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Brasil importa volume recorde de etanol

navio-tanque-140317Entressafra, preferência por açúcar e bons preços nos EUA estão servindo de estímulo para os crescentes volumes de etanol importado

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O período de entressafra de cana-de-açúcar é tradicionalmente caracterizado por um aumento nas importações brasileiras de etanol, mas os números de fevereiro de 2017 chamaram a atenção do mercado. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o país registrou uma importação total de 259,1 milhões de litros de etanol, um novo recorde para fevereiro. O montante é quase o dobro do recorde anterior, visto em 2012.

O resultado se torna ainda mais relevante quando se percebe que, desde 2012, os meses de março e abril costumam concentrar mais de 30% das importações de todo o ano, o que gera uma perspectiva de volumes elevados para os dois meses que se seguem.

Observando a evolução mês a mês, é possível notar um crescimento considerável nas importações de biocombustível desde julho de 2016. Por mais que o volume importado mereça destaque, o aumento nas importações por si só não soa como uma surpresa.

Leia mais:
- Gráficos e informações detalhadas
- Evolução mensal das importações brasileiras de etanol
- Comparativo dos volumes acumulados de importação
- Participação dos Estados Unidos nas compras brasileiras
- Volume reflete cenário das usinas nacionais
- Comparação: 2017 X 2012
- Dados completos e interativos no NovaCana DATA

O período de entressafra de cana-de-açúcar é tradicionalmente caracterizado por um aumento nas importações brasileiras de etanol, mas os números de fevereiro de 2017 chamaram a atenção do mercado. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o país registrou uma importação total de 259,1 milhões de litros de etanol, um recorde para fevereiro. O montante é quase o dobro do recorde anterior, visto em 2012.

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Observando a evolução mês a mês, é possível notar um crescimento considerável nas importações de biocombustível desde julho de 2016. Ainda que o volume de janeiro apresente certa estabilidade na comparação com o ano anterior, o volume de fevereiro se destaca mesmo com o aumento no valor médio pago pelo combustível. Enquanto em fevereiro de 2016 o Brasil pagou cerca de US$ 433/m³, o valor subiu para US$ 500/m³ neste ano, um acréscimo de 15,5%.

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O resultado se torna ainda mais relevante quando se percebe que, desde 2012, os meses de março e abril costumam concentrar mais de 30% das importações de todo o ano. Juntos, os dois primeiros bimestres do ano representam 55% das importações do ano, o que gera uma perspectiva de volumes elevados para os dois meses que se seguem.

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Etanol norte-americano em solo brasileiro

Considerando o acumulado do ano, 2017 soma a importação de 287,5 milhões de litros – um total 3,6% superior ao visto em 2012. Na ocasião, as compras estavam aquecidas porque o etanol de cana-de-açúcar estava valorizado nos Estados Unidos, de modo que o Brasil conseguia uma vantagem comercial ao exportar etanol de cana e importar etanol de milho.

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Agora, no entanto, a balança comercial do etanol não é contrabalanceada pelas exportações. Para efeito de comparação, em fevereiro de 2012, o Brasil vendeu 81,41 milhões de litros e comprou 135,77, gerando um saldo negativo de 54,36 milhões de litros. Já em fevereiro de 2017, as vendas somaram 60,31 milhões de litros e o saldo negativo foi de 198,78 milhões de litros.

A maior parte do etanol importado pelo Brasil vem dos Estados Unidos, o maior produtor mundial do biocombustível. Em fevereiro, 258,6 milhões de litros – ou 99,8% do total – veio do país norte-americano, que está aproveitando o momento e registrando volumes recordes de produção.

Em 2016, o Brasil já foi o maior comprador de etanol produzido nos Estados Unidos, adquirindo 26% das exportações. Além disso, ao contrário do que acontece por aqui, as importações têm caído consideravelmente nos EUA, que tem registrado apenas balanços comerciais positivos e, em 2016, exportou 4 bilhões de litros.

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Situação das usinas nacionais

Por mais que o volume importado mereça destaque, o aumento nas importações por si só não soa como uma surpresa. Além de estarem enfrentando uma queda constante nos preços motivada pela necessidade de liquidação dos estoques, as usinas do Centro-Sul produziram 52,9% menos etanol na primeira quinzena de fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado.

No acumulado da safra, o volume total de etanol caiu em 8,3%, ficando em 25,1 bilhões de litros. O desinteresse pelo biocombustível é motivado especialmente pela valorização nos preços internacionais do açúcar, que tornou o adoçante um produto mais vantajoso comercialmente.

Por sua vez, as companhias do Nordeste – o mercado mais afetado pelas importações – estão enfrentando uma forte estiagem, com perspectiva de quebra de até 70% da safra em algumas regiões.

De acordo com informações obtidas pelo NovaCana, o governo federal trabalha para incluir no RenovaBio medidas para limitar a importação de etanol. Esta é uma reivindicação antiga dos produtores de etanol do Nordeste, que possuem dificuldades para competir com o etanol importado, especialmente dos Estados Unidos.

Renata Bossle – NovaCana

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