Esta diferença está longe de ser a mais elástica em relação as safras passadas, de acordo com os levantamentos realizados pelo NovaCana nos últimos cinco anos. Na última temporada (2016/17), quando foram realizadas as primeiras apostas a distância entre a estimativa mais alta e a mais baixa era de 64 milhões de toneladas.
De acordo com os números da União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica), as unidades produtoras da região Centro-Sul terminaram 2016/17 moendo o equivalente a 607,14 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Dessa maneira, a diferença entre a maior e menor estimativa para safra 2017/18 pode representar desde uma queda na moagem de mais de 5%, até um crescimento modesto na produção, de um pouco mais de 2% em relação à 2016/17.
E, apesar de sempre existirem diferenças entre as previsões das consultorias, as discordâncias sobre o que pode influenciar a atual temporada se intensificaram com a última entressafra.
Confira a seguir as estimativas das consultorias desde o último levantamento do NovaCana: três consultorias reduziram suas apostas, duas mantiveram e duas aumentaram. Além disso, três novas instituições tiveram suas previsões incluídas na listagem. Ao todo o NovaCana apresenta novos gráficos e tabelas comparativas com 15 diferentes consultorias e instituições e quase uma dezena de previsões para a safra.
O sentimento, no entanto, não é unanimidade, ainda que os discordantes representem uma minoria. A falta de consenso é expressa por 45 milhões de cana moída – a diferença entre o pior e o melhor cenário nas estimativas para a atual safra de 15 instituições e empresas especializadas do setor.
O número está longe de representar o cenário mais elástico, de acordo com os levantamentos realizados pelo NovaCana nas últimas safras. Na última temporada (2016/17), quando foram realizadas as primeiras apostas, a distância entre a estimativa mais alta e a mais baixa era de 64 milhões de toneladas.

De acordo com os números da União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica), as unidades produtoras da região Centro-Sul terminaram 2016/17 moendo o equivalente a 607,14 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Dessa maneira, a diferença entre a maior e menor estimativa para safra 2017/18 pode representar desde uma queda na moagem de mais de 5% até um crescimento modesto na produção, de um pouco mais de 2% em relação à 2016/17.
E, apesar de sempre existirem diferenças entre as previsões das consultorias, as discordâncias sobre o que pode influenciar a atual temporada se intensificaram com a última entressafra.

Previsão de moagem
Em uma comparação com o levantamento realizado pelo NovaCana no começo de fevereiro, três consultorias reduziram suas apostas, duas mantiveram e duas aumentaram. Além disso, três novas instituições, Louis Dreyfus, Job Consultoria e Conab, tiveram suas previsões incluídas na listagem.
Das instituições que reduziram as estimativas, a FCStone e o Banco Pine o fizeram em fevereiro e decidiram manter os números agora em abril. Já a FG/A atualizou este mês suas projeções, passando de 593 para 584,43 milhões de toneladas de cana.
A Datagro manteve seu ponto de vista e reforçou a expectativa de que a região processe 612 milhões de cana durante o mês de março. A Archer Consulting permaneceu com os 586 milhões de toneladas de cana estimados e mudou levemente as expectativas para outros indicadores.
Já a Sucden, embora tenha aumentado sua previsão de moagem, permanece bastante cautelosa em relação à produção do Centro-Sul brasileiro. A estimativa da trader francesa passou de 567 para 581 milhões de toneladas de cana moída.
A Agroconsult também aumentou suas projeções, passando de 604,7 para 620 milhões de toneladas de cana moída em 2017/18 – a maior entre todas as expectativas. Já a menor é do Banco Pine, que prevê que o Centro-Sul esmague 575 milhões de toneladas.
Interessante que, apesar das revisões, a média atualizada das estimativas para a moagem no Centro-Sul pouco mudou, passando de 589,97 milhões para 589,85 milhões de toneladas de cana.

Clima da entressafra
As chuvas que ocorreram no último período de entressafra foram recebidas de maneira diferente pelas instituições que acompanham o andamento do setor. O clima no primeiro trimestre do ano, correspondente aos três meses da entressafra da cultura de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, é importante para o desenvolvimento da cultura. É neste período que se define o potencial da massa de matéria-prima por hectare e a chuva não caiu tanto – na visão de alguns – como era esperado até pouco tempo atrás.
Na análise do Banco Pine, que reduziu suas estimativas, permeia a leitura de que a irregularidade na ocorrência de chuvas durante a entressafra prejudicou o desenvolvimento dos canaviais. O banco destacou que as chuvas de janeiro estiveram dentro da média. No entanto, o índice pluviométrico teria diminuído de intensidade em fevereiro e março (tendência até 26/mar).
Além disso, as chuvas no primeiro mês do ano foram acompanhadas de baixa insolação, como já relatado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) ao NovaCana, o que prejudica o desenvolvimento das raízes da planta. Jáem fevereiro foi o contrário, quase a totalidade de áreas de cana apresentaram altas temperaturas, muita radiação e baixo volume de chuvas. Naquelas regiões onde a retenção do solo não é boa, pode ter havido inclusive déficit pelo baixo índice [pluvial] durante o mês.
No mês março, de acordo com o pesquisador do Programa Cana IAC, Maximiliano Salles Scarpari, o clima não chegou a prejudicar a biomassa. As chuvas, no geral, ficaram abaixo da média histórica do mês nas principais áreas canavieira. “Mas, com relação a temperatura e insolação, não tivemos extremos no período”, pondera.
Nem lá, nem cá
O analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho, pondera que o período da entressafra “não foi excepcionalmente ruim” para o desenvolvimento da cana-de-açúcar. “Longe disso”, exclama. “A grande questão é entramos nessa entressafra após um período de vários anos de uma renovação abaixo da média e, consequente, envelhecimento dos canaviais, além dos problemas climáticos nos últimos anos em várias regiões”, afirma.
2016: Geada e baixas temperaturas
O Banco Pine destacou em seu relatório que, no final do ano passado, as temperaturas foram relativamente baixas e afetaram Paraná, partes do Mato Grosso do Sul e algumas regiões de São Paulo. Até praticamente dezembro, as temperaturas ficaram, em média, abaixo de 20°C nessa importante área produtora de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil.
Citando um estudo da Embrapa, o economista da instituição, Lucas Brunetti, relata que no brotamento e no crescimento vegetativo as temperaturas médias deveriam ficar de 32 a 38°C e de 22 a 30°C, respectivamente. Nesses casos, temperaturas médias abaixo dos 20°C prejudicam e retardam o desenvolvimento. “Ou seja, temos motivos para acreditar que o desenvolvimento dos canaviais foi retardado nessas regiões e que será necessário um período maior até a maturação da planta”, observa.
Ele acrescenta que o efeito da colheita da cana-de-açúcar prematura foi observado na safra passada, quando a moagem de cana com menos de 12 meses resultou em diminuição da produtividade agrícola e industrial.
É nesse cenário, de acordo com ele, que uma precipitação abaixo do normal para a entressafra poderia acarretar em problemas de produtividade. Botelho inclusive explica que essa é uma possibilidade real para algumas áreas canavieiras, onde o calor teria prejudicado a umidade do solo, principalmente em janeiro.
No entanto, ainda segundo o analista, o clima de janeiro a março não é um fator primordial para haver menos cana durante a safra 2017/18. “Mesmo com condições climáticas perfeitas, nós teríamos uma moagem semelhante ou um pouco abaixo da safra passada e esses problemas [como o clima da entressafra] só ajudaram a potencializar um pouco as dificuldades que já existiam”, garante.
“O clima não é o fator mais determinante nessa expectativa de produtividade, embora ela tenha sito um fator relevante”, João Paulo Botelho (FCStone)
Por fim, Botelho também aponta que a previsão dos meteorologistas é que, até o fim de maio o clima seja mais seco e bom para o início da colheita. Esse fator, contudo, pode ser prejudicial para a produtividade no segundo semestre: “Não é suficiente para resolver todos os problemas, mas, se chover nesses meses, a expectativa de moagem pode melhorar um pouco em relação ao que se espera até o momento”.
Otimismo, “pero no mucho”
A Agroconsult não foi a única a aumentar a previsão de estimativa de safra, mas é a consultoria que enxerga o maior potencial de cana moída em 2017/18 para a região Centro-Sul. As estimativas da instituição passaram de 604,7 para 620 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
O sócio analista da Agroconsult, Fabio Meneghin, considera, no entanto, que o número não fornece nenhum otimismo descomunal. “Se consideramos que a safra 2016/17 deva fechar em torno de 605 a 607 milhões de toneladas de cana [a entrevista foi realizada antes da Unica divulgar o resultado da safra justamente em 607 milhões de toneladas], o número projetado representa um crescimento de apenas 2%”.
O analista explica que a visão é de uma safra de certa estabilidade, similar ao que o ciclo 2016/17 deve representar sobre 2015/16 – quando a moagem registrada foi de pouco mais de 617 milhões de toneladas.
Na safra 2015/16, inclusive, a Agroconsult também esteve solitária na estimativa “mais otimista” e era uma das poucas consultorias a apostar em uma moagem superior a 600 milhões de toneladas. A estimativa da consultoria no ciclo em questão foi cravada em 617 milhões de toneladas de cana.
Para a safra atual, Meneghin destaca que as chuvas foram muito boas no período de primavera e verão, referente à entressafra. “Quase nenhuma região registrou déficit significativo de umidade e todas ficaram acima da média”, disse, aludindo ao fator como influente no momento de desenvolvimento fisiológico dos canaviais. “Choveu bem, com algumas janelas de tempo seco, o que permitiu o crescimento maior da cana. A estimativa é que a produtividade deve compensar um pouquinho a queda de área [estimada em torno de 1,5 a 2%]”, complementa.
Ainda segundo ele, o risco de florescimento das plantações, fator que reduz a produtividade, “é bem baixo neste ano”. “Vale registrar ainda que os números deste ano estão fundamentados nas imagens de satélite e dos contatos e o que vemos no mercado”, afirma o analista.
“Várias grandes empresas do setor estão tendo moagem recorde: isso vai de encontro ao que temos visto em termos de produtividade”, Fabio Meneghin (Agroconsult)
Houve, também, na visão do sócio da Agroconsult, melhora no trato das lavouras, com compras recordes de adubo em São Paulo. Mas, apesar disso, a planta que será colhida em 2017/18 tende a ser mais velha, devido à baixa taxa de renovação nas últimas temporadas.
Esse fator também esteve no radar do Banco Pine. Em relação aos indicadores de compra de fertilizantes, a instituição destacou que as entregas dos insumos no 4º trimestre de 2016 foram muito melhores que em 2015, em especial dos nitrogenados. “No entanto, por causa da data da entrega, eles não puderam ser utilizados na renovação dos canaviais, mas nos tratos da cana soca”, destaca a instituição.
Já Meneghin enfatiza que, além das vendas de fertilizantes terem sido muito boas, a aplicação deles no momento correto e, principalmente, a adubação da soqueira, vão ficar disponíveis para a colheita ainda neste ano safra.
Para ele, a safra não será muito diferente da que passou e, com a renovação dos canaviais, o crescimento significativo deve ficar para outra safra. “Em 2016/17 já poderíamos ter uma safra de 620 a 630 [milhões de toneladas de cana], mas o mês de abril acabou sendo muito seco [e por isso as expectativas foram frustradas]. Agora, em 2017/18, a previsão indica meses de abril e maio com algumas chuvas intercaladas, o que justifica nossas projeções de moagem. Caso o clima seja diferente, é possível acontecer uma redução na perspectiva. No entanto, reforço que não será muito diferente, serão três safras seguidas com moagem semelhante”, conclui.

Açúcar em baixa: mix mais flexível
A maximização do açúcar pelas usinas, especialmente após as companhias investirem na capacidade de cristalização para aumentar a produção de açúcar, é dada como praticamente certa pelas principais consultorias. O mix médio passou de 47,3% para 47,46%, após as últimas atualizações.
Com a maior das projeções apostando que as usinas direcionarão 48% da sua matéria-prima para o açúcar, estão FG/A e Job Consultoria. A estimativa da FG/A já era a mais alta entre os indicadores no levantamento anterior realizado pelo NovaCana.
À época, a consultoria fundamentava sua aposta na capacidade do setor, que teria sido otimizada. “Uma das premissas importantes na construção desse número é o dado de expansões de fábricas de açúcar e de destilarias construindo fábricas. Quantificamos um aumento da capacidade por dia e ampliamos para a mensuração anual”, explicou o analista da FG/Agro, João Henrique de Lima Rissi.
Não há consultoria que discorde desse ponto de vista. “O indicativo que continua se destacando como o motivador para a tomada de decisão das usinas são os preços internacionais elevados do açúcar, que tornam o produto mais competitivo em relação ao biocombustível”, assinalou João Botelho, da FCStone.
Indagado sobre as recentes quedas nos preços do açúcar, Botelho salientou que, com as cotações nos patamares atuais, e considerando a relação de valor açúcar-etanol, permanece o indicativo de que a grande maioria das usinas vão procurar maximizar a produção de açúcar. “No entanto, esse número pode mudar muito ao longo da safra, apesar de várias negociações de comercialização já terem sido tomadas”, diz.
De acordo com o analista, se o preço do açúcar continuar a cair e não acontecer uma queda de preço da gasolina, algumas usinas, especialmente aquelas mais distantes dos portos – em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais –, podem acabar produzindo menos açúcar do que poderiam, motivadas pelos preços momentaneamente bons do etanol.

O ponto de vista é semelhante ao do Banco Pine. Segundo a instituição, há uma perspectiva positiva para os preços do etanol, no entanto, a valorização relativa do biocombustível não seria suficiente para alterar o quadro de maximizar a produção de açúcar e estrear os investimentos recentes feitos na expansão fábricas de açúcar.
“O fato é que não estamos mais naquele cenário de meados de 2016, no qual as usinas se esforçavam ao máximo para aproveitar cada gota de sacarose para produzir açúcar, chegando a reduzir voluntariamente a própria moagem de cana para dar tempo para entrar mais produtos nas máquinas de cristalização”, explica o economista do banco, Lucas Brunetti.
Além disso, mesmo com a melhora de preços do açúcar e do etanol na última safra, muitas usinas ainda têm uma situação de endividamento elevado. Nesse cenário, a produção de etanol é favorável para a geração de caixa da usina, já que o pagamento é na entrega do produto, contra o pagamento com prazo para a entrega do açúcar.
“Apesar de mostrarmos pontos favoráveis para o aumento da produção de etanol, eles não modificam o jogo e a safra 2017/18 será açucareira. Nossos pontos apenas ilustram que há motivos para o aumento marginal da produção de etanol, ou seja, em alguns momentos da safra, a produção de açúcar não será maximizada”, argumenta Brunetti.
De acordo com Botelho, a perspectiva até o momento é de preços para o etanol semelhantes aos da última safra. As oscilações dependem tanto do preço do açúcar como do petróleo:
“Se o açúcar subir para os patamares de preço que estamos vendo até o final do ano passado, na casa de cUS$ 18/lb a cUS$ 20/lb na bolsa de Nova York, eu acho o etanol tem um espaço para um aumento, mas pequeno.”
Segundo ele, o aumento não deve ser muito grande considerando a questão da tributação. “Poderíamos ter um aumento no preço do etanol, mas ele seria levado pelo PIS/Confins, então, a rentabilidade das usinas não seria afetada positivamente”, diz, e acrescenta: “Caso o preço do petróleo no exterior volte a cair para um valor abaixo de 50 dólares o barril, acompanhado de uma desvalorização do dólar, a Petrobras poderia reduzir o preço da gasolina e, com isso, o etanol também sofreria”.
No radar: Importação de etanol
Ainda segundo Botelho, da FCStone, outro fator relevante para esse mercado é a importação de etanol anidro dos Estados Unidos. “Como tivemos uma importação muito forte durante a entressafra, isso acabou prejudicando as usinas que estavam armazenando produto para vender nesse período e acredito que isso vai afetar a decisão para esta safra em razão da possibilidade de um novo surto de importação”, afirma.
De acordo com ele, dessa maneira, um número maior de usinas deve restringir a produção de anidro ao necessário para o cumprimento das regulamentações da ANP e a única coisa que poderia mudar isso seria a questão da tributação do etanol importado.
“Nesse caso [de tributação ao etanol importado], as usinas veriam uma possibilidade maior de valorização durante a entressafra e poderiam aumentar um pouco mais a produção de anidro para carregar o produto.”
No momento, o setor aguarda uma decisão governamental a respeito de pleito quanto à taxação das importações de etanol. No entanto, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) tomou, na última semana, uma decisão que já começa a interferir na dinâmica do mercado.
O Ministério de Minas e Energia (MME) aprovou uma nova resolução determinando que os importadores de biocombustíveis deverão atender às mesmas obrigações de manutenção de estoques mínimos e de comprovação de capacidade para atendimento ao mercado exigidas dos produtores de biocombustíveis instalados no País.
Produção de etanol
A FCStone estima que a produção total de etanol na safra 2017/18 será de 24,3 bilhões de litros, 3,1% abaixo do previsto para o ano passado. Com uma nova queda na produção do biocombustível, segundo a instituição, é provável que a participação do hidratado no consumo de combustíveis ciclo Otto volte a cair e que o produto brasileiro continue pouco competitivo em relação ao etanol americano, incentivando o aumento nas importações de anidro.
Na visão da FCStone, a produção prevista de anidro deve ficar em 10,6 bilhões de litros, 1,0% acima do produzido no ano passado, mas 3,7% abaixo da projeção realizada em novembro. Já a produção do hidratado ficaria em 13,7 bilhões de litros, recuo expressivo de 6,6% no comparativo anual, mas 0,4% acima do número estimado em novembro para o ciclo 2017/18.
“Este cenário de queda na produção do bicombustível pode ser alterado de maneira radical ao longo da safra caso haja aumento nos preços do barril de petróleo, o que induziria aumento na gasolina e, assim, maior procura pelo biocombustível nas bombas”, pondera João Paulo Botelho, apesar deste não ser o cenário-base considerado.
No geral, as estimativas de produção de etanol aumentaram desde o fim do ano passado. Na comparação das médias de fevereiro com abril, a diferença é sutil, passando de 24,48 para 24,52 bilhões de litros.

Na média das estimativas de safra, a perspectiva para o mercado de etanol anidro deu uma desanimada. As estimativas para a produção do renovável passaram de 11,20 bilhões de litros para 10,87 bilhões de litros. Já a média das estimativas para o hidratado permaneceu relativamente estável, passando de 13,35 para 13,42 bilhões de litros.
Em uma comparação com a safra 2016/17, a perspectiva é de uma queda de 4,41% na produção total de etanol. A produção de etanol hidratado cairia mais de 10% (média das estimativas em relação ao resultado da última safra), enquanto a produção etanol anidro cresceria 2%.

Produção de açúcar
A grande pergunta, que o mundo inteiro aguarda, é quanto o Brasil conseguirá produzir de açúcar. A média das projeções aumentou de 35,56 para 35,79 milhões de toneladas, sendo que a menor expectativa é a da Platts, com 34,9 milhões de toneladas. Já a Agroconsult prevê 37,1 milhões de toneladas – refletindo a visão de maior cana disponível para moagem.
Em recente relatório, a Sucden destacou, apesar da perspectiva de menos cana disponível na safra 2017/18, a percepção de que as usinas do Centro-Sul brasileiro devem trabalhar duramente para maximizar a produção de açúcar. Tendo isso em vista, a empresa analisa até onde pode chegar a produção da commodity a partir das previsões de moagem e mix de açúcar para a próxima temporada.
Na visão da trader, a moagem do Centro-Sul chegaria, no máximo, a 590 milhões de toneladas e a sua produção de açúcar variaria de 35,2 a 36,5 milhões de toneladas.
Caso a cana esmagada diminuísse (em relação à estimativa de 581 milhões de toneladas previstas pela instituição) devido a uma queda nos rendimentos agrícolas, as usinas conseguiriam manter a produção de açúcar na casa dos 35 milhões de toneladas apenas aumentando seu mix. Dessa maneira, a Sucden prevê que o mix poderia ser chegar a até 48,5%.
Esse mix elevado é uma possibilidade graças aos investimentos realizados em 2016/17. Segundo a empresa francesa, as usinas do Centro-Sul, estimuladas pelos preços atrativos, teriam aumentado sua capacidade de produção de açúcar em 1,1 milhões de toneladas.
Entre outros fatores que podem mudar os resultados estão a quantidade de cana bisada, a precocidade do início da safra e até onde a capacidade de produção de açúcar pode aumentar. “Há sinalizadores ascendentes para a cana esmagada e a mistura de açúcar”, aponta o relatório.

ATR e açúcar equivalente
A média das estimativas em relação à quantidade do açúcar total recuperado (ATR) em 2017/18 ficou em 134,30 quilos por tonelada de cana-de-açúcar. Já o ATR total deve alcançar 78,73 milhões de toneladas de acordo com a média das projeções.
Esses indicadores apontam para um otimismo moderado das consultorias. Na safra 2016/17, os indicadores fecharam em 133,03 quilos por tonelada de cana-de-açúcar para o açúcar total recuperável (ATR). Como a quantidade de cana disponível foi um pouco maior do que o previsto para 2017/18, em 2016/17 o ATR total alcançou 80,76.
“Vemos uma expectativa de ATR um pouco melhor do que na safra passada, em parte devido à expectativa de um clima mais seco, mas não é uma melhora significativa. Com a queda observada na moagem de cana-de-açúcar, aguardamos um ATR total cerca 1,1% menor que o ciclo 2016/17 e uma leve alta de 0,4% em relação à primeira estimativa”, explica o analista da INTL FCStone, João Paulo Botelho.


Reportagem: Marina Gallucci
Design: Jéssica Gelenski
NovaCana