NovaCana

Investimento em cogeração: 24 UTEs a bagaço de cana devem entrar em operação até 2028

Além das novas plantas, Aneel também acompanha nove ampliações; potência outorgada total é de 1,3 GW

NovaCana 12 min de leitura

Além de agregar aos resultados financeiros das usinas, a geração de energia elétrica com o bagaço de cana-de-açúcar é considerada uma fonte renovável e pode até mesmo auxiliar o país em momentos de crise hídrica. Entre os mais recentes anúncios de investimentos no setor está a nova termelétrica vinculada ao grupo Ipiranga, na cidade de Mococa (SP), que vendeu energia no leilão A-4 realizado em maio.

Inclusive, mesmo com uma queda anual de 10,6% na geração de energia a base de biomassa em 2021, o mais recente Plano Decenal de Energia (PDE), que traça um cenário até 2031, acredita que, os resíduos de cana-de-açúcar, como bagaço, pontas e palhas, poderão ser mais bem aproveitados como matéria-prima.

Para acompanhar o aumento no número de termelétricas (UTEs) e os investimentos em bioeletricidade, o NovaCana fez um levantamento dos projetos a serem implementados nos próximos anos e que constam no acompanhamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), incluindo novas usinas e expansões.

O controle da agência é feito de acordo com a entrega do Relatório de Acompanhamento de Empreendimentos de Geração de Energia (Rapeel). Os indicadores são apresentados em outro documento, que recebe o nome de Escalada e que teve o último período de fiscalização entre janeiro e abril de 2022. De acordo com a Aneel, das 126 termelétricas previstas, 69 entregaram o relatório dentro do prazo; 37 com atraso; e 20 não apresentaram.

Além disso, a agência também faz o controle das novas unidades por meio do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (Ralie). Neste caso são apresentados, no dia 15 de cada mês, todos os empreendimentos em implantação no país, abrangendo as fontes hidrelétrica, eólica, solar termonuclear e termelétrica.

As usinas a base de bagaço de cana-de-açúcar, que entram na categoria de biomassa, somam 33 unidades no último levantamento feito pela agência – sendo 24 novas plantas e nove ampliações de UTEs já em operação. Grande parte delas conta com o selo de alta viabilidade da Aneel, ou seja, elas têm grande probabilidade de começar a operar na data prevista.

No texto completo, exclusivo para assinantes, você confere:

- Novas unidades e ampliações
- Previsão de início das operações e potência outorgada de cada usina
- Lista de projetos de alta, média e baixa viabilidade
- Histórico e perspectiva de potência adicionada por ano pelas termelétricas a base de biomassa
- Participação do bagaço de cana entre as biomassas
- Outros projetos à base de biomassa

Além de agregar aos resultados financeiros das usinas, a geração de energia elétrica com o bagaço de cana-de-açúcar é considerada uma fonte renovável e pode até mesmo auxiliar o país em momentos de crise hídrica. Entre os mais recentes anúncios de investimentos no setor está a nova termelétrica vinculada ao grupo Ipiranga, na cidade de Mococa (SP), que vendeu energia no leilão A-4 realizado em maio.

Inclusive, mesmo com uma queda anual de 10,6% na geração de energia a base de biomassa em 2021, o mais recente Plano Decenal de Energia (PDE), que traça um cenário até 2031, acredita que, os resíduos de cana-de-açúcar, como bagaço, pontas e palhas, poderão ser mais bem aproveitados como matéria-prima.

Para acompanhar o aumento no número de termelétricas (UTEs) e os investimentos em bioeletricidade, o NovaCana fez um levantamento dos projetos a serem implementados nos próximos anos e que constam no acompanhamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), incluindo novas usinas e expansões.

O controle da agência é feito de acordo com a entrega do Relatório de Acompanhamento de Empreendimentos de Geração de Energia (Rapeel). Os indicadores são apresentados em outro documento, que recebe o nome de Escalada e que teve o último período de fiscalização entre janeiro e abril de 2022. De acordo com a Aneel, das 126 termelétricas previstas, 69 entregaram o relatório dentro do prazo; 37 com atraso; e 20 não apresentaram.

Além disso, a agência também faz o controle das novas unidades por meio do Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (Ralie). Neste caso são apresentados, no dia 15 de cada mês, todos os empreendimentos em implantação no país, abrangendo as fontes hidrelétrica, eólica, solar termonuclear e termelétrica.

Projetos a base de bagaço de cana-de-açúcar

Especificamente, as usinas termelétricas que usam bagaço de cana-de-açúcar somaram 33 unidades no último levantamento feito pela agência – sendo 24 novas plantas e nove ampliações de UTEs já em operação.

De acordo com o estágio atual das obras e a entrega dos relatórios, a Aneel estabelece quais são os projetos com alta, média ou baixa viabilidade. Na primeira lista constam 18 unidades que têm grande probabilidade de começar a operar na data prevista, sendo seis ampliações e 12 novas plantas.

Seguindo o cronograma da agência, a UTE da Della Colleta, do grupo DCBio, deve ser a primeira a ser concluída. Localizada no município de Barueri (SP), a cogeração está prevista para iniciar ainda em setembro deste ano, com uma potência prevista de 8,6 megawatts.

cogeracao usinas alta 200722 V2

A maior ampliação de potência prevista na lista é da Santo Ângelo, com 76 MW. Por ser uma expansão, a outorga contabiliza os 10 MW já fiscalizados; assim, até dezembro de 2024, a usina localizada na cidade de Pirajuba (MG) terá uma potência de 86 MW.

Em seguida, a unidade da Nardini em Aporé (GO) tem uma potência final prevista de 75 MW. Esta quantidade, entretanto, será dividida em três unidades geradoras, que devem ser finalizadas em 2023, 2025 e 2028.

Oito unidades com alta viabilidade estão localizadas em São Paulo, estado que é seguido por Minas Gerais, com quatro usinas; e por Goiás, com duas. Alagoas, Bahia, Paraná e Piauí possuem uma representante cada.

Entre as plantas de média probabilidade de entrega no prazo, há duas ampliações previstas para janeiro de 2025: Univalem, da Raízen, com 35 MW de potência a ser adicionada; e Codora, da Jalles Machado, com 50 MW.

Apesar da sua planta atual estar na lista de média viabilidade, a Raízen tem outras unidades termelétricas a base de biomassa de cana-de-açúcar e foi uma das vencedoras do leilão de energia nova A-5 realizado pela Aneel em setembro de 2021: a unidade localizada em Paraguaçu Paulista (SP) comercializou 1.735 gigawatts-hora a um preço médio de R$ 273,02 por megawatt-hora.

O grupo sucroenergético também entrou recentemente em uma parceria com a Cocal para operar uma planta de energia elétrica voltada para consumidores de geração distribuída. Neste caso, a produção da energia fica por conta da Cocal, usando o biogás como matéria-prima, enquanto a Raízen se encarrega da distribuição.

cogeracao usinas baixa 200722 V2

As três unidades que foram classificadas com baixa viabilidade não têm uma previsão para o início das operações. São elas: Mendonça (30 MW); Santa Isabel (30 MW); e Cerona (150 MW). Esta última, inclusive, possui a maior potência outorgada da listagem.

Considerando as unidades com média e baixa viabilidade, a maior parte das usinas está concentrada no estado de São Paulo, totalizando cinco. Em seguida, Minas Gerais e Goiás detêm quatro e três unidades, respectivamente. Já Mato Grosso do Sul tem duas usinas e Bahia apenas uma.

Previsão de início e potência a ser adicionada

Contabilizando todas as 33 unidades a serem finalizadas até 2028, a potência outorgada é de 1,32 GW. De acordo com os dados da Aneel, até o final deste ano, serão concluídas cinco unidades, com uma potência total de 179,1 MW, o que leva a uma média de 35,82 MW por termelétrica.

cogeracao potencia 200722

Em 2023, por sua vez, devem ser contabilizadas sete novas usinas termelétricas, com potência total de 265 MW. A média deve se manter em linha com a do ano anterior, com 37,86 MW por planta.

Já em 2028, último ano do acompanhamento atual da Aneel, a terceira unidade geradora da Nardini deverá ser finalizada, somando 25 MW. Para efeitos de listagem, o NovaCana contabilizou a usina nas três datas divulgadas para cada unidade geradora, embora sua potência final prevista seja de 75 MW.

Por fim, as três unidades que estão sem previsão de finalização das obras entregariam uma potência de 210 MW, com uma média de 70 MW cada.

Viabilidade e conceito dos projetos

Considerando a viabilidade dos projetos, as 18 plantas que apresentam alta probabilidade de serem inauguradas dentro do prazo estabelecido podem adicionar uma potência de até 780,85 MW à rede de energia.

Já os projetos considerados de média viabilidade pela agência somam uma potência de até 326,30 MW, enquanto os de baixa viabilidade, que não apresentam previsão de início das operações, poderiam adicionar 210 MW à rede de energia.

cogeracao viabilidade 200722

Além disso, a Aneel também pontua a entrega do relatório de acompanhamento. As empresas recebem 25 pontos pelo envio do documento nos primeiros cinco dias de cada mês, com a pontuação decaindo de acordo com o atraso, até ser zerada no 13º dia. Outro fator considerado é quando a companhia não entrega o Rapeel.

A partir desta pontuação, somada no quadrimestre, os empreendimentos recebem um conceito entre A e D, sendo o primeiro ótimo e o último, insuficiente.

Desta forma, as notas não seguem exatamente a viabilidade da obra. A Della Colleta, por exemplo, tem alta probabilidade de ser entregue na data prevista, em setembro de 2022, mas ela aparece com a nota zerada e o conceito D nos dados da Aneel.

Entretanto, em geral, as unidades que têm alta viabilidade possuem o conceito A.

Ampliações

Entre os 33 projetos que usarão biomassa de cana-de-açúcar como fonte de energia, nove já estão operando e possuem ampliações previstas. Dentro desse grupo, quatro expansões – dos grupos USL, Bazan e CMAA – contam com previsão para finalizar as obras entre outubro e dezembro de 2022.

cogeracao ampliacao 200722

Nos anos seguintes, o número de ampliações diminui, contando com apenas duas em 2025, frente a quatro novas plantas. A última expansão está prevista para 2026.

Em relação à nova potência das unidades, a Santo Ângelo possui a maior diferença entre a fiscalizada e a outorgada: serão adicionados 76 MW, totalizando 86 MW ao final da expansão. Entre as maiores também está a Univalem, da Raízen, que deverá somar uma potência de 80 MW até janeiro de 2025.

A potência fiscalizada se refere à energia registrada durante a operação das UTEs e pode ser alterada mensalmente. Os números das unidades listadas são de 25 de agosto, última atualização da Aneel.

cogeracao potencia expansao 200722 V3

Já as duas unidades do grupo Bazan, Bela Vista e Bazan, apresentam uma potência inicial de 9,8 MW e 10,2 MW, respectivamente. Entretanto, até o final das obras, cada usina terá uma potência outorgada de 75 MW.

Na outra ponta, a menor planta será a da São Luiz que, até outubro deste ano, deverá contar com 20 MW de potência em sua termelétrica. A unidade já tem 8 MW fiscalizados e 12 MW serão adicionados.

Além disso, a Laguna, do grupo homônimo, adicionará 18,8 MW, totalizando 21,20 MW até janeiro de 2026. A unidade, que foi uma das vencedoras do leilão de energia A-5 feito no ano passado, projetou um investimento de R$ 31,7 milhões e vendeu 403,24 GWh a um preço médio de R$ 273/MWh.

Usinas termelétricas

As usinas termelétricas utilizam duas fontes principais: matéria orgânica ou combustíveis fósseis a base de petróleo. Segundo acompanhamento da agência, desde 1997 até a metade de julho deste ano, as unidades a base de biomassa já adicionaram uma potência de 13,7 GW.

cogeracao potencia anual 200722

O recorde de energia foi em 2010, quando as usinas termelétricas liberadas para operação comercial totalizaram uma potência de 1,75 GW.

E a energia gerada por fontes orgânicas deve aumentar nos próximos anos. Ainda de acordo com a Aneel, até 2028, deverão ser finalizadas 65 plantas a base de biomassa, com 33 delas utilizando bagaço da cana-de-açúcar. Os projetos restantes utilizam resíduos sólidos urbanos; florestais; agroindustriais como capim elefante, casca de arroz ou biogás; assim como biocombustíveis líquidos.

cogeracao participação bagaço 200722

Com todas as usinas em funcionamento, poderá ser gerada uma potência extra de até 2,61 GW, com o setor sucroenergético sendo responsável por 50,4% do total.

Em janeiro deste ano, segundo dados compilados pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a biomassa de cana atingiu 12,02 MW de potência instalada, com mais de 400 usinas termelétricas em operação.

Outros projetos à base de biomassa

Além do bagaço de cana-de-açúcar, outras biomassas podem ser utilizadas para a geração de energia termelétrica. A Aneel considera neste grupo: resíduos agroindustriais, como casca de arroz e capim elefante; resíduos florestais; resíduos sólidos urbanos; biocombustíveis líquidos; e biogás.

Atualmente, há mais de 30 projetos a base de biomassa que, juntos, somam uma potência outorgada de 1,29 GW. Destas unidades, oito são consideradas pela Aneel como de alta viabilidade, 23 de média e apenas uma como baixa e sem previsão de operação.

cogeracao outros 200722 V2

A FS Bioenergia, inclusive, tem duas usinas termelétricas e foi a primeira empresa de etanol de milho a comercializar energia no mercado regulado. A unidade de Sorriso vendeu 4,2 megawatts médios no leilão de energia nova A-5 de setembro de 2021, a um preço médio de R$ 273/MWh.

Atualmente, as unidades Sorriso e Primavera têm potências outorgadas de 55 MW e 47,9 MW, respectivamente, e devem iniciar as operações ainda neste ano. As duas usinas utilizam resíduos florestais como fonte de energia.

Além delas, as termelétricas Entre Rios (50 MW) e Baliza (17,62 MW), cujas matérias-primas principais serão resíduos agroindustriais, também devem começar a operar em 2022, entre setembro e outubro.

Dentre todos os projetos, a Central Geradora Suzano registrou uma das maiores potências outorgadas da lista, com 384 MW. A unidade está prevista para junho de 2024 e usará biomassa florestal. Em seguida, a Euca Energy, utilizando a mesma matéria-prima, terá uma potência de 324 MW até dezembro de 2025.

Giully Regina – NovaCana

Compartilhar: