O banco de investimentos acredita em melhora nas receitas das companhias, mas mantém uma perspectiva neutra para a recomendação de compra de ações São Martinho
O setor de açúcar e etanol deve apresentar resultados animadores no curto e longo prazo, aponta um relatório da BTG Pactual. Entre os motivos estão: a mudança na política da Índia para o etanol e os preços do açúcar mais sustentados do que na previsão anterior do banco.
“Como a Índia pretende aumentar a produção de etanol, potencialmente removendo [do mercado global] mais de 4 milhões de toneladas de açúcar por ano, os preços podem ter que se acomodar em patamares mais elevados nos próximos anos”, afirma o banco.
Por conta disso, o relatório traz uma perspectiva de crescimento de receita para Adecoagro, Jalles Machado e São Martinho, prevendo melhores resultados para as companhias. O destaque vai para a Jalles Machado, com o BTG mantendo seu posicionamento de compra de ações para a companhia.
Já em relação à São Martinho, que deve seguir uma tendência de melhora em seus resultados em 2021, a perspectiva do banco é neutra para a compra de ações, mantendo o patamar visto no relatório do ano passado.
No texto completo, veja gráficos com histórico dos resultados das sucroenergéticas e projeções até 2023:
- Receitas e custos
- Ebitda e margem Ebitda
- Lucro líquido ajustado
- Dívidas de curto e longo prazo
- Dívida líquida e dívida total em relação ao Ebitda
- Margem operacional
- Margem de lucro
- Relação entre Ebitda e lucro
O setor de açúcar e etanol deve apresentar resultados animadores no curto e longo prazo, aponta um relatório da BTG Pactual. Entre os motivos estão: a mudança na política da Índia para o etanol e os preços do açúcar mais sustentados do que na previsão anterior do banco.
“Como a Índia pretende aumentar a produção de etanol, potencialmente removendo [do mercado global] mais de 4 milhões de toneladas de açúcar por ano, os preços podem ter que se acomodar em patamares mais elevados nos próximos anos”, afirma o banco.
Por conta disso, o relatório traz uma perspectiva de crescimento de receita para Adecoagro, Jalles Machado e São Martinho, prevendo melhores resultados para as companhias. O destaque vai para a Jalles Machado, com o BTG mantendo seu posicionamento de compra de ações para a companhia.
Já em relação à São Martinho, que deve seguir uma tendência de melhora em seus resultados em 2021, a perspectiva do banco é neutra para a compra de ações, mantendo o patamar visto no relatório do ano passado.
Adecoagro: crescimento em 2021
A Adecoagro, consolidada como uma das líderes do setor agrícola na América do Sul, obteve um lucro de US$ 19,34 milhões no primeiro trimestre de 2021, como informou a companhia; no mesmo período do ano anterior, houve um prejuízo de US$ 54,44 milhões. Segundo a Adecoagro, a melhora ocorreu devido ao aumento na geração de Ebitda e à menor perda em decorrência do câmbio. O resultado está dentro do previsto no relatório do BTG, que antevê um aumento dos lucros neste ano.
A projeção do banco é que as receitas da companhia no ano fiscal 2021 tenham um crescimento de quase 35,3% ante o desempenho do ano anterior, chegando a US$ 1,11 bilhão. Os custos da Adecoagro também devem aumentar no período, mas a uma taxa menor, de 26,4%. Com isso, o desempenho operacional da companhia deve melhorar.
Este quadro se reflete diretamente no Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que tem um crescimento previsto de 49,1% em 2021, chegando a um resultado positivo em US$ 495 milhões. Contudo, a perspectiva é de queda para os anos seguintes – ainda que os resultados sigam acima do registrado em 2020 – com US$ 452 milhões em 2022 e US$ 429 milhões em 2023.

Além disso, a projeção do BTG é que a Adecoagro atinja um lucro líquido ajustado de US$ 185 milhões neste ano, o melhor resultado até então, sendo significativamente superior aos R$ 2 milhões de 2020 e reforçando a recuperação após os prejuízos em 2018 e 2019. Porém, para 2022 e 2023, a perspectiva é de queda ante 2021, com os lucros líquidos ajustados estimados em US$ 152 milhões e US$ 150 milhões, respectivamente.
Já as dívidas da empresa devem se manter estáveis nos próximos anos. A projeção realizada pelo BTG Pactual é de que os débitos de curto prazo dos próximos três anos permaneçam em torno de US$ 158 milhões, enquanto as dívidas com prazos superiores devem ser de US$ 813 milhões. No total, estas obrigações somam US$ 971 milhões.
São Martinho: perspectiva de melhora
Em 9 de junho, a São Martinho obteve uma disparada nos preços de suas ações, sendo questionada a respeito disso pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A empresa afirmou desconhecer o fato que possa ter causado a mudança e argumentou que o movimento também foi notado em outras companhias do segmento. Na data, as ações no pregão da empresa fecharam com alta de 6,79%, para R$ 38,23.
Para a Ágora Investimentos, o saldo global de oferta e demanda mais apertado para o açúcar traz ganhos à sucroenergética. Ainda assim, o BTG Pactual classifica como neutra sua recomendação em relação às ações da São Martinho, o que significa que é esperado um retorno entre -10% e +10% na comparação com a média do setor.
Conforme as projeções do banco para a companhia, a perspectiva para 2021 é de um crescimento anual de 19,8% nas receitas e de 14,1% nos custos. Dessa forma, os valores passam a ser de R$ 4,42 bilhões e R$ 1,43 bilhão, respectivamente.
Já o resultado em 2022 deve apresentar um menor aumento anual nas receitas, de 7,4%, mas prevê um crescimento maior nos custos, de 31,2%. Porém, a situação muda em 2023, quando os ganhos crescerão 5,9% e os gastos apenas 0,2%.
As projeções sobre o Ebitda anteveem um aumento de 22,7% em 2021, no qual o valor chega a quase R$ 3 bilhões, mas para o ano seguinte existe uma queda projetada de 3,8%, tendo a companhia um desempenho calculado em R$ 2,88 bilhões. Contudo, há um acréscimo de 9,6% em 2023, com a São Martinho registrando seu Ebitda mais alto até o momento, de R$ 3,16 bilhões.

Em relação ao lucro líquido ajustado, o relatório do BTG aponta um resultado de R$ 882 milhões em 2021, o que equivale a um crescimento de 38,2% ante 2020. Porém, para o ano seguinte, é prevista uma queda de 1,2%, levando ao saldo de R$ 871 milhões. Já para 2023, a estimativa demonstra um crescimento de 10,4%, alcançando o montante de R$ 962 milhões.
Assim como ocorreu com a Adecoagro, o banco prevê uma estabilidade no endividamento da companhia. A projeção do BTG Pactual é que os débitos com vencimento de curto prazo fiquem em torno de R$ 760 milhões ao longo dos próximos três anos. Já as dívidas de longo prazo devem manter uma posição de R$ 3,83 bilhões, totalizando um endividamento de 4,59 bilhões.
Jalles Machado: recomendação de compra
A Jalles Machado é o caso mais recente de ingresso na bolsa de valores por um grupo do setor, consolidando o retorno do agronegócio e quebrando um hiato de oito anos. Sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), foi realizado no dia 5 de fevereiro e a companhia movimentou R$ 737,77 milhões com papéis valendo R$ 8,30.
O BTG já havia assumido a recomendação de compra de ações da Jalles Machado, que se manteve no relatório mais recente. Isso significa que o banco espera um retorno maior que 10% em relação à média do setor.
Segundo as previsões para o ano fiscal 2021, é esperado um crescimento na receita de 22,1% ante 2020, alcançando a marca de R$ 1,09 bilhão. Entretanto, os custos devem subir a uma taxa maior, de 28,2%. Já no ano seguinte, é previsto um crescimento de 12,3% nas receitas, registrando R$ 1,22 bilhão, com um crescimento de custos em um ritmo menor, 4,2%. Em 2023, a receita deve crescer 7,9%, com um montante de R$ 1,32 bilhão, enquanto os custos aumentarão a uma taxa similar, de 7,8%.
Já para o Ebitda da companhia em 2021, a estimativa do banco é que ocorra uma variação positiva de 10,7%, chegando a R$ 711 milhões. Nos anos seguintes, o crescimento se mantém, sendo de 19% em 2022, atingindo o valor de R$ 846 milhões. Em 2023, a projeção aponta para um incremento de 7,9%, alcançando o melhor resultado com R$ 913 milhões.

Esta perspectiva se reflete nos números apresentados para o lucro líquido ajustado. A projeção do BTG para 2021 é de R$ 182 milhões, o que caracteriza uma elevação 136,4% em comparação com o ano anterior. Para 2022, o crescimento é estimado em 82,4%, com o lucro líquido ajustado chegando a R$ 332 milhões. Já em 2023, após um crescimento anual de apenas 0,3%, o resultado deve ser de R$ 333 milhões.
Em relação às dívidas da companhia, a perspectiva é que os débitos com vencimento em até 12 meses fiquem em torno de R$ 485 milhões nos próximos três anos. As dívidas de longo prazo, por sua vez, devem sofrer uma queda. Em 2021, o valor deve chegar a R$ 1,44 bilhão, caindo para R$ 1,42 bilhão em 2022 e voltando a crescer em 2023, ficando em R$ 1,43 bilhão.
Desempenho comparado
As empresas analisadas pelo BTG apresentam tamanhos diferentes. Portanto, utilizar indicadores é uma maneira eficiente para comparar o desempenho operacional das companhias e suas saúdes financeiras.
Entre os indicadores está a margem Ebitda que é calculada com base no Ebitda e na receita líquida das empresas. Segundo o BTG Pactual, a São Martinho e a Adecoagro devem registrar um crescimento em 2021 na comparação com 2020, o que representa uma melhora na eficiência operacional das duas empresas.
Para a Jalles Machado, a margem Ebitda deve ir de 72% em 2020 para 65,3% em 2021. A partir de 2022, a empresa deve crescer novamente, mantendo-se em 69,2% até 2023 e obtendo o melhor resultado ao final dos três anos quando comparada as outras companhias.
A Adecoagro deve registrar uma elevação em 2021 chegando a 44,5%, porém, nos dois anos seguintes terá uma queda, com 43,1% em 2022 e 42,3% em 2023. Já a São Martinho que estava com 66,1% em 2020, deve alcançar 67,7% neste ano e cair na sequência, com 60,6%, voltando a melhorar seu resultado em 2023, com 62,7%.

Outras margens apresentadas pelo BTG Pactual comparam o desempenho operacional das empresas e o lucro. Nos dois casos, a Jalles Machado apresentou um melhor resultado ao longo dos três anos quando comparada a Adecoagro e São Martinho.
Segundo a projeção, em 2021, a margem operacional da Jalles Machado deve chegar a 30,6%, indo para 36,6% em 2023. Já a margem de lucro da empresa fica em 16,7% em 2021, passando para 25,2% em 2023.
Para a Adecoagro, a margem operacional deve ter um crescimento anual em 2021, indo de 23,1% para 27,8%. Contudo, nos anos seguintes, o valor deve cair para 25,3% e 23,7%. Já a margem de lucro teve um grande aumento, passando de 0,2% em 2020 para 16,6% em 2021, com a perspectiva de ir para 14,7% em 2023.
Já a São Martinho tem uma projeção de margem operacional de 35,6% em 2021, uma diferença positiva de 3,5 pontos percentuais ante o ano anterior; a prospecção para 2023 é uma queda para 32,5%. A margem de lucro também deve ter crescimento mais lento ante 2020, passando de 17,3% para 19,9% em 2021 e chegando a 2023 com uma pequena queda, indo para 19,1%.
O BTG também analisou o endividamento das empresas em relação ao Ebitda anual. Segundo a perspectiva, em 2021, a Adecoagro deve registrar os maiores indicadores, com a dívida líquida representando 1,2 vez o valor do Ebitda. Já em relação à dívida total, este indicador sobe para 2 vezes, tendo projeção de crescimento até 2023, alcançando 2,3.
A São Martinho e a Jalles Machado possuem o mesmo resultado, com a dívida líquida sendo de 0,8 vez o valor do Ebitda em 2021; mas, até 2023, é prevista uma queda para 0,6 vez no caso da São Martinho e para 0,7 vez no da Adecoagro.
Porém, quando se analisa a dívida total, existe uma diferença entre as companhias. A São Martinho fechará 2021 com o indicador de 1,5 vez e deverá ter o mesmo valor em 2023. Já a Jalles Machado registra o maior resultado, tendo endividamento equivalente a 2,7 vezes o valor do Ebitda em 2021, resultado que deve cair para 2,1 vezes em 2023.
Lucas Vasconcelos – NovaCana