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Brasil pode ser líder da “nova indústria de fertilizantes” com foco em descarbonização

Brasil tem potencial para se tornar protagonista global da “nova indústria de fertilizantes”, focada em descarbonização, bioinsumos e eficiência tecnológica

Agência Estado 2 min de leitura

O Brasil tem o potencial e a estratégia traçada para se tornar o protagonista global da “nova indústria de fertilizantes”, focada em descarbonização, bioinsumos e eficiência tecnológica.

A afirmação foi feita pelo assessor do Ministério da Agricultura e do Conselho Nacional de Fertilizantes (Confert), José Carlos Polidoro, durante o workshop Fertilizantes Sustentáveis, organizado pela Argus Media, em São Paulo (SP), nesta terça-feira, 28.

Segundo Polidoro, embora o Brasil ainda seja um “gigante com pés de barro”, com alto potencial produtivo, mas igualmente dependente de importações, o país já lidera o crescimento do consumo mundial e tem a maior reserva de bioativos do planeta.

“O Brasil será o líder mundial dessa nova indústria, que é baseada em eficiência e descarbonização. Não é algo de alto risco ou infundado, é realidade e o produtor já está colhendo os frutos com o algodão certificado e a soja de baixo carbono”, destacou.

O assessor revelou que o governo federal vai destinar R$ 50 milhões ainda em 2026 para estruturar o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Cefenp), uma instituição público-privada para acelerar a chegada de tecnologias ao mercado.

“Temos 84 tecnologias em nutrição de plantas na prateleira da Embrapa que deveriam estar no mercado. O Cefenp será a ponte para a inovação, fazendo o escalonamento dessas soluções”, explicou.

O Cefenp é uma iniciativa criada em 2025, no âmbito do Plano Nacional de Fertilizantes, e tem 21 associados, dos quais 14 empresas privadas e sete instituições públicas (como Embrapa e universidades). Os hubs do projeto estão espalhados pelo Rio de Janeiro (RJ), Viçosa (MG) – centro focado em fosfatados que será inaugurado na quinta-feira, 30 –, Goiânia (GO), Mato Grosso e Manaus (AM).

O projeto se sustenta na estimativa de demanda por fertilizantes para a próxima década, que segundo Polidoro, “é agressiva”. O especialista afirmou que o programa de conversão de pastagens degradadas deve adicionar, no cenário conservador, mais 10 milhões de toneladas ao consumo nacional de fertilizantes nos próximos dez anos.

“Ou a gente aproveita essa oportunidade com uma nova proposta de nutrição de plantas, ou continuaremos importando muito e com dificuldade de aumentar a produção nacional de commodities tradicionais por falta de gás barato”, alertou.

Julia Maciel

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