Usinas

Credores aprovam plano de recuperação judicial do grupo Moreno


Diário da Região (SP) - 16 nov 2020 - 07:27

Depois de sete assembleias de credores e muita negociação com os bancos, o plano de recuperação judicial do grupo Moreno, que atua no setor sucroenergético, foi aprovado. A assembleia iniciada na última quinta-feira, 11, foi interrompida e retomada na sexta-feira, 12, mas depois de nova interrupção, o plano foi aprovado por volta das 22 horas.

A dimensão do processo se dá em função dos números superlativos. Só de credores são cerca de 7 mil. As dívidas chegam a R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão são com bancos – os principais credores.

“Se analisarmos um caso que envolve valores expressivos de dívidas e um grande número de credores, além de comparar a outras empresas do ramo e considerar que estamos em meio a uma pandemia, um ano para a aprovação do plano não foi muito”, afirmou a advogada Fabiana Solano, sócia na área de recuperação judicial da Felsberg Advogados, que representa o grupo Moreno.

Os principais termos do plano incluem o pagamento de R$ 1 bilhão das dívidas – valor distribuído proporcionalmente entre certas classes de credores. Para isso, há um compromisso de venda de até duas das três usinas que foram o grupo, em um prazo de 24 meses.

Mas, segundo a advogada, caso a empresa arrume outros meios de levantar esses recursos, as vendas não seriam necessárias. “Os credores trabalhistas são os primeiros a receber, no prazo de até um ano para quem tem até 150 salários-mínimos”. completa.

Agora, o plano precisa ser homologado pela Justiça para que comecem a correr os prazos para seu cumprimento e os pagamentos.

O grupo Moreno é composto por três usinas, uma em Luiz Antonio, uma em Monte Aprazível e outra em Planalto – todas em São Paulo. As três, que estão em operação, têm capacidade para moer 13 milhões de toneladas de cana por ano, produzindo açúcar e etanol. O grupo emprega 5 mil pessoas e tem influência na economia de 52 municípios. O pedido de recuperação judicial foi feito em setembro do ano passado em função da crise do setor e endividamento do grupo.