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Alarme de calote soa e banco Moelis é contratado para reestruturar dívida da GVO

Moelis banco 241014“A situação era realmente insustentável para uma empresa com tal alavancagem ser atingida dos dois lados, açúcar e etanol”

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Credores de bonds (títulos da dívida) do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) estão se preparando para um possível default (calote) após a deficitária produtora de açúcar afirmar que está buscando renegociar suas obrigações financeiras.

Credores de bonds (títulos da dívida) do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) estão se preparando para um possível default (calote) após a deficitária produtora de açúcar afirmar que está buscando renegociar suas obrigações financeiras.

Os bonds de U$ 300 milhões da GVO, com vencimento em 2018, despencaram 26,9% para 18 centavos de dólar desde o dia 17 de outubro, antes de a companhia anunciar que estava em conversas com credores para chegar a um acordo extrajudicial e evitar a falência. A onda de vendas dos títulos aprofundou as perdas da companhia para 68,2% neste mês, a maior entre os 361 bonds de empresas de grau especulativo em mercados emergentes, conforme levantamento da Bloomberg.

Os investidores temem que a GVO seja a segunda produtora de açúcar no Brasil a dar um calote neste ano, a medida em que a indústria é afetada por um excedente do produto, a pior seca do país em oito décadas e uma política de controle de preços da gasolina no mercado interno. A agência de classificação de riscos Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito da GVO em quatro níveis para ‘CCC-‘ no dia 20 de outubro, o que significa que a companhia atualmente está “vulnerável” e propensa ao não-pagamento.

“A situação se deteriorou rapidamente para eles”, disse por email Carlos Gribel, head de renda fixa da Andbanc Brokerage, em Miami. “O mercado lá fora está provavelmente fechado para eles, enquanto que domesticamente parece que não é fácil para eles ter acesso a financiamentos”.

A sócia controladora da GVO, Carmen Ruete de Oliveira, disse no dia 20 de outubro que a empresa está tentando novas condições com os credores e buscando converter parte da dívida no exterior em ações.

Contratação do banco Moelis

“Estamos tentando um acordo com os bondholders”, disse Ruete, por telefone, de São Paulo, no dia 20 de outubro. “As conversas estão em fase inicial. Provavelmente terá que haver uma conversão da dívida em ações, um desconto. Não vamos pedir recuperação judicial no Brasil”.

O diretor financeiro Carlos Otto Laure preferiu não comentar a reestruturação.

Os comentários vieram um dia depois de a GVO anunciar em um comunicado que contratou o banco de Nova York Moelis & Co, o escritório de advocacia Santos Neto Advogados e a Kirkland & Ellis LLP como assessores em parte de um esforço para reforçar sua estrutura de capital.

A sucroalcooleira de Ariranha (SP) encerrou o primeiro trimestre com cerca de R$ 210 milhões (U$ 85 milhões) em caixa e uma dívida de R$ 2,9 bilhões, da qual R$ 920 milhões tinham vencimento em um ano, de acordo com o último relatório financeiro do dia 31 de julho. A companhia terá que desembolsar no ano que vem US$ 83 milhões com juros de sua dívida de US$ 735 milhões relativas às notas com vencimento em 2018, 2020 e 2022.

“O calote é provável”, disse por telefone, de São Paulo, o analista da Fitch Ratings, Claudio Miori. “É uma situação bem desafiadora, considerando o cenário para a indústria brasileira de açúcar”.

Calote da Aralco

A Fitch reduziu o rating da GVO para ‘CC’, dez níveis abaixo do grau de investimento, ante uma nota ‘B-’ em 20 de outubro. A Moody’s rebaixou a nota de crédito da companhia para ‘Caa3’, nove níveis abaixo do grau de investimento.

A GVO está lutando para pagar suas dívidas logo depois de a empresa Aralco, de Araçatuba (SP), dar um calote de U$ 250 milhões em bonds no exterior em março, após realizar apenas um pagamento de juros.

A produção brasileira de açúcar cairá 16% para 31,6 milhões de toneladas neste ano, por conta da seca que afeta as plantações de cana do Centro-Sul, de acordo com a Datagro. Os preços do adoçante diminuíram 15% nos últimos 12 meses. No mês passado, os preços atingiram o menor nível dos últimos cinco anos em Nova York. O excedente global do produto também pesa sobre o mercado.

O real teve queda de 0,2% e foi cotado às 9h55 em Nova York em R$ 2,4781.

‘Isso nunca aconteceu’

“A GVO investiu muito dinheiro em suas plantações, apostando que os preços do açúcar se recuperariam, o que nunca aconteceu”, disse Miori, da Fitch.

O governo, que controla a Petrobras, tem impedido que a empresa aumente os preços da gasolina numa tentativa de controlar a inflação. Os preços pagos pela estatal são superiores ao preços praticados no mercado doméstico. A gasolina barata reduziu a atratividade do etanol, levando alguns produtores a lidar com lucros menores e uma dívida crescente.

“A situação era realmente insustentável para uma empresa com tal alavancagem ser atingida dos dois lados, açúcar e etanol”, Klaus Spielkamp, head de renda fixa na Bultick LLC, disse por telefone de Miami. “O mercado desaprovou muito a notícia da reestruturação”.

Gerson Freitas Jr e Paula Sambo (Bloomberg)
Tradução e adaptação: Leonardo Siqueira – NovaCana

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