Por mais um ano, a crise impactou o balanço das principais sucroalcooleiras do Brasil e a cor vermelha marcou sua presença com força. Entre as 81 empresas do ramo com o maior faturamento do mercado, 25 delas tiveram prejuízo em 2014
Por mais um ano, a crise impactou o balanço das principais sucroalcooleiras do Brasil e a cor vermelha marcou sua presença com força. Entre as 81 empresas do ramo com o maior faturamento do mercado, 25 delas tiveram prejuízo em 2014. O resultado, entretanto, representa uma melhora sutil em relação ao ranking de 2013, quando, entre 73 empresas, 31 encerraram com prejuízo.
Esse recorte feito pelo NovaCana contempla também os dados de outras 56 empresas do setor de açúcar e etanol, 50 das quais tiveram lucro em 2014 e seis não informaram o resultado líquido.
No cômputo geral, as 25 empresas que ficaram no vermelho apresentaram perdas que somam US$ 1,268 bilhão.
A análise do resultado operacional desse grupo de empresas do setor mostra que a perda continuou significativa, mas houve uma melhora na performance financeira: no ano de 2013, os prejuízos alcançaram de US$ 1,76 bilhão – 38% mais do que em 2014 (veja os gráficos abaixo com o histórico das perdas das empresas desde 2009).
As empresas que operaram no vermelho tiveram ainda uma média de perdas maior, US$ 50,7 milhões em 2014 contra US$ 48,4 milhões no ano anterior.
Mas é importante observar que entre as usinas deficitárias há um abismo entre o pelotão de frente e o traseiro. Veja os detalhes a seguir.
E ainda:
- O prejuízo de cada uma das empresas listadas
- Prejuízo médio por empresa desde 2009
- A realidade operacional das companhias que registraram as maiores perdas
- Histórico de perdas das empresas deficitárias
- Planilha interativa com opções avançadas de filtro e navegação por todos os 26 indicadores financeiros de cada usina ou empresa
Por mais um ano, a crise impactou o balanço das principais sucroalcooleiras do Brasil e a cor vermelha marcou sua presença com força. Entre as 81 empresas do ramo classificadas no grupo dos 1000 maiores faturamentos do país, 25 delas tiveram prejuízo em 2014. O resultado, entretanto, representa uma melhora sutil em relação ao ranking de 2013, no qual havia 73 empresas, sendo que 31 delas encerraram com prejuízo.
Esse recorte feito pelo NovaCana, com base no levantamento da Revista Exame e da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), contempla também os dados de outras 56 empresas do setor de açúcar e etanol, 50 das quais tiveram lucro em 2014 e seis que não informaram o resultado líquido.
No cômputo geral, as 25 empresas que ficaram no vermelho apresentaram perdas que somam US$ 1,268 bilhão.

A análise do resultado operacional desse grupo de empresas do setor mostra que a perda continuou significativa, mas houve uma melhora na performance financeira: no ano de 2013, os prejuízos alcançaram de US$ 1,76 bilhão – 38% mais do que em 2014 (veja os gráficos abaixo com o histórico das perdas das empresas desde 2009).
Já em 2012, a listagem incluiu 18 empresas com prejuízo que, agrupadas, tiveram perdas de aproximadamente US$ 860 milhões.
Em 2014, a média de perdas das 25 empresas com resultado negativo ficou em US$ 50,7 milhões, contra US$ 48,4 milhões no ano anterior.

Mas há um abismo entre o pelotão de frente e o traseiro.
No caso das cinco primeiras empresas do grupo que ficaram no vermelho – Biosev, Petrobras Biocombustíveis (PBio), Biosev Bionergia, Renuka e Tonon –, excetuada esta última, as quatro primeiras tiveram prejuízo acima de US$ 100 milhões e a média de perdas atingiu US$ 180 milhões.
Já para as últimas cinco companhias da lista que tiveram prejuízo – Usina São Domingos, Usina Jacarezinho, Usina Boa Vista, Coopersucar-Cooperativa e Usina Olho D´água – a média foi de apenas US$ 1,7 milhão.

Seis empresas – Usina Bela Vista, Usina Bazan, Agroindustrial Santa Juliana (Bunge), Grupo Colombo e Pedro Afonso Açúcar e Bioenergia (Bunge) – não informaram o resultado em algum dos últimos dois anos, ou em ambos, o que impossibilitou o cálculo da variação de lucros no período.
Estima-se que o setor como um todo movimente a cada safra entre US$ 40 e US$ 50 bilhões e aproximadamente metade do faturamento anual está na mão destas usinas e grupos classificados entre as 1000 maiores companhias do país.
A listagem completa com opções avançadas de filtro e navegação por todos os 26 indicadores financeiros de cada usina ou empresa pode ser acessado na plataforma de dados.
Biosev
O ranking de prejuízos de 2014 foi encabeçado pela Biosev, que devido à metodologia da pesquisa, aparece também na terceira colocação com a sua subsidiária Biosev Bioenergia. As empresas do grupo, pertencentes ao gigante francês Louis Dreyfuss Commodities, controlam conjuntamente 11 usinas.
Além de ter registrado um encolhimento de 7% em suas receitas na comparação de 2014 com 2013, as perdas combinadas da dupla Biosev e Biosev Bionergia, aumentaram quase 90%, passando de US$ 332 milhões para US$ 626 milhões.

A margem de vendas da Biosev, que detém 12 unidades produtivas, é um dos fatores da continuidade da má performance. A companhia apresentou uma retração de quase 85% em sua margem de vendas. Vista separadamente, a unidade Biosev Bionergia, responsável por cinco usinas do polo industrial de Ribeirão Preto, teve a margem de vendas reduzida em cerca de 15%.
Apesar disso, a agência de classificação de risco Fitch publicou em junho um relatório em que aponta que a estratégia da empresa de armazenar produto de olho na entressafa está ajudando a melhorar sua perfomance.
Essa é uma das razões pelas quais a Biosev ficou na segunda posição, com nota ‘BB-‘, entre seis companhias do setor avaliadas pela agência, atrás apenas da Raízen.
Petrobras Biocombustíveis
´Espremida´ entre as subsidiárias da Biosev, a Petrobras Biocombustíveis (PBio) ocupa a segunda posição na relação dos maiores prejuízos, com perda de US$ 119,3 milhões. Mesmo assim, a operação de biocombustíveis da estatal obteve uma recuperação na comparação com 2013, quando atingiu perdas de US$ 143,5 milhões.

Um fator que ajuda a entender a contração da lucratividade da PBio é a queda de quase 30% das vendas. Aliado a isso, a margem de vendas da companhia encolheu 85%.
Sócia da Guarani, Bambuí e Nova Fronteira, através das quais tem participação em nove usinas brasileiras – além de atuar na produção de biodiesel – a subsidiária de biocombustíveis da Petrobras pode estar a caminho da extinção.
Renuka do Brasil
Em quatro lugar, a Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars pelo grupo brasileiro Equipav, teve prejuízo de US$ 101 milhões. Nas últimas cinco safras, a empresa, que possui duas usinas em São Paulo, acumulou perdas de R$ 1,6 bilhão.

Tonon
Com duas usinas em São Paulo e uma no Mato Grosso do Sul, a quinta colocada foi a Tonon, que se encontrava até há pouco em situação próxima da insolvência, mas conseguiu um fôlego com a reestruturação de suas dívidas. A Tonon amargou uma retração de US$ 53,2 milhões em 2014. A reestruturação de dívidas permitiu que a Tonon recuperasse o rating de credito, abrindo caminho para um temporada menos conturbada.

Metodologia
Considerando que a metodologia empregada na pesquisa realizada pela Exame e Fipecafi, contabiliza os resultados financeiros disponibilizados até maio de 2015, em geral, os valores mencionados não refletem o ano fiscal das companhias, mas sim o ano civil de 2014.
Mesmo para as companhias que tem o real como moeda funcional, todos os indicadores são expressos em dólares de abril de 2015, quando a média do câmbio pago pela moeda norte-americana foi de R$ 3,04. O câmbio deste período também reflete em alterações sobre os dados de anos anteriores.
Felipe Vanini Bruning – NovaCana