Sucroenergética teve um resultado líquido de R$ 137,33 milhões na temporada; um ano antes, valor incluía a contabilização de “compra vantajosa” da usina Cevasa
Assim como diversas sucroenergéticas, a Batatais registrou uma queda em seu resultado líquido na safra 2022/23, mas conseguiu manter seus números positivos. Na temporada, a companhia viu uma diminuição de 26,1% em seu lucro, saindo de R$ 185,93 milhões para R$ 137,33 milhões.
Entretanto, o movimento não segue a justificativa geral de aumentos nos custos de produção e margens pressionadas. A retração acontece após uma expansão do grupo, que adquiriu a unidade Cesava em junho de 2021. Por conta disso, a empresa contabilizou em 2021/22 um “efeito por compra vantajosa” de R$ 217,46 milhões – sem este valor, o resultado da temporada passada teria sido um prejuízo de R$ 31,53 milhões.
Localizada no município de Patrocínio Paulista (SP), a Cevasa foi comprada por R$ 302,37 milhões. De acordo com a divulgação de resultados, R$ 182,37 milhões foram pagos no momento da aquisição e os R$ 120 milhões restantes foram divididos em três parcelas anuais, a serem pagas a partir de julho de 2023. Por conta da correção monetária, este débito era de R$ 143,14 milhões em 31 de março de 2023.
“Como resultado dessa aquisição, espera-se que a companhia extraia forte sinergia junto à Cevasa, aumentando sua presença no mercado sucroenergético”, afirma a empresa. A Batatais ainda cita que as oportunidades estão na cogeração de energia; na reorganização do canavial, com redução de raio médio; e na redução de custos por ganho de escala.
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- Moagem de cana-de-açúcar e produção
- Evolução do lucro bruto
- Relação entre receitas e custos
- Balanço financeiro
- Perfil das dívidas
Assim como diversas sucroenergéticas, a Batatais registrou uma queda em seu resultado líquido na safra 2022/23, mas conseguiu manter seus números positivos. Na temporada, a companhia viu uma diminuição de 26,1% em seu lucro, saindo de R$ 185,93 milhões para R$ 137,33 milhões.
Entretanto, o movimento não segue a justificativa geral de aumentos nos custos de produção e margens pressionadas. A retração acontece após uma expansão do grupo, que adquiriu a unidade Cesava em junho de 2021. Por conta disso, a empresa contabilizou em 2021/22 um “efeito por compra vantajosa” de R$ 217,46 milhões – sem este valor, o resultado da temporada passada teria sido um prejuízo de R$ 31,53 milhões.
Localizada no município de Patrocínio Paulista (SP), a Cevasa foi comprada por R$ 302,37 milhões. De acordo com a divulgação de resultados, R$ 182,37 milhões foram pagos no momento da aquisição e os R$ 120 milhões restantes foram divididos em três parcelas anuais, a serem pagas a partir de julho de 2023. Por conta da correção monetária, este débito era de R$ 143,14 milhões em 31 de março de 2023.

“Como resultado dessa aquisição, espera-se que a companhia extraia forte sinergia junto à Cevasa, aumentando sua presença no mercado sucroenergético”, afirma a empresa. A Batatais ainda cita que as oportunidades estão na cogeração de energia; na reorganização do canavial, com redução de raio médio; e na redução de custos por ganho de escala.
Em 2022/23, a moagem das duas usinas totalizou 5,43 milhões de toneladas, queda de 3,2% ante as 5,61 milhões de toneladas observadas na temporada anterior. O resultado foi classificado pela empresa como “estável”, ainda que abaixo da média dos últimos anos, que seria de 4,2 milhões de toneladas para a Batatais e de 2,4 milhões de toneladas para a Cevasa.
“Vale ressaltar, que foram bisadas 250 mil toneladas de cana-de-açúcar devido ao clima chuvoso no último terço da safra 2022/23. A expectativa é de que a recuperação da moagem ocorra nas próximas duas safras, sendo 6,1 milhões e 6,7 milhões de toneladas, nas safras 2023/24 e 2024/25, respectivamente”, projeta a empresa.

A partir desta matéria-prima, a sucroenergética produziu 395 mil toneladas de açúcar bruto (+5,1%), 69 mil toneladas de açúcar branco (+56,8%), 124 milhões de litros de etanol anidro (+55%), 51 milhões de litros de hidratado (-58,9%) e 110 gigawatts-hora de energia (+0,9%).
Desempenho operacional
Ainda segundo a Batatais, o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) do grupo foi de R$ 455,61 milhões na temporada, elevação de 15,6% ante o desempenho de um ano antes. Contudo, o valor da safra mais recente considera a operação da Cevasa em todo o período; no ciclo anterior, a usina foi considerada por oito meses.
Por sua vez, o lucro bruto do grupo foi de R$ 354,05 milhões em 2022/23, alta de 15,1% na comparação anual. Neste caso, entraram na conta a receita líquida, o custo dos produtos vendidos e uma perda de R$ 27,91 milhões com a variação do valor justo do ativo biológico (cana em pé); em 2021/22, a empresa viu uma valorização de R$ 3,11 milhões.

Conforme os números divulgados, a receita líquida do grupo foi de R$ 1,59 bilhão, elevação anual de 33,7%. Uma parte significativa desse valor veio das vendas de açúcar, que renderam R$ 900,31 milhões (+13,4%). Já o etanol gerou um faturamento de R$ 604,59 milhões (+54,2%).
Além disso, a Batatais contabilizou vendas de CBios (R$ 28,14 milhões), energia elétrica (R$ 24,31 milhões) e outros produtos, que não foram identificados (R$ 32,45 milhões).
Já o custo dos produtos vendidos subiu 36,6%, para R$ 1,21 bilhão, ultrapassando a marca de R$ 1 bilhão pela primeira vez na série histórica iniciada em 2013/14. Entre os fatores que causaram o maior impacto neste sentido estão os gastos com cana-de-açúcar, que tiveram alta de 57,3%, para R$ 372,99 milhões, e os com insumos, peças e outros materiais, que subiram 126,8%, totalizando R$ 120,44 milhões.

Com isso, os custos foram equivalentes a 76% da receita da Batatais. Um ano antes, este índice era de 74,4%, caracterizando uma retração de 1,6 pontos percentuais na margem.
Desempenho financeiro
Segundo os números divulgados, o prejuízo financeiro da Batatais foi de R$ 209,61 milhões na temporada, superando em 45,8% as perdas da safra anterior.
Isto aconteceu principalmente por conta do aumento de 47,9% nas despesas financeiras, para R$ 256,34 milhões. O montante é composto pelo pagamento de juros, por impostos sobre operações financeiras e outras despesas não identificadas pela Batatais.

Por sua vez, as receitas financeiras dobraram no período, atingindo R$ 62,01 milhões, enquanto o prejuízo com derivativos caiu 49,9%, para R$ 13,14 milhões. Já o impacto da variação cambial saiu de um ganho de R$ 24,82 milhões em 2021/22 para perdas de R$ 2,14 milhões.
Perfil das dívidas
De acordo com a Batatais, em 31 de março de 2023, a dívida bruta do grupo com empréstimos e financiamentos somava R$ 1,39 bilhão, elevação de 11% em comparação com a posição de um ano antes.
Dentro deste valor, R$ 297,31 milhões estavam comprometidos com débitos que vencem ao longo da safra 2023/24. O montante representa alta de 35,9% em relação ao total contabilizado como dívidas de curto prazo no encerramento da temporada anterior.

Desta forma, os R$ 1,39 bilhão restantes representavam débitos com vencimento superior a um ano. O montante inclui empréstimos em diversas linhas do BNDES, além de emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e debêntures.
Renata Bossle – NovaCana