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USJ não paga juros da dívida e S&P decreta ‘default seletivo’ da companhia

usj grupo usina 080715A nuvem negra do calote está pairando sobre a USJ Açúcar e Álcool desde o começo de 2016 – uma ameaça que acabou de virar realidade com a falta do pagamento dos juros de notas

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A nuvem negra do calote está pairando sobre a USJ Açúcar e Álcool desde o começo de 2016 – uma ameaça que acabou de virar realidade.

Dois meses atrás a agência já indicava a possibilidade de agravamento da crise. “Rebaixaremos os ratings de emissor e de emissão da USJ assim que a empresa concluir sua oferta de troca ou se ela não conseguir efetuar o próximo pagamento, no mês de maio de 2016”, ameaçava o relatório. O que aconteceu foi justamente essa segunda opção.

Veja a seguir os detalhes e a dura posição da S&P.

A nuvem negra do calote está pairando sobre a USJ Açúcar e Álcool desde o começo de 2016 – uma ameaça que acabou de virar realidade.

No dia 9 de maio, a USJ deixou de efetuar o pagamento dos juros de notas que, agora, estão em um período de carência de 30 dias para a realização da emenda dos pagamentos. “Consideramos o não pagamento de juros como equivalente a um default no nível da emissão porque vemos o pagamento de juros durante o período de carência como altamente improvável mediante a atual estrutura de capital da USJ”, aponta um relatório da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) sobre a atual situação da sucroenergética.

De acordo com a agência, a empresa ainda tem esperanças na oferta de troca e fez uma emenda à proposta anunciada em 15 de março, que agora expira em 13 de maio. Ainda assim, isso não deve melhorar muito a situação da USJ: “Consideraremos a recomendada oferta de troca, se aceita, como uma reestruturação feita sob condições desfavoráveis (distressed) e também como equivalente a um default nas obrigações porque o montante e as condições de pagamento se diferem daqueles originalmente estabelecidos”.

Enquanto esse prazo permanece, contudo, os ratings de emissor da USJ ficam rebaixados para SD na escala global e na escala nacional. Já os ratings de emissão foram para D – anteriormente, todos esses ratings eram classificados como CC.

Segundo a agência, um devedor avaliado como SD (default seletivo) ou D está em default em uma ou mais de suas obrigações financeiras. Especificamente, o rating SD é atribuído quando a S&P acredita que a companhia analisada continuará honrando suas obrigações de pagamento relativas a outras emissões ou classes de obrigações pontualmente. “Reavaliaremos nossos ratings da USJ após a conclusão da oferta de troca”, complementa a agência.

A S&P também pontua que a USJ ainda cumpre com suas outras obrigações correntes como empréstimos bancários, impostos e dívida com fornecedores. Além disso, foi mantido o rating de recuperação 4. Isso indica uma perspectiva de recuperação média (entre 30% a 50%) em caso de default.

Histórico recente

Em janeiro, a S&P afirmou que a empresa poderia ficar inadimplente em até seis meses, pois não haveria dinheiro suficiente em caixa para o pagamento de todas as obrigações.

Dois meses depois, em março, o grupo tentou renegociar as ofertas referentes a notas sem garantia no valor de US$ 275 milhões e que vencem em 2019. Em resposta a essa movimentação, a S&P rebaixou mais uma vez a classificação do grupo – que controla duas usinas em Goiás e uma em São Paulo.

Além disso, a perspectiva de crédito permaneceu negativa, indicando a possibilidade de diminuições da nota nos próximos meses. “Rebaixaremos os ratings de emissor e de emissão da USJ assim que a empresa concluir sua oferta de troca ou se ela não conseguir efetuar o próximo pagamento, no mês de maio de 2016”, ameaçava o relatório. O que aconteceu foi justamente essa segunda opção.

Renata Bossle – NovaCana

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