Idade das variedades e diferentes aplicações no canavial são utilizados para determinar as melhores práticas
A produtividade da plantação é uma das principais preocupações dos usineiros e fornecedores de cana-de-açúcar, afinal, o bom desenvolvimento do cultivo afeta diretamente seus rendimentos. Sendo assim, elementos que influenciam o campo merecem atenção.
O clima – seja mais chuvoso ou mais seco – e a idade do canavial são os fatores mais comentados quando o assunto é o que pode modificar a produtividade do canavial. Porém, a escolha das variedades que são plantadas e o manejo também podem fazer bastante diferença.
É por isso que, há dois anos, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, premia as usinas que se destacam na escolha de variedades plantadas – tanto em relação à concentração de um mesmo cultivar quanto na opção por variedades mais modernas, produtivas e avançadas, ou seja, mais novas.
Na safra 2018/19, o primeiro lugar ficou com a Usina Santa Maria, do grupo J. Pilon. Além dela, outras cinco usinas de São Paulo, uma de Goiás e uma de Minas Gerais foram premiadas – número maior que o do último prêmio.
Para chegar a esse resultado, a equipe utiliza o Índice de Concentração Varietal Ajustado (ICVA) e o Índice de Atualização Varietal (IAV), respectivamente. Os dados que geraram as informações foram obtidos por meio do Censo Varietal, que levantou o uso de variedades de 216 unidades sucroalcooleiras e 6 milhões de hectares durante a safra 2018/19 na região Centro-Sul.
Confira, na versão completa, todas usinas premiadas, suas posições nos rankings de ambos os índices e a comparação com o Centro-Sul e as regiões produtoras.
A produtividade da plantação é uma das principais preocupações dos usineiros e fornecedores de cana-de-açúcar, afinal, o bom desenvolvimento do cultivo afeta diretamente seus rendimentos. Sendo assim, elementos que influenciam o campo merecem atenção.
O clima – seja mais chuvoso ou mais seco – e a idade do canavial são os fatores mais comentados quando o assunto é o que pode modificar a produtividade do canavial. Porém, a escolha das variedades que são plantadas e o manejo também podem fazer bastante diferença.
É por isso que, há dois anos, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, premia as usinas que se destacam na escolha de variedades plantadas – tanto em relação à concentração de um mesmo cultivar quanto na opção por variedades mais modernas, produtivas e avançadas, ou seja, mais novas.
Para analisar esses indicadores, a equipe utiliza o Índice de Concentração Varietal Ajustado (ICVA) e o Índice de Atualização Varietal (IAV). Os dados que geraram as informações para a definição dos ganhadores foram obtidos por meio do Censo Varietal, que levantou o uso de variedades de 216 unidades sucroalcooleiras e 6 milhões de hectares durante a safra 2018/19 na região Centro-Sul.
Segundo o instituto, o Prêmio Excelência reconhece unidades produtoras e associações de fornecedores. Os critérios principais para a avaliação foram os menores IAV e ICVA, considerando apenas as unidades com área cultivada superior a 5 mil hectares e com valor de IAV menor ou igual a sete anos, ou seja, que já utilizam variedades mais modernas. Além disso, para ser classificado no ranking, é necessário possuir um valor de ICVA menor ou igual a 75%.
Com o cruzamento dos dados, o IAC chegou a oito unidades de produção com os melhores resultados na média dos rankings de cada um dos indicadores – número maior que o do último prêmio. Em geral, essas usinas serão aquelas que possuem expectativa de maior produtividade e retorno econômico, além de garantirem a segurança biológica dos canaviais contra novas enfermidades que possam entrar no país.
O primeiro lugar ficou com a usina Santa Maria, do grupo J. Pilon, da região de Piracicaba, em São Paulo. Seu IAV, de 3,57 anos, é o menor de todas as unidades pesquisadas, enquanto seu ICVA foi de 50%, que deixou a usina na 29ª posição. Com a média, ela se destacou e recebeu o prêmio principal.

Em segundo lugar, com um resultado bem próximo do primeiro, ficou a usina Pitangueiras, da região de Ribeirão Preto (SP). A unidade registrou 4,8 anos de atualização varietal e 48% de concentração de variedades.
Na sequência vêm a usina São Luiz, também de São Paulo; a Bioenergética Aroeira, de Minas Gerais; as usinas Ipê, Cruz Alta e Barra Grande, de São Paulo; e a Destilaria Nova União, do grupo Denusa, de Goiás.
Disparidade do setor
Com os outros dados do Censo, é possível fazer uma comparação entre as usinas premiadas, as regiões produtoras e o Centro-Sul em geral. O resultado reforça a ideia de que o setor sucroenergético está muito heterogêneo.
Enquanto as usinas melhor posicionadas de acordo com o ranking do IAC possuem Índices de Atualização Varietal entre 3,57 e 6,54 anos, a média do Centro-Sul é de 8,1 anos. São Paulo, Goiás e Minas Gerais registraram, respectivamente, 7,5, 8,6 e 9,2 anos.

É importante reiterar que, no caso do IAV, quanto menor o indicador, maior é o uso de variedade mais modernas. O valor cruza o número de cultivares predominantes com sua data de criação e a porcentagem da área em que está concentrada. De acordo com o IAC, valores abaixo de cinco são considerados satisfatórios, entre cinco e sete são intermediários e acima de sete, não recomendados.
Assim, o que se nota é que a maior parte do setor está acima do valor recomendado, o que influencia diretamente na produtividade do Centro-Sul.
Já em relação ao Índice de Concentração Varietal Ajustado, a análise comparativa é um pouco menos pessimista. Neste caso, as usinas premiadas variam de 33% a 63%, enquanto as médias de Centro-Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais são, respectivamente, 66%, 52%, 52% e 64%.

O ICVA mede a concentração de poucas variedades. Quanto maior o indicador, maior o acúmulo e, portanto, maior o risco biológico. Isso ocorre porque uma enfermidade pode atacar esses poucos cultivares com mais força, provocando grandes perdas para os produtores.
De acordo com o IAC, os valores menores do que 45% são considerados satisfatórios, entre 45% e 75% são intermediários e acima de 75%, não recomendados. Por mais que apenas duas usinas estejam dentro da faixa considerada como satisfatória, a média da produção de cana no Brasil está na faixa intermediária, o que demonstra uma menor concentração de poucas variedades, mesmo que ainda não ideal.
Ranking regional e estadual
Com base nos critérios utilizados pelo instituto para definir as usinas com as melhores práticas, o NovaCana elaborou um ranking com os estados e as mesorregiões pesquisadas pelo levantamento. Assim, é possível averiguar quem faz o melhor uso das variedades e a disparidade entre os indicadores em cada localidade.
Dentre os estados que aparecem no estudo, São Paulo se destaca por ter os menores IAV e ICVA, tanto em comparação com os outros quanto com o Centro-Sul em geral. No lado oposto, em último lugar, está o Espírito Santo, com indicadores altos e bem acima da média.

Já sobre as mesorregiões paulistas, São José do Rio Preto fica em primeiro lugar, com um resultado um pouco acima de Assis, que ocupava a posição na última análise. Em último está Jaú, que, ainda assim, não está tão acima da média do estado.

Rafaella Coury – NovaCana