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Biomassa de cana: 23 novas UTEs e oito ampliações devem ser concluídas até 2029

Ao todo, as 31 unidades deverão adicionar uma potência de 1,22 GW à rede

NovaCana 11 min de leitura

Antes resíduo, hoje matéria-prima. O bagaço da cana-de-açúcar desempenha um papel importante para as sucroenergéticas que comercializam energia elétrica há pelo menos dez anos. Além de ser uma fonte de energia renovável, a cogeração a partir da biomassa pode auxiliar o país em momentos de crises hídricas, assim como agregar ao caixa das companhias.

A Copersucar, inclusive, já sinalizou que pretende entrar no mercado de comercialização de energia elétrica. Além disso, a Lasa recentemente relatou que concluiu o projeto da sua termelétrica que estava vinculado a um benefício fiscal, enquanto a Ipiranga também buscou incentivos para seus aportes.

Apesar disto, em 2022, as sucroenergéticas registraram uma queda de 8,9% na exportação de energia, com 18,4 terawatts-hora, de acordo com Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). No período, a CerradinhoBio, foi a unidade que mais gerou energia para a rede, com 322,8 gigawatts-hora.

Para acompanhar o cenário das unidades termelétricas (UTEs) atreladas às usinas, o NovaCana coletou os projetos que tendem a ser implementados neste e nos próximos anos. Os dados são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que faz o controle das novas unidades por meio do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (Ralie).

O documento, atualizado no dia 15 de cada mês, contempla todos os empreendimentos em implantação no país e leva em conta as seguintes fontes: hidrelétrica, eólica, solar termonuclear e termelétrica.

No mais recente levantamento, a Aneel aponta 31 obras envolvendo unidades termelétricas que utilizam bagaço de cana-de-açúcar como principal matéria-prima. Dentro deste total, 23 são novos projetos e oito são ampliações.

No ano passado, a relação possuía 33 UTEs a base de biomassa de cana. Destas, 21 continuam no acompanhamento da agência, enquanto 12 saíram da lista. No levantamento atual, constam dez novos projetos.

Confira no texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, gráficos e análises com:

- Lista de todas as UTEs a base de bagaço de cana-de-açúcar previstas pela Aneel
- Potência a ser adicionada anualmente até 2029
- Viabilidade dos projetos
- Novas usinas e ampliações
- Histórico anual de potência liberada pelas UTEs a base de biomassa
- Participação do bagaço de cana-de-açúcar nos projetos de biomassa
- Projetos de energia renovável com outras fontes

Antes resíduo, hoje matéria-prima. O bagaço da cana-de-açúcar desempenha um papel importante para as sucroenergéticas que comercializam energia elétrica há pelo menos dez anos. Além de ser uma fonte de energia renovável, a cogeração a partir da biomassa pode auxiliar o país em momentos de crises hídricas, assim como agregar ao caixa das companhias.

A Copersucar, inclusive, já sinalizou que pretende entrar no mercado de comercialização de energia elétrica. Além disso, a Lasa recentemente relatou que concluiu o projeto da sua termelétrica que estava vinculado a um benefício fiscal, enquanto a Ipiranga também buscou incentivos para seus aportes.

Apesar disto, em 2022, as sucroenergéticas registraram uma queda de 8,9% na exportação de energia, com 18,4 terawatts-hora, de acordo com Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). No período, a CerradinhoBio, foi a unidade que mais gerou energia para a rede, com 322,8 gigawatts-hora.

Para acompanhar o cenário das unidades termelétricas (UTEs) atreladas às usinas, o NovaCana coletou os projetos que tendem a ser implementados neste e nos próximos anos. Os dados são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que faz o controle das novas unidades por meio do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (Ralie).

O documento, atualizado no dia 15 de cada mês, contempla todos os empreendimentos em implantação no país e leva em conta as seguintes fontes: hidrelétrica, eólica, solar termonuclear e termelétrica.

UTEs a base de bagaço de cana

No mais recente levantamento, a Aneel aponta 31 obras envolvendo unidades termelétricas que utilizam bagaço de cana-de-açúcar como principal matéria-prima. Dentro deste total, 23 são novos projetos e oito são ampliações.

No ano passado, a relação possuía 33 UTEs a base de biomassa de cana. Destas, 21 continuam no acompanhamento da agência, enquanto 12 saíram da lista. No levantamento atual, constam dez novos projetos.

Ao acompanhar o estágio das obras por meio da entrega de relatórios, a agência define a viabilidade de cada empreendimento. Atualmente, 16 unidades têm alta probabilidade de começar a operar na data prevista, sendo sete ampliações e nove plantas novas.

Entre elas estão as ampliações da Univalem, da Raízen, e da Codora, da Jalles. No ano passado, as unidades constavam na lista de média viabilidade, mas agora subiram no conceito da Aneel e a nova previsão de operação para ambas é dezembro de 2024.

Seguindo o cronograma da agência, a UTE da usina Cooper-Rubi, deve ser a primeira a ser concluída. Localizada no município de Rubiataba (GO), a unidade está passando por uma ampliação que deve adicionar uma potência de 30 megawatts (MW). Somando os 10 MW fiscalizados pela Aneel, a potência outorgada da UTE chega a 40 MW.

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A maior potência prevista na relação é da UTE atrelada à usina Barra Grande, do grupo Zilor, com 80 MW. A nova unidade deverá começar a operar em agosto de 2024, no município de Lençóis Paulista (SP).

Em seguida, a Nardini, em Aporé (GO), apresentará três unidades geradoras com 25 MW cada, totalizando 75 MW de potência prevista. Duas delas devem ficar prontas em 2025, enquanto a terceira está prevista para 2028.

Além disso, as duas unidades do grupo Bazan, ambas localizadas no município de Pontal (SP), estão passando por ampliações em suas termelétricas. Cada uma deverá contar com 75 MW de potência total. A UTE da Bela Vista tem previsão de finalização em novembro de 2023, enquanto a da Bazan deverá começar a operar em abril de 2025.

Entre as termelétricas com alta viabilidade, seis se encontram em Goiás, cinco em São Paulo e três em Mato Grosso do Sul. Bahia, Minas Gerais e Pernambuco possuem uma unidade cada.

Já considerando as usinas elencadas pela Aneel como de média probabilidade de entrega no prazo, há 11 projetos. A unidade Mococa II, da Ipiranga Bioenergia, prevista para janeiro de 2026, deverá ser a primeira a entrar em operação, com uma potência de 25 MW.

Inclusive, este foi o único projeto de biomassa de cana-de-açúcar contratado no leilão A-4 para comercialização de energia. A Aneel chegou a desconsiderar o projeto, mas reabilitou a UTE após a Ipiranga entrar com recurso. Em março deste ano, a companhia recebeu um benefício fiscal e a possibilidade de emitir debêntures incentivadas vinculadas ao projeto.

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A lista das unidades com baixa viabilidade se manteve intacta entre os dois últimos anos, com: Cerona (150 MW); Mendonça (30 MW); e Santa Isabel (30 MW). Elas não têm previsão para o início das suas operações. A usina Cerona, inclusive, possui a maior potência prevista entre todas as usinas listadas.

Previsão de início e potência adicionada

Somando as 31 unidades que devem ser finalizadas até 2029, uma potência de 1,26 gigawatt deverá ser adicionada à rede. Segundo a Aneel, três delas deverão ficar prontas até o final deste ano, totalizando uma potência de 152,8 MW, levando a uma média de 50,93 MW por usina.

Em 2024, oito usinas deverão entrar em operação, alcançando uma potência de até 282,5 MW, com uma média de 35,31 MW para cada projeto. No acompanhamento da Aneel, este é o ano com maior potência e maior número de unidades a serem instaladas.

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Já em 2029, último ano deste acompanhamento da agência, a unidade de Capinópolis deverá ser finalizada com uma potência de 20 MW, juntamente com a unidade Santa Albertina, da Colombo, com 25MW.

Para este levantamento, o NovaCana considerou a implantação de dois geradores da Nardini em 2025, e de um terceiro em 2028, cada um com uma potência de 25 MW. A Serpasa, por sua vez, tem um gerador contabilizado em 2023 (15 MW) e um segundo em 2024 (7,5 MW).

Por fim, os três projetos que estão sem previsão de finalização – das empresas Cerona, Mendonça e Santa Isabel –, adicionariam uma potência de 210 MW, com uma média de 70 MW cada.

Levando em conta apenas a viabilidade dos projetos, as 17 plantas que apresentam alta probabilidade de finalização no prazo estipulado podem adicionar uma potência de 708,55 MW à rede de energia.

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Já as 11 unidades classificadas com média viabilidade, adicionarão uma potência de até 339,59 MW. As de baixa, sem previsão de início, somam 210 MW.

Até 2025, apenas os projetos com alta viabilidade de conclusão deverão adicionar 645,3 MW de potência à rede.

Ampliações

Dentre os 31 projetos envolvendo biomassa de cana-de-açúcar como fonte de energia, oito são de unidades já em operação e que buscam ampliar sua potência. Além disso, três estão previstos para começarem a operar ainda este ano, entre os meses de outubro e novembro.

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Em 2024, outras três ampliações devem ser concluídas. E, para o ano seguinte, estão estimados dois projetos.

Já em relação à potência dos projetos, a unidade Bela Vista, da Bazan, possui a maior diferença entre a fiscalizada e a outorgada, com 65,2 MW. Desta forma, quando as obras forem concluídas, a usina terá capacidade para gerar até 75 MW.

A segunda unidade da Bazan também deverá contar com uma potência de 75 MW até janeiro de 2025. A UTE tem atualmente com uma potência fiscalizada de 10,2 MW.

A potência fiscalizada se refere à energia registrada durante a operação das UTEs e pode ser alterada mensalmente. Os números foram verificados pelo NovaCana em 20 de setembro.

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A maior potência outorgada, por sua vez, será a da Codora, da Jalles, com 78 MW. Atualmente, a potência fiscalizada da unidade é de 28 MW; o projeto tem previsão para outubro de 2024.

Na outra ponta, a menor planta será a Laguna, do grupo homônimo, que até outubro deste ano deverá possuir uma potência de 35,2 MW. A unidade já tem 2,4 MW fiscalizados e, desta forma, deverá adicionar 32,8 MW.

Usinas termelétricas

As UTEs utilizam principalmente duas fontes para geração de energia: biomassa ou combustíveis fósseis a base de petróleo. Segundo a base de dados da Aneel, desde 1997 até a metade de agosto de 2023, as unidades a base de biomassa já adicionaram uma potência de 14,20 GW.

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No ano passado, a potência registrada foi de 904,89 MW. O recorde de energia foi em 2010, quando as usinas termelétricas liberadas para operação comercial totalizavam 1,75 GW.

Ainda de acordo com a Aneel, até 2029, deverão ser finalizadas 66 plantas a base de biomassa, com 31 delas utilizando bagaço da cana-de-açúcar. Os projetos restantes utilizam resíduos sólidos urbanos; florestais; agroindustriais, como capim elefante, casca de arroz ou biogás; e biocombustíveis líquidos.

Uma vez que todas essas usinas entrem em funcionamento, a rede poderá ganhar uma potência de energia extra de 2,67 GW. Dentro desta amostra, o setor sucroenergético seria responsável por 47,1% do total, com 1,26 GW.

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Outros projetos a base de biomassa

Os grupos FS, Inpasa e Cerradinho, que produzem etanol a partir do milho, também possuem projetos de termelétricas em andamento. Neste caso, serão utilizados resíduos florestais para alimentar as caldeiras.

Com uma potência de até 40,38 MW, a termelétrica da Inpasa em Sinop (MT) deverá ser finalizada em dezembro deste ano. Já a unidade da FS em Primavera (MT) tem uma potência outorgada de 47,95 MW; considerada de alta viabilidade pela Aneel, a UTE deverá iniciar suas operações em fevereiro de 2025.

Por fim, a UTE da Cerradinho, classificada como média viabilidade, está prevista para agosto de 2029, contando com um potência de 50 MW a ser adicionada à rede.

Ao todo, 35 outros projetos de termelétricas terão como base biomassa, somando uma possível potência de 1,41 GW. Destas, 13 unidades utilizarão resíduos florestais; outras 12, biocombustíveis líquidos; sete farão uso de resíduos sólidos urbanos; e, por fim, três terão como matéria-prima principal os resíduos agroindustriais.

Na lista, 14 são consideradas pela Aneel como de alta viabilidade, 20 de média e apenas uma de baixa e sem previsão para começar a operar.

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A usina Faro, da Brasil Biofuels, deve ser a primeira a ficar pronta, com previsão para outubro deste ano. Com uma potência outorgada de 1,58 MW, a unidade utilizará biocombustíveis líquidos como sua fonte principal.

Nesta lista, as duas maiores potências previstas são da Central Geradora Suzano, com 384 MW, e que deverá iniciar suas operações em agosto de 2024. Em seguida, com 324 MW, a Euca Energy tem previsão de operação para outubro de 2028.

Giully Regina – NovaCana

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