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Com alta do dólar, Amyris, do diesel de cana, reduz custo de produção pela metade

amyris dieselEm setembro, custo do farneseno, produzido na fábrica em Brotas (SP), caiu para a metade do custo médio registrado em 2014, segundo os valores contabilizados em dólar. Convertido em reais, o custo caiu 15%

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O prejuízo da Amyris continua crescendo, mas a empresa de biotecnologia, que é a única produtora de diesel de cana-de-açúcar no mundo, conseguiu atingir o custo de produção mais baixo de sua história. O valor é a metade do custo médio registrado no ano passado.

Com uma fábrica operando em Brotas (SP), anexa à Usina Paraíso da Tonon, a companhia de origem norte-americana tem como base de seus produtos o farneseno, uma molécula que equivale ao “petróleo renovável” e pode originar desde químicos e combustíveis até perfumes e sabores.

Apesar de ter informado que não voltaria a divulgar o custo de produção da molécula farneseno, a Amyris voltou atrás estimulada pela forte queda dos custos. No entanto, embora não mencione os motivos do êxito, o câmbio é um componente irrefutável da rápida economia na produção.

Apesar do prejuízo da Amyris continuar crescendo, a empresa de biotecnologia, que é a única produtora de diesel de cana-de-açúcar no mundo, conseguiu atingir o custo de produção mais baixo de sua história. O valor é a metade do custo médio registrado no ano passado.

Com uma fábrica operando em Brotas (SP), anexa à Usina Paraíso da Tonon, a companhia de origem norte-americana tem como base de seus produtos o farneseno, uma molécula que equivale ao “petróleo renovável” e pode originar desde químicos e combustíveis até perfumes e sabores.

Apesar de ter informado que não voltaria a divulgar o custo de produção da molécula farneseno, a Amyris voltou atrás estimulada pela forte queda dos custos. A companhia anunciou que alcançou a marca de US$ 1,75 por litro de farneseno em setembro de 2015. Anteriormente, na apresentação dos resultados do segundo trimestre desse ano, encerado em junho, a empresa relatou um custo de produção de US$ 2,36 por litro, o que já apresentava uma redução significativa em relação à média de US$ 3,40 registrada em 2014.

Embora não mencione os motivos do êxito, o câmbio é um componente irrefutável da rápida economia na produção. Como a contabilidade da empresa sediada na Flórida é realizada em dólar, mas a produção é feita no Brasil, a rápida deterioração do real impulsionou a redução de custos.

Convertido em reais, de acordo com cotação da moeda norte-americana em cada um dos períodos, a variação do custo de produção registrado em setembro, ante a média de 2014, foi de 15%. O valor caiu de R$ R$ 7,99 para R$ 6,83 por litro.

amyris redução custo-v2

A alta do dólar acumulada em 2015 pode ajudar a empresa a também reduzir seus prejuízos. No último trimestre, encerrado em junho, a companhia registrou uma perda de R$ 47,1 milhões, resultado 24% pior que o resultado negativo em R$ 35,5 milhões informados no mesmo período do ano anterior.

Recentemente, o fim de um acordo do grupo São Martinho com a empresa de biotecnologia marcou a frustração do mercado. Em 31 de agosto, a São Martinho informou o encerramento da joint venture SMA Indústria Química, uma parceria criada em 2010, com a Amyris. O objetivo inicial era a construção de uma planta industrial química na Usina São Martinho, em Pradópolis (SP). A princípio, o acordo deveria durar 20 anos, mas foi oficialmente encerrado há dois meses.

Segundo o grupo São Martinho, em comunicado oficial divulgado em julho, a Amyris não atingiu as metas contratuais, o que teria impactado a viabilidade do projeto. “Assim, a São Martinho decidiu não aprovar a continuidade da construção da planta da joint-venture formada em parceria com a Amyris”.

Diesel de cana perde espaço com diversificação

O diesel de cana vem sendo ofuscado por outros produtos derivados do farneseno, que oferecem maior valor agregado e são destinados às indústrias de cosméticos e de química fina. Enquanto o combustível tem mercado restrito a uma pequena frota de ônibus do transporte público da cidade de São Paulo, que mistura 10% do produto da Amyris ao diesel comum, a companhia de biotecnologia tem avançado em acordos comerciais para o fornecimento de óleos, solventes e fragrâncias.

Um exemplo é o aumento das vendas para os setores de polímeros e de solventes, que, juntos, oferecem um mercado potencial de US$ 20 bilhões. “Esperamos que nossas vendas para esses mercados cresçam de menos de US$ 3 milhões em 2015 para mais de US$ 20 milhões em 2016, com algumas das remessas começando nesse trimestre”, afirma o presidente e CEO da Amyris, John Melo, no mesmo comunicado em que comemorou a redução de custos.

Além disso, se o custo baixo de produção for mantido, o preço de comercialização também deve ser competitivo no mercado de polímeros. Nesse caso, o farneseno tem aplicações similares ao isopreno, mas é capaz de entregar uma performance funcional superior.

A companhia afirma que o farneseno pode ser utilizado também nos segmentos de cosméticos, sabores e fragrâncias, lubrificantes e na fabricação de pneus.

Fábrica

Em operação desde dezembro de 2012, a fábrica da Amyris em Brotas funciona adjacente à Unidade Paraíso, controlada pela Tonon Bioenergia, que fornece o caldo de cana-de-açúcar para a produção do farneseno.

Segundo dados da empresa, a estrutura tem seis fermentadoras de 200 mil litros, sendo capaz de processar anualmente o caldo equivalente de um milhão de toneladas de cana-de-açúcar.

US$ 57,6 milhões em títulos conversíveis

Logo após anunciar a redução nos custos de produção do farneseno, a Amyris divulgou a oferta, sujeita a condições de mercado, de US$ 50 milhões em títulos conversíveis com vencimento para abril de 2019. Segundo a companhia, os juros anuais de 9,5% serão pagos semestralmente em dinheiro ou em ações ordinárias.

A venda dos títulos, no entanto, ultrapassou as expectativas da companhia, que acabou negociando um total de US$ 57,6 milhões. Esse montante deve ser destinado para propósitos corporativos, o que pode incluir o desenvolvimento de uma infraestrutura de marketing e vendas, aquisições e negociações estratégicas ou até a compra dos próprios títulos.

Segundo a Amyris, US$ 18,3 milhões serão destinados para a compra de títulos no valor de US$ 22,9 milhões com vencimento previsto para 2019, enquanto outros US$ 8,8 milhões serão utilizados para títulos valendo US$ 9,7 milhões e com vencimento em 2017. Outros investimentos não foram confirmados. Esse tipo de movimentação é bastante comum entre empresas norte-americanas, que recompram seus próprios títulos para poder disponibilizá-los posteriormente em vendas abertas de curto prazo, além de ser mais simples o processo para emissão de títulos combinados.

Renata Bossle – NovaCana

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