Emissão de debêntures mantém caixa no azul; dívidas chegam a R$ 1,23 bilhão
Com três usinas em operação no Brasil – duas em Goiás e uma em São Paulo –, a USJ Açúcar e Álcool terminou a safra 2017/18 com lucro líquido de R$ 24,93 milhões. Apesar do resultado positivo, ele é 66,03% menor que os R$ 73,42 milhões da temporada anterior.
Independente da redução, o balanço final traz uma recuperação em relação ao comparativo mais recente. No terceiro trimestre de safra, a usina teve prejuízo de R$ 26,83 milhões, com um acumulado parcial positivo de apenas R$ 401 mil.
Com uma dívida que ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, o que segurou o caixa da companhia e manteve o resultado final positivo foi a emissão de debêntures. Elas foram necessárias principalmente para manter os pagamentos dos juros em dia.
Confira, na versão completa:
- Comparativo do lucro líquido por safra
- Desempenho financeiro da USJ
- Impacto da variação cambial
- Resultados operacionais da companhia
- Participação dos produtos na receita total
- Perfil das dívidas
Com três usinas em operação no Brasil – duas em Goiás e uma em São Paulo –, a USJ Açúcar e Álcool terminou a safra 2017/18 com lucro líquido de R$ 24,93 milhões. Apesar do resultado positivo, ele é 66,03% menor que os R$ 73,42 milhões da temporada anterior.
Independente da redução, o balanço final traz uma recuperação em relação ao comparativo mais recente. No terceiro trimestre de safra, a usina teve prejuízo de R$ 26,83 milhões, com um acumulado parcial positivo de apenas R$ 401 mil.
Com uma dívida que ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, o que segurou o caixa da companhia e manteve o resultado final positivo foi a emissão de debêntures. No valor de R$ 166,40 milhões, os títulos envolvem uma remuneração contratual equivalente à variação do IPCA mais 25% ao ano e prêmio de 4%.
Lucro, mas nem tanto
As debêntures foram necessárias principalmente porque as receitas financeiras do grupo foram muito mais baixas do que as despesas, fugindo de um certo equilíbrio existente nas safras anteriores. As entradas somaram R$ 11,77 milhões na última safra, ante R$ 227,74 milhões na temporada 2016/17 (-94,83%).
Já os débitos tiveram leve queda no mesmo comparativo, sendo de R$ 221,10 milhões frente os R$ 249,58 milhões anteriores (-12,87%). O montante foi majoritariamente direcionado para o pagamento de juros.

Outro indicador que pesou negativamente foi o impacto da variação cambial, que nas três temporadas anteriores havia jogado a favor do grupo. O índice mede a diferença em moeda nacional resultante das alterações nas taxas de câmbio.
Na safra 2017/18, a variação gerou um montante negativo em R$ 12,84 milhões e, na temporada passada, acrescentou R$ 70,93 milhões às contas da USJ.

Desempenho fraco
Além disso, a USJ também apresentou resultados tímidos em sua fase operacional. A companhia se manteve no azul, mas com um desempenho operacional menos eficaz que na temporada 2016/17. O lucro bruto na última safra foi de R$ 63,85 milhões ante os R$ 133,22 milhões vistos um ano antes – a queda é de 52,07%.

Nestes moldes, a receita operacional da USJ foi de 540,39 milhões, 5,76% a menos que os R$ 573,43 milhões demonstrados na temporada passada. Já os custos foram de R$ 476,54 milhões em 2017/18 frente aos R$ 437,41 milhões da safra anterior – um aumento de 8,95%.
Com isso, a relação entre os dois indicadores passou de 75,88% para 88,18% entre as duas safras, demonstrando uma piora no desempenho operacional da companhia.

Receita por produto
No total da receita bruta da USJ, a maior parte foi obtida a partir da venda de açúcar, que trouxe R$ 293,47 milhões para a companhia – uma redução de 11,58% em relação à safra passada, em que o adoçante remunerou R$ 331,91 milhões.
O etanol, por sua vez, fez o caminho inverso e apresentou um aumento de 7,31% na receita bruta no comparativo entre as duas safras: passou de R$ 211,85 milhões para R$ 227,34 milhões.
A receita bruta com energia elétrica também foi maior no comparativo, com um crescimento de 58,83%. Apesar do acréscimo mais evidente, este é o item que menos pesa na receita do grupo. O valor passou de R$ 4,8 milhões para R$ 7,7 milhões de uma temporada para a outra.

Dívida bilionária
No total, as dívidas da USJ com empréstimos e financiamentos somavam R$ 1,23 bilhão em 31 de março de 2018 – um aumento de 12,83% em relação aos R$ 1,09 bilhão vistos ao final da safra anterior. Em relação ao trimestre findo em 31 de dezembro de 2017, o montante devido subiu em 9,16%.
As dívidas a longo prazo da companhia representam a maior parte desse total. Nessa temporada, os débitos com vencimento superior a 12 meses somavam R$ 1,06 bilhão frente aos R$ 864,07 milhões registrados um ano antes. Com isso, a posição da dúvida aumentou em 22,78%.
O cronograma de pagamento foi adequado para os novos valores de dívidas da companhia. A maior parte, R$ 816,23 milhões, deve ser quitada a partir da safra 2020/21.
A curto prazo, as dívidas somaram R$ 171,21 milhões, um decréscimo de 25,41% em relação à posição ao final de 2016/17, de R$ 229,54 milhões. Segundo o documento, os débitos a curto prazo foram renegociados a fim de "adequar o fluxo de caixa, reduzir as despesas financeiras e os alongamento de prazos".

Em maio, a Fitch Ratings, agência de classificação de risco de investimento, aumentou o rating de probabilidade de inadimplência (IDR) da empresa, porém, a USJ ainda está no grupo de risco.
A companhia possui capacidade de moer 10,7 milhões de toneladas de cana e está autorizada a produzir diariamente 2,4 milhões de litros de etanol anidro e 3,5 milhões de litros de hidratado.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
