Número de empresas no negativo diminuiu, mas prejuízo médio por companhia alcançou valor recorde
O discurso de que o setor sucroenergético está em recuperação começou a ganhar corpo com a consolidação dos resultados financeiros das companhias em 2016. Contudo, embora o número de empresas contabilizando mais um ano de resultados negativos tenha caído, o valor médio dos prejuízos registrados bateu um recorde em relação aos últimos oito anos. Ou seja, as que não conseguiram sair do vermelho, se afundaram mais.
O valor foi calculado com base nas 89 empresas do setor com os maiores faturamentos do país. Dessas recordistas em receita, 24 fecharam o ano com as contas no vermelho – contra 37 em 2015.
Por mais que o número de empresas no vermelho em 2016 tenha sido menor do que o do ano anterior, a diminuição no valor negativo total não foi tão acentuada. Assim, a média por companhia aumentou, demonstrando que algumas das maiores empresas do setor continuam ampliando suas dificuldades.
Individualmente, os prejuízos no ano passado variaram entre US$ 600 mil e US$ 311,2 milhões. Ainda assim, o menor número de empresas nessas condições e, consequentemente, no valor negativo acumulado, demonstra que 2016 teve um resultado mais positivo que 2015, com menos perdas entre as maiores do setor.
Leia mais:
- Evolução do prejuízo total do setor
- Prejuízo médio por empresa desde 2009
- Ranking das empresas com os maiores prejuízos do setor
- O prejuízo de cada uma das empresas listadas
- Histórico de perdas das empresas mais deficitárias
O discurso de que o setor sucroenergético está em recuperação começou a ganhar corpo com os resultados financeiros das companhias em 2016. Contudo, embora o número de empresas contabilizando mais um ano de resultados negativos tenha caído, o valor médio dos prejuízos registrados bateu um recorde em relação aos últimos oito anos, alcançando US$ 70,4 milhões por empresa. Ou seja, as que não conseguiram sair do vermelho, se afundaram mais.
O número foi calculado com base nas 89 empresas do setor que aparecem no ranking das 1.000 maiores em faturamento no país, conforme publicação da Revista Exame. Dessas, 24 fecharam o ano com as contas no vermelho – contra 37 em 2015.
O ranking, feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), traz informações sobre as principais companhias do país. Após o recorte realizado pelo NovaCana, é possível dividir as 89 empresas sucroenergéticas que aparecem na lista em: 24 que tiveram prejuízo, 59 que tiveram lucro e seis não tiveram seu resultado líquido referente a 2016 divulgado.

Prejuízo concentrado
Por mais que o número de empresas no vermelho em 2016 tenha sido menor do que o do ano anterior, a diminuição no valor negativo total não foi tão acentuada. Assim, a média por companhia aumentou, demonstrando que algumas das maiores empresas do setor continuam ampliando suas dificuldades.
Em 2016, essas 24 companhias acumularam um prejuízo de US$ 1,69 bilhão, o que representa uma diminuição de 13% em relação ao total do ano anterior (US$ 1,95 bilhão). Entretanto, o valor médio do prejuízo das empresas foi de US$ 70,4 milhões – um aumento de 33% em relação a 2015, quando a média foi de US$ 52,71 milhões, e de 65% em relação à média dos últimos oito anos.
O valor médio de 2016 – o maior registrado no período – é um demonstrativo da piora gradativa do cenário do setor ano a ano.

Individualmente, os prejuízos no ano passado variaram entre US$ 600 mil e US$ 311,2 milhões. Ainda assim, o menor número de empresas nessas condições e, consequentemente, no valor negativo acumulado, demonstra que 2016 teve um resultado mais positivo que 2015, com menos perdas entre as maiores do setor.

Além disso, o número de grupos que tiveram prejuízos acima de US$ 100 milhões também diminuiu em relação ao ano anterior. Mas a redução foi pequena: seis empresas em 2016 contra sete em 2015.
Em 2016, a Tonon, a Petrobras Biocombustível (PBio), duas empresas do grupo Virgolino de Oliveira (GVO) e duas unidades da Odebrecht Agroindustrial tiveram perdas com valores acima de US$ 100 milhões. A quantia acumulada desses prejuízos é de 1,276 bilhões, que corresponde a 75% do valor total e corresponde a uma média de US$ 212,66 milhões para cada.

Esse recorte traz uma pequena melhora em relação a 2015, quando o valor acumulado foi de US$ 1,5 bilhão, representando 77% do prejuízo total e resultando em uma média de perdas de US$ 214,75 milhões por companhia.
O ranking apresenta os resultados do setor sucroenergético por empresas, desconsiderando os valores acumulados de um mesmo grupo. Se reunidas, as cinco unidades da Odebrecht Agroindustrial acumularam US$ 326,5 milhões em prejuízos, enquanto quatro unidades do grupo Virgolino de Oliveira (GVO) acumularam perdas de US$ 481 milhões.

Grupo Virgolino de Oliveira (GVO)
O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), líder em prejuízos de 2015, repetiu a posição com perdas combinadas que acumulam US$ 481 milhões, o equivalente a 28% do valor do prejuízo total das maiores empresas do setor.

Em relação ao prejuízo de US$ 579 milhões em 2015, o novo valor é 16% menor, graças ao crescimento no resultado das vendas líquidas ter sido positivo para a Agropecuária Terras Novas (47,6%), a Agropecuária Nossa Senhora do Carmo (32,1%) e a Açucareira Virgolino de Oliveira (14,3%).
Individualmente, as empresas do GVO aparecem no ranking de prejuízos em terceira (Virgolino de Oliveira), quarta (Agropecuária Nossa Senhora do Carmo), nona (Açucareira Virgolino de Oliveira) e na décima primeira posição (Agropecuária Terras Novas).
A Virgolino de Oliveira, que aparece em terceiro lugar do ranking por empresa, teve um prejuízo de US$ 218,1 milhões em 2016, uma melhora de 48% em relação ao ano anterior (US$ 425,4 milhões). Nesse caso, houve uma desaceleração na queda do resultado líquido com vendas, com uma diminuição de 10,6% em 2016 ante o declínio de 44,5% em 2015.

Já a Agropecuária Nossa Senhora do Carmo ficou em quarto lugar em 2016 com US$ 185,6 milhões negativos. Seu último registro de lucro líquido foi em 2014, com R$ 2,2 milhões. Além disso, a companhia fechou 2016 com 655% de endividamento geral (calculado pela divisão passivo total pelos ativos totais), um valor recorde para a empresa.
Odebrecht Agroindustrial
Por sua vez, as perdas combinadas da Odebrecht Agroindustrial colocam o grupo no segundo pior lugar do ranking, logo atrás da GVO. Somados, os prejuízos de Brenco, Conquista do Portal, Usina Eldorado, Agro Energia Santa Luzia e Usina Rio Claro chegaram a US$ 326,5 milhões em 2016. Embora os resultados dessas empresas com vendas tenham apresentado crescimento, os lucros líquidos continuam no negativo.

Com uma pequena melhora nos valores e, consequentemente, uma subida de posição, as usinas da antiga Brenco, até então Odebrecht Agroindustrial – e, agora, Atvos –, ficaram no quinto lugar negativo de 2016, com US$160,6 milhões de prejuízo contra US$ 163,9 milhões no ano anterior.
Sozinha, a Brenco teve um crescimento com vendas líquidas de 45,5% em relação a 2015, com US$ 541 milhões. Porém, a empresa registrou um endividamento de 124%, o que faz com que seu prejuízo seja o quinto mais alto do ano no ranking por companhias.

Grupo Tonon
O terceiro lugar do ranking acumulado de prejuízos de 2016 – e o primeiro no ranking individual – foi ocupado pelo Grupo Tonon, com US$ 311,2 milhões negativos. Com duas usinas em São Paulo e uma no Mato Grosso do Sul à época, a Tonon estava na 5ª posição entre os grupos no ranking do ano anterior, com um resultado líquido negativo em US$ 156 milhões.
Esse valor foi mais uma demonstração da situação da empresa nos últimos anos. A Tonon vem tendo aumentos gradativos no seu prejuízo desde 2014 e entrou em recuperação judicial em dezembro do ano seguinte.

Em 2016, a empresa também teve o oitavo menor índice de crescimento de vendas, com um resultado negativo de 3,3%. Esse também é o valor mais baixo desde que os resultados da companhia começaram a ser divulgados pela Exame, em 2012.
O acúmulo de perdas e dívidas, além de gerarem dificuldades no processo de recuperação judicial, levaram à venda das duas usinas do grupo localizadas em São Paulo. A aquisição foi feita pela Raízen, empresa que ficou em primeiro lugar em lucratividade no mesmo ranking.
Petrobras Biocombustíveis
A quarta colocada no ranking de prejuízos foi a Petrobras Biocombustíveis (PBio). Fechando 2016 com o valor negativo de US$ 287,2 milhões – 1,5% superior ao do ano anterior (US$ 282,8 milhões) –, a empresa atingiu um valor recorde de perdas.

O cenário de prejuízos da PBio vem se repetindo desde a entrada da empresa no setor e, em 2016, sua rentabilidade do patrimônio foi a segunda menor desde 2010, com -69,3%. Apesar de ser uma melhora em relação a 2015 (quanto o índice alcançou -105,6%), o valor ainda é preocupante.
Para tentar evitar mais prejuízos com biocombustíveis, a Petrobras optou por encerrar suas atividades de produção de etanol e biodiesel e já iniciou a venda dos ativos da PBio. Atualmente, a única usina de etanol que segue com a companhia é a Bambuí Energia, joint-venture com a Turdus Participações.
Metodologia
A lista de Maiores e Melhores da Exame 2016 é o resultado da avaliação dos dados de mais de três mil empresas com a coordenação da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi). O resultado são as mil maiores companhias do ano, utilizando as vendas líquidas como critério de classificação, de acordo com os resultados financeiros publicados no Diário Oficial dos estados até o dia 15 de maio de 2017.
Todos os dados publicados são ajustados, ou seja, a inflação é levada em consideração, assim como os valores são divulgados em dólares, de acordo com a flutuação e o câmbio do último dia do ano analisado. Dessa forma, nenhuma empresa é prejudicada ou beneficiada pelo dia do fechamento de cada balanço, além de deixar a comparação com o ano anterior o mais precisa possível.
Para o setor sucroenergético, a metodologia escolhida é problemática, pois considera o ano civil de 2016 e não o ano fiscal das companhias, que envolve a safra inteira – deixando de fora, assim, o último trimestre da safra, já que seus resultados começam a ser divulgados em junho do ano seguinte. Dessa forma, os números divulgados no ranking não necessariamente correspondem à situação da companhia em uma safra completa.
Além disso, o ranking não agrupa o balanço dos mesmos grupos, permitindo essa separação entre as unidades do Grupo Virgolino de Oliveira e da Odebrecht Agroindustrial, por exemplo. Quanto às empresas de porte significativo que são bem conhecidas no mercado, mas preferem não divulgar seus números, os analistas da revista estimam seu faturamento para não as deixar de fora da lista.
NovaCana DATA
Rafaella Coury – NovaCana