Com dez unidades no noroeste do Paraná, há três safras a companhia se mantêm entre os grupos com melhores resultados do país
Discretamente, o grupo paranaense Usaçúcar - Usina Santa Terezinha se perpetua como uma das empresas mais saudáveis do mercado de açúcar e etanol do Brasil. Na lista das 2 mil maiores empresas do país, a Usaçúcar aparece como a mais lucrativa entre as empresas do setor sucroenergético.
Com previsão de moagem de 19,8 milhões de toneladas para safra atual (2014/15), a capacidade instalada nas dez usinas em operação totaliza 22 milhões de toneladas, colocando a companhia entre as maiores do país, no mesmo patamar de empresas como São Martinho (20 mi/ton) e Guarani (23 mi/ton).
Entretanto, diferente das concorrentes, a Usaçúcar, constituída no anos 60 pela família Meneguetti figura raramente nos holofotes. Fundada por sete irmãos que, acompanhados de um dos cunhados, transformaram um engenho de aguardente em fábrica de açúcar, a empresa iniciou a fabricação de etanol com o Proálcool e teve seu primeiro ciclo de expansão no final dos anos 80.
A incorporação de novas unidades foi retomada em 2003 e, paulatinamente, se manteve até o ano passado, quando o grupo fez sua mais recente aquisição, com a compra da usina Costa Bioenergia, em Umuarama.
Foi assim, aos poucos e sem alarde, que nos últimos dez anos a Usaçúcar viveu um período de forte expansão e mais que dobrou seu número de usinas, passando de quatro para dez.
Além disso, a companhia possui um projeto greenfield incompleto em Eldorado, no Mato Grosso do Sul. O projeto para a instalação da usina foi adquirido da Agrocana Participações, em 2008, junto com a unidade Usaciga. A instalação continua inconclusa e a empresa não revela os planos para a unidade.
A administração permanece nas mãos dos sucessores da família fundadora, o atual presidente é Sidney Meneguetti e há também outros herdeiros na administração das unidades. Em entrevista por e-mail ao NovaCana o principal executivo do grupo fala sobre os diferenciais e prioridades da empresa que se mantém, ano após ano, entre as mais lucrativas do setor.
Discretamente, o grupo paranaense Usaçúcar - Usina Santa Terezinha se perpetua como uma das empresas mais saudáveis do mercado de açúcar e etanol do Brasil. Na lista das 2 mil maiores empresas do país, elaborada pela Revista Exame, a Usaçúcar aparece como a mais lucrativa entre as empresas do setor sucroenergético.
Com previsão de moagem de 19,8 milhões de toneladas para safra atual (2014/15), a capacidade instalada nas dez usinas em operação totaliza 22 milhões de toneladas, colocando a companhia entre as maiores do país, no mesmo patamar de empresas como São Martinho (20 mi/ton) e Guarani (23 mi/ton).
Entretanto, diferente das concorrentes, a Usaçúcar, constituída no anos 60 pela família Meneguetti, figura raramente nos holofotes. Fundada por sete irmãos que, acompanhados de um dos cunhados, transformaram um engenho de aguardente em fábrica de açúcar, a empresa iniciou a fabricação de etanol com o Proálcool e teve seu primeiro ciclo de expansão no final dos anos 80.
A incorporação de novas unidades foi retomada em 2003 e, paulatinamente, se manteve até o ano passado, quando o grupo fez sua mais recente aquisição, com a compra da usina Costa Bioenergia, em Umuarama.
Foi assim, aos poucos e sem alarde, que nos últimos dez anos a Usaçúcar viveu um período de forte expansão e mais que dobrou seu número de usinas, passando de quatro para dez.
Além disso, a companhia possui um projeto greenfield incompleto em Eldorado, no Mato Grosso do Sul. O projeto para a instalação da usina foi adquirido da Agrocana Participações, em 2008, junto com a unidade Usaciga. A instalação continua inconclusa e a empresa não revela os planos para a unidade.
A administração permanece nas mãos dos sucessores da família fundadora, o atual presidente é Sidney Meneguetti e há também outros herdeiros na administração das unidades. Em entrevista por e-mail ao NovaCana o principal executivo do grupo fala sobre os diferenciais e prioridades da empresa que se mantém, ano após ano, entre as mais lucrativas do setor.
Em 2013 o lucro líquido ajustado (admitidos os efeitos da inflação) da Usaçúcar foi de US$ 79,6 milhões em 2013 (ano civil), o melhor entre as 78 maiores do ramo, enquanto o lucro líquido legal foi de US$ 60,7 milhões. Considerando que os valores são expressos em dólares de dezembro de 2013, o lucro legal corresponde a cerca de R$ 184 milhões.
Com todas as suas unidades localizadas no noroeste paranaense, há pouco mais de 500 quilômetros do porto mais próximo, em Paranaguá, o grupo possui uma forte estrutura para o escoamento da produção. A sede e o terminal logístico ficam em Maringá. Em Paranaguá a companhia possui um terminal rodoferroviário, além de participação majoritária em três empresas: a Paraná Operações Portuárias (Pasa), que responde pela logística de açúcar, a Álcool do Paraná, que opera o etanol, e a CPA Trading, responsável pela comercialização no exterior.
"Este é um diferencial relevante", confirma Sidney Meneguetti sobre a estrutura. "O grupo possui logística de armazenagem própria, tanto na retaguarda, quanto em parcerias no porto com terminal em Paranaguá. Também temos parceria com a ferrovia (ALL), no segmento do transporte. Uma combinação de fatores que mantiveram os custos baixos das portarias das usinas para fora", conta.
Apesar do preços médios do açúcar ter chegado aos níveis mais baixos dos últimos anos durante a safra 2013/14, o executivo afirma que a venda da commodity no mercado internacional foi remuneradora para a Usaçúcar. Segundo ele, a comercialização do adoçante no exterior, combinada com a boa logística de exportação foi um dos principais elementos para a lucratividade acima da média. O que reforça o segundo diferencial citado por Meneguetti: a baixa dependência dos preços do álcool no mercado interno.
Outra estratégia importante da sucroalcooleira paranaense foi priorizar o investimento nos canaviais. O executivo explica que após a crise de 2008, o grupo se voltou exclusivamente para o campo, renovando canaviais e buscando aumento da produtividade, como meio para o esgotamento da capacidade instalada e consequente redução de custos.
Porém, mesmo se mantendo entre as primeiras companhias "no azul", assim como outras do setor, a Usaçúcar não passou incólume às turbulências econômicas e climáticas e viu seus ganhos reduzirem nas últimas safras. No exercício 2011 o lucro legal alcançou US$ 150,2 milhões, em 2012 caiu para US$ 70,9 milhões, e no ano passado encolheu mais 13,6%, para US$ 60,7 milhões.
"Os efeitos do clima de um ano para o outro foi o principal fator que influenciou drasticamente nos custos de produção", justifica. O executivo afirma que ao reduzir o aproveitamento do tempo de moagem pelas chuvas, parte da cana precisou ser bisada para a safra seguinte. Além disso, os preços declinantes da produção sucroalcooleira e o câmbio muito volátil restringiram as margens.
Apesar de uma previsão otimista quanto à produtividade de seus canaviais, que devem retornar às 75 toneladas por hectare registradas antes da crise de 2008, mais uma vez as intempéries climáticas podem barrar as metas da companhia, que planejou moer 19,8 milhões de toneladas.
"O efeito climático tem sido muito perverso para a atividade", lamenta, explicando que "no Paraná, este ano, ao contrário do Estado de São Paulo, está havendo uma incidência de chuvas de inverno muito acima da média e corre-se novamente o risco de não se conseguir moer 100% do previsto, em virtude do ruim aproveitamento do tempo industrial".
Com um plano estratégico que vai até 2020, o grupo da família Meneguetti poderá fazer "investimentos mais relevantes" caso o cenário econômico seja favorável. No entanto, se as incertezas perdurarem, a companhia deve seguir com objetivo de atingir a capacidade instalada, aumentando a produtividade com redução de custos e também redução do endividamento.
Segundo o presidente, as quatro aquisições feitas após 2008 foram estratégicas e visavam reforçar o cluster num raio de cem quilômetros. "Objetivo atingido e no momento considerado adequado ao grupo."
Um terço das usinas do Paraná e 41% da produção
Das 31 usinas paranaenses, dez pertencem à Usaçucar. Para a safra 2014/15 a Conab estima que o Paraná realize a moagem de 47,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, das quais 41,7% seriam processadas pela Usaçúcar, considerando a projeção de 19,8 milhões de toneladas
Para o estado, a estimativa é de produtividade de 73,5 toneladas por hectare, enquanto a média esperada para os canaviais da Usaçúcar na safra atual é de 75 milhões de toneladas.
Amanda SchArr – NovaCana
