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Primeiras apostas: empresas especializadas projetam safra 2017/18 e os números finais da 2016/17

canavial usina 081216A atual temporada começou com apostas altas sobre o volume de moagem que a região Centro-Sul poderia atingir, e, também, grandes divergências e incertezas entre as consultorias. Já as primeiras projeções para 2017/18 seguem o caminho oposto, são mais modestas e fundamentadas em argumentos semelhantes.

O NovaCana obteve as projeções de cinco instituições. Esta é a primeira vez que esse total de empresas projetam a próxima safra ainda em dezembro e os dados são compilados no portal

NovaCana 12 min de leitura

A atual temporada começou com apostas altas sobre o volume de moagem que a região Centro-Sul poderia atingir, e, também, grandes divergências e incertezas entre as consultorias. Já as primeiras projeções para 2017/18 seguem o caminho oposto, são mais modestas e fundamentadas em argumentos semelhantes.

O NovaCana obteve as projeções de cinco instituições. Esta é a primeira vez que esse total de empresas projetam a próxima safra ainda em dezembro e os dados são compilados no portal.

Apesar de haver consenso em muitos aspectos, as opiniões mostram algumas divergências e incertezas. A principal das incertezas sobre como avançará a colheita em 2017/18 está relacionada com o desenvolvimento final da safra atual, 2016/17.

Por isso, o NovaCana também obteve as apostas de oito instituições que atualizaram recentemente suas previsões para a safra atual.

O texto e a sequência de gráficos a seguir apresentam as estimativas de safra para a safra 2017/18, além das últimas atualizações para a safra 2016/17:

- Moagem de cana

- Produção de açúcar

- Produção de etanol total, anidro e hidratado

- Mix de produção

- Total de ATR por tonelada

- Total de ATR das safras

O início do ano começou com apostas altas sobre o volume de moagem que a região Centro-Sul poderia atingir, e também grandes divergências e incertezas entre as consultorias. Já as primeiras projeções para 2017/18 seguem o caminho oposto, são mais modestas e fundamentadas em argumentos semelhantes.

A expectativa geral é que não haverá crescimento, pelo contrário, a oferta de cana para as usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil em 2017/18 deve ser menor do que na atual temporada.

As cinco instituições que já projetaram os indicadores para a próxima temporada preveem, em média, uma possível queda nos volumes de cana moída na principal região produtora do país, o Centro-Sul. A única exceção é a Datagro que prevê dois cenários para o período, um de queda e outro de crescimento na produção, na comparação com a temporada atual.

Porém, o tamanho do tombo ainda depende da definição do atual ciclo e de quanto as usinas vão conseguir moer até o final da safra em andamento 2016/17.

No acumulado desde o início de abril, segundo informações da a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a quantidade de cana processada pelas empresas alcançou 561,19 milhões de toneladas até 15 de novembro de 2016. A expectativa é que ainda seja moído no máximo mais 40 milhões de toneladas, já que a entidade estima uma safra terminando em 590 milhões e 600 milhões de toneladas processadas.

Já para a próxima temporada, segundo a avaliação da entidade, a tendência é que o estimado para o atual período não seja atingido. É esse menor volume que já aparece nas estimativas para a safra 2017/18. A média das apostas realizadas pelo Banco Pine, FC Stone, Datagro, Sucden e Green Pool, levantadas pelo NovaCana, é de 587,1 milhões de toneladas de cana moída.

estimativas de safra evolucao

O universo mais otimista é da consultoria Datagro que, como mencionado, trabalha com dois cenários de moagem para o Centro-sul do Brasil. A elasticidade é de 580 a 610 milhões de toneladas de cana moída, ante 597 milhões de toneladas previstas para o ciclo vigente.

Segundo a consultoria, os efeitos do fenômeno climático La Niña serão determinantes para definir os volumes de produção do próximo ciclo. Caracterizado pelo resfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico, o La Niña reduz a quantidade de chuvas em áreas produtoras de cana na região.

Já a menor projeção é a da trading Sucden, que prevê as usinas e destilarias processando apenas 567 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2017/18, uma forte redução ante a moagem da atual safra, que deve ficar em 593 milhões de toneladas na visão da empresa.

O Banco Pine, por sua vez, prevê a moagem de cana-de-açúcar na safra 2017/18 em 590 milhões de toneladas. Apensar desta previsão, o banco, em seu último relatório, afirmou não descartar a possibilidade de dois cenários extremos: o de quebra de safra com uma disponibilidade de cana para moagem de 545 milhões de toneladas e o otimista com uma projeção de até 635 milhões de toneladas de cana esmagada. Dessa forma, “a probabilidade de a disponibilidade de cana ser menor na próxima safra do que a atual é de mais 65%”, analisou o documento.

estimativas 201718 moagem

Entre os motivos que levarão à queda na área colhida e no processamento em 2017/2018 está a ausência da cana bisada. Informações recentes da consultoria Datagro dão conta que o volume de cana-de-açúcar que deixará de ser colhido neste ano para ser processado apenas no próximo ficará no intervalo de 6 milhões a 10 milhões de toneladas.

Se confirmada, a quantidade de cana bisada neste ano será, significativamente, menor do que os 36 milhões de bisa toneladas que ficaram em pé na virada de 2015 para 2016. No ano passado, chuvas em excesso atrapalharam a colheita e a moagem da matéria-prima. Neste ano, o clima mais seco contribuiu para o avanço rápido dos trabalhos no campo.

Outro ponto é a perspectiva de uso de parte da área de lavouras para a renovação nos canaviais no primeiro trimestre de 2017. Essas áreas vão produzir cana para ser colhida apenas em meados de 2018.

Envelhecimento dos canaviais

Mas o maior vilão — apresentado por quase todas as análises — parece ser o envelhecimento dos canaviais, que reflete na produtividade da cana que será moída. Após anos com renovação abaixo do ideal, a idade média dos canaviais continua aumentando no Centro-Sul, o que deve ter forte efeito negativo sobre a produtividade agrícola na safra 2017/18.

Segundo o trader da Succden, Eduardo Costa Carvalho, “a cana a ser processada será mais velha e com produtividade menor, porque os bancos estão restringindo o financiamento para a renovação”.

A FCStone e o Banco Pine também destacaram pontos sobre a idade das plantações. O economista do Banco Pine, Lucas Brunetti analisa que já na atual temporada ficou “claro que os investimentos foram muito aquém do necessário para a renovação normal dos canaviais”.

Ele aponta que, por causa dos baixos preços do açúcar no final de 2015, além da situação altamente endividada da maioria das usinas, o setor não se preparou para renovar seus canaviais. “A idade média dos canaviais cresceu de maneira considerável e, além de a renovação ser pequena, ela é de pior qualidade que o normal”.

O banco projetou a oferta de ATR total na safra de 79,6 milhões de toneladas. Já o ATR por tonelada é previsto em 134,2 kg/ton. A FCStone espera manutenção da concentração de açúcares em 133,3 Kg/ton, o que levaria o ATR total da safra 2017/18 para 78,8 milhões de toneladas, 1,1% abaixo da prevista pela instituição em 2016/17.

estimativas 201718 ATR

estimativas 201718 acucar equivalente

A consultoria ainda destaca que o contexto utilizado para o cálculo do número indica fartura de chuvas nos primeiros três meses de 2017, podendo se estender até o segundo trimestre. Caso esta previsão se concretize, o risco é que canaviais sofram mais com chuvas em excesso e falta de luminosidade do que com secas, como ocorreu este ano.

“Precipitação forte em março e abril também pode atrasar o início da safra ainda mais do que já era previsto em vista da redução da disponibilidade de cana bisada”, explica o analista de mercado da FCStone, João Paulo Botelho.

Açúcar continua em alta

O fator positivo que permanece na próxima temporada é que o preço de açúcar deve se manter em patamares remuneradores no próximo ano, suprior ao do etanol. As usinas devem ampliar ao máximo a capacidade de cristalização para aumentar a produção de açúcar, mas com a oferta menor de cana será difícil aumentar produção a commodity em 2017/2018.

Segundo Brunetti do Pine, a capacidade de cristalização deve apresentar crescimento. “Os investimentos por enquanto são marginais e ainda são mais um chamariz da mudança do que uma clara tendência de mercado. No entanto, isso deve trazer um incremento na capacidade de cristalização na próxima safra, caso o mercado permaneça nos patamares atuais, os investimentos deverão se tornar uma realidade recorrente”, aponta Brunetti.

Se isso o ocorrer, acrescenta, para a safra 2018/19 as usinas do Centro-Sul poderão ter um potencial de fabricação de açúcar bem maior que o atual.

Os preços de mercado claramente sinalizam que as usinas vão continuar a maximizar a produção de açúcar de acordo com o Banco. “Os preços relativos estão muito favoráveis para açúcar, além das margens operacionais das usinas estarem altamente remuneradoras após vários anos de vacas magras, incentivando o aumento da produção de açúcar em detrimento ao etanol”, afirma Brunetti.

Na média das consultorias consultadas, a produção da commodity pode chegar a 35,45 milhões de toneladas. As previsões variaram um pouco, sendo a maior de 36,25 milhões de toneladas na média dos cenários da Datagro, que variam de 36,1 a 36,4 milhões de toneladas de açúcar. A menor a projeção é a da Sucden de 34,4 milhões de toneladas de açúcar.

estimativas 201718 producao de acucar

Entre as instituições que projetaram o mix de açúcar para a próxima temporada, a média ficou em 47,53%. A previsão mais açucareira é da Datagro com 48,1% (média entre os cenários de 47,1% e 49,1%). Banco Pine e FC Stone estimam o mix da commodity na casa dos 47%.

“Com o aumento do mix açucareiro e redução do ATR total, é provável que os preços do etanol continuem elevados na próxima safra, o que levaria a nova redução na procura pelo biocombustível nos postos, a não ser que ocorra grande inversão no mercado internacional de combustíveis”, indica Botelho.

estimativas 201718 mix

Desta forma, a INTL FCStone espera que o hidratado continue sendo o único produto com volume reduzido de produção, projetado em 13,2 bilhões de litros, 7,7% abaixo de 2016/17 e a menor desde 2012/13.

Essa redução na participação do hidratado na procura por combustíveis do ciclo Otto deve dar força para a demanda por anidro, cuja taxa de mistura na gasolina C está em 27%. Com isso, projeta-se produção do aditivo em 11 bilhões de litros, 4% acima da safra atual e também representando um novo recorde para o Centro-Sul.

Na média das estimativas, a produção de etanol hidratado está prevista em 13,14 bilhões de litros. Já a de anidro em 11,23 bilhões de litros.

estimativas 201718 etanol total

producao-etanol-081216-1718

Atual temporada

Os ânimos do setor com a safra do início do ano para agora mudaram bastante. Em abril quando a temporada começou, mesmo em meio ao famoso clima de incertezas, o cenário projetado para a atual temporada 2016/17 era, em média, de crescimento. Agora, quase no final do período oficial de moagem e entrada na entressafra a perspectiva é que a moagem na região Centro-Sul seja menor do que alcançado na temporada passada (2015/16).

Uma das grandes questões é que, mesmo o período da entressafra iniciando oficialmente apenas em janeiro, muitas usinas já encerram precocemente as suas atividades. O último relatório da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informa que 107 unidades já haviam encerrado moagem até o final da primeira quinzena de novembro e, na segunda quinzena de novembro, a previsão era de que outras 58 empresas encerrassem as operações na safra 2016/2017.

A associação já havia indicado que a moagem no Centro-Sul deve ficar próxima do limite inferior de 605 milhões de toneladas, publicado em suas estimativas iniciais. Mais recentemente, a entidade reduziu mais e estimou uma safra terminando em 590 milhões e 600 milhões de toneladas processadas.

estimativas 2011617  moagem

E, como já observado, a instituição não está solitária na perspectiva de redução da moagem para o fechamento da safra atual. O clima desfavorável durante o desenvolvimento da cana-de-açúcar e o consequente encerramento precoce de muitas usinas reduziram as expectativas de produção. Segundo a média das estimativas levantadas nas últimas semanas pelo NovaCana, a queda na moagem total da safra 2016/17 representaria 3,2% em relação à safra anterior, finalizando com um pouco mais de 597 milhões de toneladas no Centro-Sul brasileiro.

Para o levantamento, a NovaCana considerou as estimativas da Unica, da FG/A, Datagro, Job Economia, Agroconsult, Banco Pine e FC Stone. A média anterior entre as projeções dessas consultorias e entidades do setor era de que a moagem atingisse 612 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Nenhuma das atuais estimativas prevê crescimento. As previsões vão de um esmagamento de 597,16 a 605 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

estimativas 2011617  medias antes e depois

Para a FC Stone, o clima desfavorável durante o desenvolvimento da cana também teve efeito na safra. Enquanto a colheita avançava em ritmo veloz, a produtividade agrícola registrada pelas áreas colhidas ficou abaixo da safra passada na maioria das regiões produtoras. “As áreas mais afetadas ficam nos estados de Goiás e Minas Gerais, onde o clima quente e seco que predominou a partir de abril prejudicou significativamente o desenvolvimento da cana”, destaca o analista de mercado do grupo, João Paulo Botelho.

Além disso, nas áreas mais ao sul do cinturão canavieiro, geadas também prejudicaram as plantações.

Outro fator, que já tinha aparecido em outras análises foram pragas e doenças que atingiram as lavouras. "O efeito da maior infestação de pragas e doenças no campo, conforme informações divulgadas recentemente, foi incorporado em nosso modelo com um impacto negativo de 2,5%”, afirmou o sócio-diretor da Job Economia, Julio Borges.

estimativas 2011617  producao de acucar

estimativas 2011617 Etanol Total

producao-etanol-081216-1617

estimativas 2011617 mix

estimativas 2011617  ATR tonelada

estimativas 2011617 Açucar equivalente

Marina Gallucci – NovaCana

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