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Ativos do grupo Carolo estão sendo leiloados por R$ 24,64 milhões

Fazenda Manchúria e equipamentos da usina Planalto estão parados desde 2015

NovaCana 9 min de leitura

O grupo Carolo, que está em recuperação judicial desde 2014, está leiloando alguns de seus ativos para cumprir com os requisitos do plano aprovado pelos credores. Desta vez, são a fazenda Manchúria e os ativos operacionais da Planalto Agroindustrial, localizados em Ibiá (MG), que estão à venda.

O grupo ainda possui uma usina em funcionamento: a Carolo, em Pontal (SP), que mói entre 2 milhões e 3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar anualmente. Já a usina Planalto, em sua melhor fase, processava 3,5 mil toneladas por dia e gerava 500 empregos diretos.

A planta industrial que está sendo leiloada é composta por um conjunto de moendas, caldeiras e destilaria para a produção de etanol. A capacidade nominal dos equipamentos é de produção de 300 mil litros de etanol por dia, com espaço para armazenamento de 15 milhões de litros.

O novo leilão será dividido em três lotes. O primeiro diz respeito apenas aos 1.271 hectares da fazenda, com lance inicial de R$ 19,08 milhões. O segundo se refere aos ativos da UPI Planalto, composta de mesa alimentadora, picador, desfibrador, ternos e prédio metálico da moenda, ponte rolante, destilaria e caldeira, com lance inicial de R$ 5,56 milhões.

Já o terceiro concentra os dois primeiros lotes, com a fazenda Manchúria e os ativos da Planalto, com lance inicial de R$ 24,64 milhões. De acordo com o administrador judicial Alexandre Borges Leite, por mais que exista a autorização para que sejam feitas duas vendas, o principal interesse é vender tudo em um lote único.

“Quem quiser comprar pode comprar o lote único, com os equipamentos e a terra, ou então comprar separado: a terra em um lote e os equipamentos em outro”, explica. A divisão foi feita para garantir maior liquidez ao leilão, ou seja, aumentar o número de potenciais interessados e, consequentemente, as chances de comercialização.

Realizado pela MaisAtivo Judicial, o leilão de todos os lotes deve começar em 25 de novembro, com encerramento em 18 de dezembro. Conforme Leite, já surgiram duas propostas de interessados na compra dos ativos, além de contatos em busca de mais informações. “A expectativa é boa, e entendo que o valor é razoável, então, acho que dessa vez vai”, conclui.

Confira, na versão completa, mais detalhes sobre o leilão e o plano de recuperação judicial do grupo Carolo, assim como o histórico do processo desde 2014.

O grupo Carolo, que está em recuperação judicial desde 2014, está leiloando alguns de seus ativos para cumprir com os requisitos do plano aprovado pelos credores. Desta vez, são a fazenda Manchúria e os ativos operacionais da Planalto Agroindustrial, localizados em Ibiá (MG), que estão à venda.

O grupo ainda possui uma usina em funcionamento: a Carolo, em Pontal (SP), que mói entre 2 milhões e 3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar anualmente. Já a usina Planalto, em sua melhor fase, processava 3,5 mil toneladas por dia e gerava 500 empregos diretos.

A planta industrial que está sendo leiloada é composta por um conjunto de moendas, caldeiras e destilaria para a produção de etanol. A capacidade nominal dos equipamentos é de produção de 300 mil litros de etanol por dia, com espaço para armazenamento de 15 milhões de litros.

O novo leilão será dividido em três lotes. O primeiro diz respeito apenas aos 1.271 hectares da fazenda, com lance inicial de R$ 19,08 milhões. O segundo se refere aos ativos da UPI Planalto, composta de mesa alimentadora, picador, desfibrador, ternos e prédio metálico da moenda, ponte rolante, destilaria e caldeira, com lance inicial de R$ 5,56 milhões.

Já o terceiro concentra os dois primeiros lotes, com a fazenda Manchúria e os ativos da Planalto, com lance inicial de R$ 24,64 milhões. De acordo com o administrador judicial Alexandre Borges Leite, por mais que exista a autorização para que sejam feitas duas vendas, o principal interesse é vender tudo em um lote único.

“Quem quiser comprar pode comprar o lote único, com os equipamentos e a terra, ou então comprar separado: a terra em um lote e os equipamentos em outro”, explica. A divisão foi feita para garantir maior liquidez ao leilão, ou seja, aumentar o número de potenciais interessados e, consequentemente, as chances de comercialização.

Realizado pela MaisAtivo Judicial, o leilão de todos os lotes deve começar em 25 de novembro, com encerramento em 18 de dezembro. Conforme Leite, já surgiram duas propostas de interessados na compra dos ativos, além de contatos em busca de mais informações. “A expectativa é boa, e entendo que o valor é razoável, então, acho que dessa vez vai”, conclui.

A situação da usina

Conforme relembra o administrador judicial Alexandre Borges Leite, os credores autorizaram a venda da usina Planalto pela primeira vez em 2015. À época, porém, só foi feita a avaliação dos bens móveis, como o maquinário e os equipamentos, e não da terra em si, da propriedade.

Porém, quando a terra foi incluída no lote, o valor inicial chegou a R$ 40 milhões, o que inviabilizou o leilão, que efetivamente não aconteceu. Leite explica: “Talvez, se a Carolo tivesse tido a cautela de, na assembleia com os credores, ter apresentado a avaliação dos equipamentos e também a avaliação da terra, de forma separada, isso já poderia ter sido vendido lá atrás, pelo valor que foi aprovado”.

Com a usina parada, ela acabou sendo ocupada por participantes do Movimento dos Sem Terra. Por conta disso, o grupo Carolo teve que entrar na justiça com um pedido de reintegração de posse. “Mas muita coisa ali foi quebrada e parte dos equipamentos foi levada para Pontal (SP), onde fica a usina Carolo, que segue em funcionamento”, relata o administrador, que completa: “Com a retirada de equipamentos para montar a outra usina, o valor da avaliação não correspondia mais à realidade, pois a unidade estava incompleta”.

Devido a isso e ao tempo entre os dois leilões, foi pedida uma nova avaliação da área para atualizar a estimativa de valor de ambos os ativos, definindo um novo lance inicial. No caso do imóvel rural, o objetivo era analisar o uso e a ocupação atuais do solo, a vegetação nativa e os riscos socioambientais, além de realizar um levantamento de negócios de terra na região e estimar o preço de mercado para o imóvel.

Já para a planta industrial, a avaliação considerou as condições atuais de manutenção e conservação da usina, como a capacidade de produção e as condições de utilização da indústria. A partir disso, foi estimado o valor de mercado dos ativos que compõem a unidade produtiva.

Com esta nova avaliação, de acordo com o documento que consta no site do leilão, foi constatado que o visual da usina, de maneira geral, não é bom. O local está totalmente tomado pelo mato e a maior parte do telhado está comprometida, o que poderia até mesmo colocar em risco a segurança das pessoas que caminham dentro da unidade.

Além disso, a pintura dos equipamentos e instalações praticamente desapareceu ou está em estado precário devido à ação do tempo, e o nível de isolamento dos equipamentos e tubulações está inadequado. Por outro lado, o grau de asfaltamento ou pavimentação da área industrial é bom, pois, embora esteja coberto pelo mato, há relativa facilidade de recuperação.

O plano de recuperação judicial

Com base nesta análise, foi definido o valor do leilão atual, que traz boas expectativas para o administrador Alexandre Leite. O dinheiro recebido com a venda, inclusive, já tem destinação, conforme determina o plano de recuperação.

De acordo com Leite, o valor da venda dos ativos deve ser usado principalmente para quitar o remanescente da área com o ex-proprietário, com quem foi feito um contrato de arrendamento no final de 2012.

Além disso, a princípio, uma parte do valor deveria ser destinada para pagamentos trabalhistas. Porém, Leite ressalta que a usina Carolo já vem fazendo o pagamento das dívidas com os trabalhadores ao longo dos últimos anos, de modo que elas estão quase totalmente quitadas. “A segunda parte provavelmente vai servir para recompor o caixa da usina”, conclui.

Ele ainda completa: “O plano fala da questão trabalhista, mas ela já está sendo quitada de forma alternativa. Em 2019, pagou-se aproximadamente R$ 20 milhões em dívidas trabalhistas. Eu acredito que faltem uns R$ 4 milhões, R$ 4,5 milhões no máximo. Vai dar para quitar e pagar todo mundo”.

Por fim, o administrador acrescenta que o plano de recuperação está sendo seguido em dia e que a Carolo está pagando o que devia. Com isso, de acordo com ele, o grupo está conseguindo recuperar suas atividades.

O histórico da Carolo

Em outubro de 2014, a juíza Carolina Nunes Vieira, da 1ª Vara Cível de Pontal, concedeu a recuperação judicial para o grupo Carolo. Na ocasião, a dívida da companhia estava estimada em R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 835 milhões não fiscais.

Na votação do plano de recuperação, o valor foi reduzido de forma considerável – chegando aos R$ 200 milhões –, por causa da aprovação de um expressivo deságio principalmente nos valores devidos aos credores sem garantia (quirografários).

Com a aprovação do plano, em 2015, foram colocadas para leilão a fazenda Manchúria e a usina Planalto, avaliadas em R$ 56,9 milhões à época. Porém, a pedido de um credor, o leilão foi suspenso.

Ainda assim, outros ativos do grupo entraram em leilão – cinco imóveis rurais e um urbano, em Pontal (SP) –, porém, devido ao tempo em que ficaram parados, eles perderam valor e não tiveram interessados. O grupo, assim, teve dificuldades de cumprir com o plano, atrasando o pagamento dos credores trabalhistas e chegando ao leilão atual.

Rafaella Coury – NovaCana

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