Produtividade média dos canaviais brasileiros se manteve estável em 2019, porém, houve redução de 14,71% no número de cidades com rendimento acima de 85 t/ha
Produzir em quantidade não é tão importante quando em qualidade. Um dos indicadores que usinas e produtores independentes buscam melhorar é justamente o rendimento agrícola dos canaviais, pois quanto mais toneladas da matéria-prima for possível extrair de cada hectare, melhor.
Ainda assim, a produção canavieira brasileira tem dificuldades de se aproximar dos tão sonhados três dígitos de rendimento – ou seja, ultrapassar a marca de 100 t/ha. Um exemplo disto é que, em levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), foi divulgado que o rendimento dos canaviais em setembro, analisado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), foi de 71,97 t/ha, uma queda de 1,4% ante o mesmo período do ciclo anterior.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produtividade média dos canaviais brasileiros foi de 74,68 toneladas de cana por hectare em 2019. O índice ficou longe das 80,25 t/ha de 2009, mas também das 70,60 t/ha de 2014 – o melhor e pior resultados, respectivamente, da série histórica iniciada em 2006.
Considerando apenas os municípios com produção acima de 300 mil toneladas em 2019, o NovaCana elencou as cidades campeãs em produtividade, com rendimento acima de 85 t/ha. Em 2019, 116 cidades alcançaram tal desempenho, contra 136 de um ano antes.
Deste total, 71 municípios são de São Paulo, 15 de Minas Gerais, 14 de Goiás, 9 do Paraná, 4 de Mato Grosso, enquanto Bahia, Maranhão e Mato Grosso do Sul tiveram um representante cada. Além disso, somente 11 cidades tiveram um desempenho acima de 100 t/ha, enquanto 19 alcançaram este patamar no ano passado.
A campeã do ranking – pela terceira vez consecutiva – foi Jataí (GO), com rendimento de 120 t/ha, uma ampliação de 4,17% em relação ao ano passado. Em 2019, a cidade registrou uma produção de 3 milhões de toneladas em 25 mil hectares plantados.

Confira, na versão completa (para assinantes), gráficos e análises com:
- As cidades campeãs de produtividade em 2019, com canaviais que renderam mais de 85 t/ha
- Evolução do rendimento no Brasil e nos estados que mais produziram cana-de-açúcar
- Evolução do rendimento dos municípios com maior produção de cana-de-açúcar
- Histórico do rendimento das 20 cidades mais produtivas
- Os canaviais mais improdutivos de 2019, por região
Produzir em quantidade não é tão importante quando em qualidade. Um dos indicadores que usinas e produtores independentes buscam melhorar é justamente o rendimento agrícola dos canaviais, pois quanto mais toneladas da matéria-prima for possível extrair de cada hectare, melhor.
Ainda assim, a produção canavieira brasileira tem dificuldades de se aproximar dos tão sonhados três dígitos de rendimento – ou seja, ultrapassar a marca de 100 t/ha. Um exemplo disto é que, em levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), foi divulgado que o rendimento dos canaviais em setembro, analisado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), foi de 71,97 t/ha, uma queda de 1,4% ante o mesmo período do ciclo anterior.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produtividade média dos canaviais brasileiros foi de 74,68 toneladas de cana por hectare em 2019. O índice ficou longe das 80,25 t/ha de 2009, mas também das 70,60 t/ha de 2014 – o melhor e pior resultados, respectivamente, da série histórica iniciada em 2006.
Nos últimos anos, aliás, o cenário é de estabilidade. Em 2018, os canaviais brasileiros renderam 74,61 t/ha, de modo que houve um aumento de 0,1% no levantamento mais recente. Já no comparativo com 2017, a variação foi uma ampliação de 0,3%. Ainda assim, 2019 teve o quinto pior resultado entre os 14 anos analisados.
Vale destacar que os dados do IBGE são passados pelas prefeituras das cidades e incluem cana para outros fins, como a produção de bebidas e melaço, e não somente a utilizada pelas sucroenergéticas.
As cidades campeãs em produtividade
Considerando apenas os municípios com produção acima de 300 mil toneladas em 2019, o NovaCana elencou as cidades campeãs em produtividade, com rendimento acima de 85 t/ha. Em 2019, 116 cidades alcançaram tal desempenho, contra 136 de um ano antes.
Deste total, 71 municípios são de São Paulo, 15 de Minas Gerais, 14 de Goiás, 9 do Paraná, 4 de Mato Grosso, enquanto Bahia, Maranhão e Mato Grosso do Sul tiveram um representante cada. Além disso, somente 11 cidades tiveram um desempenho acima de 100 t/ha, enquanto 19 alcançaram este patamar no ano passado.
A campeã do ranking – pela terceira vez consecutiva – foi Jataí (GO), com rendimento de 120 t/ha, uma ampliação de 4,17% em relação ao ano passado. Vale lembrar que, em 2018 e com o mesmo rendimento, Jataí dividiu o primeiro lugar com Urânia e Vargem Grande do Sul, ambas localizadas no estado de São Paulo, mas foi a cidade com a maior produção de cana dentre as três. O cenário foi semelhante em 2017, com a inclusão de Uru (SP) no empate.
Em 2019, por sua vez, Jataí registrou uma produção de 3 milhões de toneladas em 25 mil hectares plantados.

Com uma produção de 2 milhões de toneladas em uma área de 17,18 mil hectares, Juazeiro (BA) obteve uma produtividade de 116,37 t/ha. O valor representa uma melhoria de 3,28% no comparativo com um ano antes, quando a cidade ficou logo atrás das três primeiras empatadas.
Enquanto isso, Jaíba (MG) ficou na terceira colocação, com rendimento de 112,67 t/ha, por conta da sua produção anual de 862,35 mil toneladas de cana em 7,56 mil hectares. Um ano antes, o rendimento havia sido de 79,67 t/ha, portanto, houve um incremento de 41,41% no comparativo anual.
Em seguida, o quarto lugar ficou com Santo Antônio da Platina (PR), com rendimento de 112 t/ha – resultado 31,75% superior a um ano antes.
A quinta posição foi compartilhada entre Chapadão do Céu (GO), Florínea (SP) e Urânia (SP), todas com 110 t/ha de rendimento. Porém, a cidade goiana foi a que produziu mais cana dentre as três; 3,02 milhões de toneladas da matéria-prima. Em relação a 2018, Urânia caiu da dianteira para a quinta colocação, já Chapadão do Céu subiu duas posições e Florínea, 12.
Dentre os 20 melhores desempenhos de 2019, oito cidades entraram no ranking e outras dez saíram, mostrando uma alteração considerável em relação a um ano antes. Monte Mor (SP) foi um exemplo de ganho de colocação por piora no desempenho de outros municípios, afinal, manteve as mesmas 97,6 t/ha de um ano antes, mas ascendeu da 11ª para a nona posição.

Enquanto isso, Jacarezinho (PR) aumentou seu rendimento em 6,74%, situação que permitiu a ascensão do 35º lugar para o 12º lugar. Já Vargem Grande do Sul e Jaci, ambas do estado de São Paulo, saíram do grupo das 20 cidades com os melhores desempenhos e ficaram empatadas na 24ª posição em 2019, tendo reduzido suas produtividades em 25%, 18,8%, respectivamente.
Além disso, Laranjal Paulista, União Paulista e Cruzália, todas paulistas, saíram da análise em 2019, já que não produziram mais de 300 mil toneladas de cana.
Itapura (SP) e São José do Rio Preto (SP) que em 2018 estavam entre os 20 melhores resultados, ficaram, no levantamento mais recente, dentre as 78 cidades com 80 t/ha empatadas na 68ª colocação. Ambas perderam 20 t/ha cada entre as duas análises.
Por fim, Vila Boa (GO) elencou a 85ª colocação com outras três cidades todas com desempenho de 78 t/ha e teve uma redução de 24,58% em sua produtividade, fazendo com que saísse do ranking das 20 mais produtivas.
Considerando os 590 municípios do recorte, 339 são do estado de São Paulo, 47 são mineiros, 51 são paranaenses, 50 são goianos, 27 são sul-mato-grossenses, 18 são alagoanos, 15 pernambucanos e 14 mato-grossenses. Além disso, estados como Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins tiveram uma quantia menor de representantes.
Os dados completos sobre produtividade por estado e por município, além de informações de área, produção e preço médio da cana-de-açúcar estão disponíveis no NovaCana DATA.
Evolução das cinco cidades com maior produção
Nem sempre uma grande produção significa um rendimento agrícola elevado – pode ser apenas uma maior área disponível. Prova disso é que nenhuma das cinco cidades que mais produziram em 2019 tiveram desempenho superior a 85 t/ha. Além disso, somente Uberaba (MG) e Quirinópolis (GO) tiveram rendimento superior a 80 t/ha no período.
A cidade goiana teve rendimento de 83,76 t/ha, já que produziu 5,94 milhões de toneladas de cana em 70,96 mil hectares plantados. Em comparação com o ano anterior, o indicador teve um avanço de 7,03%.

Já o município mineiro produziu 6,8 milhões de toneladas do período em uma área de 83,9 mil hectares, resultando em produtividade de 81,05 t/ha. O valor foi 0,12% superior em relação a um ano antes.
Enquanto isso, a cidade que deteve a dianteira na produção de cana, Morro Agudo (SP), registrou uma produtividade de 77 t/ha, rendimento que sofreu retração anual de 6,10%. O município foi responsável por 7,62 milhões de toneladas de cana em 2019 em uma área de 99 mil hectares.
Rio Brilhante e Nova Alvorada do Sul, ambas de Mato Grosso do Sul, tiveram os piores resultados dentre as cinco maiores produtoras de 2019. A primeira contabilizou 72,89 t/ha (-9,06%) e a segunda, 68,71 t/ha (+5,33%).
Goiás é líder em produtividade
Considerando os resultados dos principais estados produtores de cana, Goiás teve o melhor desempenho pelo segundo ano consecutivo, com 79,53 t/ha. Ainda assim, o valor foi 0,51% menor do que as 79,93 t/ha de um ano antes. O valor também ficou aquém das 83,36 t/ha vistas em 2009, o recorde do estado na série histórica, iniciada em 2006.
Em seguida, o segundo estado com melhor rendimento em 2019 foi Mato Grosso, produzindo 78,75 t/ha. O valor representa uma melhora expressiva, de 9,37%, no comparativo com 2018, quando foram observadas 72 t/ha. Além disso, este rendimento foi recorde para Mato Grosso, considerando toda a série histórica.
Minas Gerais, terceiro estado com melhor produtividade no mesmo comparativo, produziu 77,35 t/ha, aumento de 0,27% em relação a 2018, mantendo a colocação. O estado experimenta certa estabilidade no indicador, mas já atingiu 81,58 t/ha em 2009.

Já São Paulo, ainda que seja o estado com a maior produção, ficou em quarto lugar em produtividade no levantamento mais recente. com 77,17 t/ha. A redução foi de 1,09% ante um ano antes, quando o estado ficou em segundo no mesmo indicador.
Por sua vez, Mato Grosso do Sul, o quinto colocado, perdeu uma posição ante 2019, com rendimento de 71,79 t/ha. Enquanto isso, o Paraná permaneceu na sexta posição dentre os estados que mais produziram em 2019, com produtividade de 69,76 t/ha, valor 6,46% superior a um ano antes.
Considerando todas os estados, o que teve o pior desempenho foi Roraima, com apenas 9,95 t/ha (-21,60%). Ele foi seguido pelo Acre, que produziu 26,35 t/ha (-0,01%) em 2019. Na outra ponta, o melhor desempenho foi do Distrito Federal, que colheu 85 t/ha, o mesmo indicador de um ano antes. Porém, vale destacar que somente 17,42 mil toneladas foram produzidas.
Comparando o resultado com o de 10 anos atrás, dentre 26 estados e Distrito Federal, 15 tiveram piora em sua produtividade e os outros 12 melhoraram seu desempenho. Em relação a um ano antes, Amazonas foi o estado com redução mais significativa no rendimento, chegando a 36,2%, e tendo o seu pior resultado da série histórica. Já o aumento mais expressivo veio de Rondônia, com resultado 15,44% superior no comparativo entre os dois anos, seguido do Ceará, que ampliou seu resultado em 15,07%.
Além disso, Bahia, Ceará e Santa Catarina também tiveram o seu melhor rendimento agrícola desde o início da série histórica.
Os canaviais mais improdutivos
Dentre as cidades selecionadas pelo recorte do NovaCana, 52 tiveram rendimentos inferiores a 60 t/ha, número que vem reduzindo ao longo dos anos. Em 2018, foram 60 municípios abaixo dessa linha e em 2017, 86. Dentre os 52 municípios com os piores rendimentos, Pernambuco e Paraná empataram com 13 representantes cada.

Já considerando as 10 piores cidades em produtividade, seis foram da região Centro-Sul e as outras quatro da região Norte-Nordeste.
Neste cenário, o menor rendimento foi de Campos dos Goytacazes (RJ), com uma produtividade de 44,37 t/ha (+10,92%). Em seguida, vem a paranaense Ivaté (PR) tendo produzido 44,89 t/ha (-5,46%) e a carioca São Francisco de Itabapoana, com 44,91 t/ha (+12,28%). Somente então vem a primeira represente no Norte-Nordeste, Aldeias Altas (MA), que produziu 45,50 t/ha em 2019.
A cidade com o pior rendimento em 2018, Moreno (PE), teve um aumento substancial de 46,39% no indicador. Com isso, ficou em nono entre as 15 cidades mais improdutivas no Norte-Nordeste e em 22º no ranking nacional.
NovaCana DATA
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana