Companhia, que está em recuperação judicial, registrou seu segundo pior resultado da década
Com uma usina em Lucélia (SP), a Bioenergia do Brasil vem passando por dificuldades há algum tempo. A sucroenergética, que tem capacidade de moer 2,01 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, registrou o prejuízo de R$ 35,81 milhões no ano civil de 2019, o segundo pior resultado desde 2010.
Um resultado negativo já era esperado. Em novembro do ano passado, a juíza Lívia Martins Trindade, da 1ª vara do Foro de Lucélia, aceitou o pedido de recuperação judicial da companhia.
Na próxima quarta-feira, 25, o plano de recuperação deve ser apresentado aos credores em uma assembleia virtual, casa haja quórum mínimo. Do contrário, a assembleia ocorrerá em 7 de dezembro, com qualquer quórum.
Confira, na versão completa do texto, restrita para assinantes, mais informações sobre o resultado financeiro da Bioenergia do Brasil e seu processo de recuperação judicial.
Com uma usina em Lucélia (SP), a Bioenergia do Brasil vem passando por dificuldades há algum tempo. A sucroenergética, que tem capacidade de moer 2,01 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, registrou o prejuízo de R$ 35,81 milhões no ano civil de 2019.
O resultado representa uma queda de 12,48% em relação a 2018 e é o sétimo registro negativo consecutivo da companhia. Este também é o segundo maior prejuízo da empresa desde 2010 – em 2015, o indicador chegou a R$ 82,71 milhões e, desde uma recuperação em 2016, ele vem piorando ano a ano.
No mesmo período, a Bioenergia do Brasil só registrou lucro em 2010, de R$ 14,49 milhões, e em 2012, de R$ 6,51 milhões.

O resultado negativo de 2019 já era esperado. Em novembro do ano passado, a juíza Lívia Martins Trindade, da 1ª vara do Foro de Lucélia, aceitou o pedido de recuperação judicial da companhia, suspendendo todas ações ou execuções contra ela e sua controladora, a Central de Álcool Lucélia.
Na próxima quarta-feira, 25, o plano de recuperação da Bioenergia do Brasil deve ser apresentado aos credores em uma assembleia virtual, casa haja quórum mínimo. Do contrário, a assembleia ocorrerá em 7 de dezembro, com qualquer quórum.
Dentre os maiores credores da companhia estão Banco do Brasil, Bradesco e Czarnikow. O valor inicial do processo de recuperação judicial era de R$ 191,09 milhões.
Custos maiores que receitas
Mesmo passando pelo processo de recuperação judicial, a companhia continua produzindo. Conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na safra 2019/20, a Bioenergia do Brasil fabricou 65,66 milhões de litros de etanol.
Esta produção, porém, não foi suficiente para cobrir os gastos da usina, dado que vem piorando nos últimos anos. Em 2019, a relação entre receitas e custos da Bioenergia do Brasil ficou em 105,63%, considerando que o primeiro indicador foi de R$ 105,60 milhões e o segundo, de R$ 111,55 milhões.

Observando os últimos dez anos, esta também é a segunda pior relação, já que, em 2015, a empresa registrou 106,69% graças a uma receita de R$ 149,59 milhões e a um custo de R$ 159,60 milhões.
A receita contabilizada em 2019, inclusive, é a pior da década e 17,75% menor que a de 2018. Ao mesmo tempo, os gastos também são os menores, tendo caído 10,15% na mesma comparação.
Assim, o prejuízo bruto da Bioenergia do Brasil ficou em R$ 4,33 milhões em 2019, sendo o quarto resultado negativo registrado nos últimos dez anos e o segundo pior do período. Desta vez, 2014 ficou na dianteira, com um prejuízo de R$ 13,48 milhões.

A companhia também apresentou números negativos em 2015, com R$ 210 mil, e em 2018, com R$ 60 mil.
Piora para o curto prazo
Indo além do desempenho operacional, as receitas financeiras da companhia ficaram abaixo das despesas com o pagamento de juros, sendo os ganhos de R$ 55 mil e os gastos, de R$ 25,99 milhões. Com isso, o resultado financeiro da Bioenergia do Brasil ficou em R$ 31,37 milhões negativos ante os R$ 43,83 milhões também negativos de um ano antes.
Ainda assim, houve uma melhora neste indicador no comparativo atual, graças à redução na variação cambial líquida, que estava negativa em R$ 18,80 milhões em 2018 e passou para R$ 5,92 milhões, também negativos, em 2019.
Mesmo com a melhora no resultado financeiro – que segue negativo –, as dívidas da Bioenergia do Brasil seguem aumentando. Em 31 de dezembro de 2019, a posição dos débitos com empréstimos e financiamentos somavam R$ 214,06 milhões, um crescimento de 14,69% no comparativo com a mesma data do ano anterior.

Considerando apenas os débitos com vencimento no curto prazo, a posição teve um aumento anual de 26,92%, já que passaram de R$ 153,01 milhões para R$ 194,20 milhões.
Por outro lado, as dívidas com vencimentos mais distantes tiveram uma redução de 40,96%, passando de R$ 33,64 milhões em 31 de dezembro de 2018 para R$ 19,86 milhões na divulgação mais recente.
Rafaella Coury – NovaCana