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Analistas veem pouco espaço para exportações de etanol em 2015

ethanol export 100315Novo mandato dos EUA para combustíveis renováveis restringiu mercado potencial para usinas brasileiras

NovaCana 3 min de leitura

O portal NovaCana ouviu analistas, traders e especialistas do mercado para saber a opinião deles sobre como deve se comportar as exportações brasileiras de etanol.

No acumulado de janeiro a maio de 2015, o volume de etanol exportado pelo Brasil atingiu 447,7 milhões de litros, 37% menos do que o enviado em igual período de 2014. Na comparação com o mesmo período de anos recentes, tal quantidade é inferior apenas à quantidade exportada em 2011.

Embora seja prematuro estimar se esse ritmo mais lento será mantido, o professor da FGV, Fellipe Serigatti, afirma que a tendência caminha nessa direção. “O câmbio pode contribuir para tornar as exportações mais atraentes. Mas não vamos ter níveis extraordinários de exportação”, afirmou.

Segundo Serigatti, os Estados Unidos desenharam um quadro para o consumo de combustíveis que passou por mudanças substanciais nos últimos anos. A maior delas é o recuo da cotação do petróleo, que estreitou a oportunidade do etanol. “Hoje eles pensam o que vamos fazer com tanta oferta de combustíveis, em vez do que faremos para não ficar sem combustível”, disse.

Do total exportado este ano, 58,6% do volume (262,5 milhões de litros) foi destinado aos Estados Unidos. A nova proposta da EPA para este ano prevê um espaço para o etanol de brasileiro de 601 milhões de litros, a ser disputado com outros biocombustíveis avançados.

Na visão de Glaucio Oliveira, sócio-diretor da ADN Corretora, a semana passada foi marcada por um período de aquecimento do interesse dos compradores pelo etanol brasileiro. “Alguns contratos de exportação pequenos foram fechados na esteira da decisão da EPA [Agência Ambiental norte-americana]. Existe uma diferença de 10 a 20 dólares entre o que os compradores oferecem e o preço atual, mas se o real continuar se desvalorizando creio que pode preencher essa lacuna, favorecendo mais as exportações”, disse Oliveira.

O diretor-executivo da Bioagência, Tarcilo Rodrigues, aponta que a decisão da EPA define melhor as regras do jogo. “O Brasil, porém, vai esbarrar em sua própria capacidade de produção, que não está crescendo. Além disso, existe uma força de demanda maior neste momento com o preço do etanol mais vantajoso para o consumidor brasileiro nos postos de combustíveis”, diz.

Outra reação à decisão do órgão regulador norte-americano foi o aumento dos prêmios pagos aos exportadores. “O fundamental é observar como será a política comercial implementada no blend do etanol. Se a aposta for no E10, produto com 10% de combustível renovável, a história é uma. Mas, se optarem pelo E15, ou até pelo E85, isso pode aumentar bastante o interesse de compra, beneficiando o Brasil”, afirmou Rodrigues.

Já Salim Morsy, analista da Bloomerg New Enery Finance, prevê dificuldades para o Brasil escoar seu etanol para os Estados Unidos. “Não vejo espaço em 2015 nem nos próximos anos”, disse Morsy. De acordo com ele, a exceção são nichos como a Califórnia, cuja regulamentação autônoma oferece possibilidade de exportação.

Felipe Vanini Bruning – NovaCana

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