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Carro elétrico e com etanol – as opções para os veículos elétricos no Brasil

Motor híbrido flex, que pode trabalhar com energia e etanol, é uma das possibilidades para o mercado brasileiro

NovaCana 8 min de leitura

A descarbonização no setor de transportes passou de discussão à realidade. As mudanças climáticas já exigem uma diminuição das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera e as montadoras vem sendo pressionadas por soluções em todo o mundo.

Embora os carros elétricos ainda não sejam um sucesso deste lado do Atlântico, os dados apontam para aumentos graduais.

De acordo com dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entre janeiro e setembro de 2022, foram licenciados 6,18 mil carros elétricos e 28,02 mil híbridos. Além disso, um estudo da consultoria Kearney, feito a pedido da General Motors, prevê que, até 2035, a frota elétrica brasileira terá 5,5 milhões de veículos.

Ainda assim, o setor sucroenergético possui ressalvas em relação à ascensão dos carros elétricos. Na quinta edição da Conferência NovaCana, realizada em setembro, especialistas comentaram sobre o futuro da transição energética nos transportes, considerando que o carro a etanol pode ser uma melhor opção para a troca nacional.

O biocombustível é considerado uma solução viável para as reduções das emissões, sendo uma opção renovável e mais sustentável em comparação com a gasolina.

O sócio da FG/A, Willian Hernandes, aponta que o carro elétrico é uma possível ameaça de longo prazo para o mercado de etanol. Mas ele também considera a possibilidade de entrada do biocombustível em escala global caso a eletrificação ocorra por meio de motores híbridos, que funcionam com combustíveis do ciclo Otto.

“Fazemos uma hipótese de que, em 2050, provavelmente 60% a 70% da frota elétrica vai usar parte do ciclo Otto”, prevê Hernandes. Ele acredita que neste período não ocorrerá uma eletrificação pura dos veículos, com os combustíveis tradicionais ainda se fazendo presentes.

Já o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, considera que o carro movido a etanol é “imbatível, o mais limpo do mundo”. Ele aponta que os veículos elétricos com baterias de lítio têm uma maior pegada de carbono em todo o seu ciclo de produção – desde seus componentes até o descarte – e seriam prejudiciais ao movimento de descarbonização do setor de transportes.

No texto completo (exclusivo para assinantes), você confere mais detalhes sobre o mercado de etanol e de carros elétricos, incluindo perspectivas para o futuro da eletrificação da frota brasileira.

A descarbonização no setor de transportes passou de discussão à realidade. As mudanças climáticas já exigem uma diminuição das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera e as montadoras vem sendo pressionadas por soluções em todo o mundo.

Embora os carros elétricos ainda não sejam um sucesso deste lado do Atlântico, os dados apontam para aumentos graduais.

De acordo com dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entre janeiro e setembro de 2022, foram licenciados 6,18 mil carros elétricos e 28,02 mil híbridos. Além disso, um estudo da consultoria Kearney, feito a pedido da General Motors, prevê que, até 2035, a frota elétrica brasileira terá 5,5 milhões de veículos.

Ainda assim, o setor sucroenergético possui ressalvas em relação à ascensão dos carros elétricos. Na quinta edição da Conferência NovaCana, realizada em setembro, especialistas comentaram sobre o futuro da transição energética nos transportes, considerando que o carro a etanol pode ser uma melhor opção para a troca nacional.

O biocombustível é considerado uma solução viável para as reduções das emissões, sendo uma opção renovável e mais sustentável em comparação com a gasolina.

O sócio da FG/A, Willian Hernandes, aponta que o carro elétrico é uma possível ameaça de longo prazo para o mercado de etanol. Mas ele também considera a possibilidade de entrada do biocombustível em escala global caso a eletrificação ocorra por meio de motores híbridos, que funcionam com combustíveis do ciclo Otto.

“Fazemos uma hipótese de que, em 2050, provavelmente 60% a 70% da frota elétrica vai usar parte do ciclo Otto”, prevê Hernandes. Ele acredita que neste período não ocorrerá uma eletrificação pura dos veículos, com os combustíveis tradicionais ainda se fazendo presentes.

Com isso, o executivo acredita em um crescimento significativo de mercado em um cenário global. Mas ele pondera que o biocombustível não está presente em alguns países, principalmente na Europa, que não têm a matéria-prima disponível para produção de etanol. Sem a mistura do renovável à gasolina nestes locais, Hernandes projeta uma queda de 33% no mercado de etanol ao longo das próximas três décadas.

O sócio da FG/A também explora a eletrificação via célula de combustível, que converte o etanol em hidrogênio para movimentar o motor. Entretanto, isso poderá ser um problema no futuro: “Não há quem consiga abastecer toda a frota”.

Já o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, considera que o carro movido a etanol é “imbatível, o mais limpo do mundo”. Ele aponta que os veículos elétricos com baterias de lítio têm uma maior pegada de carbono em todo o seu ciclo de produção – desde seus componentes até o descarte – e seriam prejudiciais ao movimento de descarbonização do setor de transportes.

Etanol e eletrificação

O sócio da FG/A aponta que programas de mistura de etanol têm sido bem aceitos e utilizados. Ainda assim, essas misturas e a questão do carro elétrico híbrido, exigiriam que o abastecimento de etanol aumentasse em grandes níveis no mercado global.

De acordo com ele, é preciso trazer “medidas para que ampliem as misturas do etanol na gasolina e dar o conforto para o mundo de que é possível produzir este etanol”. Hernandes afirma que seria possível, entre 20 e 30 anos, dobrar a produção do biocombustível, mas que seria necessário um auxílio por parte do Estado.

“É uma medida que deveria ser mais fortalecida pelo governo para que a gente consiga entrar com o etanol não só na frota local, mas também na internacional”, afirma. Ele também aponta que, diferente das visões pessimistas em relação à eletrificação e ao consumo de etanol, o biocombustível tende a ocupar um espaço no mercado global, como um “combustível rico, renovável e eficiente”.

Em maio, um incentivo tributário para à pesquisa de mobilidade elétrica foi aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) no senado. O projeto também condiciona investimentos na geração de energia no interior dos veículos a partir do etanol. Agora o texto se encontra em análise pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

A vice-presidente de estratégia e sustentabilidade da Raízen, Paula Kovarsky, corrobora com essa ideia. Em setembro deste ano, a executiva afirmou à Reuters que a eletrificação de carros não acabará com o mercado de etanol. A companhia inclusive inaugurou, em São Paulo, seu primeiro posto com estação de recarga para veículos elétricos. A Raízen pretende implementar 35 eletropostos até março de 2023.

Mas, da mesma forma como apontou Hernandes, outros especialistas afirmam que motores híbridos ou eletrificados via célula de combustível fazem sentido em países que já tenham um sistema de produção e distribuição de etanol organizado, como o Brasil. No entanto, ainda há dúvidas se os fabricantes alterariam as opções de motores conforme as necessidades de cada região.

O futuro do carro elétrico no Brasil

Por ora, a transição para os carros elétricos ainda não está clara no Brasil. Entre os pontos que precisam ser revistos, uma reportagem da Reuters cita a falta de padronização de tomadas, a ausência de fabricantes nacionais de componentes, arranjos de tributação e, também, a queda na renda da população.

Além disso, para que esse assunto possa ser retomado, será necessário esperar a finalização das eleições presidenciais. A campanha do ex-presidente Lula (PT) afirma que irá propor uma reforma tributária “verde”, com estímulo a transição elétrica. Já o atual o ministro da Economia, Paulo Guedes, declara que promoverá a redução a zero do IPI.

Apesar de se manter em crescimento, a frota elétrica ainda está baixa no país. De acordo com dados da Anfavea, de janeiro a setembro deste ano, foram licenciados 28,02 mil veículos híbridos, alta de 23,3% ante o mesmo período do ano passado. Já os automóveis elétricos somaram 6,19 mil novos documentos, um acréscimo de 335% em relação aos 1,42 mil licenciados até setembro de 2021.

Os números reforçam – mas não solidificam – a aposta de que os veículos híbridos flex a etanol (HEV) podem ganhar espaço na frota. Esta opção correspondeu a 65% das vendas de elétricos no mês de março, totalizando 2,5 mil unidades. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

A Toyota, fabricante que utiliza essa tecnologia, apresentou para o mercado da Índia um sedã híbrido flex produzido no Brasil. Este é o primeiro passo de um projeto-piloto para as montadoras indianas, que estão sendo pressionadas pelo governo para reduzirem suas emissões poluentes.

Giully Regina – NovaCana

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