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Chuva “dilui” ATR e deve limitar produção de açúcar do Brasil, diz São Martinho

Teor de açúcar total recuperável (ATR) está em patamar baixo para atual época do ano

Globo Rural 3 min de leitura

O excesso de chuvas que vem ocorrendo neste inverno e que pode se repetir na primavera por causa do El Niño vêm diluindo o teor de sacarose na cana-de-açúcar e devem limitar a produção de açúcar nesta safra, afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da São Martinho, Felipe Vicchiato, em teleconferência com analistas sobre os resultados do 1º trimestre da safra.

Na avaliação do executivo, o setor está produzindo menos açúcar justamente em um momento em que essa tendência deveria estar no máximo, no meio do período de moagem.

“As estimativas de produção de açúcar do Centro-Sul que tinham há um ou dois meses devem ser revistas para baixo, porque o ATR [açúcar total recuperável] está caindo muito rápido e é difícil retomar [a partir de agora] por conta do El Niño”, afirmou.

Na segunda quinzena de junho, as usinas do Centro-Sul conseguiram extrair 126,52 quilos de ATR por cada tonelada de cana processada, o que foi 7% menor do que o índice de sacarose da quinzena imediatamente anterior, de acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica). Em geral, o teor de ATR costuma crescer ao menos até agosto, ápice da época seca de inverno.

A Unica ainda não divulgou os dados de julho nem de agosto. Mas, segundo o executivo da São Martinho, os índices de ATR de agosto “seria comparável a outubro”, quando o teor de sacarose já costuma ser menor por causa da retomada das chuvas.

Com a diluição da sacarose nesta safra, Vicchiato considera difícil que o setor aumente a produção de açúcar, ainda que a commodity esteja oferecendo uma remuneração maior que o etanol atualmente. Segundo ele, o açúcar tem oferecido em média uma remuneração 25% maior que o etanol.

“Com o ATR que está hoje, não dá para fazer o mix máximo de açúcar, porque o ATR está muito baixo, então, tem muito menos eficiência”, disse. Para ele, as usinas não vão conseguir fazer “muito mais açúcar”, e o volume do Centro-Sul “provavelmente vai ficar bem abaixo do estimado inicialmente”. “Com o El Niño, não vai ter esse açucar”, acrescentou.

A redução do teor de sacarose na cana também dificulta os esforços das empresas, incluindo da São Martinho, de diluir os custos fixos, em um momento de margens operacionais já negativas.

Vicchiato estima que a redução do custo unitário (excluindo o efeito Consecana) desta safra não deve mais cair 7% a 8% como se esperava inicialmente, mas deve cair 4%.

Por outro lado, a dificuldade em aumentar a produção de açúcar já é percebida pelo mercado e tem ajudado a fazer o preço subir no mercado internacional, segundo o executivo. “Os preços já se recuperaram um pouco com expectativa sobre o Brasil, por paradas das chuvas, e em parte pela sustentabilidade do negócio”, observou.

Nos preços realizados pela São Martinho no primeiro trimestre, a empresa já está com uma margem negativa de 5% (excluídas as despesas financeiras).

Camila Souza Ramos

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