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38 sucroenergéticas em 20 indicadores: Resultados da safra 2022/23 em comparação

Levantamento feito com exclusividade pelo NovaCana explora o desempenho dos principais grupos do setor ao abranger resultados líquidos, receitas, despesas, estoques, dívidas e outros números

NovaCana 19 min de leitura

Para o setor de açúcar e etanol, a temporada 2022/23 foi o momento de mostrar quem “fez a lição de casa” na gestão de custos e riscos. Enquanto o canavial ainda se recuperava dos efeitos da quebra vista em 2021/22, os gastos com os principais insumos subiram consideravelmente. Ao mesmo tempo, o elevado preço do açúcar no mercado internacional permitiu que as margens continuassem positivas.

Os impactos destas variáveis, entretanto, mudaram de acordo com cada companhia. Por mais que a maior parte das sucroenergéticas tenha obtido resultados líquidos positivos, teve quem contabilizou prejuízos. Além disso, mesmo com o aperto das margens para a maior parte do setor, também houve quem ampliasse os ganhos.

Ao longo dos últimos meses, o NovaCana publicou reportagens sobre o resultado individual das empresas. Agora, um levantamento com informações adicionais permite um comparativo entre estes números por meio de 20 indicadores. O objetivo é avaliar as companhias de diferentes portes de maneira mais equalizada, ainda que os negócios de características variadas tragam especificidades.

No total, 38 grupos disponibilizaram seus números publicamente; dentre eles, 33 apresentaram dados de moagem, totalizando 294,14 milhões de toneladas – o equivalente a 53,6% da produção de cana-de-açúcar da região Centro-Sul no período, que totalizou 548,28 milhões de toneladas. O volume variou das 73,46 milhões de toneladas da Raízen às 849 mil toneladas da Ipojuca.

Assim, é possível visualizar o desempenho das empresas quanto à tonelada de cana, à capacidade de gerar caixa (por meio do Ebitda ajustado, que demonstra os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com a dedução daquilo que as empresas julgam inadequado para medir seus resultados), às dívidas, ao tamanho da empresa (dado pelo ativo ou patrimônio líquido), entre outros números.

Os dados foram coletados em diários oficiais estaduais, jornais de grande circulação e por meio de divulgação das próprias empresas. Em alguns casos, o NovaCana entrou em contato com as companhias solicitando dados complementares.

As sucroenergéticas presentes no levantamento, ordenadas pela receita líquida, são as seguintes:

- Raízen

- BP Bunge

- São Martinho

- Tereos

- Coruripe

- Zilor

- Adecoagro

- Pedra Agroindustrial

- Colombo

- Cerradinho

- Cocal

- CMAA

- Viterra Bioenergia

- Bazan

- Balbo

- Clealco

- Jalles

- Batatais

- Uisa

- Santa Adélia

- Nardini Agroindustrial

- Santa Fé

- Melhoramentos

- Cerradão

- Lins

- Bevap

- São Manoel

- Da Mata

- Bioenergética Aroeira

- Maringá

- São Domingos

- Umoe Bioenergy

- Abengoa Bioenergia

- Santa Lúcia

- Diana Bioenergia

- Furlan

- Alcoolvale

- Ipojuca

Para o setor de açúcar e etanol, a temporada 2022/23 foi o momento de mostrar quem “fez a lição de casa” na gestão de custos e riscos. Enquanto o canavial ainda se recuperava dos efeitos da quebra vista em 2021/22, os gastos com os principais insumos subiram consideravelmente. Ao mesmo tempo, o elevado preço do açúcar no mercado internacional permitiu que as margens continuassem positivas.

Os impactos destas variáveis, entretanto, mudaram de acordo com cada companhia. Por mais que a maior parte das sucroenergéticas tenha obtido resultados líquidos positivos, teve quem contabilizou prejuízos. Além disso, mesmo com o aperto das margens para a maior parte do setor, também houve quem ampliasse os ganhos.

Ao longo dos últimos meses, o NovaCana publicou reportagens sobre o resultado individual das empresas. Agora, um levantamento com informações adicionais permite um comparativo entre estes números por meio de 20 indicadores. O objetivo é avaliar as companhias de diferentes portes de maneira mais equalizada, ainda que os negócios de características variadas tragam especificidades.

No total, 38 grupos disponibilizaram seus números publicamente; dentre eles, 33 apresentaram dados de moagem, totalizando 294,14 milhões de toneladas – o equivalente a 53,6% da produção de cana-de-açúcar da região Centro-Sul no período, que totalizou 548,28 milhões de toneladas. O volume variou das 73,46 milhões de toneladas da Raízen às 849 mil toneladas da Ipojuca.

Assim, é possível visualizar o desempenho das empresas quanto à tonelada de cana, à capacidade de gerar caixa (por meio do Ebitda ajustado, que demonstra os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com a dedução daquilo que as empresas julgam inadequado para medir seus resultados), às dívidas, ao tamanho da empresa (dado pelo ativo ou patrimônio líquido), entre outros números.

Os dados foram coletados em diários oficiais estaduais, jornais de grande circulação e por meio de divulgação das próprias empresas. Em alguns casos, o NovaCana entrou em contato com as companhias solicitando dados complementares.

Geração de caixa

A capacidade das sucroenergéticas para gerar caixa pode ser medida por meio da relação entre o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) e a moagem de cana-de-açúcar. O resultado é referente a quanto a companhia ganha por tonelada moída – assim, quanto mais alto o indicador, melhor o desempenho.

Dentre as 21 companhias que divulgaram ambos os dados, a Jalles foi a que apresentou o melhor número em 2022/23 – repetindo a colocação pela terceira safra consecutiva –, com um Ebitda ajustado de R$ 228,09 por tonelada de cana moída. O valor representa uma alta de 11,3% na comparação com os R$ 205,02/t vistos em 2021/22.

indicadores ebitda moagem 081123

Na sequência, o segundo melhor resultado ficou com a Bevap, com R$ 205,59/t. Estas foram as duas únicas companhias que tiveram desempenhos acima dos R$ 200/t.

Além disso, 14 sucroenergéticas obtiveram ganhos entre R$ 100/t e R$ 200/t e cinco ficaram abaixo de R$ 100/t. O valor mais baixo da amostragem foi o da Tereos, com ganhos de R$ 72,72/t, 21,1% acima do contabilizado em 2021/22.

Em uma média simples das 21 empresas analisadas, o ganho foi de R$ 133,02/t, ficando abaixo do visto um ano antes, de R$ 138,94/t.

Por sua vez, a margem Ebitda ajustado mede a capacidade de faturamento das empresas no comparativo com suas receitas com vendas. Assim, quanto mais alto o percentual, melhor a performance da empresa.

Neste caso, o desempenho mais favorável foi o da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, com 73,8% – um avanço de 10 pontos percentuais frente a 2021/22. Líder do ano anterior, a Jalles teve uma retração de 7,8 pontos, para 68%, e caiu para a segunda posição em 2022/23.

indicadores ebitda receita 081123

Na outra ponta, o pior desempenho foi o da Raízen Energia, com 12,5%. Entretanto, é preciso considerar que o Ebitda ajustado usado no cálculo corresponde à soma dos resultados dos segmentos de açúcar e renováveis, incluindo negócios que vão além da produção das sucroenergéticas.

Outro indicador mede o quanto as companhias geraram de caixa no comparativo com seus gastos com quitação de juros – é a chamada cobertura de juros. Para isso, o Ebitda ajustado foi cruzado com as despesas financeiras dos grupos sucroenergéticos e o resultado é dado em pontos. Quanto maior o valor, mais facilidade a empresa possui para pagar suas obrigações.

Dentro da amostra, o grupo Balbo foi o que apresentou o melhor número, com 6,97 pontos (alta anual de 0,9%). Em seguida, veio a BP Bunge, com 6,02 pontos. Estas foram as únicas empresas a contabilizar mais de 6 pontos.

O desempenho das outras 19 companhias foi inferior a 5 pontos. O valor mais baixo foi o da Coruripe, com 0,86 ponto; a empresa foi a única da amostra a obter menos que 1 ponto.

indicadores juros 081123

Dos 38 grupos que fazem parte do levamento realizado pelo NovaCana, 17 deles divulgaram dados do Ebitda ajustado e puderam ter estes números analisados pela reportagem. Além disso, outros quatro apresentaram o dado sem qualquer tipo de ajuste, tendo sido este o número utilizado para os cálculos, totalizando 21 companhias.

Receita líquida

A Raízen foi a sucroenergética com maior receita líquida em 2022/23: a soma dos segmentos de açúcar e de renováveis chegou a R$ 57,93 bilhões. O número também rendeu à companhia a maior relação com a moagem, de R$ 788,60/t, embora seja preciso considerar que há outros negócios incluídos no número, indo além da operação das usinas.

O segundo melhor desempenho, por sua vez, foi da CerradinhoBio – que possui operações também na área de milho –, mesmo com uma queda anual de 1,5% no indicador, para R$ 489,44/t. O valor mensura o quanto as empresas receberam com as vendas dos seus produtos no comparativo com a sua matéria-prima esmagada.

Dentre as 33 empresas avaliadas, 12 delas tiveram performances acima de R$ 300/t e outras 20 ficaram acima de R$ 200/t. O resultado mais desfavorável da amostra veio da Melhoramentos, com R$ 169,38/t, queda de 40,6% no comparativo com o ciclo anterior.

indicadores receita moagem 081123

Outro indicador que envolve a receita líquida é o giro de ativo, que faz a comparação dos rendimentos com o tamanho da empresa, contabilizado pelo ativo total. Quanto mais alto o valor, dado em pontos, mais vendas ocorreram com a mesma base de ativos.

A Clealco apresentou o melhor resultado no quesito, com 1,1 ponto, sendo a única empresa em que as receitas superaram a posição do ativo no encerramento do ano fiscal. Em comparação com a safra anterior, a alta foi de 30,5%.

Considerando a amostra completa de 38 empresas, 11 obtiveram mais de 0,5 ponto e 26 registraram entre 0,5 ponto e 0,3 ponto. Abaixo desta marca há apenas a Jalles, com 0,28 ponto.

indicadores ativo 081123

Para completar, também é possível comparar novamente dois dos principais dados das empresas: a receita líquida e o Ebitda ajustado. O resultado representa o ganho recebido pelos produtos no comparativo com a geração de caixa.

Esta é uma maneira diferente de analisar os mesmos dados que baseiam o cálculo da margem Ebitda. Neste indicador, quanto menor o resultado, menos receita é demandada para obter o mesmo caixa.

Neste caso, a Melhoramentos teve o melhor desempenho, com 1,36 vez; seguida da Jalles, com 1,47 vez. Já os valores mais desfavoráveis vieram da Tereos, com 4,14 vezes; e da Raízen, com 8,01 vezes.

indicadores receita ebitda 081123

Dos 21 grupos que apresentaram dados de Ebitda ou Ebitda ajustado, oito tiveram resultados abaixo de 2 vezes neste indicador; sete apresentaram índices entre 2 e 3 vezes; e seis ficaram acima de 3 vezes.

Custos com os produtos vendidos

Além de ter contabilizado a maior receita líquida da amostragem, a Raízen também registrou os maiores custos com os produtos vendidos. A somatória dos segmentos de açúcar e renováveis – o que inclui uma série de negócios, indo além das atividades das usinas – foi de R$ 53,01 bilhões. Com isso, os gastos da comercialização de produtos foram equivalentes a 91,5% da receita líquida da empresa.

Dentre os resultados mais favoráveis, por sua vez, estiveram a Cocal, com 60,8%; a Bevap, com 62,7%; e a Nardini Agroindustrial, com 62,9%. No total, nove empresas tiveram resultados abaixo de 70%; 24 contabilizaram entre 70% e 80%; e cinco tiveram desempenhos acima de 80%.

indicadores custos receita 081123

Apesar do cenário geral de aumento nos custos, oito empresas tiveram queda no indicador na comparação anual: Abengoa Bioenergia (retração de 7,8 pontos percentuais), Cocal (-7 p.p.), Tereos (-4 p.p.), Coruripe (-3,4 p.p.), São Domingos (-2,5 p.p.), Colombo (-2,2 p.p.), Santa Fé (-1,9 p.p.) e Umoe Bioenergy (-1,3 p.p.).

Já em relação à moagem, a Raízen teve despesas correspondentes a R$ 721,63/t em 2022/23. O indicador mostra o quanto as empresas gastaram na fabricação dos seus produtos em relação à matéria-prima disponível.

Na sequência, a Cerradinho – que também possui outros negócios, incluindo usinas de etanol de milho – registrou o segundo resultado mais elevado, com R$ 349,42/t. O valor supera em 9,8% o do ciclo anterior, de R$ 318,11/t.

Em contrapartida, a companhia mais “econômica” ante a moagem foi a Melhoramentos, com custos de R$ 119,89/t, queda de 10,9% na comparação anual.

indicadores custos moagem 081123

Das 33 empresas que divulgaram sua produção de cana-de-açúcar na temporada, nove tiveram despesas inferiores a R$ 200/t; 22 ficaram no intervalo entre R$ 200/t e R$ 300/t; e duas superaram a marca de R$ 300/t.

Um terceiro comparativo possível dos custos é em relação ao Ebitda ajustado da companhia, ou seja, os gastos de produção frente à capacidade de gerar caixa. Neste caso, o resultado é dado em vezes.

Em 2022/23, a Melhoramentos e a Jalles foram as que tiveram o dado mais favorável, com 0,96 vez cada. Entretanto, ambas apresentaram elevação na comparação anual: para a Jalles, a alta foi de 45,3%, enquanto a Melhoramentos teve um incremento de 29,5%.

Estas foram as únicas empresas com resultados inferiores a 1 vez; outras 13 obtiveram números inferiores a 2 vezes; e quatro ficaram no intervalo entre 2 e 3 vezes. Tereos e Raízen, por outro lado, registraram os índices mais altos da amostra, de 3,09 vezes e 7,33 vezes, respectivamente.

indicadores custos ebitda 081123

O giro de estoques é uma quarta forma de comparar os gastos feitos ao longo do ciclo, trazendo o valor dos produtos estocados no momento do encerramento da temporada. O resultado, contudo, deve ser observado com cautela, já que a posição final dos estoques na safra pode variar de forma considerável conforme as estratégias adotadas pelas empresas em cada ciclo.

Neste quesito, a Santa Lúcia deteve a liderança pelo terceiro ano consecutivo, com 1,85 vez. O valor, no entanto, representa uma alta de 4,2% ante o desempenho de 1,77 vez visto na safra anterior.

Os maiores resultados, por sua vez, ficaram com a Clealco, com 23,59 vezes (+136,6%), e a Furlan, com 25,79 vezes (+80,3%).

indicadores estoques 081123

Considerando as 38 empresas presentes no levantamento, apenas a Santa Lúcia teve um resultado abaixo de 2 vezes. Além disso, 12 companhias obtiveram um indicador entre 2 e 5 vezes, enquanto 14 ficaram no intervalo entre 5 e 10 vezes. Outras 11 contabilizaram um resultado acima de 10 vezes.

Resultados líquidos

O resultado líquido da empresa – que, diferentemente do Ebitda ajustado, considera juros, impostos, depreciações, amortizações e demais itens que a empresa enxerga como não pertinentes para avaliar o seu desempenho operacional – também é importante em uma análise de indicadores.

Em 2022/23, 37 das empresas da amostra registraram lucro, indo de R$ 3,21 milhões (Alcoolvale) a R$ 1,02 bilhão (São Martinho). O único prejuízo, desta forma, foi o da Tereos, que teve uma perda líquida de R$ 516 milhões.

Uma das bases comparativas mais relevantes é com a moagem. Neste sentido, a Jalles contabilizou o melhor desempenho, com R$ 135,92 de ganho por tonelada moída, alta de 87,7% ante a safra anterior. Além dela, apenas a Nardini e a Uisa (antiga Usinas Itamarati) superaram R$ 100/t, com R$ 128,21/t e R$ 109,59/t, respectivamente.

Por outro lado, o resultado positivo mais baixo foi o da Clealco, com R$ 5,06/t. Já a Tereos teve um prejuízo líquido equivalente a R$ 29,83/t.

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Dentre as 33 empresas que divulgaram dados de moagem, três registraram resultados superiores a R$ 100/t; sete ficaram no intervalo entre R$ 50/t e R$ 100/t; 22 obtiveram lucro de até R$ 50/t; e apenas uma teve prejuízo.

Há também um indicador chamado rentabilidade ou retorno sobre o patrimônio líquido. Ele é calculado pela relação entre o patrimônio líquido de cada empresa, que corresponde ao seu tamanho, desconsiderando os passivos e os resultados líquidos.

Neste quesito, dado em porcentagem, a campeã foi a Nardini, com 64,6%. Um ano antes, o indicador foi 32,6%, de modo que houve um avanço de 32 pontos percentuais. Na sequência, a Santa Fé obteve 63,9%, incremento de 30,8 pontos ante 2021/22.

Já três empresas contabilizaram valores negativos, distorcendo o indicador. No caso da Clealco e da Uisa, isso ocorreu porque elas apresentaram um patrimônio líquido negativo, o que ocorre quando os valores das obrigações superam a soma de todos os ativos de uma empresa. Já a Tereos teve um prejuízo líquido.

indicadores rentabilidade 091123

Por sua vez, a Alcoolvale foi a companhia com o menor desempenho positivo, com 2,3%. No total, duas empresas contabilizaram mais de 40%; 12 ficaram entre 20% e 40%; 15 registraram de 10% a 20%; cinco contabilizaram entre 0% e 10%; e três tiveram resultados negativos.

Liquidez

A liquidez corrente é um dos indicadores utilizados para a análise de crédito das usinas, pois mede o risco das empresas. O número, dado em pontos, é calculado pela relação entre o ativo circulante (recursos que podem ser convertidos em finanças no curto prazo) e o passivo circulante (contas que precisam ser pagas nos próximos 12 meses).

Assim, o indicador procura traduzir numericamente a saúde financeira das companhias, correspondendo à capacidade delas em arcar com suas obrigações financeiras. Ou seja, quanto mais elevado, mais favorável é o resultado.

Ao final da safra 2022/23, a Ipojuca teve o desempenho mais alto neste quesito, com 6,54 pontos. Ela foi seguida pela Santa Lúcia, que ocupava a liderança na safra anterior, com 3,92 pontos. No total, 12 sucroenergéticas tiveram resultados superiores a 2 pontos, indicando que têm capital para pagar mais do que o dobro de suas contas.

indicadores liquidez 101123

Em contrapartida, oito empresas encerraram a temporada passada com uma liquidez corrente inferior a 1 ponto, o que significa que elas tinham mais contas a pagar do que dinheiro disponível em caixa. São elas: Coruripe (0,97 ponto), Furlan (0,82 ponto), Viterra Bioenergia (0,79 ponto), Nardini Agroindustrial (0,74 ponto), Da Mata (0,72 ponto), São Domingos (0,7 ponto), Alcoolvale (0,54 ponto) e Clealco (0,3 ponto).

Outro indicador que permite medir a saúde financeira de uma empresa é o grau de endividamento, dado pelo cálculo de quanto as dívidas pesam no patrimônio. Nele, é feita a relação entre o passivo total – de curto, médio e longo prazos – e o total dos ativos.

Novamente, a Ipojuca teve o resultado mais favorável, com 22,3%. Em seguida, vieram a Santa Lúcia, com 27,4%, e a Balbo, com 29%. Estas foram as únicas companhias com resultados inferiores a 30%.

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Dentre as 38 sucroenergéticas do levantamento, cinco registraram até 50%; 20 contabilizaram entre 50% e 75%; e 11 obtiveram entre 75% e 100%. Além disso, duas empresas ultrapassaram 100%: a Clealco, com 153,6%, e a Uisa, com 163,2%.

Dívidas

A alavancagem é um indicador que mede o risco das operações de uma companhia no comparativo entre a dívida líquida e o patrimônio líquido. Neste caso, um valor elevado pode não ser recomendado, mas ele não necessariamente significa um desempenho ruim – afinal, se o potencial de ganho com os investimentos compensar os altos débitos, isso pode não ser um problema.

Entre as 27 empresas que divulgaram a posição de sua dívida líquida ao final do ano fiscal, a menor alavancagem foi a da Balbo, com 0,09 vez. Já a maior foi a da Bioenergética Aroeira, com 4,51 vezes. Além disso, a Uisa e a Clealco tiveram o resultado distorcido devido ao seu patrimônio líquido negativo.

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No total, 14 sucroenergéticas tiveram índice abaixo de 1 vez; oito registraram valores entre 1 e 2 vezes; e três contabilizaram mais que 2 vezes.

Já no comparativo entre a dívida líquida e a moagem, demonstrando o peso das dívidas frente ao desempenho dos canaviais, a Balbo segue com o melhor resultado, com R$ 23,66/t. Ela também foi a única companhia do levantamento a ficar abaixo de R$ 100/t.

Dentro da amostra, 16 empresas contabilizaram dívidas entre R$ 100/t e R$ 200/t; outras sete registraram de R$ 200/t a R$ 300/t. Além disso, três ultrapassaram R$ 300/t: Cerradinho (R$ 308,06/t), Cerradão (R$ 360,37/t) e Clealco (R$ 395,09/t).

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Quando colocada em relação ao Ebitda ajustado, a posição da dívida líquida é confrontada com a capacidade da empresa em gerar caixa em uma única safra. Neste caso, apenas 21 sucroenergéticas da amostragem divulgaram ambos os números.

Dentre elas, o menor resultado – mais uma vez – foi o da Balbo, com 0,17 vez. Além dela, outras sete empresas registraram valores abaixo de 1 vez.

Na sequência, 11 empresas contabilizaram um resultado entre 1 e 2 vezes, enquanto duas superaram 2 vezes. Foram elas: Coruripe (2,19 vezes) e Tereos (2,51 vezes).

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Juros, impostos, câmbio e gastos administrativos

Obviamente, as sucroenergéticas possuem outros gastos, além dos diretamente relacionados à produção de açúcar, etanol e energia elétrica. As despesas financeiras, por exemplo, são compostas pelo pagamento de juros e outros custos relacionados.

Neste caso, a Santa Lúcia apresentou o número mais favorável da amostra pelo terceiro ano consecutivo. Os gastos financeiros representaram R$ 1,16/t em 2022/23, queda de 16,8% na comparação anual.

Ela foi seguida pela Ipojuca, com R$ 2,28/t, variação anual negativa de 20,2%. As duas foram as únicas empresas da amostra com valores abaixo de R$ 15/t.

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Já a Uisa teve o desempenho mais elevado neste indicador. Em 2022/23, a companhia gastou R$ 134,10/t, um aumento anual de 64,6% no comparativo com o ciclo anterior. Além dela, outras quatro empresas superaram R$ 100/t: Cerradinho (R$ 101,17/t), Cocal (R$ 106,62/t), Bevap (R$ 113,64/t) e Coruripe (R$ 120,18/t).

Por sua vez, o resultado financeiro considera estas despesas, mas também as receitas que podem vir de juros recebidos, restituições de impostos, correções monetárias e desempenho de derivativos, além de derivativos e o impacto da variação cambial.

Neste quesito, apenas três companhias registraram um resultado financeiro positivo: Ipojuca, Viterra Bioenergia e Santa Lúcia. No comparativo com a moagem, os valores contabilizados são, respectivamente, de R$ 42,27/t, R$ 15,93/t e R$ 14,98/t.

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As outras 30 companhias que apresentaram números de moagem tiveram dados negativos entre R$ 5,29/t (Balbo) e R$ 93,96/t (Uisa).

Outros valores que podem ser observados em relação à moagem são os gastos administrativos, uma vez que estes custos mostram o peso da estrutura das empresas.

Para a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), o valor de 2022/23 equivale a R$ 6,92/t, queda de 5,1% na comparação anual. Em contrapartida, para a Ipojuca, o montante representa R$ 76,74/t, com elevação de 3,4% em relação à safra anterior.

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Considerando as 33 empresas que divulgaram dados de moagem referentes à safra passada, dez contabilizaram menos que R$ 10/t; 17 ficaram no intervalo entre R$ 10/t e R$ 20/t; e seis ultrapassaram gastos de R$ 20/t.

NovaCana DATA

Renata Bossle – NovaCana

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