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Amyris reduz custo de produção, mas valor ainda está US$ 1,00 acima da meta

usina amyris 111113Para atingir meta, até dezembro a empresa norte-americana precisa reduzir significativamente seu custo de produção do farneseno, que origina o diesel de cana, fabricado em Brotas (SP)
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Confira a opinião de analistas norte-americanos sobre o desempenho da Amyris, detalhes sobre o custo de produção do farneseno e informações sobre o preço de venda do diesel de cana.

Ao câmbio atual, o custo de produção da Amyris na fábrica em Brotas, no interior de São Paulo, é de aproximadamente R$ 11,25 por litro de farneseno. A empresa de biotecnologia, fabricante do diesel de cana, divulgou a informação na semana passada ao apresentar os resultados financeiros do trimestre encerrado em 30 de setembro. O custo "inferior a US$ 5 por litro" de farneseno é o valor mais baixo já obtido pela empresa, que desde o início de 2013 não terceiriza mais a produção.

"Em resumo, durante o terceiro trimestre, tivemos o nosso melhor desempenho de produção com o maior volume de farneseno e menores custos unitários até a data", anunciou o CEO John G. Melo, durante chamada para apresentação de resultados aos investidores da companhia.

Em outubro, o portal NovaCana revelou o preço de comercialização do diesel de cana, produto derivado do farneseno. De acordo com as informações da prefeitura de São Paulo e do órgão de trânsito do município, o valor pago para abastecer a frota experimental do transporte público passou de R$ 9,00 o litro do diesel renovável da Amyris, em julho de 2012, para R$ 7,63, em outubro de 2013. O ritmo de queda do preço de comercialização do combustível (aproximadamente 10 centavos ao mês) é pequeno perto da velocidade em que o custo de produção da matéria base vem recuando.

No início do ano a empresa iniciou sua produção de farneseno do caldo de cana na fábrica adjacente à usina Paraíso, da Tonon Bioenegia. Conforme os dados da companhia, para obter a molécula de hidrocarbonetos que origina combustíveis e produtos químicos renováveis, o custo inicial era de aproximadamente US$ 12 por litro (hoje equivalentes a R$ 27). Dez meses depois caiu para menos da metade e, até dezembro, para atingir a meta já anunciada, ainda deve reduzir a um terço do valor inicial. Isso significa diminuir o custo em US$ 1 por litro no prazo de três meses.

Ainda que soe otimista, a direção da empresa confirma a manutenção da meta de US$ 4 por litro ou menos até o final de 2013. "Continuamos a esperar alcançar US$ 4 por litro ou melhor até o final deste ano, à medida que nos beneficiamos do uso de nossa segunda geração de cepas [de leveduras] e de contínuas melhorias operacionais. Prevemos continuar oferecendo melhores custos unitários para o próximo ano e além", assegurou Melo, durante a chamada com os acionistas.

Pela primeira vez a Amyris operou um trimestre completo com todos os seis fermentadores em funcionamento. A escalada de produção possibilitou que em 45 dias mais de um milhão de litros de farneseno fossem fabricados.

O diesel de cana

Segundo os dados da empresa, durante o trimestre a venda do diesel de cana para a frota de ônibus de transporte públicos nas áreas de São Paulo e Rio de Janeiro se manteve como o planejado e já há um pedido de volumes adicionais para o quarto trimestre. Também há expectativa quanto a um "programa piloto iminente" para que alguns ônibus rodem 100% de diesel de cana – atualmente a mistura é de 10% do combustível da Amyris ao diesel comercial.

A venda do diesel de cana responde por dois terços da receita com produtos renováveis. Entretanto, o combustível oferece o menor rendimento em termos financeiros. Segundo o diretor financeiro da companhia, Steve Mills, "houve alguma incerteza no Brasil em algumas das cidades e, francamente, essa é a nossa menor margem de venda também". Já especialidades químicas podem oferecer melhor rentabilidade por se tratarem de produtos com alto valor agregado.

No próximo ano a companhia pretende ampliar o portfólio, segundo Melo. "Esperamos um crescimento contínuo em 2014 em novas áreas, tais como lubrificantes, fluidos especiais e polímeros". Há ainda expectativa para a aprovação regulatória de um combustível da Amyris para aviação, que seria direcionado para a Gol, com quem a empresa já possui um memorando de entendimento.

Uma análise da empresa de serviços financeiros multimídia The Motley Fool considera que justamente os produtos mais interessantes para o futuro da Amyris serão aqueles de maior valor agregado, destinados à indústria química. "Comercializar com sucesso a primeira molécula de fragrância com o parceiro Firmenich, no início do próximo ano, vai abrir o caminho para produtos de maior valor".

Já o sucesso com a redução de custos de farneseno e a venda do diesel renovável é relativizado. "O preço médio de venda por litro de farneseno caiu consideravelmente, mas isso era esperado visto que as vendas de lubrificantes com a Cosan [pela joint venture Novvi] aumentaram no mix de produtos. Anteriormente, a maior parte das vendas da empresa foram o esqualeno emoliente – o produto de maior valor produzido a partir de farneseno – para a indústria cosmética, bem como diesel renovável – um dos produtos que oferecem menor valor – a diversas autoridades de transporte do Brasil", diz a análise do portal norte-americano.

Até o momento, a unidade em Brotas funciona bem abaixo da capacidade e concentra-se em duas linhas iniciais de produtos, obtidos pela transformação do farneseno: o diesel de cana e um emoliente destinado à indústria de cosméticos. A Amyris estima que a capacidade máxima teórica de produção de farneseno na unidade é de cerca de 40 milhões de litros por ano, mas o volume pode ser aprimorado com o desenvolvimento de novas estirpes de leveduras.

Receitas do trimestre: custo de produção é dobro do preço de venda

A receita total do terceiro trimestre foi de US$ 7 milhões. Destes, US$ 4,1 milhões foram referentes à venda de produtos renováveis – incluindo farneseno, diesel de cana e emolientes – e o restante de receita de concessão e colaboração. O custo de produção destes produtos foi o dobro do que o preço de venda e atingiu US$ 8,3 milhões.

No mesmo período de 2012 a receita foi bastante superior: US$ 19 milhões. No ano passado, embora a receita com produtos renováveis tenha sido menor, cerca de US$ 3 milhões, houve grande volume de receita de concessão e colaboração que respondeu pela maior parte dos ganhos de US$ 14,4 milhões. Outro US$ 1,7 milhão foi referente aos ganhos com comercialização de etanol, negócio que foi abandonado. No período não era contabilizado o custo de produção, porque os produtos renováveis eram produzidos de forma terceirizada.

No acumulado do ano até 30 de setembro de 2013, as receitas agregadas foram US$ 25,7 milhões, contra US $ 67,8 milhões em relação ao ano anterior. A companhia ressalva que as receitas dos primeiros nove meses de 2012 incluíam US$ 38,8 milhões de vendas relacionadas à comercialização de etanol.

O prejuízo do trimestre foi de US$ 24,2 milhões. Apesar das quedas consecutivas de rentabilidade, o CEO da companhia aposta em resultados positivos a partir do próximo ano.

"Acreditamos que estamos no caminho certo para alcançar o nosso objetivo de fluxo de caixa positivo das operações em 2014 e rentabilidade em 2015", Melo concluiu.

Amanda SchArr – NovaCana
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