Em seus resultados, companhia destaca queda na alavancagem, que passou de 2,1 vezes para 1,2 vez
“Encerramos a safra 2021/22 com o melhor resultado da nossa história”. É com essas palavras que o CEO da Uisa (antiga Usinas Itamarati), José Fernando Mazuca Filho, inicia o relatório da administração da empresa sobre a temporada.
Ele se refere, especificamente, ao Ebitda ajustado (que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, além de considerar especificidades do negócio) de R$ 784,8 milhões, avanço de 74,4% ante os R$ 450,08 milhões vistos em 2020/21. Segundo Mazuca, isso reflete “um bom desempenho operacional e aumentos nos preços do açúcar e etanol”.
Desconsiderando os ajustes, por sua vez, a companhia obteve um lucro líquido de R$ 183,65 milhões, aumento de 426% ante os R$ 34,92 milhões da safra anterior. O valor caracteriza o segundo ano consecutivo de resultados positivos, mas não é o maior já visto pela Uisa: em 2017/18, a sucroenergética obteve R$ 251,83 milhões.
Localizada em Nova Olímpia (MT), a sucroenergética tem capacidade para moer 6,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. Em 2021/22, contudo, foram processadas 4,84 milhões de toneladas.
O volume representa uma queda ante a temporada anterior, quando foram moídas 5,01 milhões de toneladas, e também ficou abaixo do guidance da companhia, que previa entre 4,9 milhões e 5,1 milhões. “Essa redução é resultante de um clima mais seco no período”, justifica a empresa em sua divulgação de resultados.
Saiba mais no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana):
- Produção em 2021/22 e guidance para 2022/23
- Relação entre as receitas e custos da companhia
- Histórico dos resultados líquidos e brutos
- Perfil do endividamento e captações recentes
- Planos da Uisa para as próximas temporadas
“Encerramos a safra 2021/22 com o melhor resultado da nossa história”. É com essas palavras que o CEO da Uisa (antiga Usinas Itamarati), José Fernando Mazuca Filho, inicia o relatório da administração da empresa sobre a temporada.
Ele se refere, especificamente, ao Ebitda ajustado (que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, além de considerar especificidades do negócio) de R$ 784,8 milhões, avanço de 74,4% ante os R$ 450,08 milhões vistos em 2020/21. Segundo Mazuca, isso reflete “um bom desempenho operacional e aumentos nos preços do açúcar e etanol”.
Desconsiderando os ajustes, por sua vez, a companhia obteve um lucro líquido de R$ 183,65 milhões, aumento de 426% ante os R$ 34,92 milhões da safra anterior. O valor caracteriza o segundo ano consecutivo de resultados positivos, mas não é o maior já visto pela Uisa: em 2017/18, a sucroenergética obteve R$ 251,83 milhões.

Localizada em Nova Olímpia (MT), a sucroenergética tem capacidade para moer 6,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. Em 2021/22, contudo, foram processadas 4,84 milhões de toneladas.
O volume representa uma queda ante a temporada anterior, quando foram moídas 5,01 milhões de toneladas, e também ficou abaixo do guidance da companhia, que previa entre 4,9 milhões e 5,1 milhões. “Essa redução é resultante de um clima mais seco no período”, justifica a empresa em sua divulgação de resultados.
Mas a retração foi compensada por uma maior concentração de açúcar total recuperável (ATR) na cana, que foi de 139,8 quilos por tonelada. No total, a quantidade de ATR da sucroenergética subiu 1,1%, para 686 mil toneladas.
Em 2021/22, a Uisa produziu 4,69 milhões de sacas de açúcar (-5,5%) e 258 milhões de litros de etanol (+5,3%), sendo 101 milhões de anidro – um volume estável ante 2020/21 – e 157 milhões de hidratado (+9%). Além disso, foram exportados 52 mil megawatts-hora de energia elétrica (+92,6%).
Receitas em alta
Um dos destaques do resultado da Uisa em 2021/22 foi o acréscimo de 61,9% nas receitas líquidas da companhia, que passaram de R$ 908,05 milhões para R$ 1,47 bilhão.
Considerando os valores brutos, todos os produtos registraram aumento. Os maiores montantes foram obtidos com o etanol, com R$ 886,46 milhões (+69,3%), e o açúcar vendido no mercado interno, com R$ 613,17 milhões (+53,4%). Já a maior variação anual aconteceu nas negociações de créditos de descarbonização (CBios), que subiram 742,3%, para R$ 10,95 milhões.

Ao mesmo tempo, os custos de produção da usina aumentaram 25,6% no mesmo período, indo de R$ 559,15 milhões em 2020/21 para R$ 702,5 milhões na safra mais recente. Apesar do incremento, este resultado teve uma elevação menor que a vista na receita líquida, aumentando a margem da Uisa.
Assim, em 2021/22, os gastos com produtos vendidos representaram o equivalente a 47,8% dos ganhos; um indicador 13,8 pontos percentuais abaixo dos 61,6% observados na temporada anterior.

Conforme a divulgação de resultados da companhia, a maior despesa foi com matéria-prima e materiais de uso e consumo, com R$ 491,61 milhões (+33,4%). Já o maior aumento aconteceu no frete, que teve elevação de 146,4%, para R$ 29,51 milhões.
Segundo Mazuca Filho, o ano foi marcado por desafios. “Uma pandemia que se agravou nos primeiros meses do ano, uma das maiores secas da história de Mato Grosso e, por último, uma crise global na cadeia de abastecimentos de insumos que dificultou e trouxe desafios adicionais a nossa operação”, enumera.
Mesmo assim, a Uisa teve uma elevação de 120,1% em seu lucro bruto, que foi passou de R$ 348,9 milhões para R$ 767,8 milhões entre as duas últimas safras.

Perfil da dívida
Outro ponto destacado pela empresa é a redução em sua alavancagem, que passou de 1,2 vez para 0,8 vez. “Nossos indicadores financeiros demonstram foco na disciplina financeira da companhia, medido pela dívida líquida pelo Ebitda Ajustado”, comemora Mazuca.
Entretanto, essa queda pode ser atribuída mais ao aumento de 74,4% no Ebitda do que a uma queda no endividamento – afinal, a posição da dívida líquida da Uisa subiu no período. Em 31 de março de 2022, os débitos somavam R$ 605,08 milhões, alta de 10,6% na comparação anual.
A dívida bruta da empresa, por sua vez, teve uma elevação de 8,1% na mesma comparação, chegando a R$ 3,85 bilhões em 31 de março de 2022. Deste total, apenas 4,5%, ou R$ 171,89 milhões, correspondem a débitos que vencem ao longo da safra 2022/23, uma retração de 40% em relação às dívidas de curto prazo contabilizadas um ano antes.

Em sua divulgação de resultados, a Uisa destacou a emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) feita em dezembro de 2021, no valor de R$ 344,7 milhões. Na ocasião, foram emitidas duas séries sêniores e independentes, de R$ 270 milhões e R$ 74,7 milhões, com remuneração pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI), acrescida de 7% ao ano.
“Nesta operação, a companhia alongou a dívida, utilizando a emissão desse CRA como instrumento financeiro”, explica.
Planos para o futuro
Embora não mencione a possibilidade de a empresa abrir capital em breve, a divulgação de resultados da Uisa trouxe suas perspectivas para as próximas temporadas. Para 2022/23, a projeção era alcançar uma moagem de entre 4,75 milhões e 5,25 milhões de toneladas, com uma concentração de ATR de 126 kg/t a 140,2 kg/t.
Em relação à produção, a expectativa divulgada envolve o direcionamento de 41% da matéria-prima para a produção de açúcar, resultando em algo entre 4,68 milhões e 5,17 milhões de sacas. Já em relação ao etanol, o intervalo vai de 235 milhões a 259 milhões de litros.
Financeiramente, há a expectativa de uma receita líquida em linha com a safra atual, ficando entre R$ 1,43 bilhão e R$ 1,58 bilhão. Já o Ebitda ajustado foi projetado de R$ 676,1 milhões a R$ 747,3 milhões – portanto, inferior aos R$ 784,8 milhões de 2021/22. Por fim, a alavancagem da companhia também deve subir, sendo estimada entre 1,3 vez e 1,5 vez; neste caso, o cálculo usa a dívida consolidada, o que consideraria o resultado de 1,2 vez para a safra passada.
O caminho para a obtenção desses resultados, por sua vez, pode ser vislumbrado no texto que abre a divulgação dos resultados, assinado pelo CEO da companhia. Ele aponta que a conclusão da construção da fábrica de álcool em gel e saneantes foi uma das principais conquistas de 2021/22, por diversificar a linha de produtos, e sinaliza que os investimentos devem continuar.
Entre as iniciativas que ainda estavam em andamento no momento do encerramento da temporada, ele cita: aquisição de sistemas de irrigação plena; realização da segunda fase do plano de implementação de sistemas mais ágeis, inteligentes, conectados, assertivos e preditivos; início da construção da fábrica de levedura seca, que terá capacidade de produção de 9,5 mil toneladas ao ano; expansão da capacidade de exportação de energia de 14 MW para 20 MW; retrofit na planta de cogeração; modernização industrial e agrícola; e expansão do canavial.
“Nesta safra 2021/22, fizemos uma expansão de 3,35 mil hectares de plantio, buscando cada vez mais atingir as metas previstas pela companhia. Para a próxima safra, iremos expandir nosso canavial em mais 4,5 mil hectares”, detalha Mazuca Filho.
Renata Bossle – NovaCana