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Clealco contabiliza sua terceira safra consecutiva com resultado positivo

Sucroenergética teve lucro líquido de R$ 30,35 milhões em 2022/23, queda de 90,9% em relação à temporada anterior

NovaCana 9 min de leitura

Pouco após o início da safra 2023/24, o grupo Clealco anunciou uma emissão de debêntures que abriu caminho para o fim da recuperação judicial da companhia. A movimentação, entretanto, teve início no ciclo anterior, que foi marcado por outros desafios – entre eles, o início do processo administrativo que levou ao cancelamento da autorização da unidade Penápolis, formalizado hoje, 18.

No período, a sucroenergética registrou uma moagem de 6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, alta de 25% em comparação com a safra 2021/22. Segundo a Clealco, o resultado foi possível devido ao clima chuvoso, que beneficiou o rendimento agrícola.

“O incremento reflete a renovação dos canaviais, iniciada a partir de 2019, aproximadamente 60 mil hectares de cana plantada entre áreas próprias e ações de fomento junto a fornecedores, além dos investimentos em tratos culturais, conforme as melhores práticas de manejo operacional”, completa a companhia em sua divulgação de resultados.

Segundo a sucroenergética, 66% desta matéria-prima foi direcionada para a produção de açúcar VHP, proporcionando a fabricação de 508 mil toneladas (+17,3%). Além disso, o grupo produziu 166,3 milhões de litros de etanol hidratado (+25,5%).

Ainda assim, o lucro líquido da Clealco caiu 90,9% durante a safra, para R$ 30,35 milhões. Apesar da retração, o valor representa a terceira temporada consecutiva de resultados no azul após sete anos de prejuízos.

Confira os resultados da Clealco no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana):

- Evolução do lucro
- Resultado bruto
- Relação entre receitas e custos
- Desempenho financeiro
- Perfil da dívida
- Histórico da recuperação judicial

Pouco após o início da safra 2023/24, o grupo Clealco anunciou uma emissão de debêntures que abriu caminho para o fim da recuperação judicial da companhia. A movimentação, entretanto, teve início no ciclo anterior, que foi marcado por outros desafios – entre eles, o início do processo administrativo que levou ao cancelamento da autorização da unidade Penápolis, formalizado hoje, 18.

No período, a sucroenergética registrou uma moagem de 6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, alta de 25% em comparação com a safra 2021/22. Segundo a Clealco, o resultado foi possível devido ao clima chuvoso, que beneficiou o rendimento agrícola.

“O incremento reflete a renovação dos canaviais, iniciada a partir de 2019, aproximadamente 60 mil hectares de cana plantada entre áreas próprias e ações de fomento junto a fornecedores, além dos investimentos em tratos culturais, conforme as melhores práticas de manejo operacional”, completa a companhia em sua divulgação de resultados.

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Segundo a sucroenergética, 66% desta matéria-prima foi direcionada para a produção de açúcar VHP, proporcionando a fabricação de 508 mil toneladas (+17,3%). Além disso, o grupo produziu 166,3 milhões de litros de etanol hidratado (+25,5%).

Ainda assim, o lucro líquido da Clealco caiu 90,9% durante a safra, para R$ 30,35 milhões. Apesar da retração, o valor representa a terceira temporada consecutiva de resultados no azul após sete anos de prejuízos.

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Mas, em sua divulgação de resultados, a companhia optou por destacar o fluxo de caixa de R$ 394,52 milhões, elevação anual de 19,7%.

“Este resultado é consequência dos esforços empreendidos pela busca constante da otimização das estruturas de suas operações, investimentos na renovação e expansão dos canaviais, melhoria dos indicadores de qualidade e produtividades agroindustriais, revisão de custos e despesas, além de bons resultados em estratégias comerciais”, enumera.

Desempenho operacional

Em parte, a queda no lucro líquido da companhia é derivada de um aperto nas margens. Em 2022/23, os custos da Clealco com os produtos vendidos subiram 70%, para R$ 1,46 bilhão. Com isso, o resultado bruto da sucroenergética caiu 15,3%, para R$ 258,84 milhões.

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A retração no desempenho operacional só não foi maior porque a safra trouxe também um aumento de 47,6% na receita líquida, para R$ 1,72 bilhão.

Segundo os números divulgados, a receita bruta foi de R$ 1,82 bilhão no período (+42,6%) e a maior parte deste total deriva das vendas de açúcar, que somaram R$ 1,12 bilhão (+52,7%). Elas foram seguidas pelo etanol, com R$ 528,07 milhões (+16%).

A Clealco também contabilizou ganhos com energia (R$ 67,53 mi), diesel (R$ 53,2 mi), cana-de-açúcar (R$ 20,54 mi), CBios (R$ 19,09 mi) e bagaço (R$ 1,96 mi), além de produtos e serviços que não foram especificados (R$ 6,94 mi).

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Em relação aos créditos do programa RenovaBio, a companhia afirmou que não possuía estoques ao final da temporada. Ao longo de 2022/23, a sucroenergética comercializou 193 mil CBios.

Desempenho financeiro

Um dos principais aspectos a afetar o lucro líquido da companhia foi seu resultado financeiro. Em 2022/23, a Clealco teve um prejuízo de R$ 184,35 milhões neste quesito, ante um lucro de R$ 225,89 milhões na temporada anterior.

A receita financeira da companhia – composta por juros recebidos, descontos e ajustes – somou R$ 10,66 milhões no ciclo, queda anual de 93,8%. Ao mesmo tempo, os gastos com juros pagos e outras despesas financeiras aumentaram 60,1%, para R$ 139,8 milhões.

Para completar, a Clealco também contabilizou perdas de R$ 55,2 milhões com o impacto das variações cambiais. Na safra anterior, a sucroenergética teve ganhos de R$ 141,5 milhões.

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Perfil da dívida

Em 31 de março de 2023, as dívidas brutas da Clealco com empréstimos e financiamentos somavam R$ 1,07 bilhão, alta de 4% na comparação com a posição de um ano antes.

Em grande parte, esta elevação se concentrou nos débitos com vencimento em curto prazo, que subiram 34,5%. Ao final da temporada passada, o endividamento a ser pago ao longo de 2023/24 era de R$ 116,36 milhões.

Por sua vez, as dívidas da companhia com vencimentos em médio e longo prazos aumentaram 1,2% em relação a um ano antes, para R$ 955,95 milhões.

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Além disso, a Clealco relata que seu endividamento líquido era de R$ 2,2 bilhões ao final da safra, caracterizando um aumento anual de 7,6%.

Indicadores operacionais

A partir dos números divulgados pela sucroenergética, é possível relacionar alguns dos principais valores da temporada com o processamento de cana-de-açúcar. Como houve uma maior moagem na temporada, os resultados acabam sendo diluídos, diminuindo as variações.

O lucro líquido da Clealco, por exemplo, foi equivalente a R$ 5,06/t, queda de 92,7% ante os R$ 69,65/t da safra anterior. E o resultado bruto passou de R$ 63,66/t para R$ 43,14/t, uma retração de 32,2%.

Já o aumento nas receitas passou a ser de 18,1% no mesmo comparativo, para R$ 286,29/t. Enquanto isso, os custos subiram 36%, chegando a R$ 243,15/t.

Por fim, a posição dívida bruta da companhia com empréstimos e financiamentos teve uma retração de 16,8%, saindo de R$ 214,73/t em 2021/22 para R$ 178,72/t.

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Fim da recuperação judicial

Na divulgação de seus resultados, a Clealco relatou o processo de recuperação judicial da companhia, iniciado em julho de 2018. Segundo a empresa, o pedido foi feito “com claro objetivo de equilibrar a estrutura de capital através de um processo organizado de renegociação de todo o passivo e garantindo a manutenção das operações em níveis normais e os empregos gerados”.

Conforme o documento, o plano de recuperação foi apresentado em janeiro de 2019, com a aprovação dos credores e a homologação acontecendo em maio daquele ano. Naquele momento, uma das principais estratégias envolvia a venda da unidade Queiroz, localizada no município paulista de mesmo nome.

“A aprovação foi obtida em prazo recorde, dez meses após o pedido de recuperação judicial da companhia e controladas, e com a concordância de mais de 90% dos credores habilitados”, complementa.

Entretanto, a sucroenergética protocolou mudanças em seu plano já no ano seguinte. Em julho de 2020, uma nova estratégia foi aprovada, prevendo que a Clealco teria até o final de 2025 para quitar a maior parte de suas dívidas. Além disso, houve uma flexibilização de algumas das condições, permitindo a liquidação de outros ativos, como a usina de Clementina (SP).

Na sequência, a Clealco realizou o leilão de terras hipotecadas, mas não conseguiu vender unidades industriais. Por conta disso, a companhia optou por apresentar uma alternativa. A sugestão envolvia a captação de recursos com dois fundos de investimentos via Debtor in Possession (DIP) Financing, uma modalidade de empréstimos para empresas em recuperação judicial.

A proposta foi aceita pelos credores em novembro de 2022 e homologada pelo juiz em março de 2023. De acordo com a Clealco, ela envolve a captação de R$ 253,18 milhões por meio de dez debêntures conversíveis em ações.

Além disso, os prazos para pagamento foram prolongados, com extensões diferentes para cada grupo de credores. Também foi aplicado um deságio de 75% para Banco Santander Brasil, Grand Cayman Branch, Itaú Unibanco, PCG-Brasil, Bank of America e National Association. Outros credores tiveram um deságio de 65%.

“Até a data dessas demonstrações financeiras individuais e consolidadas, a companhia e suas recuperandas estavam cumprindo todos os requerimentos previstos no aditivo ao plano de recuperação judicial”, reforça a Clealco.

Após a emissão das debêntures e o pagamento dos credores, a Clealco foi dispensada pela justiça de vender uma de suas unidades. “Este é o ápice do processo de transformação da Clealco, que em uma ampla estratégia de reestruturação retomou a rentabilidade da companhia, alcançando resultados históricos”, comemora a empresa.

Agora, o prazo para pagamento das debêntures é de cinco anos, com um ano de carência. O valor será corrigido pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPCA) com acréscimo de 30% ao ano, mas haverá um desconto de 15% caso a companhia se mantenha em dia com os compromissos.

De acordo com a Clealco, os efeitos do acordo de reestruturação deverão aparecer na próxima divulgação anual de resultados, uma vez que a operação foi encerrada em maio de 2023. Um dos principais impactos será a redução da dívida.

Renata Bossle – NovaCana

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