despesas representaram o equivalente a 70,2% da receita.

Considerando as duas companhias analisadas, as receitas operacionais do grupo Lincoln Junqueira chegaram a R$ 3,08 bilhões – um aumento anual de 17,5% –, enquanto os custos subiram 1,2%, para R$ 2,06 bilhões.
Desta forma, as despesas totais foram equivalentes a 66,9% dos rendimentos, registrando a melhor margem desde a safra 2015/16, quando este índice foi de 64,3%.
Renata Bossle – NovaCana