Ranking apresenta a relação dos produtores que registraram os maiores prejuízos com a venda de etanol, açúcar e bioeletricidade
Aumentou o número de empresas do setor, entre as maiores, que registraram prejuízo em seus balanços no último ano. Entre as 88 empresas do ramo classificadas no grupo das maiores companhias em faturamento do país, 37 delas tiveram prejuízo em 2015. No ano anterior, eram 25 empresas em um universo de 81 sucroalcooleiras.
Na soma geral, as 37 empresas do setor que ficaram no vermelho somaram perdas de US$ 1,950 bilhão no ano passado. As perdas atingiram alguns grupos de forma muito mais intensa que outros. Dentro dessas 37, sete são responsáveis por 85% do total do prejuízo do setor no período.
Veja também:
- Evolução do prejuízo total do setor
- Prejuízo médio por empresa desde 2009
- Ranking das empresas com os maiores prejuízos do setor
- O prejuízo de cada uma das empresas listadas
- Histórico de perdas das empresas mais deficitárias
Aumentou o número de empresas do setor, entre as maiores, que registraram prejuízo em seus balanços no último ano. Entre as 88 empresas do ramo classificadas no grupo das 1.000 maiores companhias em faturamento do país, 37 delas tiveram prejuízo em 2015. No ano anterior, eram 25 empresas em um universo de 81 sucroalcooleiras.
O recorte foi realizado pelo NovaCana, com base no levantamento da Revista Exame e da Fundação Instituto de Pesquisas Contáveis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi). A pesquisa também comtempla os dados de outras 51 empresas do setor de açúcar e álcool, 46 que obtiveram lucro em 2015 e cinco que não informaram o seu resultado líquido no exercício.

Na soma geral, as 37 empresas do setor que ficaram no vermelho somaram perdas de US$ 1,950 bilhão no ano passado. A análise do resultado operacional desse grupo de empresas revela uma piora na performance financeira do setor. O prejuízo total foi 79% maior do que em 2014, quando a perda registrada foi de US$ 1,085 bilhão.

No entanto, como o total de usinas que entram entre as maiores do país varia de ano a ano, é possível ter uma ideia mais clara da piora do cenário para as empresas mais fragilizadas com a média de prejuízo por usina.
Entre as 37 com resultado negativo, a média das perdas ficou em US$ 52,71 milhões, frente aos U$ 43,43 milhões de 2014.

A crise deste grupo de usinas está provocando perdas mais intensas para determinados grupos. Em 2014, o número das companhias que tinham prejuízos acima de US$ 100 milhões era bem menor (quatro, conforme divulgado no ano passado).
Já em 2015, foram sete empresas que apresentaram perdas acima dessa linha de corte. As representantes do setor nessas condições são: duas empresas do grupo Virgolino de Oliveira (GVO), a Petrobras Biocombustíveis (PBio), a Renuka, a Brenco (Odebrecht Agroindustrial), a Tonon e a Biosev. O grupo formado por estas companhias representa 77% do total perdido pelo setor no ano passado, em um total de US$ 1,5 bilhão em prejuízos, resultando em uma média de perdas de US$ 214,75 milhões.
No cálculo acima, ainda não foram consideradas todas as companhias do grupo Odebrecht Agroindustrial listadas no levantamento, apenas a Brenco. Quando se reúne o prejuízo das cinco empresas do grupo que perderam dinheiro em 2015, esse grupo de frente passa a ser responsável por 85% das perdas, com um total de US$ 1,660 bilhão e um prejuízo médio de US$ 237,24 milhões.

Os gráficos e tabelas interativas para uma análise mais completa podem ser acessados na plataforma NovaCana DATA.
Grupo Virgolino de Oliveira (GVO)
O ranking de prejuízos de 2015 foi liderado pela Virgolino de Oliveira, pertencente ao grupo de mesmo nome. Devido à metodologia da pesquisa, a companhia também aparece na sexta posição com a Açucareira Virgolino de Oliveira. As empresas do grupo controlam quatro usinas no estado de São Paulo: Bonifácio, Itapira e Monções e Catanduva.

As perdas combinadas da dupla Virgolino de Oliveira e Açucareira Virgolino de Oliveira cresceram de forma astronômica, passando de US$ 20,1 milhões para US$ 579 milhões.
Um dado que chama a atenção das empresas do grupo, em já conhecida dificuldade financeira, são as taxas de endividamento, de 255,3% e 103% para Virgolino de Oliveira e Açucareira Virgolino de Oliveira, respectivamente.
Para piorar, entre os fatores da continuidade da má performance está a queda de mais de 40% nas vendas em cada uma das empresas. Além das retrações de 358% e 117% nas margens de venda da primeira e sexta colocadas.
Petrobras Biocombustíveis
A Petrobras Biocombustíveis (PBio) permanece na segunda posição na relação dos maiores prejuízos em 2015. Com perda de mais de US$ 282 milhões, os prejuízos da estatal cresceram cerca de 64% na comparação com 2014. O aumento do rombo não é uma surpresa. No último resultado da companhia, a estatal apresentou o pior resultado da sua história.

Nem mesmo o aumento de 13,4% das vendas da companhia foram suficientes para reverter a contração da lucratividade da PBio, que ainda viu no período sua margem de vendas encolher 137%.
Renuka do Brasil
Em terceiro lugar, está a Renuka do Brasil, empresa controlada pela indiana Shree Renuka Sugars. A empresa, que se encontra em processo de recuperação judicial, registrou um prejuízo líquido ajustado em 2015 de US$ 194 milhões. O número representa um crescimento de 55% em relação ao déficit de 2014.

Brenco (ODB Agro)
Sozinhas, as usinas da antiga Brenco, agora Odebrecth Agroindustrial, deram prejuízo de US$ 163 milhões para o grupo e figuram no quarto lugar das maiores perdas.
Mas a situação da ODB Agro está longe de ser simples. Se a metodologia reunisse os resultados de todas as subsidiárias do grupo, a ODB seria a segunda colocada no ranking de maiores prejuízos.

Das seis empresas pertencentes ao grupo entre as maiores do setor, cinco delas registraram perdas. Além da Brenco, figuram na lista a Usina Conquista do Pontal, a Rio Claro, a Agroenergia Santa Luzia e a Destilaria Alcídia. A única que apresentou resultado positivo foi a Usina Eldorado, com lucro de US$ 28,1 milhões. Já o prejuízo das demais chega a US$ 321,3 milhões.

Tonon
Com duas usinas em São Paulo e uma no Mato Grosso do Sul, a quinta colocada foi a Tonon, na mesma posição ocupada no ano passado. No entanto, o cenário amargado pela companhia, em recuperação judicial desde dezembro do ano passado, é ainda pior. Com crescimento de mais de 70% nas suas perdas, o prejuízo da empresa passou de US$ 45 milhões em 2014 para US$ 156 milhões no ano passado.

Para uma análise completa de todas as companhias listadas, acesse o NovaCana DATA.
Metodologia
A metodologia empregada na pesquisa realizada pela Exame e Fipecafi contabiliza os resultados financeiros disponibilizados até 15 de maio de 2016, em geral. Além disso, os valores mencionados não refletem o ano fiscal das companhias, mas sim o ano civil de 2015.
Com isso, o recorte do método acaba desconsiderando o período de safra e deixa de lado o último trimestre das sucroenergéticas. As empresas habitualmente começam a publicar o resultado integral do exercício, encerrado em 31 de março, a partir de junho.
Outro ponto, é que o procedimento não agrupa balanços de um mesmo grupo. Um dos problemas gerados é a presença múltipla de empresas de grande porte. Isso acontece pela existência de CNPJs diferentes ou pela divulgação desagrupada dos balanços financeiros, como acontece com a Odebrecht Agroindustrial.
Adicionalmente, foram consideradas as empresas de porte significativo e bem conhecidas no mercado que preferem não divulgar seus números. Nesse caso, os analistas estimaram o faturamento.
Mesmo para as companhias que tem o real como moeda funcional, todos os indicadores são expressos em dólares de dezembro de 2015. O câmbio deste período também reflete em alterações sobre os dados de anos anteriores.
Marina Gallucci – NovaCana